Para a construção da análise do corpus de (dezoito) 18 trabalhos acadêmicos que tratam das concepções étnicas de infância indígenas destaca-se a seguir o título, o autor, a instituição e a área de concentração de cada estudo. Além disso, será realizada uma breve descrição das 18 produções acadêmicas.
Quadro 5- Trabalhos que tratam das Concepções étnicas de infância indígena
CONH, Clarice. A criança indígena: a concepção Xikrin de infância e aprendizado. 2000. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Universidade de São Paulo.
NOAL, Miriam Lange. As crianças Guarani/Kaiowá: o mitã reco na aldeia Pirakuá/MS. 2006. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Estadual de Campinas.
MELCHIOR Marcelo do Nascimento. WATÉBRÉM XAVANTE: uma aproximação ao mundo da criança indígena. 2008. Universidade Católica Dom Bosco. (Dissertação em Educação). Universidade Católica Dom Bosco.
SOBRINHO, Roberto Sanches Mubarac. Vozes infantis das crianças Sataré-mawé como elemento de (des)encontros como as culturas da escola. 2009. (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina.
ZOIA, Alceu. A comunidade indígena Terena do Mato Grosso: infância, identidade e educação. 2009. (Doutorado em Educação) - Universidade Federal de Goiás.
Com relação aos trabalhos que tratam das “concepções étnicas de infância indígena”, apresentada no quadro 5, destacam-se os cinco (5) trabalhos, duas (2) dissertações de mestrado e três (3) teses de doutorado que serão descritos a seguir.
O trabalho de dissertação “A criança indígena: a concepção Xikrin de infância e aprendizado” (COHN, 2000) investiga o modo como os Xikrin do Bacajá, grupo Kayapó
(Jê), que vivem no sudoeste do Pará, concebem a infância e o aprendizado. O estudo foi conduzido a partir da pesquisa de campo com observação participante, em que os resultados mostraram que as crianças estão em todos os lugares, e podem tudo ver e ouvir; mas os Xikrins dizem que elas têm ainda os olhos e ouvidos fracos, e que, por isso, nada sabem ainda. Isso é, de fato, a razão por que eles dizem que as crianças tudo sabem por que tudo veem e ouvem, mas nada sabem por que são crianças. Olhos e ouvidos se desenvolverão, tornando-as capazes de efetivamente aprender, de se engajar, por iniciativa própria, ou como membros de uma categoria de idade, e, portanto, individual ou coletivamente, em relações de aprendizado.
Conhecer o cotidiano das crianças Guarani/Kaiowá da Aldeia Pirakuá/MS, bem como evidenciar suas especificidades étnicas, registrando e descrevendo a infância no espaço coletivo da aldeia foi o que objetivou a tese de doutoramento intitulada: “As
crianças guarani/kaiowá: O mitã reko na aldeia pirakuá/MS (NOAL, 2006). O referido
trabalho apresenta como questão: Quais as especificidades étnicas evidenciadas no cotidiano das crianças Guarani/Kaiowá da aldeia Pirakuá/MS? E para os aportes dessa pesquisa a autora utilizou como metodologia a pesquisa etnográfica com observações e registros fotográficos. Os dados coletados subsidiaram o registro e a discussão do que significa ser criança em uma aldeia indígena através de vinhetas narrativas. Os resultados mostraram que os adultos não perderam o jeito criança de ser: lúdicos, atentos, alegres, brincalhões. Possuem riso fácil, ouvem com atenção, observam muito, interagem constantemente entre si, com as crianças e com o meio. A presença de contradições e de elementos não habituais na cultura Guarani/Kaiowá são evidenciados e discutidos a partir do conceito de circularidade cultural.
A Dissertação “Watebremi Xavante: uma aproximação ao mundo da criança indígena. (MELCHIOR; 2008) tem como objetivo compreender e conhecer as crianças
Xavante no cotidiano da aldeia de Sangradouro, no Município de General Carneiro MT, evidenciando suas ações, formas e jeitos próprios de agir. O estudo foi conduzido pela
metodologia que corresponde à pesquisa etnográfica. Os resultados revelaram que a criança Xavante é alegre, o que gera um aprendizado de tudo que está na aldeia. Ela é o autor capaz de criar e modificar a sua cultura, mesmo estando inserida e fazendo parte do mundo dos adultos e contribui ativamente no processo de interação social.
