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Creating a modeling problem-solving task

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As imagens, como objetos do mundo fenomênico, possuem dimensões e limites físicos que as permitem distinguir dos demais objetos. Tais limites são materializados em uma moldura. Assim, podemos compreender a moldura como sendo a borda da imagem, sua fronteira material e tangível. Segundo Aumont (2011), a moldura é o signo plástico que manifesta o circundamento da imagem, sua não limitação. Ela é, portanto, o limite sensível da imagem, isto é, sua moldura-limite. Essa moldura-limite é que interrompe a imagem, definindo o domínio do que é imagem e do que não é imagem. Assim, ela separa o espaço do espectador com o espaço plástico que é a própria imagem.

17 Sobre a questão da profundidade e sua relação com o tom/luminosidade, Dondis (2007, p. 63) aponta

que: “(...) mesmo com a ajuda da perspectiva, a linha não criará, por si só, uma ilusão convincente da

realidade; para tanto, precisa recorrer ao tom (...). O acréscimo de um fundo tonal reforça a aparência de

58 Pode acontecer que à moldura-limite seja acrescentado um outro objeto que é o emolduramento, denominado por Aumont (2011) de moldura-objeto. Este vem reforçar a moldura-limite. Quando, por exemplo, visitamos um museu, geralmente os quadros expostos apresentam, além de sua moldura-limite, uma moldura-objeto, que emoldura o quadro. A imagem televisiva também possui a sua moldura-objeto, embora, nos dias de hoje, como aponta Aumont (2011), os televisores de cantos quadrados e de tela plano visam a neutralizar, tanto quanto possível, a moldura-objeto, fazendo com que ela seja esquecida pelo telespectador. Entretanto, ela está lá, emoldurando a imagem televisiva.

A moldura possui diversas funções e são essas que nos interessam para a descrição e interpretação do estrato visual-fílmico do ato de linguagem telenovelístico. Dentre as funções da moldura destacamos:

a) função visual: é o que faz a moldura ser uma intermediária entre o interior da

imagem e o exterior dessa. A moldura é o que separada, perceptivelmente, a imagem do que está fora dela, isolando um pedaço do campo visual, singularizando-lhe a percepção e tornando-a mais nítida;

b) função simbólica: é devido a essa função que a moldura serve como um tipo

de indicador, uma vez que ela “diz” ao espectador que ele está diante de uma imagem, que, por estar emoldurada de uma certa forma, deve ser vista de acordo com certas convenções socioculturais e possui um certo valor simbólico;

c) função representativa e narrativa: quando a imagem é narrativa (como é o

caso do estrato visual-fílmico da telenovela), a moldura aparece como uma abertura que dá acesso ao mundo imaginário, à diegese figurada pela imagem. Nesse sentido, a função representativa e narrativa é o que faz comunicar o interior da imagem, o campo, com o seu prolongamento imaginário, o fora do campo. Muitas telenovelas podem jogar com esse campo/fora de campo para captar o telespectador em sua diegese.

A descrição da moldura em nossas análises será feita quando esta permitir a comunicação entre o campo e o fora do campo de forma a engendrar efeitos patêmicos no telespectador.

59 3.1.3.4. Escala de planos18

A escala de planos é o signo plástico que, conforme nos apontam Aumont e Marie (2010), dá conta do vínculo variável entre a distância da câmera ao objeto filmado e o tamanho aparente desse objeto. Nesse sentido, a escala de planos corresponde ao posicionamento do objeto que se quer registrar no visor da câmera e o tamanho que esse objeto adquire, sendo tal posicionamento variável, o que garante uma escala.

Como ressaltam Aumont e Marie (2010), a tipologia da escala de planos é bastante flutuante de uma língua para outra. Na tradição francesa, por exemplo, a escala vai do plano geral ao primeiríssimo plano, enquanto na tradição americana ela vai do long shot ao tight close-up ou big close-up.

Essas nomenclaturas, embora variáveis, estão, sobretudo, relacionadas ao tamanho de um sujeito filmado em pé de maneira que sua cabeça esteja dentro do quadro. Isso é visível nas definições desses planos, pois o referencial delas é sempre o sujeito filmado em pé, como veremos no quadro a seguir.

Nome do plano Definição Ilustração19

Plano Superdetalhe

Através desse plano, designa-se o enquadramento de pequenos pormenores do corpo da personagem ou de algum objeto.

Plano Close-up Nesse plano, somente a cabeça do ator aparece na tela, causando um efeito de dramaticidade à cena.

Primeiro plano

As personagens são mostradas dos ombros para cima, evidenciando suas expressões faciais. O cenário, nesse plano, praticamente não aparece, fazendo o espectador concentrar sua atenção sobre a personagem.

18 No âmbito da teoria e crítica cinematográfica, o conceito de plano é bastante polissêmico, podendo

abarcar, conforme nos apontam Aumont e Marie (2010), três principais definições. A primeira define plano como sendo a imagem de filme impressa e projetada numa superfície plana, designando, dessa forma, o

plano da imagem. Com isso, é possível falar em “plano de fundo” ou “em primeiro plano”, já que o plano

da imagem representa um certo campo, que é paralelo a uma infinidade de outros planos dispostos “em profundidade”. A segunda define plano como sendo o substituto aproximativo de “enquadramento”. Nesse último caso, o plano designa um certo ponto de vista sobre o evento (enquadramento) e uma certa duração, incluindo todo o vocabulário da escala de planos. A terceira, mais empírica, visto que tem sua aplicabilidade na montagem cinematográfica, define plano como qualquer segmento de filme compreendido entre duas mudanças de planos. Para essa seção de nosso trabalho, tomamos plano em sua segunda acepção mais corrente, isto é, plano enquanto enquadramento.

60 Plano próximo O enquadramento das personagens se dá da metade do

tórax para cima.

Plano médio As personagens aparecem da cintura para cima, ocupando a maior parte da tela.

Plano americano O enquadramento das personagens se dá com essas aparecendo do joelho para cima.

Plano conjunto As personagens aparecem de corpo inteiro na tela. Também se observa boa parte do cenário.

Plano geral

Nesse plano, é possível visualizar complemente o cenário em que as personagens aparecem, bem como as próprias personagens. É geralmente usado para realizar uma localização espacial da sequência, ou seja, indicar onde a ação se desenrola.

Quadro 1 - Escala de planos

A descrição dos planos em nosso corpus considerará as definições apresentadas no quadro acima. Para viabilizar a nossa descrição, do ponto de vista metodológico, apresentamos a grade a seguir:

Sequência Patemização

Escala de planos Superdet. Close-up Primeiro

Plano Plano Próximo Plano Médio Plano Americ. Plano Conjunto Plano Geral CAP01SEQ01 Patêmico Não Pat. CAPxSEQn Patêmico Não Pat.

Grade Resumida 2 - Escala de planos

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