4. ANALYSE AV RESULTATER
4.3 D ISKUSJON RUNDT HYPOTESENE
O primeiro passo da simulação foi identificar, no banco de dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade, o grupo de SSE de cada chefe de domicílio que respondeu a pesquisa19. Para isso, definiu-se o grupo de escolaridade da mãe do chefe ou outra mulher com quem viveu a maior parte do tempo até seus 15 anos, a macrorregião e a condição rural-urbana do domicílio em que nasceu. Apenas 4,68% dos participantes da pesquisa de 15 a 39 anos não declararam a escolaridade da mãe. Já a proporção de dados faltantes para a condição de residência (rural/urbana) foi de apenas 0,44%. Como estas proporções são baixas, optou-se por excluir todos os casos com informações faltantes da amostra a ser analisada, bem como os indivíduos que informaram ter nascido em outro país (0,5%).
A Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade é uma pesquisa cross-section que colheu informações retrospectivas sobre seus participantes. Não foram coletadas as informações sobre os indivíduos de cada coorte que morreram antes da data de realização da pesquisa, por isso, os eventos de morte precisam ser imputados indiretamente, assumindo-se que os indivíduos que morreram teriam características semelhantes aos seus pares que estiveram expostos ao mesmo risco de morte, mas que conseguiram sobreviver até a data da pesquisa. Em um contexto de maior mortalidade os indivíduos entrevistados poderiam não ter sobrevivido até a data da entrevista, portanto, seu peso na amostra precisa ser reduzido proporcionalmente à probabilidade de morte acumulada adicional que ele teria caso outro regime de mortalidade estivesse em vigor. Por outro lado, em um contexto de maior fecundidade, poderiam ter nascidos mais indivíduos semelhantes aos indivíduos entrevistados, o que afetaria a distribuição da amostra entrevistada segundo as
19 A pesquisa contou também com respondentes cônjuges dos chefes de domicílio, mas eles não
características socioeconômicas das mães. Nesse caso, o peso de cada indivíduo na amostra precisa ser aumentado proporcionalmente. Portanto, procurou-se obter fatores de ponderação (H) que ora aumentassem e ora descontassem a representatividade dos indivíduos para cada contexto simulado: a) alto regime de mortalidade e fecundidade observada; b) alto regime de fecundidade e mortalidade observada; e c) altos regimes de mortalidade e fecundidade, sem efeitos de interação.
Assumindo que a condição de chefe de domicílio não afeta as chances de sobrevivência, o cenário de alta mortalidade pressupõe os níveis, padrões e diferenciais socioeconômicos de mortalidade correntes no ano de 1970. O fator inflator/deflator (H) das coortes em cada grupo de SSE foi obtido pela razão entre o complemento da probabilidade de morte acumulada simulada e o complemento da probabilidade de morte acumulada real. Ou seja, a razão entre o número de sobreviventes simulados e o número de sobreviventes reais, entrevistados na pesquisa ( ).
Em relação à fecundidade, o objetivo foi simular a distribuição de pessoas por SSE, caso o regime de fecundidade em que nasceram fosse igual ao que prevaleceu em 1970, com mesmos níveis, padrões e diferenciais socioeconômicos. Para isso, estimou-se inicialmente o número de mulheres expostas às taxas específicas de fecundidade (TFEs) que originaram cada uma das coortes de chefes de domicílio em análise (através da equação 5):
[ ⏟ ] ⏟ [5]
Sendo: é o número real de indivíduos no grupo de idade quinquenal x. é o número de mulheres em período reprodutivo do grupo quinquenal de i.
é a proporção real de nascidos de mulheres em período reprodutivo do grupo quinquenal de i.
é a taxa específica de fecundidade das mulheres de idade quinquenal i.
A partir da população estimada de mulheres simulou-se a fecundidade de 1970 para estimar o número de indivíduos que estariam vivos em 2008, conforme equação 6:
[ ⏟ ] ∑⏟ [6]
Sendo: é o número real de indivíduos no grupo de idade quinquenal x. é a taxa específica de fecundidade das mulheres de idade quinquenal i.
Para estimar cada um dos componentes da equação acima foram adotados os seguintes passos:
1) As coortes de chefe na amostra foram retroagidas ao nascimento, descontando-se o efeito da mortalidade real de cada coorte (Passo 1 da FIGURA 10 que descreve um exemplo específico para a coorte de chefes de domicílio nascidos entre 1978-83, e cálculo baseado no fator a da equação 5). Com isso obteve-se o total de nascimentos originais segundo cada um dos 40 grupos de SSE das mães.
2) Assumindo que a distribuição por SSE das mães é a mesma para chefes e não chefes, ao nascimento, foram utilizadas as taxas específicas de fecundidade estimadas para cada grupo de SSE das mães, a fim de se obter a provável distribuição proporcional de mulheres por SSE nos anos respectivos de nascimento das coortes de chefes (Passo 2 da FIGURA 10, e cálculo baseado no fator b da equação 5).
3) Com base na estimativa de número de mulheres por SSE e nas taxas específicas de fecundidade por SSE vigentes em 1970 foi estimado o número esperado de nascimentos, caso não tivesse havido a transição de fecundidade entre 1970 e 2008 (Passo 3 da FIGURA 10, e calculo baseado no fator b da equação 6). Como não há informações de fecundidade e
mortalidade desagregadas, anteriores a 1970, não é conhecida a experiência de nascimento e de mortalidade dessas mães até a data em que tiveram seus filhos. Portanto, não foi possível retroagir a simulação além desse ponto, sendo necessário assumir, com isso, que as experiências de nascimento e morte das mães configuram parcela do efeito de interação entre variáveis demográficas que não é mensurado pela simulação20.
4) O número de pessoas por idade em 2008 foi então estimado a partir dos nascimentos simulados por SSE, segundo o regime de fecundidade de 1970, e a experiência de mortalidade real de cada coorte entre seu ano de nascimento e 2008 (Passo 4 da FIGURA 10, e calculo baseado no fator a da equação 6).
Assim como no caso da simulação de mortalidade, o fator inflator/deflator H para a simulação de fecundidade foi obtido dividindo-se os sobreviventes simulados pelos sobreviventes reais. A simulação combinada de mortalidade e fecundidade como sendo de 1970 foi realizada seguindo-se os passos explicados para a fecundidade, com a diferença que, depois de simulados os nascimentos, os indivíduos foram expostos à mortalidade simulada (Passo 4 da FIGURA 10 e equação 7) e não à real, antes de se obter o fator H e calcular seu valor relativo. Substituindo-se o fator a da equação 6 para chegar-se à equação 7:
[ ⏟ ] ∑⏟ [7]
20 Se os progenitores de um indivíduo observado tivessem morrido antes da época de seu
nascimento, esse indivíduo não teria existido, logo, ele não teria contribuído com a coorte nos cálculos de exposição ao risco de morte. Da mesma forma, outros potenciais progenitores que morreram antes de ter filhos, se não tivessem experimentado esse evento, poderiam ter tido filhos que iriam contribuir com a coorte nos cálculos de exposição ao risco de morte.
Figura 10 – Dinâmica da simulação representada em Diagrama de Lexis, exemplificativa para coortes de nascimento do quinquênio 1973-1978.
50 anos 45 anos 40 anos 35 anos 30 anos 25 anos 20 anos 15 anos 10 anos 5 anos 1968 1973 1978 1983 1988 1993 1998 2003 2008
Fonte: Elaborado pelo autor