A Tese de doutoramento intitulada “Vozes infantis: As culturas das crianças
Sateré-Mawé como elementos de (des)encontros com as culturas das escolas.” (SOBRINHO, 2009), trata de uma pesquisa etnográfica pautada na objetivação
participante, cujo alvo é refletir juntamente com as crianças, a importância da valorização da cultura Sateré- Mawé, através das brincadeiras, dos rituais, das músicas e da linguagem. A partir do problema investigado sobre: como vivem as crianças da etnia Sataré-Mawé e
como constroem suas culturas da infância tendo como influência a cultura tradicional do seu povo e as diversas influências do meio urbano?, os resultados mostraram a importância de olhar e compreender a infância sob o ponto de vista das crianças Sataré- Mawé, entendendo que neste grupo indígena o conceito de infância é distinto dos conceitos veiculados nos espaços acadêmicos.
O trabalho de tese de doutoramento intitulado “A comunidade indígena terena do
norte do Mato Grosso: Infância, identidade e educação.” (ZOIA, 2009), investiga a
comunidade indígena Terena do Norte do Mato Grosso. O trabalho busca analisar a infância e a educação. O autor buscou compreender como acontece o processo de formação das crianças e quais são as concepções de infância e de educação que se fazem presentes nesta comunidade. A metodologia utilizada para os aportes desse estudo foi a pesquisa etnográfica, documental e teórica, ancorada na abordagem sócio-histórica. Os resultados demonstraram ser possível perceber que a comunidade Terena possui uma preocupação constante com a educação da infância e que esta é marcada profundamente pelos valores culturais defendidos pelo grupo. A criança é muito valorizada e vista como um agente social e político e nela está depositada a esperança de manutenção de sua cultura, sua língua e suas tradições.
Quadro 6 - Trabalhos que tratam das Práticas culturais da Infância Indígena
GOSSO, Yumi. Pexe oxemoarai. Brincadeiras infantis entre os índios Parakanã. 2004. (Doutorado em Psicologia). Universidade de São Paulo.
LECZNIESKI, Lisiane Koller. Estranhos laços: predação e cuidado entre os Kadiawé. 2005. (Doutorado em Antroplogia). Universidade Federal de Santa Catarina.
CARVALHO, Levindo Diniz – Imagens da infância: brincadeiras, brinquedos e culturas. (Mestrado em Educação). 2007. Universidade Federal Minas Gerais.
MIRANDA, Sarah Siqueira de. Aprendendo a ser Pataxó: um olhar etnográfico sobre as habilidades produtivas das crianças de Coroa Vermelha, BA. (Mestrado em Educação). 2009. Universidade Federal da Bahia.
STEIN, Marília Raquel Albornoz. Keringuémboraí: os cantos das crianças e a cosmo-sônica Mbyá- Guarani. (Doutorado em Música). 2009. UFRGS.
COELHO, Luciano Silveira. Infância, aprendizagem e cultura: as crianças Pataxó e as práticas sociais do Guarani. (Mestrado em Lazer). 2011. Universidade Federal de Minas Gerais.
BRUM , Luciana Hahn. O Kañe (olhar) na cidade: práticas de embelezamento corporal na infância feminina Kaingang. 2011. (Mestrado em Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. SILVA, Rogério Correia da. Circulando com meninos: infância, participação e aprendizagens de meninos indígenas Xakriabá. 2011. (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais.
Fonte: Elaborada com base no Banco de Teses e Dissertações da Capes (2013).
Com relação as dissertações e tese que tratam práticas culturais da infância indígena, destacam-se, no quadro 6, oito (8) trabalhos, quatro (4) dissertações e na mesma proporção quatro (4) trabalhos de teses de doutorado.
A tese de doutoramento “Pexe oxemoarai: Brincadeiras infantis entre os índios
Parakanã” (GOSSO, 2004) versa sobre as brincadeiras infantis entre os índios parakanãs.
O estudo revela que essas brincadeiras são simbólicas, representações muito próximas das atividades realizadas pelos adultos. Revela também que essas brincadeiras indígenas apresentam o seguinte perfil: As crianças brincam com companheiros do mesmo sexo, mesma faixa etária, passam maior tempo brincando. As meninas passam mais tempo trabalhando que os meninos. Os resultados apresentados respondem ao problema suscitado: Que lugar ocupa a brincadeira no cotidiano das crianças indígenas Parakanãs? A metodologia utilizada para descrever essas atividades foi a pesquisa de campo de cunho qualitativo com a utilização do método de observação do sujeito focal.
