5 CUMPLIMIENTO NORMATIVA
5.1 CUMPLIMIENTO CTE
Elivelton Santos, morador de Murinin e acadêmico de Pedagogia na Universidade Federal do Pará28.
Estruturei a presente apresentação a partir das falas dos próprios interlocutores, ou seja, evidenciando os espaços que eles mesmos determinaram como mais relevantes à representatividade espacial de Murinin. Mesmo tendo dialogado informalmente com moradores de vários pontos da cidade (Centro, Santa Maria de Benfica, Benfica, etc.), detive- me ao bairro de Murinin pelas razões já expostas no capítulo terceiro.
Murinin é um dos poucos bairros do município a ter, em sua toponímia oficial, um nome indígena, há ainda o bairro de Tayassuí, na zona rural, e o bairro do Maguary, às proximidades do Centro,. Ressalte-se que o nome “Maguary” não é oficial, mas tanto as correspondências quanto os documentos oficiais amparam a toponímia oficial (Jardim de Paris) na toponímia alternativa (Maguary), pois o bairro é mais conhecido por esta última.
Vários relatos ratificaram a história mais conhecida sobre o nome do bairro, diferenciando-se em alguns pontos, em especial com relação à fonética. Dona Elba Okada, por exemplo, da Rua 15 de Janeiro, relata que o Sr. Melqueades Lima, pessoa muito
respeitada na localidade, contava que o nome estava errado, pois deveria ser Morenin, já que teria advindo de moreninha (ou seja, uma índia morena), mas não há fontes documentais e/ou filológicas para corroborar essa afirmação.
Murinin é um dos poucos lugares, no município, a apresentar zona urbana e zona rural, conforme o Plano Diretor Municipal, de 2006, o que pode influenciar na seleção dos nomes na toponímia local.
Parece haver uma especificidade na toponímia do bairro. Refiro-me ao fato de que há áreas muito bem demarcadas cujas nomeações advêm de famílias tradicionais locais, o que, do ponto de vista antropológico, motiva uma discussão acerca de pertencimento e reminiscências físico-sociais.
Possivelmente, Murinin seja, entre os bairros de Benevides, o que mais apresenta nomes de mulheres em sua toponímia, estejam esses espaços relacionados à educação, função tradicionalmente ligada à figura feminina, ou a ruas e outros espaços físico-sociais.
Assim, apresento a toponímia local desde a entrada de Murinin, na divisa com o bairro de Benfica, até sua finalização, às margens do Rio Caiçaua, fronteira com o município de Santa Bárbara do Pará. O percurso que fiz no campo me conduziu a enxergar o bairro como uma grande colcha de retalhos que caminha entre o rural e o urbano, que, em alguns espaços, confundem-se e deixam confusos até os interlocutores.
Mapa 02: Localização de Murinin Fonte: Google Earth, modificado pela própria autora
Essas áreas foram determinadas por moradores em conversas informais antes da efetivação da pesquisa de campo, implementada entre novembro de 2012 e dezembro de 2015, em visitas periódicas à comunidade e às famílias dos interlocutores. À medida que for avançando nas descrições, apresentarei os interlocutores e a forma de apresentação/visitação aos sujeitos envolvidos.
Rua 15 de Janeiro
A comunidade da Rua 15 de Janeiro apresenta uma organização bastante estável, pois possui uma gama de peculiaridades que a diferenciam do restante do bairro. Há agremiação de carnaval, 100% 15 (cores laranja e preto) e time de futebol, 15 Futebol Clube. Essa relação se expande às vicinais, integrando toda a comunidade ao redor por meio dessas atividades.
As interlocutoras que colaboraram com esta pesquisa foram as moradoras da Rua 15 de Janeiro, Dona Euzira Castro, filha do ex-vice-prefeito de Benevides, o Sr. Melqueades Lima, que dá nome ao Plenário da Câmara Municipal de Benevides, à Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI) de Murinin, além de denominar uma das ruas do bairro. E ainda contei com a colaboração da D. Elba Onó Okada, ex-diretora da escola Murinin e pessoa atuante na comunidade muriniense, principalmente junto à comunidade religiosa São Francisco de Assis.
D. Euzira é uma senhora de 60 anos29, aposentada da área da educação e acompanhou todo o processo de urbanização do bairro, além de ser filha de uma das principais figuras políticas locais. Ela fez parte de minha vida como vizinha, mas foi uma das professoras que integravam a Escola Estadual de Murinin na minha infância e, anos mais tarde, minha colega de trabalho nesta mesma escola, sendo então vice-diretora da instituição.
Conversei duas vezes com a D. Euzira. A primeira, numa tarde em que ela estava em sua casa, atendendo em um pequeno comércio anexo à residência. Nesta tarde ensolarada, havia muitas crianças na rua jogando futebol, o que atrapalhou um pouco a gravação, mas nossa conversa fluiu de forma boa, com a informalidade da ocasião. Marcamos, então, uma nova conversa para que a interlocutora tivesse tempo de procurar documentos e fotos antigas que pudessem ajudar nesta pesquisa.
No dia marcado, ela havia vasculhado a gaveta de documentos e de fotos antigas pra contar, orgulhosa e detalhadamente, a história de Murinin e de seu pai. Nesse dia, estava
acompanhada pelos irmãos Eurivaldo e Euzivaldo. Assim, iniciamos diálogo, que durou a tarde inteira, acompanhado por café e pão quentinhos.
Contou-me que o Sr. Melqueades Lima nasceu em Murinin e que era policial civil. Por isso e por ser uma pessoa muito respeitada em toda a comunidade (então muito pequena, com cerca de 10 famílias apenas), depois de servir por alguns anos em Vigia, foi destacado para assumir o cargo de comissário, equivalente a delegado, no posto policial de Benfica, que atendia às comunidades de Santa Maria de Benfica, Benfica e Murinin.
Além disso, tinha um pequeno comércio, o qual fizera crescer, transformando-se num dos maiores comerciantes locais. Por conta de sua proeminência, começou a chamar a atenção dos políticos do município e do estado, a exemplo dos ex-prefeitos de Benevides Claudionor Begot e Cláudio Solon, e até do governador Magalhães Barata.
Figura 05: Nomeação de Melqueades Lima a Comissário de Polícia Autoria: Maria Adelina Farias (16 de dezembro de 2015) – Acervo de D. Euzira
Foto 08: Plenário da Câmara Municipal de Benevides