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3 Research design and methods

3.5 Data analysis

De forma a completar a informação estatística e o conhecimento sobre a população de Campo de Ourique de acordo com o tema desta dissertação, torna-se fulcral realizar uma análise mais direccionada para as comunidades sustentáveis e para o capital social. Assim, a caracterização sócio-demográfica que se segue tem como objectivo aprofundar os conhecimentos que se tem sobre a população no que respeita à sua caracterização em termos gerais, para assim melhor enquadrar esta nos indicadores que serão utilizados mais à frente nesta dissertação.

Assim, relativamente ao género, a amostra que é considerada compreende também o agregado familiar. Pode-se constatar que 56% das pessoas inquiridas são do sexo feminino e 44% do sexo masculino relativamente aos moradores, sendo que nos não moradores os valores registados foram menos expressivos, sendo de 51% de sexo masculino e 49% de sexo feminino, (Anexos, tabela 10).

143 Analisando o cruzamento das variáveis género e situação sócio profissional (que tem em conta moradores e respectivos agregados) podem-se constatar alguns valores importantes. O primeiro é o de que a população activa é composta por um maior número de mulheres (53%) do que homens (46%), o que comprova o maior número de mulheres na área de análise mas acentua ainda mais a proporção existente significando que existe uma maior taxa de actividade nas mulheres que nos homens. A comprovar este facto está a população desempregada que é composta por maior número de homens que mulheres. A população estudante é composta na sua maioria por homens, o que por sua vez substância em parte o menor número de população activa do género masculino. Relativamente à população reformada e doméstica não existem situações de sublinhar mantendo a tendência normal.

Gráfico 15: Género vs situação sócio profissional Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 11)

A média de idades registada foi de 51 anos. Analisando o gráfico (que congrega os valores de moradores e não moradores e respectivos agregados) pode-se observar duas importantes tendências: a população mais jovem corresponde aos não moradores e a mais velha aos moradores. De facto, e como será ilustrado mais à frente, a população jovem não moradora deve a sua maior presença ao facto de utilizar o bairro como local de trabalho como se poderá observar mais à frente na análise dos inquéritos. Já a população constituída pelos moradores é caracterizada por uma população menos activa e mais envelhecida, de facto, um dos maiores problemas deste bairro.

144

Gráfico 16: Idade, moradores e não moradores Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 12)

No que respeita à composição do agregado familiar, esta pergunta foi feita a moradores e não moradores pelo que os resultados ilustram sobretudo as características de agregado do conjunto de pessoas que vivem ou utilizam este bairro para uma necessidade específica. De realçar em primeiro lugar uma tendência que se confirma não só a nível nacional como também em muitos países desenvolvidos que é a pequena dimensão do agregado familiar, e também uma população idosa que cada vez vive mais sozinha. De resto, um indicador que vem já em linha com os dados anteriormente discutidos do INE. Importante também sublinhar que a maioria dos agregados familiares é composta apenas por um adulto (47%), o que significa uma maior preponderância das famílias mono parentais. Também o número de jovens por agregado é em 58% dos casos apenas 1 jovem. Outro elemento importante é o elevado número de agregados com apenas 1 idoso (69%) o que aponta para o facto de muitos idosos viverem sozinhos.

145 0 10 20 30 40 50 60 70 80 1 2 3 4 %

Nº de elementos por agregado

Composição do agregado familiar

Jovens (0-18)

Adultos (18-65)

Idosos (>65)

Gráfico 17: Composição do agregado familiar Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 13)

No que respeita ao grau de instrução pode-se constatar que uma percentagem importante das pessoas moradoras inquiridas (34%) possui grau de ensino superior e que uma percentagem ainda maior (44%) corresponde aos não moradores. No ensino secundário existe uma tendência inversa mas com diferenças bastante menores. Relativamente à escolaridade básica de 1º ciclo o resultado é de 22%. Analisando a distribuição do grau de qualificação por idade, podemos observar que os graus de menor qualificação são atribuídos à população mais idosa e que esta vai tendo menor expressão à medida que o grau de qualificação se eleva. Nota-se também um decréscimo, mas menos acentuado e com excepções, da população entre os 45-65 em direcção a graus de maior qualificação. Tendência contrária têm as idades 25-45 e 0-25 que apresentam maiores graus de qualificação e comprovam de resto a tendência nacional de maior qualificação da população mais jovem.

