devido ao avançado estágio de alteração. Autor: P.R. Secco.
A geofísica aplicada à intrusão incluiu 19,0 km de linha de superfície magnética, 4,0 km de linha de CSMAT (controlled source audio frequency magneto-tellurics) e 0,5 km de linha de GPR (ground penetrating radar). Os dados da modelagem tridimensional do terreno sugerem uma fonte principal de susceptibilidade magnética na parte central do corpo. O corpo, interpretado magneticamente tem a forma de pipe com seu topo a 140 m e a base a 800 m, mergulhando abruptamente para nordeste. Os dados de CSAMT revelam uma condutividade coincidente do corpo que se estende, pelo menos, por várias centenas de metros de profundidade. As linhas de GPR apontam para uma cratera central sobrejacente ao centro magnético e condutivo do corpo(Cookenboo et al. 2006).
Conforme tais autores, mapeamento geológico e química de minerais indicadores recuperados a partir de amostras de afloramento e de 37 furos de trado, foram utilizados para definir a assinatura geoquímica das diferentes fácies da intrusão. A partir desse trabalho de superfície, foram identificadas diferentes unidades intrusivas, compreendendo kimberlitos de fácies cratera (kimberlito piroclástico vulcanoclástico e kimberlito vulcanoclástico ressedimentado) com intercalações de tufos e brechas vulcânicas.
Em termos mineralógicos, os dados apontaram para, pelo menos, duas amostragens distintas de manto no complexo. Granadas piropo de alto interesse químico, Cr-diopsídio e cromita sugerem amostragem no campo de estabilidade do diamante, ao longo de uma geoterma regional favorável a kimberlitos diamantíferos. Cr-diopsídios analisados parecem incluir uma população de alta temperatura, apoiando a idéia de que o magma que formou o “complexo” Régis evoluiu para composições menos prospectivas ao longo do tempo durante o seu emplacement. Os Cr-piropos mostram uma tendência principal a lherzolito, estendendo- se a elevadas concentrações de Cr. Há um pequeno número de granadas G10 moderadamente ricas em Cr e ligeiramente sub-cálcicas, semelhante ao que ocorre no kimberlito Canastra-1. Além disso, ressaltou-se uma população interessante de granadas eclogíticas também indicando composições no campo do diamante (Cookenboo et al. 2006).
Conglomerados Cretácicos
Os conglomerados “tufáceos” que afloram na região são atribuídos à fácies Capacete, uma unidade da Formação Mata da Corda, que aflora quase continuamente em direção norte, compondo os largos chapadões da “Serra Geral de Goiás”, até o sul dos estados do Maranhão e Piauí (onde os conglomerados são também, localmente, diamantíferos). Na Mina de Água Suja (Romaria), do outro lado do Arco da Canastra, conglomerados semelhantes são lavrados desde o século passado.
Segundo Barcelos (1989) os conglomerados são de idade cretácica superior, mais precisamente reportados ao Campaniano, entre 83 e 65 Ma. Os kimberlitos têm provável idade em torno de 80 Ma correspondente às grandes intrusões ultrabásicas e alcalinas, como Araxá, Tapira e Catalão. Evidencia-se então a associação entre magmatitos e conglomerados, principalmente ao se considerar as condições tectônicas que, com o soerguimento da área fonte, permitiu a deposição de leques aluviais e outros depósitos típicos de clima semi-árido.
No Distrito de Coromandel, conglomerados afloram nas cabeceiras dos rios Douradinho, Santo Inácio, Santo Antônio do Bonito e Santo Antônio das Minas Vermelhas, todos diamantíferos e fontes de grandes pedras. Podem alcançar até 10 m de espessura (a nordeste do povoado de Pântano, ao norte da área em foco), mas normalmente esses corpos não ultrapassam 2 m. Dentre os minerais pesados presentes na matriz, citam-se perovskita, magnetita, ilmenita e piropo (predominantes e indicando origem magmática), além de cianita, estaurolita, rutilo, zircão, almandina e turmalina, comuns nas sequências xistosas regionais.
O conglomerado Capacete provavelmente provocou o espalhamento dos produtos do magmatismo alcalino-ultrabásico-kimberlítico por extensa região. A extensão de afloramentos desta rocha, de Coromandel para norte, é da ordem de 200 km. Existem áreas onde o capeamento reduzido permitiria uma recuperação em lavra mecanizada. Na área, a escassez de água nos chapadões, poderia ser resolvida com a canalização a partir do rio Santo Inácio, em regos acompanhando as curvas de nível. Ressalta-se que nem todos os conglomerados devem ser diamantíferos ou possuir teores semelhantes, pois estes devem variar em função de suas respectivas áreas fontes.
Aluviões e Terraços Aluvionares
O diamante, classicamente extraído de depósitos aluvionares no Distrito de Coromandel, é o mineral que mais forte influência social tem exercido na região. A sua extensa distribuição, os métodos relativamente fáceis de lavra, aliados à possibilidade de um rápido enriquecimento, mantém sempre uma considerável parcela da população ocupada, direta ou indiretamente, nos serviços de garimpagem. Segundo Barbosa et al. (1970) tais serviços são feitos preferencialmente nas épocas secas (maio-setembro), devido à precariedade dos serviços executados. Os principais métodos de lavra empregado na região, são: (1) desvio do rio, ou “viradas” - executados apenas nas épocas de seca, geralmente nas curvas do rio, abrindo-se um canal no lado côncavo e construindo-se barragens rústicas de pau, terra e sacos de areia, de modo a permitir a remoção de cascalho do leito; (2) catas - para os garimpos manuais fora do leito do rio, nos barrancos e terraços (conhecidos como grupiaras ou monchões), consistindo em escavações irregulares de alguns metros, até se atingir o cascalho.
De acordo com a Fundação João Pinheiro (2002), na atualidade ocorrem na região três categorias distintas de garimpo: garimpo manual, trabalhos com jigue e balsa de garimpo.
Considera-se o garimpeiro manual aquele que tem por profissão a extração de diamantes e exerce essa extração de forma manual, sem o auxílio direto de maquinários, através de instrumentos manuais(Foto 7). Parte dos garimpeiros manuais contrata serviços de trator ou retroescavadeira para alcançar as catas, quando estas se encontram em profundidade maior em relação ao solo. A partir dessa etapa, o restante do serviço é feito manualmente. Em complementação aos garimpeiros manuais estão os faiscadores. Estes, distinguem-se dos garimpeiros por não exercer a atividade de forma profissional, e sim de maneira eventual, complementar e temporária, apenas em certas épocas do ano.