CHAPTER III LITERATURE REVIEW
3.4. A CTOR -N ETWORK T HEORY AND I NFORMATION I NFRASTRUCTURE
Neste momento, passaremos a expor as várias etapas de implementação do trabalho de grupo, realçando a importância do professor para esta metodologia no processo de ensino-aprendizagem. Também está incluída a apresentação do instrumento de recolha de dados usado (questionário sociométrico) para a constituição dos grupos (Anexo 1, p. 87 – Questionário Sociométrico).
O questionário sociométrico foi de administração direta, sendo que cada inquirido realizou o seu preenchimento individualmente. O questionário inicia-se com uma breve introdução, pedindo de seguida a identificação do estudante, apenas para fins estatísticos. Numa fase posterior o docente analisa de forma rigorosa o questionário, para que na formação dos grupos não exista ambiguidades e injustiças.
Para que o trabalho cooperativo decorra de forma equilibrada e justa, o professor assume a constituição dos grupos, o que exige o conhecimento prévio das capacidades e gostos de cada estudante. Por outro lado, esta metodologia obriga o professor a um trabalho prévio na observação direta sobre cada aluno nas aulas que antecedem a constituição dos grupos.
Todos os processos acima representados foram iguais paras as duas disciplinas em que o estudo de caso se insere.
45 3.3.1. Na disciplina de História
A aula que antecedeu à aplicação do estudo de caso na disciplina de História serviu para que os discentes preenchessem um questionário sociométrico com duas questões.
A partir desse questionário retiramos as primeiras ilações quanto às preferências dos estudantes. Segundo Bastin (1966), o teste sociométrico não é mais que um instrumento capaz de fornecer indicações relativas à vida íntima de um grupo, assim como sobre a posição social e o papel de cada indivíduo nesse grupo. Deste modo, as questões colocadas no questionário vão ao encontro do teste sociométrico defendido por Bastin: na primeira questão os estudantes tinham de colocar por ordem de preferência cinco elementos com quem gostariam de realizar o trabalho de grupo, enquanto na segunda pergunta tinham que indicar cinco elementos com quem não gostariam de realizar o trabalho (Anexo 1, p, 87 – Questionário Sociométrico). A formação dos grupos foi feita segundo o cálculo do estatuto sociométrico. Após o cálculo da turma do 7.ºA concluímos que os alunos mais escolhidos pelos colegas, designados por populares (maior número de eleições recebidas por cada aluno dentro da turma) eram D1, F2, C2. Por outro lado, apuramos os alunos que receberam um maior número de rejeições (C3, D3, A2, B3, F3), designados segundo Bastin (1966) de rejeitados (isto é o número de rejeições recebidas por cada alunos dentro da turma,)
A informação que podemos obter por meio desta técnica sociométrica é, em concreto, a posição de cada aluno dentro da turma, as relações de aceitação, rejeição ou indiferença (isolados: os que não recebem preferências nem rejeições) de cada aluno em respeito aos restantes (Bastin, 1966).
Assim, perante os resultados tivemos o cuidado de criar grupos heterogéneos, de forma a colocar alunos populares com alunos rejeitados. Importa, ainda, referir que a constituição de grupos heterogéneos é uma das principais exigências da aprendizagem cooperativa.
Depois da análise dos questionários sociométricos constituímos os grupos. No que respeita à dimensão consideramos que três era o número ideal de elementos. Contudo, houve a necessidade de formar dois grupos com quatro elementos, visto que a soma total dos estudantes ao dividir por três não dava o total desejado: oito grupos com três elementos.
46 Na constituição do grupo de quatro elementos tivemos em consideração dois aspetos. No primeiro aspeto optamos por inserir o elemento com necessidades educativas especiais, visto precisar de apoio por parte dos colegas na execução do trabalho, auxiliando-o em todas as tarefas. Caso colocássemos este indivíduo num grupo de três elementos o grupo ficaria em desvantagem face aos restantes. O segundo aspeto está relacionado com um estudante que registava um número elevado de faltas à disciplina de História. Sendo este facto uma realidade constante optámos por inseri-lo no grupo de quatro elementos, de forma a não prejudicar um grupo de três elementos que a qualquer momento podia ficar reduzido a dois.
Por último, foi sentido algum desagrado, no dia em que apresentamos a metodologia do trabalho a desenvolver e a constituição dos grupos. Alguns dos alunos empenhados e com bons resultados sentiram-se ameaçados sabendo que iam realizar um trabalho com estudantes que muitas vezes apresentavam caraterísticas de pouco trabalhadores na disciplina de História, chegando mesmo a alegar que havia colegas com quem já estavam mais habituados a trabalhar, achando injusta tal distribuição. Contudo, explicamos os objetivos do trabalho, sublinhando que todos os problemas podiam ser ultrapassados se trabalhassem em conjunto e que apesar de trabalhar em grupo, todos estavam sujeitos a uma avaliação individual, tendo em conta o empenho e o interesse.
3.3.2. Na disciplina de Geografia
A formação dos grupos na disciplina de Geografia respeitou os mesmos critérios enunciados na formação de grupos da disciplina de História.
No entanto, existem aspetos diferentes que devem ser evidenciados. Primeiramente, a turma do 11.º C registava hábitos de trabalho cooperativo. Ao longo do percurso académico realizaram alguns trabalhos de grupo nomeadamente na disciplina de Geografia. A escolha por parte do professor dos elementos que constituem o grupo, também não é novidade para os estudantes. Porém, nunca tinham preenchido um questionário sociométrico, no que deveriam identificar cinco elementos por ordem de preferência com quem gostariam ou não gostariam de realizar o trabalho. No que respeita à aplicação dos questionários sociométricos, os estudantes olharam com admiração, no entanto, nunca demonstraram rejeição quanto à aplicação da metodologia em estudo.
47 Tal como aconteceu com a disciplina de História, também em Geografia, o critério que mais pesou na formação dos grupos foi a análise do questionário sociométrico segundo o defendido por Bastin, (1966). Perante a análise do questionário, concluímos que os alunos mais escolhidos pelos colegas, designados por populares (maior número de eleições recebidas por cada aluno dentro da turma) foram o E3; A2 e A3. Por outro lado, apuramos os alunos que receberam um maior número de rejeições: B1, C1 e E2, designados segundo Bastin (1966) de rejeitados (isto é o número de rejeições recebidas por cada alunos dentro da turma).
Estas identificações foram fundamentais para a constituição dos grupos de forma a evitar grupos homogéneos, ou seja, só com discentes populares ou que dois alunos rejeitados partilhassem o mesmo grupo.
Quanto ao número de elementos que compõem os grupos, tal como aconteceu com o 7.º ano achamos pertinente a formação com três elementos. Visto estarmos perante uma turma de quinze discentes, formamos cinco grupos com três elementos cada. Os modos de transporte a trabalhar eram cinco, sendo fácil a distribuição por cada um dos grupos.
Por fim, pretendemos salientar que todos os elementos da turma do 11.º C encararam com agrado a metodologia de trabalho de grupo. Contudo, na aula posterior à aplicação dos questionários, formámos os grupos de trabalho, reparando que todos os estudantes acolheram com respeito os elementos. Esta reação demonstra o conhecimento pelas práticas de trabalho de grupo.