A tese de doutorado intitulada “Estranhos laços: Predação e cuidado entre os Kadiwéu” – (LECZNIESKI; 2005) mostra as noções de parentalidade, parentesco,
sociabilidade e gênero conforme articulados na sociedade Kadiwéu. O estudo foi conduzido metodologicamente por pesquisa bibliográfica e de campo, com técnicas de diário de campo, gravações de conversa informais. Os resultados demonstram que as crianças sãotantas vezes representadas, nas mais diversas sociedades e das mais variadas
formas, como verdadeiros tesouros, como potenciais criadoras de laços, como canais efetivos de relacionamentos. Entre os Kadiwéu, parece que tanto a predação fora (a guerra), quanto o cuidado dentro, são aspectos formalmente distintos, mas entrelaçados. Ambos são grandes articuladores de identidade e alteridade na sociedade kadiwéu. Nesse contexto, o doméstico (e não apenas o público), adquire um caráter eminentemente político, que contrasta com o caráter a - social (e apolítico) que, muitas vezes, se lhe supõe. De fato, se as relações familiares kadiwéu envolvessem somente relações entre pessoas próximas (consanguíneos). De acordo com a autora, as crianças Kadiwéu são vistas como Outros em potencial (tanto de uma perspectiva interna quanto externa, i.e. tanto as suas quanto as dos outros), aparecem como mediadoras por excelência, tanto nas relações internas ao grupo (inter e intrafamiliares), quanto nas relações externas. Não poderia deixar de notar, nesse contexto, a recorrência das relações e representações entre crianças e animais de estimação, nas mais diversas sociedades. O encanto que a relação com as crianças gera reside em grande parte, como vimos na plasticidade de seu ser e, consequentemente, na possibilidade que nos abre de interferir, de construir, de moldar; da maleabilidade que lhes é própria. Aí reside uma diferença importante dos demais seres humanos. Elas encarnam, em si, a possibilidade da diferença. Por isso, a centralidade das práticas (rituais e cotidianas) que circundam sua vida desde o nascimento, movimentando famílias e comunidades inteiras.
Na dissertação de mestrado “Imagens da infância: Brincadeira, brinquedo e
cultura” (CARVALHO, 2007) buscou-se compreender como crianças de diferentes
contextos socioculturais experienciam as práticas da brincadeira, suas dinâmicas e significados. A partir do problema que norteou esse trabalho, a saber: qual o repertório de brinquedos e brincadeiras vivenciadas pelas crianças indígenas de Pataxós (MG) e crianças moradoras do bairro Taquaril em Belo Horizonte? A análise das relações entre brincadeiras e brinquedos revelou traços identitários e de pertencimento de cada grupo, o que permitiu compreender o brincar como linguagem infantil que significa o mundo e contribui para a constituição de um modo de ver da criança em sua singularidade, suas formas de apreender e se relacionar com os seus pares e com o ambiente ao redor. O que contribui favoravelmente para elaborar as imagens das múltiplas infâncias da contemporaneidade. O trabalho etnográfico conduziu os aportes da pesquisa em termos de metodologia.
Na dissertação de mestrado “Aprendendo a Ser Pataxó: um olhar etnográfico
sobre as habilidades produtivas das crianças de Coroa Vermelha (BA)” (MIRANDA, 2009), tem por objetivo repensar a participação da criança indígena da Aldeia Pataxó na
reprodução econômica da cidade de Coroa Vermelha, localizada no perímetro urbano dos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, fundada em 1972. A participação infantil em atividades produtivas representa para a comunidade indígena elemento essencial à formação e à vida social. A sua condição enquanto sujeitos de direito possui dupla implicação. Assegura às crianças e suas famílias uma rede de proteção e benefícios; por outro lado, ao conferir a essas crianças o “direito” de não trabalhar, contradiz padrões socioeducativos específicos. Instâncias reguladoras, como o Conselho Tutelar, organismos não-governamentais voltados à proteção de crianças e adolescentes e a mídia assumem, gradualmente, papel disciplinador das relações entre pais e filhos, alterando, fundamentalmente, as relações entre gerações. O caminho metodológico seguido priorizou a pesquisa quali-quantitativas, pesquisa de campo, observação e entrevista semi- estruturada.