146 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 (% )

Grau de instrução

Moradores Não moradores

Gráfico 18: Grau de instrução Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 14)

Gráfico 19: Grau de instrução vs idade Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 15)

No que concerne à situação sócio profissional por morador e não morador (compreende também respectivos agregados), pode-se denotar que a população activa é bastante mais expressiva nos não moradores (quase o dobro do que entre os moradores), que substância o facto de que grande parte da população não moradora é mais jovem. Mais uma vez também na população estudante a proporção é maior nos não moradores. Relativamente

147 à população reformada esta é bastante maior nos moradores, estando mais uma vez este factor relacionado com a idade que é mais elevada neste grupo.

0 10 20 30 40 50 60 70 (% )

Situação Sócio-Profissional

Moradores Não moradores

Gráfico 20: Situação sócio-profissional Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 16)

No que respeita à idade do agregado familiar segundo situação profissional (inclui amostra dos moradores e respectivos agregados) registam-se valores importantes que vêm confirmar a regra. Cerca de 90% da população estudante é composta por pessoas dos 0-25 assim como um valor semelhante indica o número de pessoas reformadas com mais de 65 anos. Importante sublinhar aqui a relativamente elevada taxa de desemprego no estrato de idade que compreende os 45-65 anos, assim como elevado número de pessoas reformadas neste estrato que pode significar a desadequação das qualificações deste grupo que os força a se reformarem mais cedo.

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Gráfico 21: Idade vs situação sócio-profissional Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 17)

No que respeita à profissão dos elementos activos (moradores, não moradores e respectivos agregados) estas foram retiradas das áreas de actividade da CNP (Classificação Nacional das Profissões). Podemos constatar que o grupo dos não moradores se evidência essencialmente em dois campos: profissões intelectuais e científicas e serviços e vendedores, enquanto que os moradores se evidenciam nos técnicos de nível intermédio e administrativos e similares. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 (% )

Profissão dos elementos

Moradores

Não moradores

Gráfico 22: Profissão dos elementos Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 18)

149 Se se fizer uma análise ao grau de qualificação por profissão (compreende a amostra dos moradores e respectivos agregados), conseguem-se extrapolar informações importantes. Assim, de notar que profissões mais exigentes a nível de conhecimentos, como são as intelectuais e científicas e os técnicos de nível intermédio, possuem elevada percentagem de pessoas com curso superior. Já no caso de profissões de administrativos e similares a distribuição é bastante mais equilibrada, distribuindo-se por entre 2º ciclo, ensino secundário e superior. Já no que respeita às actividades relacionadas com os serviços e vendedores existe uma forte percentagem de pessoas com o grau de ensino secundário, o que ilustra o estrato da população que não prosseguiu para o ensino superior ingressando no mercado de trabalho. Já na área de actividade relacionada com operadores de instalação, máquinas, montagens existe uma forte concentração no grau de 3º ciclo, que explica o extracto de população de maior idade que não teve acesso a outro tipo de educação. Finalmente no que respeita ao estrato de pessoas com profissões não qualificadas distribuem-se maioritariamente pelo grau de 1º ciclo, o que já era uma correlação esperada.

