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DATA FRA NIJOS OG PLANTEFORSK - ET FRAMTIDIG GRUNNLAG FOR VERDSETTING?. 44

In document Grunnlag for verdsetting av innmark (sider 46-59)

Quando se refere ao “coração” – que não corresponde senão à sensibilidade –, segundo dos componentes essenciais do ser humano a que “A Essência do Cristianismo” faz referência, Feuerbach o concebe como algo carente, possuidor de fraquezas, repleto de anseios e paixões (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 63), e, por isso, como “essencialmente materialístico, [pois] […] só se satisfaz com um objeto que é visto e sentido” (FEUERBACH, 2012a, p. 294); ele se revela no sentimento e, no maior de todos, no amor, mas não em um “amor abstrato”, senão um amor que aceita a verdade sensorial, que é a unidade entre espírito e natureza, que é materialismo porque é o “idealismo da natureza”, porque é espírito, que tem carne e sangue (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 75-76), que se dirige apenas ao coração (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 81) e, portanto, não fala o “idioma da razão”.

O sentimento é uma força interior, a que Feuerbach se refere como “um poder íntimo e ao mesmo tempo um poder distinto, independente de ti, [...] [que] está em ti e acima de ti” (FEUERBACH, 2012a, p. 43), constituindo-se em critério do conhecimento real (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 230) e da verdade da ideia (cf. FEUERBACH, 2005d, p. 137), na medida em que “a afecção precede o pensar” (FEUERBACH, 2005f, p. 90), de tal maneira que “o pensamento confirma-se através da sensibilidade” (FEUERBACH, 2005d, p. 137). O amor, sentimento maior, é identificado, precisamente pelo mesmo motivo, ao mais elevado dos bens humanos (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 49).

Há, no entanto, que se estabelecer claramente uma diferença fundamental: quando fala de sentimento Feuerbach parece não estar se referindo ao fato de sentir em geral. Ambas as noções se distinguem no sentido de que

[…] a sensação […] [é] individual e individualmente sentida, ao passo que o sentimento emerge e resulta apenas da partilha. A sensação existe na referência a si e, portanto, como sensação sentida de um indivíduo; o sentimento porém apenas pode ser sentido na conjunção com um outro ser humano; a sensação une sujeitos a objectos em geral; o coração brota somente da união de seres pessoais. Mesmo que esteja isolado, ninguém deixará de ter sensações, de pensar e de agir, mas será incapaz de experimentar sentimentos, os quais despertam somente do amor do homem pelo homem. Só existe sentimento compartilhado (SERRÃO, 1999, p. 225).

Nessa perspectiva, Feuerbach parece querer deixar esclarecida a correspondência objetal entre a razão e o coração: assim como a razão tem no objeto o que lhe é essencial, também o coração. Por isso, Feuerbach argumenta:

Tenho um coração, se não amo? Não! Só o amor é o coração do homem. Mas o que é o amor sem aquilo que amo? Então o que amo é o meu coração, o meu conteúdo, a minha essência. Por que o homem se entristece, por que perde ele a alegria de viver quando perde o objeto amado? Por quê? Porque com o objeto amado ele perde o seu coração, o princípio da vida (FEUERBACH, 2012a, p. 83). 28

Se a razão é atividade, o coração é, em si mesmo, um misto de passividade e atividade: por ele o homem sofre, sente; por ele o homem tem um impulso para o agir, para realizar o bem (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 85). Feuerbach ainda comenta que é também o amor a causa da possibilidade de autorrebaixamento individual, da renúncia à autonomia que o homem pode realizar em relação a outro homem, como, por exemplo, no amor paternal (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 225).

Por esse motivo, Feuerbach julga que a mesma universalidade que existe na razão também ocorre no coração (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 261), e o mesmo poder de alcance de certa “verdade” (do ponto de vista do saber) para a primeira está disponível ao segundo, uma vez que o amor, expressão do coração é concebido como “a verdade absoluta” (FEUERBACH, 2012a, p. 261). Há, portanto, uma relação essencial indissolúvel no ser humano entre razão e coração, na medida em que “como a razão, o amor é de natureza mais livre, mais universal […]. Somente onde existe a razão impera o amor geral; a razão não é ela mesma nada mais que o amor universal” (FEUERBACH, 2012a, p. 254). Daí que ainda que haja uma especificidade (cf. FEUERBACH, 2012a, p. 75) de cada “força” ou “poder” (aqui chamados de “elementos essenciais”) humano, a consequência desta afirmação Este argumento voltaria a ser apresentado e com certa profundidade em meados da década de

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1860, prioritariamente em “Espiritualismo e materialismo” [Über Spiritualismus und Materialismus,

betonares in Beziehung auf die Willensfreiheit (1866)], ocasião em que Feuerbach descredenciaria a

tese da filosofia tradicional a respeito do suicídio, com base na alegação do instinto de autoconservação. A seu ver, “se o homem […] põe fim à sua vida, é porque perdeu ou teme perder aquilo que julga essencial à vida, [por isso] não age em contraste, mas em acordo com seu instinto de conservação” (FEUERBACH, 1993, p. 47 – tradução nossa). Daí que “o suicida não decide morrer livremente ou mais exatamente por capricho, por divertimento, mas por triste necessidade, determinado por uma razão, que para ele é uma razão última, insuperável, idêntica ao seu ser, não eliminável com argumentos contrários, portanto não arbitrária. […] decido-me a morrer porque sou constrangido a me separar do inseparável, a renunciar o irrenunciável […] uma separação à qual eu não sobrevivo” (FEUERBACH, 1993, p. 48 – tradução nossa).

parece residir no fato de que o homem deve ser compreendido como uma interpenetração permanente de seus elementos essenciais; caso se compreenda a antropologia de maneira fraturada, sem comunicação entre os mesmos elementos essenciais, a consequência é nefasta: quebra-se a unidade do humano, e seus poderes, uma vez cindidos, não nos permitem visualizar a complexidade da antropologia feuerbachiana. Ademais,

a única limitação que não contradiz, a essência do amor é a autolimitação do amor pela razão, pela inteligência. Um amor que despreza o rigor, a lei da inteligência, é teoricamente um amor falso, praticamente um amor pernicioso (FEUERBACH, 2012a, p. 261 – nota 72),

o que justifica a tese de que “o sentimento é o único conhecimento real” (FEUERBACH, 2012a, p. 230).

Não se trata, assim, de defender certa interpenetração confusa entre os elementos essenciais humanos, mas de admitir uma coordenação em vista da integralidade. Por esse motivo, Feuerbach argumenta que

eu ponho de lado no pensar as necessidades sensoriais do coração para não obscurecer a razão através dos desejos; [de tal maneira que] na separação das atividades [da razão e do coração] consiste a sabedoria da vida e do pensar. […] [De modo análogo,] meu coração fica satisfeito quando eu estou espiritualmente ativo – por isso, perante o coração rebelde, que ultrapassa seus limites, que se intromete indevidamente nas questões da razão eu penso de modo frio, indiferente abstrato, i. e., livre – portanto, eu não penso para satisfazer meu coração; eu só penso no interesse da razão, no puro instinto de conhecimento […] (FEUERBACH, 2012a, p. 294-295).

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