Quais as performances musicais e lúdicas que envolvem cotidianamente as crianças indígenas Mbyá- Guarani? Esta foi a questão que norteou a tese de doutoramento
“Kyringué mboraí – os cantos das crianças e a cosmo-sônica Mbyá- Guarani” (STEIN, 2009). Os resultados demonstram que a aproximação com a música torna os adultos mais
alegres e sábios e isso se reflete na satisfação do convívio com as crianças. A alegria dos adultos é expressa através dos cantos que eles criam e cantam, pois isso também os aproxima das divindades. A música desencadeia emoções nos humanos; medeia a relação dos Mbyá com os não-índios; faz circular a capacidade de notícias entre os Mbyá de diferentes aldeias e ainda media as relações afetivas de cuidado e diálogo dos Kyringué (cantos de crianças) entre si e com os seus afins adultos. A pesquisa etnográfica norteada pela Etnomusicologia foi a metodologia utilizada para conduzir a pesquisa.
O trabalho de dissertação “Infância, aprendizagem e cultura: As crianças
Pataxó e as práticas sociais do guarani (COELHO, 2011) destaca alguns aspectos
fundantes das aprendizagens das crianças Pataxó em suas práticas cotidianas. O referido trabalho apresenta como questão: Como se dá as aprendizagens das crianças Pataxó em suas práticas cotidianas? Inferiu-se que as crianças Pataxó estão envolvidas diariamente em um interessante e complexo ambiente que lhes proporcionam inúmeras aprendizagens que
independem de um ensino deliberado para acontecer. Para esse estudo, foi utilizado como metodologia a pesquisa de campo e bibliográfica, conversas direcionadas.
No trabalho de mestrado “O Kañe (olhar) na cidade: práticas de embelezamento corporal na infância feminina Kaingang” (BRUM, 2011) trata sobre as noções de beleza
feminina corporal da infância feminina Kaingang moradora da cidade. A intenção foi (re)conhecer a partir do problema suscitado: quais as noções de beleza feminina corporal da infância feminina Kaingang moradora da cidade? O trabalho desenvolveu-se adotando os seguintes procedimentos metodológicos: Pesquisa de campo de cunho participativa embasada em aportes da etnografia e em referenciais teóricos dos estudos da infância, estudos culturais e da cultura visual. Análise qualitativa e enfoques cruzados a partir dos dados gerados por dizeres, desenhos, e registros fotográficos. Os resultados demonstraram que as meninas Kaingang da infância da cidade possuem preocupações com a aparência de seus corpos que influenciam em suas feminilidades, pois sofrem influências dos ambientes territoriais nos quais circulam. Os meios midiáticos ou mesmo sociais e culturais da cidade reverberam nos valores que atribuem à beleza dos corpos femininos e, consequentemente, em suas femininas infantis.
A tese de doutoramento “Circulando com os meninos: infância, participação e
aprendizagens de meninos indígenas Xakriabá.” (SILVA, 2011), investiga: Quais as
formas de sociabilidade, a transmissão do conhecimento e o aprendizado da criança na sociedade indígena Xakriabá? O estudo foi conduzido considerando a seguinte metodologia: pesquisa de campo, observação participante, entrevista, realização de desenhos com as crianças, registro fotográfico e registro em vídeo. Constatou-se, com base nos dados obtidos que os meninos circulam muito pelo território e esta circulação aumenta à medida que crescem. Eles têm um importante papel na organização da vida familiar bem como na socialização das crianças pequenas e possuem maior domínio sobre o trabalho realizado e testam os limites impostos pela cultura ao acesso do conhecimento pelas crianças. Possuem maior mobilidade pelo território e compartilham de maior tempo de convivência com o grupo dos homens. Além do trabalho, compartilham também, outras experiências como o futebol, a vida fora do território e alimentam suas expectativas quanto à vida adulta.
Quadro 7 - Trabalhos que tratam da Educação Indígena
NUNES, Ângela Maria Machado Pereira. Brincando de ser criança: contribuições da etnologia indígena brasileira à antropologia da infância. 2003. (Doutorado em Antropologia). ISCTE e Universidade de São Paulo.
CODONHO, Camila Guedes. Aprendendo entre pares: a transmissão horizontal de saberes entre as crianças indígenas Galibi-Marvorno. 2007. (Mestrado e Antropologia). Universidade Federal Santa Catarina. DOPP, Romélia Rodrigues. Pedagogia Kadiwéu e a formação da criança: olhares de mulheres adultos Kadiwéu. 2009. (Mestrado em Educação).Universidade Católica Dom Bosco.
CRUZ, Simone de Figueira. A criança Terena: o diálogo entre a educação indígena e a educação escolar na Aldeia Buruti. 2009. (Mestrado em Educação). Universidade Católica Dom Bosco.
JESUS, Suzana Cavalheiro de. No campo da educação escolar indígena: uma etnografia sobre territorialidade, educação e infância na perspectiva MBYA-Guarani. 2011. (Mestrado em Educação). Universidade Federal de Santa Maria.
