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Kapittel 2: Skadevoldende vesener

2.2 Daimones og spøkelser

2.2.1 Daimones

Direção e biblioteca

A sala da direção ficava próxima da entrada da escola, mas a biblioteca era a primeira sala. Você chegando na escola, a primeira sala era a biblioteca. Então, não tinha como entrar na escola sem passar pela biblioteca. Depois era a sala de secretaria e direção, também próxima do centro da escola, de fácil acesso pros alunos, pros professores, pros pais. A direção ficava compartilhando do

movimento da escola, não isolada lá, pra trabalhar só com a burocracia. Então qualquer coisa que fugisse à rotina da escola, uma gritaria, alguma coisa assim, o diretor escutava e já ia ver o que tinha acontecido; ou a coordenadora pedagógica ia ver o que estava acontecendo, se era uma coisa irregular ou se era uma atividade simplesmente. Então se era irregular acertava o que estava errado e se fosse atividade deixava correr. Então isso tudo era bem planejado (E6 apud RESENDE, 2011, p. 116–7).

Veja-se a disposição dos espaços descritos no recorte da planta.

PLANTA 2. Projeção da distribuição da sala de aula, do pátio, da cantina, da direção e da biblioteca

Fonte: RESENDE, 2011, p. 115

Quadra e área externa

Muita área verde, campo de futebol de grama, quadras, duas quadras, só não eram cobertas,... muito espaço, o quarteirão inteiro pra escola. Não era uma escola espremida. Muita área de horta, bosque, área de estacionamento, tudo

isso dentro da escola. Então tudo isso dava uma certa tranquilidade para os professores, trazia paz de espírito, esse ambiente externo acabava contribuindo para o enriquecimento e tranquilidade do ambiente interno também. Não só interno da escola, mas interno das pessoas. (E6 apud RESENDE, 2011, p. 117).

Embora algumas escolas pesquisadas tenham feito ampliações ou alterações, mantiveram a parte original. A diferença de projeto pode ser percebida, mas não é significativa. Uma visita a cada uma das oito estudadas tende a deixar a impressão de que se tratava da mesma escola.

Ainda sobre os espaços físicos e sua consonância com a proposta pedagógica, Silva (1970, p. 50) salienta:

O prédio e as instalações escolares do ginásio polivalente deverão permitir a realização adequada dos planos de curso, incluindo não sòmente salas de aula comuns, mas também as oficinas para as artes práticas; laboratórios para um ensino de ciências não expositivo e livresco, mas baseado na realização de projetos a partir dos quais os alunos cheguem indutivamente à compreensão de leis e princípios; equipamento e material de ensino apropriados a cada uma das demais disciplinas, e biblioteca a ser efetivamente usada como base da modernização do ensino das humanidades e de tôdas as atividades do currículo. Aliás a referência ao ensino das ciências deve ser aproveitada para que salientemos que estas e as artes práticas darão em grande parte a tônica do trabalho docente do ginásio polivalente, com vistas a iniciar os educandos na cultura de base acentuadamente científica e tecnológica que tende a ser, cada vez mais, a das modernas sociedades desenvolvidas.

A organização espacial e ambiental nos Polivalentes era carregada de significados. Além dos já expostos até o momento, há de considerar a função da policromia, que ia além da estética, pois visava auxiliar na identificação dos espaços, que foram agrupados em seis áreas: 1) área das disciplinas acadêmicas; 2) área das artes e desenho, laboratório de ciências, educação para o lar e técnicas comerciais; 3) área da biblioteca; 4) área das artes industriais e técnicas agrícolas; 5) área da administração, serviços, vestiários e sanitários; 6) área de recreação. O quadro a seguir especifica o esquema de cores por área.

QUADRO 8. Esquema de cores Á R E A S E S Q U E M A D E C O R E S Componentes

Paredes Folhas portas Batentes

portas Bandeiras

Portas divisórias

Painéis

divisórios Caixilhos Forros Quadro giz

Quadro avisos 1 Bege 879 Verde-oficial

450 Oliva 856 — Bege 879 Bege 879 Oliva 856 (1)

Branco 949 (2)

Verde-oficial

450 (1) Bege 879 (1) 2 Bege 879 Azul-real 860 Oliva 856 — Bege 879 Bege 879 Oliva 856 (1) Branco 949

(2)

Azul real 860 (1)

Bege 879 (1)

3 Bege 879 Cerâmica 871 Oliva 856 — — — Oliva 856 (1) Branco 949

(2) Azul real 860 (1) Bege 879 (1)

