1. Innledning
1.1. Data og analysegrunnlag
O espaço que hospeda Grande sertão: veredas é o sertão/mundo, noção que criamos, discutimos e exemplificamos no dos estágios da linguagem. O tempo e a linguagem se confundem, trata-se de um relato, uma rememoração nos moldes do mito, já concordamos acima. Essa linguagem mítica deu acesso à linguagem da sabedoria e ambas foram identificadas na prosa de Guimarães. Nossa lente agora enfoca os símbolos.
Simbolizar a experiência do mal é uma situação vigorosa. O mal feito motivou seu agente, alterou profundamente o paciente e ramificou-se no ambiente dado, piorando-o muito. Dar nome a isso, veicular sua notícia com seus agravantes e as medidas para superação requer comunicação eficiente, como base para estratégias. Cai-se, então bruta mente nos conceitos. Simbolizar o conceito criado exige codificação por signos linguísticos, as palavras, que permitem falar.
Esta situação teórica ganha a expressão no relato de Riobaldo Velho, já dissemos, contando ao seu Compadre Quelemém sua saga. Lembremo-nos que Grande sertão: veredas começa por essa rememoração, e, então segura a lineradidade natural.
Seu primeiro encontro com o Menino foi marcado pelo mau episódio de um assedio escuso por parte de um Mulato.71 O Diadorim Menino tinha habilidade sestrosa em defender-se, andava armado de uma faquinha sutil com a qual feriu a coxa do assaltante. Importante, porém, para nosso estudo é a sensação que perdurou em Riobaldo Menino,após essa primeira aventura da dupla:
71 Cf. João Guimarães ROSA, Grande sertão: veredas, p. 82. Note-se que a destreza deste Menino
reflete uma predisposição para defesa, ele não foi surpreendido, alguém (o pai já o havia preparado). Ao leitor ingênuo desta obra configura outra, a segunda de nosso estudo de que ele é uma moça, se levarmos em conta a cultura de terras primitivas e ou em batalha .
O sério é isto, da estória toda - por isto foi que a estória lhe contei -- : eu não sentia nada . Só uma transformação pesável. Muita coisa importante falta nome.72
O peso da transformação, de tão radical ainda ficava no nível do sentimento, ainda não podia ser comunicada , pois ainda se processava o real conceito para depois poder vir a simbolização. O trajeto à fala, o nome, de cuja exteriorização viria o entendimento ainda emudece esse canal retroativo. Tal coragem também emudece Riobaldo Menino na medida que o influencia .Diadorim Menino já é uma incógnita e impõe uma pergunta : De deus ou do Demo 73
Já dimensionamos tempo e espaço, nível de estágio de linguagem na obra, nos itens anteriores deste capitulo, elementos textuais que compuseram a comunicação. Diadorim é um enigma.
Ainda sabemos que há um grupo de jagunços que será antogonista dele no decorrer da obra. Compreendemos, pelo rasteamento que elaboramos em torno do tema sertão que há lugares lúgubres, inóspitos . Como leitores de Guimarães, compreendemos que ele se dedica, na maioria de suas obras, a reverter sua prosa tematizando as aves que ele encontra à mancheia neste sertão tropical . Cumpre- nos agora interpretar as simbolizações que os apresentam, para entender onde está o mal nesta obra antológica. Sobretudo, nosso empenho é em compreender o nome que falta à transformação de Riobaldo.
Para estabelecer metodologia nessa imensidão de informação que o texto oferece, analisaremos passagens dos três temas que percebemos tratar de situações e de espaços confusos. O Chapadão do Urucuia e lugares análogos , as situações com o grupo do Hermógenes ao lado do binômio Riobaldo Diadorim O
72 João Guimarães ROSA, Grande sertão : veredas, p. 87 73 Cf. Ibid., p. 67.
O estágio da linguagem do mito e da sabedoria presente na obra autoriza-nos a seguir agora A simbólica do mal, de Paul RICOUER. (Note-se que este texto naõ tem tradução em Português) As noções que aqui exploramos são oriundas de leitura da versão em Inglês, Simbolism of evil e do original, em Francês, La symbolique du mal.) Com tal aporte podemos investigar o enigma homem- mito , espaço dinâmico do mal em processo. Ibid., p. 18, Capitulo II. Ele aparece na transgressão da justiça e da retidão, marcos estabelecidos no apelo profético judaico da confissão dos pecados. Para o Velho testamento a confissão integra o mito da queda. A alternativa para a compreensão do mal é a leitura que fazemos baseados no texto de João Guimarães ROSA, uma hermenêutica do mal universal, cuja simbólica adotamos de Paul RICOEUR, para media-la com o universo da condição humana, presente em Grande sertão: veredas , dado no cultura regional.
transcorrer desta fenomenologia -- mal feito por um, e sofrido por outro -resulta sofrimento e culpa .
A linguagem das aves que compõem o cenário, ficará reservada para a noção de metáfora viva, à frente. Sim, porque na prosa de Guimarães as aves falam. Desta forma, dando conta da ambiência e do renomado bandido da trama, isolaremos as posturas de Diadorim, e finalmente a tragédia, palco onde fica Riobaldo, posto que ele é o narrador da peripécia.
Nosso trabalho consistirá em facilitar a expressão simbólica que estava emudecida em Riobaldo Menino, no primeiro encontro. Quando esta sensação ganhar discurso estará exposta para análise e compreensão. Principalmente, o julgamento do leitor questiona isso, notadamente o leitor persistente, que retornará chegando aos trunfos evidenciais que já mencionamos acerca da feminilidade patente de Diadorim.
O assombro e a alienação revertidos para expressões linguísticas, a partir dos símbolos, permitirão os nomes, aqueles que encerram a primariedade do mal na linguagem: contaminação (mancha), o pecado e a culpa , em circuito progressivo. Assim, o aporte da emoção favorece a manifestação do imaginário poeticamente, que é parte final da confissão, na simbólica do mal.
A poeticidade, segundo Ricouer, demarca na confissão a relação com o mal, porque descobri-lo é uma aventura. Isto decorre porque há fratura relacionada ao Cosmos e ao Tratado ético. A simbolização desta vigorosa situação cria a dimensão comunicativa entre o mito e sua conscientização pelo o sujeito da prática maléfica, e isto vem eivado de emoção - aí a poesia. Trata-se de comunicar aquilo que o mito deu como modelo e chega recusado. Essa comunicação é adequada nos símbolos balizados pela filosofia correlacionada à cultura, para poder dar ciência da falibilidade74.
74 Termo pelo qual Paul RICOUER define a atuação filosófica, ao lado da cultura, logo do tempo e do
espaço no processo da confissão. Vide Capitulo II, que trata da teoria da Simbólica do Mal, o conceito ricoueriano de Neopassado .