Gráfico 23: Profissão dos elementos vs grau de qualificação Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 19)

No que concerne ao local de residência da população inquirida (compreende a população moradora, não moradora e respectivos agregados) a maioria das pessoas moradoras provém da freguesia de Santo Condestável (80%) sendo que a restante população

150 moradora em Campo de Ourique provém de Santa Isabel (20%), algo já esperado visto a área de análise ser a freguesia de Santo Condestável, mas também devido ao facto de esta ser a freguesia com mais população. Por sua vez os resultados relativamente à amostra não moradora reflectem a lógica de relações que existe entre o bairro e restantes lugares, e suporta de resto a ideia que o bairro é bastante frequentado por pessoas que não são de Lisboa. Infelizmente, uma grande parte da população moradora não quis dizer o local onde reside, contudo, a julgar pela dicotomia que existe entre Lisboa e fora de Lisboa, e assumindo que a proporção se manteria, dá para entender a correlação existente.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Santo Condestável

Santa Isabel Lisboa Fora de Lisboa NS/NR

(% )

Local de residência

Moradores Não moradores

Gráfico 24: Local de residência Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 20)

Aprofundando a relação do local de residência com o grau de instrução e idade, permite aferir por o tipo de população que compõe um local, e perceber algumas dinâmicas relacionadas com a escolha do local de residência, assim como perceber a relação entre o tipo de actividades e o local. Assim, pode-se observar que relativamente a Santo Condestável os maiores valores dizem respeito ao curso superior, e que este é predominante na idade dos 25- 45 anos. Assim vem corroborar os valores que foram atrás analisados referentes à grande quantidade de pessoas com actividade de técnico intermédio e elevado grau de qualificação. Por sua vez a freguesia de Santa Isabel apresenta uma população com menor qualificação (1º ciclo predominantemente) e mais envelhecida. A amostra não moradora proveniente de Lisboa apresenta grandes dicotomias na sua composição. Por um lado apresenta uma população idosa relacionada com baixos níveis de qualificação e por outro apresenta uma população jovem e adulta com níveis de qualificação mais elevados (ensino secundário e

151 superior). Já a população que vem de fora de Lisboa é composta por população mais jovem e graus de qualificação mais elevados.

0 5 10 15 20 25 30 >65 >65 25-45 45-65 >65 45-65 >65 25-45 45-65 >65 0-25 25-45 45-65 >65 0-25 25-45 45-65 >65 NS ler/esc. Sabe ler/esc.

EB 1º Ciclo EB 2º Ciclo EB 3º Ciclo E. Secundário Curso Superior

(%

)

Local de residência vs grau de instrução e idade

Santo Condestável Santa Isabel

Gráfico 25: Local de residência vs grau de instrução e idade Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 21)

Quando inquirida a população moradora do bairro sobre a mudança da área de residência, 77% da população diz que já teve outra habitação sendo que apenas 23% diz que só teve uma habitação (Anexos, tabela 22). Estes valores indicam uma tendência importante e polarizadora do bairro, contudo, quando comparado com outro indicador, o de tempo de residência no bairro, o qual registou o valor médio de 32 anos, pode-se extrapolar que é uma tendência que se tem vindo a atenuar e teve maior expressão há umas décadas atrás.

152

Gráfico 26: Tempo de residência em Campo de Ourique Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 23)

Fazendo uma análise da relação que existe entre grau de instrução e o tempo de residência em Campo de Ourique, podem-se verificar tendências interessantes. Assim, o grupo de pessoas que detém o grau superior vive, na sua maioria, há menos de 10 anos no bairro. Por sua vez, pessoas com o grau de ensino secundário denotam uma tendência antagónica, visto que cerca de 50% vivem há mais de 30 anos e os outros 50% vivem há menos de 20 anos. Nos graus de instrução mais baixos existe uma tendência crescente para o maior tempo de habitação no bairro. 0 20 40 60 80 100 0-10 10.-20 20-30 >30 (%)

Grau de instrução vs tempo de residência

Curso Superior E. Secundário EB 3º Ciclo EB 2º Ciclo EB 1º Ciclo Sabe ler e escrever Não sabe ler nem escrever

Gráfico 27: Grau de instrução vs tempo de residência Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 24)

153 No que respeita às razões que estavam por detrás da mudança de habitação, e à parte do valor mais significativo que foi registado para as pessoas que ou não quiseram responder ou só tiveram uma habitação (46%), regista-se como principal razão a família ou amigos (23%) seguida com razões relacionadas com a habitação (18%). Assim, a maioria das pessoas que mudou-se para o bairro deve essa mudança a importantes acontecimentos familiares (casamento, herança de família, família que já vivia no bairro, amigos que viviam lá), ou então a razões relacionadas com o preço da habitação, ou melhores condições das habitações disponíveis às pessoas neste bairro.