Fonte: Elaborada com base no Banco de Teses e Dissertações da Capes (2013).
Nos estudos que tratam da educação indígena, verificam-se cinco (5) trabalhos, quatro (4) dissertações de mestrado e uma (1) tese de doutorado para análise.
Na tese de doutorado “Brincando de ser criança: contribuições da etnologia indígena brasileira à antropologia da infância” (NUNES, 2003), evidencia-se em seu
estudo as perspectivas de análise bibliográfica voltadas para as pequenas sociedades não ocidentalizadas. A autora problematiza: de que forma o aparato bibliográfico existente estabelece o diálogo entre a Antropologia da infância e os estudos etnológicos sobre as sociedades indígenas no Brasil? A metodologia utilizada foi de cunho bibliográfico com foco para o estudo de caso realizado entre os índios Xavante. Os resultados da pesquisa indicam que teoricamente identifica-se a capacidade de agência da criança no universo das relações sociais, possibilitando o rastreio de possibilidades e potencialidades de investigação sobre a infância, no âmbito dos estudos antropológicos, em geral, no da etnologia indígena brasileira, em particular. O referido trabalho apresenta proposta projetiva para os estudos etnográficos sobre a infância, o que suscitou mudanças na forma de viver dos Xavante quanto à espacialidade e temporalidade, principalmente no que concerne à divisão do trabalho entre gêneros. Infere-se que as categorias de espaço-tempo se entrecruzam e se alimentam mutuamente nos estudos da Antropologia da infância como instrumento de investigação com elevado potencial na observação e reflexão sobre questões centrais nos estudos da infância indígena.
A dissertação de mestrado intitulada “Aprendendo entre pares: a transmissão
horizontal de saberes entre as crianças indígenas Galibi-Marworno (Amapá, Brasil)” (CODONHO, 2007), versa sobre os processos de transmissão horizontal de
O problema gerador da referida dissertação: quais as redes de saberes que circulam no interior dos grupos infantis e que se expressam nas percepções a respeito da sociedade na qual se encontram inseridas as crianças Galibi-Marworno? O trabalho foi conduzido a partir da metodologia que compreende a observação participante, entrevistas e oficinas de desenhos com as crianças indígenas. Os resultados revelam que as crianças são importantes agentes na afirmação cultural deste povo, tendo a oferecer importantes contribuições para os estudos do sistema sociocultural como um todo, visto a sua exímia capacidade de apreender um repertório comum de conhecimentos, compartilhados pela população como um todo em ressignificá-los e divulgá-los no âmbito de seus grupos de convivência.
O trabalho de dissertação de mestrado intitulado “Pedagogia Kadiwéu e a formação da criança – olhares de mulheres adultas Kadiwéu” (DOPP, 2009) investigou
os processos de formação da criança Mbayá-Gauicuru e Kadiwéu no seu universo cultural, segundo mulheres adultas da referida etnia. O trabalho foi desenvolvido considerando as reflexões que se entrecruzam com dados bibliográficos e empíricos. A metodologia está organizada com materiais vindos de um missionário, dois militares, viajantes, historiadores e etnólogos do século XVIII até o século XXI.
A dissertação de mestrado intitulada “A criança terena: O diálogo entre a
educação indígena e a educação escolar na aldeia buriti” (CRUZ, 2009), pesquisa a
complexa relação de educação pela qual a criança Terena passa, tendo como especificidade investigar as relações verificadas entre a educação indígena e a educação escolar, na aldeia Terena Buriti, localizada em Dois Irmãos de Buriti. O problema gerador da pesquisa foi: Quais as relações entre a educação indígena e a educação escolar indígena na aldeia Terena Buriti e a construções iniciais de identidade e cultura destas crianças. O “ethos” Terena está presente na educação das crianças, tanto na família como na escola. Apesar da escola se esforçar para valorizar a cultura Terena junto às crianças, por meio do ensino do idioma e da dança, o currículo escolar ainda não atende as diferenças locais. E conclui-se que a escola é um lugar que pode fomentar uma educação intercultural, mas para isso precisará envolver os Terena da aldeia Buriti e aprofundar os mecanismos de diálogo entre a educação escolar e a educação indígena, criando um porvir que concretize os anseios Terena. Metodologicamente, foi utilizada a revisão bibliográfica, seguida de pesquisa exploratória e observação através de idas prévias à aldeia. Ouviu-se os pais, mães e
professores, jovens e idosos, através da técnica de história oral e da utilização de oficinas de desenho com as crianças indígenas.