4 Bege 879 Mel 952 Oliva 856 — — — Oliva 856 (1) — Azul real 860 (1) Bege 879 (1)

5 Bege 879 Cerâmica 871 Oliva 856 Bege 879 Bege 879 Bege 879 Oliva 856 (1) Branco 949

(2) (3) — —

6 — — — — — — — --- (3) — —

Obs. (1): montantes em oliva 856

(2): mesmo quando de laje de concreto

(3): nos vestiários, sanitários, oficinas e pátio coberto

As terças em oliva 856, os caibros em branco 949 e as ripas em cor da telha. Fonte: dados da pesquisa23

3.2.2 Currículo e artes práticas

Em nosso entendimento, este tópico é central nesta tese porque recai sobre ele a novidade do projeto das escolas Polivalentes. Grade curricular, quadro curricular ou plano curricular foram denominações encontradas nas escolas para se referirem ao documento onde são elencadas as disciplinas do curso e suas respectivas cargas horárias por série.

Silva (1970, p.49–50) alerta que o documento que elenca as disciplinas é muito mais que uma simples listagem; tem de ser entendido

[...] não apenas como o elenco das disciplinas e práticas oferecidas pela escola, mas [também] como a totalidade de experiências que se proporcionarão ao aluno, dentro e fora das salas de aula, coordenadas com vistas a prepará-lo para assumir o papel de adulto responsável na sociedade atual. Deverão integrar o currículo, dêsse modo, não somente o programa de ensino formal, nas salas de aula, laboratórios e oficinas, mas também os programas de atividades extraclasse, o de atividades extraclasses que serão instrumento valioso de articulação da escola com a comunidade, o programa de orientação educacional de que participará todo o corpo docente, técnico e administrativo da escola, com o objetivo de ser cada aluno objeto de atenção e aconselhamento individuais. É evidente que nesse planejamento global do currículo, as atividades letivas terão o merecido relevo, sob a forma de elaboração minuciosa dos planos de curso das diversas disciplinas e sua contínua revisão e reorganização, considerada igualmente a necessária correlação entre as várias disciplinas de cada área curricular. Os planos de curso indicarão os objetivos de cada disciplina ou prática educativa, em termos de mudanças mensuráveis do comportamento dos alunos que resultem das atividades de aprendizagem, bem como especificarão os métodos de ensino e o material didático necessário.

Esse documento — “Plano curricular” — foi encontrado em quatro escolas (Araxá, Frutal, Ituiutaba e Monte Carmelo). Coincidência ou não, essas escolas foram as criadas pelo mesmo decreto, em 1974. Em relação à escola de Uberlândia, que iniciou suas atividades em 1971, o Plano Curricular mais antigo data do ano de 1975 e foi encontrado na Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia. Nas demais escolas pesquisadas, criadas pelo decreto de 1971, este documento não foi localizado. De acordo com a resolução 925, de 27/5/1970, em seu anexo II, o currículo das escolas Polivalentes deviam apresentar as seguintes características:

[...] b) Diretrizes gerais para o ginásio polivalente: 1 – O currículo e sua programação integrarão as disciplinas de caráter acadêmico e as Artes Práticas, de modo a proporcionar aos estudantes, uma experiência educacional equilibrada. O conteúdo de todo o currículo do Ginásio Polivalente deve estar

atualizado e deve ter real significado para a vida presente e futura do estudante no mundo moderno (MINAS GERAIS, 1970b).

Essa orientação foi observada nos planos analisados ao categorizarem as disciplinas do currículo em “Formação geral” e “Educação específica” ou “Educação especial”. No primeiro bloco, estão as disciplinas Língua Portuguesa e Língua Estrangeira, Educação Artística, Educação Física, História, Geografia, OSPB (Organização Social e Política do Brasil), Educação Moral e Cívica, Ciências Físicas e Biológicas e Programa de Saúde e Matemática. O plano de Araxá inclui ainda Orientação Educacional, Ensino Religioso e Biblioteca. Em relação a estas últimas, há divergência na apresentação de acordo com a cidade. Em Ituiutaba, em 1975, são apresentadas como Outras Atividades em um campo à parte da Educação Geral e Formação Especial.