Gráfico 28: Porque mudou para Campo de Ourique? Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 25)

Se se tentar aferir a relação que existe entre os tipos de escolhas que levaram as pessoas a viver neste bairro e respectivo grau de instrução, pode-se identificar uma relação entre escolhas relacionadas com o trabalho, que são mais comuns no caso dos graus de instrução menores e escolhas relacionadas com o gosto pelo local mais relacionadas com os moradores com grau de ensino superior. As razões relacionadas com família e amigos, assim como habitação estão distribuídas mais equitativamente.

154

0 20 40 60 80 100 Não sabe ler /escrever

Sabe ler e escrever EB 1º Ciclo EB 2º Ciclo EB 3º Ciclo E. Secundário Curso Superior (%)

Grau de instrução vs porque mudou para Campo de Ourique?

NS/NR Habitação Família/amigos Trabalho Razões pessoais Gosta do local

Gráfico 29: Grau de instrução vs porque mudou para Campo de Ourique? Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 26)

Na composição do agregado por local de trabalho/estudo foram definidas quatro áreas geográficas: Campo de Ourique, Centro de Lisboa, Lisboa e Fora de Lisboa. Por ‘centro de Lisboa’ entende-se o centro histórico da cidade, por ‘Lisboa’ entende-se toda a área de Lisboa que não aquela abrangida pelas duas freguesias de Campo de Ourique e a atrás explicada referente ao centro de Lisboa, e finalmente ‘fora de Lisboa’ é toda a área que não diz respeito ao concelho de Lisboa.

Analisando a distribuição da população moradora e não moradora (mais respectivos agregados) pelos locais de trabalho e estudo, constata-se que os locais com maior empregabilidade são todas as zonas de Lisboa que não compreendem o centro histórico. Uma tendência que de resto veio confirmar as expectativas que existiam. Já relativamente ao segundo lugar com maior valor este é Campo de Ourique, tanto para os moradores como para não moradores, o que representa a relativamente forte concentração de actividades neste bairro que gera uma força de atracção significativa, sobretudo em não moradores. No que respeita a não moradores igual valor refere-se também à população que trabalha fora de Lisboa. O centro histórico de Lisboa é o local com menor representatividade nesse tópico, e que confirma também a ideia da sua decadência como pólo de empregabilidade.

155 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Campo de Ourique Centro de Lisboa Lisboa Fora de Lisboa (% )

Local de trabalho/estudo

Moradores Não moradores

Gráfico 30: Local de trabalho/estudo Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 27)

No que respeita à caracterização dos locais de trabalho de acordo com as áreas de actividade, pode-se observar que em Campo de Ourique encontra-se a maior distribuição de trabalhadores não qualificados, sendo que a seguir encontra-se a de estudantes e depois de serviços e vendedores a poucos valores das restantes áreas. É uma distribuição que aponta para uma oferta laboral de nível médio-baixo no que respeita ao grau de instrução, e aponta a forte dependência do sector do comércio (sobretudo tradicional) e serviços que existe no bairro. No centro histórico de Lisboa, encontram-se sobretudo as profissões mais relacionadas com a administração e similares. As actividades de índole intelectual e científica estão totalmente compreendidas em Lisboa, nos locais que não do centro histórico, o que demonstra a concentração de pólos de empregabilidade mais qualificados numa nova centralidade que não a do núcleo histórico. A outra área de actividade mais expressiva é a dos operadores de instalações e afins, bastante relacionada com a área da logística e transportes públicos. Fora de Lisboa, são os técnicos de nível intermédio que têm maior expressão.

156 0 20 40 60 80 100 (% )

Profissão vs local de trabalho/estudo

Campo de Ourique

Centro de Lisboa

Lisboa

Fora de Lisboa

Gráfico 31: Profissão vs local de trabalho/estudo Fonte: Elaboração própria (Anexos, tabela 28)