5 THE SIGNIFICANCE OF LAW FIRMS IN THE ISDS SYSTEM:
5.2 Double Hatting and Law Firms
Neste tópico são apresentados os resultados de um estudo piloto que foi realizado através da filmagem de um passageiro em situação real de vôo e que teve como objetivo testar idéias de forma a propor um desdobramento de como pode ser feita a análise de conforto de passageiros de aeronaves, que leve em conta a atividade do usuário como ferramenta para o projeto de poltronas.
O método englobou a filmagem de um passageiro em situação real de um vôo interno EMBRAER e a posterior análise das filmagens através de um Protocolo de postura versus atividade.
Tabela 22: Caracterização do passageiro filmado Passageiro filmado Idade 21 a 30 Sexo M Peso: 80 kg Altura: 1,77 Residência Sudeste
Escolaridade Superior Incompleto
Renda 03 a 05 salários mínimos Motivo da
viagem Negócios
Frequência 2 a 3 vezes/mês
Fonte de
recurso Corporativo Fonte: Tabela desenvolvida pela autora de acordo com os dados do passageiro.
A filmagem iniciou-se na fase de Embarque, na qual o passageiro realizou a atividade de entrada na aeronave e acomodação. Após o embarque e acomodação, enquanto o motor da aeronave estava desligado, o passageiro realizou as atividades de falar ao telefone e interagir com outros passageiros. Em seguida, a filmagem foi interrompida durante as fases de taxiamento e decolagem, devido às regras de vôo. Durante o cruzeiro, as filmagens foram retomadas e, nesta fase, foram filmadas as atividades realizadas pelo passageiro, como dormir, olhar para janela, interagir com outros passageiros e ler. As filmagens foram interrompidas quando a comissária anunciou que os aparelhos eletrônicos deveriam ser desligados para o pouso. O desembarque do passageiro, também foi registrado.
Após a realização da filmagem, os vídeos foram organizados para a análise que, conforme mencionado anteriormente, basearam-se na análise das atividades realizadas e das posturas adotadas pelo passageiro, através do Protocolo de Postura versus Atividade.
Os dados da análise foram registrados na Ficha de Análise de Filmagens. Esse procedimento foi importante para facilitar a validação das informações junto ao passageiro, que foi realizado na fase seguinte.
Na fase de validação foi possível evidenciar algumas dificuldades do passageiro para a realização de suas atividades durante o vôo, bem como algumas estratégias utilizadas. De acordo com ele, na fase de embarque, o espaço reduzido do corredor e, principalmente a espera das pessoas que estavam se acomodando dificultaram a sua entrada na aeronave. Neste dia, ele ressaltou o fato de estar sem bagagem como uma facilidade para entrar na aeronave.
Quanto à atividade de acomodar-se o passageiro relatou ter que se abaixar para conseguir entrar na poltrona e, além disso, ter que se levantar após ter se sentado para colocar o cinto de segurança, uma vez que ele fica embaixo do banco.
Quanto à atividade de falar ao telefone, o passageiro mencionou que a o apoio para os braços deveria ter ajustes de altura para que ele pudesse realizar essa atividade apoiando os cotovelos.
Para interagir com outros passageiros, o mesmo citou o ruído como um fator ambiental que atrapalha a execução da atividade.
Na atividade de leitura, o passageiro mencionou que altera bastante a posição dos pés devido à curvatura da fuselagem do avião, que o incomoda. Além disso, ressaltou a dificuldade de apoiar o braço quando se está dividindo o apoio. Neste dia, como estava na fileira única, não teve problemas.
A atividade de dormir foi escolhida pelo passageiro durante a maior parte do tempo. De acordo com ele, o ruído e a variação da temperatura dificultam a realização da atividade. A poltrona, devido à ausência de espaço, apoio de cabeça, apoio de pés e inclinação favorável do encosto também dificultam a atividade, justificando a constante alternância de postura.
Para olhar a janela, o passageiro considera o desalinhamento entre a janela e a poltrona ruim, bem como o tamanho da mesma.
Por fim, falando no desembarque, o passageiro relatou que aguarda as pessoas saírem para não ter que ficar em pé com o tronco fletido, pois a altura do bagageiro dificulta a saída da poltrona.
Assim, através da validação foi possível entender alguns aspectos que ficaram obscuros apenas com a análise dos vídeos, justificando a relevância desta fase da pesquisa.
A análise das imagens possibilitou a elaboração de um gráfico contendo o resumo das atividades realizadas pelo passageiro durante o cruzeiro bem como as posturas adotadas e o tempo de permanência em cada uma delas.
Gráfico 2- Resumo das atividades realizadas ao longo da fase de cruzeiro.
Fonte: Gráfico elaborado pelo Grupo de Pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação, de acordo com os dados das análises
As diferentes cores representam as posturas adotadas pelo passageiro durante a realização de suas atividades e estão representadas na Figura 29.
Figura 29- Posturas adotadas pelo passageiro
Fonte: Figura elaborada pelo Grupo de Pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação a partir dos dados da filmagem
A Tabela 23 traz um resumo das atividades realizadas pelo passageiro, a duração de cada uma delas e o número de posturas adotadas.
Tabela 23- Resumo das análises
Fonte: Tabela elaborada pelo Grupo de Pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação de acordo com os dados das análises.
A próxima fase do método consistiu na reconstrução das posturas adotadas pelos passageiros durante o vôo e à criação dos envelopes de postura. Esse procedimento foi realizado pelo Grupo de Pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação, através do software RAMSIS. Um exemplo da criação dos envelopes de postura pode ser visualizado nas figuras abaixo (Figuras 30, 31 e 32).
Figura 30 – Envelopes de postura
Fonte: Figura elaborada pelo grupo de pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação
Figura 31 – Envelopes de postura –Vista Superior e Lateral
Figura 32 – Envelopes de postura –Vista Frontal e traseira
Fonte: Figura elaborada pelo grupo de pesquisa SimuCAD-Ergo&Ação
Estes envelopes permitem a representação dos espaços realmente ocupados pelos passageiros durante um vôo, possibilitando comparações e quantificações, úteis em situações de projeto.
Como conclusão, temos que o desdobramento acima proposto auxilia a atividade dos projetistas de poltronas aeronáuticas, uma vez que de acordo com Groenesteijin, et al, 2009 os aspectos da tarefa desempenhada pelo indivíduo podem ter um papel importante na percepção de conforto/desconforto do usuário. Assim, através dos procedimentos acima explicitados é possível obter informações acerca de quais atividades os passageiros costumam desenvolver durante o vôo, das posturas que são mais e menos freqüentes para a realização de cada atividade, dos sucessos e insucessos obtidos bem como das estratégias adotadas (e o motivo de cada um deles).
Estes procedimentos auxiliam a elucidar elementos dinâmicos relacionados ao conforto em poltronas, que as atuais análises realizadas na indústria de transportes, em sua maioria estáticas, não são capazes de evidenciar. Por fim, através da reconstrução das posturas e da criação dos envelopes é possível entender os espaços ocupados pelos passageiros durante a realização de suas atividades, sendo todas essas informações úteis para que os projetistas consigam discutir aspectos de dimensionamento de poltronas com maior embasamento.