Em relação à carga horária semanal (S) e anual (A), a variação de um plano para outro é pequena. Prevalece o seguinte: Português, Matemática e Artes Práticas, com quatro aulas semanais; Ciências e Programa de Saúde, três aulas semanais; História, Geografia, Educação Física e Língua Estrangeira, duas aulas semanais; Educação Artística, Ensino Religioso, OSPB e Educação Moral e Cívica, uma aula semanal. Essa semelhança deve-se à orientação legal para o currículo dos ginásios Polivalentes, que previa:

3 – Disciplinas de caráter prático-vocacional serão obrigatoriamente introduzidas e exigidas como parte do currículo. Nas duas primeiras séries que incluem entre seus objetivos uma sondagem geral das aptidões vocacionais dos alunos, todos eles devem passar, num mínimo de 4 horas semanais, por variadas áreas vocacionais, entre as quais as práticas de Artes Industriais,

Técnicas Agrícolas e Técnicas Comerciais e Economia Doméstica ou

Administração do Lar cada uma destas durante pelo menos meio ano letivo.

A terceira série prolongará o processo de sondagem, devendo, entretanto, o aluno, na parte referente às 4 práticas acima enumeradas, optar por uma delas. Na quarta série, os alunos terão possibilidade de escolha entre várias opções vocacionais destinando-se um mínimo de 4 horas semanais para a matéria de opção. [...] 4 – Os requisitos para graduação abrangerão artes práticas, as quais, ordinariamente, serão incluídas no currículo pela redução de um número apropriado de horas, reservadas às disciplinas tradicionais; tais alterações serão efetuadas naquelas partes do currículo obrigatório, em que, por lei, a escolha compete à escola e ao Estado. Um dos objetivos desta diretriz é manter uma carga horária razoável para o aluno, mesmo com o acréscimo no currículo das artes práticas (ver diretriz 8 referente à carga horária dos cursos). Conseqüentemente, as disciplinas tradicionais serão objeto de revisão e, quando possível, disciplinas afins serão combinadas ou o número será reduzido no sentido de integrar as novas disciplinas do currículo modificado. As áreas de flexibilidade admitidas da reforma e experimentação do novo currículo são: 1 – as disciplinas optativas; 2 – cursos experimentais permitidos pela LDB; 3 – a flexibilidade de carga horária para as disciplinas obrigatórias

estabelecidas pelo Conselho Federal de Educação. Todavia, as disciplinas devem ser de tal modo dosadas que não haja exclusão total daquelas áreas necessárias para uma educação completa. Assim, atividades artísticas e

educação física deverão constituir parte do currículo do ginásio nas suas quatro séries. Além disso, atividades extraclasses, tais como recreação e clube para atender interesses especiais, devem ser encorajadas (MINAS GERAIS, 1970b, grifo nosso).

O recurso de disciplina optativa foi utilizado para o Ensino Religioso, Biblioteca e Língua Estrangeira. Quanto a esta, as escolas de Uberlândia, Araguari e Uberaba ofereceram o curso de Francês e Inglês, enquanto as de Frutal, Ituiutaba e Monte Carmelo ofereceram língua inglesa. No plano curricular da escola de Araxá, é mencionado apenas Língua Estrangeira. Em relação a Ensino Religioso e Biblioteca, o plano, em 1976, traz os seguintes esclarecimentos:

[...] o ensino religioso foi incluído na carga horária mínima, mas é facultativo para o aluno; o aluno que não optar pelo ensino religioso será incluído às atividades de Biblioteca na carga horária de 25 aulas semanais; os alunos que optarem pelo ensino religioso, as atividades de Biblioteca estão integrados [sic] a comunicação e expressão Língua Portuguesa (ESCOLA ESTADUAL POLIVALENTE DE ARAXÁ, 1976, s. p.).

Cabe esclarecer que, durante a transcrição do quadro curricular de Araxá, foi detectado o seguinte equívoco: nas colunas das horas anuais das quintas e sextas séries, foi colocado o valor 1:20. No entanto, como a quantidade de aulas anuais foi de 144 e cada aula teve duração de 50 minutos (conforme o quadro), efetuando a multiplicação, obtemos o produto de 7,2 mil minutos, ou seja, 120 horas. Para não gerar confusão, o quadro curricular de Araxá (ANEXO A) está apresentado com a citada correção.

