7. DRØFTING AV RESULTATENE
7.1 D RØFTING AV RESULTATENE VED BRUK AV SENSITIVITETSANALYSE
Uma característica fundante da modernidade ocidental é a sua sustentação na razão. Esta vinculou-se tanto aos preceitos das tendências empiricistas quanto racionalistas originadas no século XVII, prevalecentemente orientadas pelos padrões das ciências da natureza.
As teorizações de Francis Bacon (1561-1626) são consideradas como um referencial básico nos alicerces do empiricismo moderno. Bacon propôs que, para o ser humano alcançar o ápice da intelectualidade, o mesmo deveria romper com a tradição filosófica escolástico-medieval e com a tradição do pensamento clássico. Logo, pautou- se na pressuposição de que essas teorizações seriam de pouca utilidade prática.
Bacon (1979) procurou superar os obstáculos ao conhecimento, sobretudo os obstáculos oriundos do próprio espírito humano. O trecho seguinte realça tal intento.
Se os homens tivessem à sua disposição uma justa história da natureza e da experiência; se pudessem impor-se duas regras: a primeira, de renunciar às opiniões e às noções recebidas; à segunda, de manter seu espírito, por um tempo, longe das proposições mais gerais (...) descobririam nossa forma de interpretação (BACON, 1979, p. 11).
Com o propósito de que a ciência seria o meio a colocar a natureza a serviço do homem, Bacon preocupou-se em liberá-la dos ídolos. Para isso, empenhou-se em apresentar alternativas ao silogismo aristotélico, bem como a todo o pensamento clássico, ainda professado pelos escolásticos. Segundo as pressuposições adotadas por Bacon, esses conhecimentos eram totalmente imprestáveis à invenção e à utilidade prática.
156 No entendimento de Bacon, o silogismo aristotélico fixava o espírito no erro, sendo impotente para propiciar a busca da verdade que está nas coisas. Assim, na primeira parte do Novum Organum67 procura apresentar as formas dos erros, a qual afasta os mitos que se opõem ao conhecimento e, para alcançar o domínio da natureza, todos esses ídolos deveriam ser suplantados. Por ídolos Bacon refere-se aos erros comuns da espécie humana, principalmente o erro de julgar as coisas pelas aparências: os ídolos da tribo, preconceitos individuais e subjetivos que aprisionam os indivíduos; os ídolos da caverna, erros advindos das relações sociais, frequentemente associados a linguagens e os ídolos do fórum, erros e preconceitos advindos das teorias e sistemas filosóficos.
Para o homem conhecer a natureza, Bacon recomenda a necessidade de observá-la e experiênciá-la, porque a experiência é o princípio para obtenção do conhecimento, admite. Porém, essa experiência não deverá ser conduzida ao acaso. A experiência deverá ser planejada a partir de um método, o qual possibilitará ao homem interpretar e intervir sobre a natureza. Nesta perspectiva, o saber torna-se instrumento do entendimento e do poder.
Notemos que na concepção baconiana, o conhecimento assenta-se em uma perspectiva prática e utilitarista do saber, ou seja, o conhecimento está vinculado às soluções efetivas a serem apresentadas aos problemas concretos que atingem o ser humano. Nessa perspectiva, conhecimento é um instrumental para manipular a natureza, como também para a elaboração do planejamento racional da organização da sociedade a partir do controle de especificações científicas.
Na segunda parte do Novum Organum, Bacon apresenta a formulação do método experimental para investigação acerca das causas naturais dos fatos.
Entretanto, para que se penetre nos estatutos mais profundos da natureza é preciso um método mais adequado e seguro de abstração, que permita recolher os axiomas dos dados dos sentidos e particularidades, ascendendo contínua e gradativamente, até alcançar, em último lugar, os princípios de máxima generalidade (BACON, 1979, p. 115).
O método experimental baconiano fundamenta-se na indução, por meio da qual o raciocínio é capaz de passar do particular ao universal, possibilitando, assim, que, a partir do conhecimento dos fatos, obtenha-se o conhecimento das leis. Na proposição de Bacon, a pesquisa experimental deveria ser desenvolvida em três momentos, a saber: a)
157 a acumulação dos fatos, onde se deve colocar a natureza em questão; b) a classificação dos fatos a partir dos resultados da experiência e c) a determinação da causa do fenômeno, possibilitada pela interpretação e, em seguida, a sua lei.
René Descartes (1596-1650) e seguidores racionalistas constituem outra corrente de pensamento na qual se alicerça as bases da racionalidade moderna.
Na obra Discurso do Método, publicada em 1637, Descartes deixa transparecer uma nova atitude frente à existência e à razão, destacando principalmente o caráter subjetivo desta última. Nesta perspectiva, coloca a razão estruturada na própria existência humana.
Descartes identifica duas características na racionalidade moderna, as quais permaneceram, a partir de então, como seus princípios fundamentais: a autonomia e a reflexibilidade.
Descartes opina que um dos atributos da razão é colocar tudo que é evidente em suspeição e levar o sujeito a refletir sobre as condições de possibilidade do conhecimento verdadeiro. Essa condição somente é obtida através da autonomia da razão. Logo, Descartes determina que o sujeito é a instância de fundamentação do conhecimento, criador de significação. A consciência subjetiva, racional e autônoma é quem produz seus próprios atos e sentidos. Por isso a mesma poderá fugir dos enganos e das ilusões que emanam do seu entorno. Logo, na base da racionalidade, toda a possibilidade humana para conhecer é colocada sob suspeita.
No entendimento de Descartes, a razão, livre das amarras socioculturais, poderá colocar tudo sob discussão e não aceitar nada como verdadeiro, sem antes dissecar detalhadamente aquilo que se pretende conhecer. Configura-se, então, uma razão autônoma e subjetiva e que deverá organizar a experiência, contrapondo-se, assim, ao conhecimento transcendente.
Descartes atribuiu a um método rigoroso de análise a responsabilidade pelo logro do seu empreendimento acerca da razão. Aponta, assim, procedimentos gerais, os quais constituem os processos permanentes da construção do conhecimento humano: inicia-se com a dúvida; desenvolve-se pela separação e análise; encerra-se com síntese e ordenamento claro e distinto das idéias ou conceitos (DESCARTES, 1996).
Em Descartes, o conhecimento matemático é o conhecimento verdadeiro, é o modelo de conhecimento a ser seguido em toda e qualquer área do conhecimento.
Apesar da dicotomia empreendida em relação à origem do conhecimento pelas abordagens empiristas e racionalistas, em ambas as tendências, a razão ocupa lugar
158 comum. Segundo essas abordagens, a razão visa oferecer condições para a humanidade construir e alcançar o progresso, sendo então fator de felicidade e de progresso. Para isso faz-se então necessário o sujeito livre para racionalmente ocupar a condição de juiz e de senhor. Assim, o homem elaborara o conhecimento e dominara a natureza e proverá suas necessidades materiais e construirá a sua própria felicidade.