Em relação às disciplinas de artes práticas, que embasaram o princípio da polivalência e caracterizaram o ginásio como vocacional, foram justificadas por Salles (1970, p. 63) da seguinte forma:

O ensino das Artes Práticas põe o aluno em contato com o mundo do trabalho; enseja-lhe um tipo de experiência que envolve a manipulação e a apreciação de instrumentos, de ferramentas, de processos, de produtos; oferece-lhe condições para uma visão mais precisa do valor prático e da significação sócio-econômica da produção; proporciona informações sôbre os processos básicos da indústria, da agricultura ou do comércio; contribui para que o aluno aprenda a raciocinar em têrmos de coisas e fatos concretos, assim como a planejar um trabalho e a encontrar solução para um problema; desenvolver atitudes básicas que concorrem para a educação geral do alunos e para o aperfeiçoamento da cultura que se está formando; além disso, o tipo de organização das classes de Artes Práticas, com os alunos operando ativamente e em conjunto, estabelece entre êles mais estreitas relações de trabalho,

permitindo-lhes sentir que pertencem a um grupo, que seus esforços e contribuições têm um sentido coletivo, o que poderá ter efeito para a realização do objetivo geral de prepará-los para uma futura vida social mais solidária.

O caráter prático do ensino não se restringia às disciplinas de artes práticas, mas devia ser estendido às demais disciplinas e atividades escolares, com vistas a formar o futuro trabalhador.

O currículo deve incluir atividades de aprendizagem de alto valor prático para o estudante, dentro e fora da sala de aula. Além disso, tais atividades devem preparar o estudante de maneira adequada, para assumir o papel de um adulto responsável no mundo atual (BRASIL, 1970b).

Pela necessidade de consonância com o mundo do trabalho e, assim, com as atividades econômicas presentes no contexto do aluno, presumiu-se certa flexibilidade na escolha das atividades por cada escola. No entanto, conforme a resolução 925, deviam ser cumpridos os seguintes critérios:

Instalações e equipamentos especiais nos novos ginásios permitirão uma orientação geral nas artes práticas durante as duas primeiras séries e uma concentração maior das duas últimas. Para atingir esses objetivos cada ginásio “módulo” terá 4 oficinas para artes práticas, de acordo com um dos seguintes padrões: a) centros urbanos em regiões de economia predominantemente agrária: uma oficina de técnicas agrícolas, uma de artes industriais, uma de técnicas comerciais e uma de educação para o lar; b) centros urbanos em regiões de economia predominantemente não agrária: duas oficinas de artes industriais, uma de técnicas comerciais e uma de educação para o lar (MINAS GERAIS, 1970b).

Conforme vimos no item 3.1, as oito cidades pesquisadas da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba eram “predominantemente agrárias”; ou seja, encaixam-se no item “a)”. A importância do ensino escolar de Práticas Agrícolas, Comerciais e Industriais pode ser justificada na análise econômica

As origens das transformações da produção agropecuária no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba remontam às primeiras décadas do século XX, em que se verificou a passagem de uma atividade essencialmente voltada a subsistência, para uma agropecuária comercial, cuja produção destina-se ao mercado nacional, De fato, foi nesse período que a expansão comercial vivenciada a partir de 1889, com a chegada de Estrada de Ferro Mogiana, geraram as bases para a transformação do padrão da atividade agropecuária (ver Brandão, 1989; Martins, 1998). Mas foi a partir da década de 1970, com a “incorporação dos cerrados” aos circuitos agroindustriais mais dinâmicos, é

que se materializaram as transformações nas características dessa atividade, em um contexto mais amplo de modernização agrícola brasileira. Conforme ressalta Brandão (1989, p. 149): “o Triângulo Mineiro foi, sem dúvida, uma das regiões brasileiras onde a expansão e a intensidade das transformações no campo se deram em maior sintonia com as orientações do “novo padrão agrícola” (MARTINS; SILVA; ORTEGA, 2015, on-line).

Por essa citação, percebemos a necessidade de conjugar atividades das três áreas econômicas — primária, secundária e terciária — para o desenvolvimento da região. Tais áreas se fizeram presentes nos currículos das escolas com pequenas diferenças, como se lê no quadro a seguir.

QUADRO 9. Conteúdos curriculares por área econômica

Á R E A E C O N Ô M I C A F R U T A L I T U I U T A B A U B E R L Â N D I A Primária Agricultura Fitotecnia Zootecnia Agricultura Fitotecnia

Indústrias de prod. alim. Zootecnia

Fruticultura

Indústrias de prod. alim. Jardinagem

Olericultura

Zootecnia (cunicultura, avicultura)

Secundária Cerâmica Couro Eletricidade Gráfica Madeira Metal Artes gráficas Cerâmica Couro Eletricidade Madeira Metal Artes Gráficas Cerâmica Eletricidade Madeira Mecânica Metal

Terciária Comércio e serviço

Saúde

Comércio e serviços Educação para o lar Saúde Atividades bancárias Atividades comerciais Atividades de escritório Datilografia Economia doméstica Habitação e decoração Miniempresa comercial Saúde Vestuário

Fonte: dados da pesquisa24

Sobre o desenvolvimento das disciplinas de artes práticas, a resolução 925 assim estabelece.

Durante os dois anos introdutórios, tanto nas regiões de economia agrícola como nas áreas urbanas, os professores das 4 principais artes práticas devem trabalhar em estreita cooperação (troca de aulas e demonstrações, ensino por equipe, não duplicação de atividades, etc.), de modo a permitir que o ensino nestas áreas tenha a maior unidade possível. Durante os dois últimos anos os alunos terão ensejo de tirar maior proveito dos interesses e habilidades descobertos, nos dois primeiros anos exploratórios. Nas artes práticas, os estudantes terão oportunidades de realizar estudos mais avançados daquela prática que porventura tiver escolhido. Quanto à economia doméstica, seu

24 As informações no Quadro 9 provêm dos planos curriculares presentes nos acervos das escolas Polivalentes de

aprendizado não é previsto exclusivamente para os alunos do sexo feminino. Quando destinado a meninos, o programa deve atender à sua condição e às suas funções no futuro lar, abrangendo não só problemas de administração do lar, como, na medida do possível e desejável, atividades de economia doméstica. O currículo do ginásio polivalente e, particularmente, a extensão do ensino vocacional, a proporção das práticas vocacionais em relação às matérias gerais, deverão ser objeto de análise constante de adequação à variedade de tendências dos alunos, para que no fim de um período de quatro anos, chegar-se a uma avaliação dos métodos e, se for o caso, à conclusão da necessidade de mudanças curriculares (MINAS GERAIS, 1970b).

Uma forma de visualizar esses conteúdos curriculares e buscar compreender como eles se materializaram nas aulas é analisando os diários de classe. Dessa forma, passamos à apresentação de alguns encontrados no acervo da escola de Araguari.

3.2.3 Conteúdos trabalhados nas aulas de Artes Práticas

Foram encontrados vários diários de todas as disciplinas e turmas diversas. Em apanhado geral desses diários, enfatizamos o conteúdo trabalhado em sala de aula nas quatro disciplinas de artes práticas. Vamos nos restringir a essas disciplinas porque são diferenciais curriculares das escolas Polivalentes. As demais, que pertencem ao campo da formação geral, não serão apresentadas aqui neste tópico — currículo e artes práticas — por acreditarmos que seu conteúdo conceitual seja semelhante ao das demais escolas públicas estaduais. Também vamos nos limitar aos diários de 1972–3, uma vez que correspondem ao início dos trabalhos na escola e por ser a maioria dos diários encontrados na escola.

Educação para o Lar — 5ª e 6ª séries — Período letivo 14/12/72 a 2/06/1973. O que

pode ser verificado pelos diários é que essa disciplina foi estruturada em quatro grandes áreas: alimentação, vestuário, saúde e habitação, trabalhadas intercaladamente e em atividades teóricas e práticas. Ao final dos blocos de conteúdos fazia-se a avaliação da aprendizagem. Aula inaugural: explicação e conhecimento da sala ambiente e de locais onde são guardados os materiais utilizados.

 Manejo de equipamentos (demonstração pelo professor e por alunos)  Pesquisa sobre família; boas maneiras à mesa (demonstrações)  Campanha do Dia da Saúde (confecção de cartazes)

 Alimentação

o Higiene dos alimentos

o Apresentação do laboratório de alimentação (leitura e compreensão das apostilas).

o Proteína (discussão e compreensão da apostila)

o Projetos: omelete fofa, pasteurização caseira do leite (leite com chocolate), bife à milanesa (leitura, realização e conclusão dos projetos).

o Subnutrição e estados de carência (discussão e compreensão da apostila) o Lasanha, macarronada, pudim, pizza, arroz de forno (leitura, realização e

conclusão de um dos projetos)

o Os erros mais comuns na alimentação do brasileiro e como corrigi-los (discussão e compreensão do texto)

o Nutrientes: água, gordura e sais minerais (pesquisa)

o Projetos: maionese, torta de banana, espetinho, salada de legumes (leitura e execução de um dos projetos)

 Vestuário

o Adequação dos tecidos e modelos às atividades do indivíduo o Trabalho sobre evolução da moda

o Execução do projeto: medidor de bainha

o Reconhecimento das fibras (discussão e compreensão da apostila) o Teste da queima da tinta e da acetona (leitura, realização e conclusão do

projeto)

o Porque é vital ter conhecimento sobre tecidos