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A empresa B pertence a grupo multinacional alemão fabricante de componentes automotivos, aeroespaciais e industriais. De acordo com o site da empresa, ela conta com uma longa história de sucesso marcada pela inovação devido ao espírito pioneiro de seus fundadores, dois irmãos alemães que adquiriram em 1946 uma empresa endividada de botões e fivelas de cinto, que havia sido deixada para trás por judeus fugindo do nazismo. Em 1949, a empresa passou a produzir rolamentos de agulha para a indústria automotiva e, em 1957, passou a ter subsidiárias no exterior.

Em 1958, foi iniciada a operação no Brasil, na cidade de Santo Amaro, a unidade de Sorocaba foi inaugurada em 1975, e no ano de 1997 toda a produção foi transferida para essa unidade, que havia passado por ampliações um ano antes.

De acordo ainda com o site da empresa B seus valores são alta qualidade, tecnologia de ponta e alto grau de inovação. Sua missão é “Contribuir de forma decisiva para a mobilidade para o futuro”.

Com sede na Alemanha, atualmente emprega aproximadamente 84 mil pessoas distribuídas em 50 países, a unidade pesquisada localizada na cidade de Sorocaba, produz sistemas de transmissão e rolamentos e possui cerca de 3 mil funcionários.

O processo de produção da unidade pesquisada consiste no tratamento térmico do anel externo (comprado), que é em seguida retificado, lapidado e por fim montado.

Para este trabalho, foram entrevistados o diretor de qualidade que trabalha há 26 anos na empresa, a partir de agora chamado de B1 e o chefe de produção que trabalha na empresa há 22 anos (B2).

De acordo com o entrevistado B1, a empresa é como sua casa ou até mesmo sua família, ele acredita que esse ambiente familiar seja influência da cultura alemã da matriz, conforme relatado a seguir.

A empresa é como a minha casa, nós temos uma cultura de equipe muito familiar, até porque a B é mundial, ela é uma empresa de um dono só. Na empresa alemã há a característica paternalista, ela é muito familiar. Porém

nós tivemos alterações na Alemanha de comando e tal, que estão mudando essa característica da empresa e está passando a ser um trabalho, um local para trabalhar, mas as equipes ainda são antigas, ainda são as equipes anteriores. Então, dentro do possível nós estamos mantendo esse ambiente de lugar para trabalhar, de conviver, para dar ideias, na minha equipe a gente tenta manter isso, a gente está mantendo isso, às vezes é um pouco difícil (B1).

Para B2, a empresa é “um lugar para se trabalhar e se desenvolver, como pessoa e como profissional”. O entrevistado ressaltou que na empresa valoriza-se o tempo de casa dos funcionários, a maioria entra como estagiário e se aposenta na empresa.

Os valores da empresa na visão de B1 são integridade, ética e tecnologia, segundo ele, a empresa é reconhecida por não fazer nada errado no que diz respeito à ética e é vista como uma empresa de tecnologia de ponta pelo mercado. B2 citou além de tecnologia de ponta e integridade, a qualidade do produto entregue aos clientes.

Para os entrevistados a história da empresa é muito importante para que todos os funcionários entendam como a empresa surgiu e chegou até os dias de hoje, percebendo assim os valores importantes para ela. Além disso, quando questionados sobre heróis, os respondentes citaram os fundadores e os primeiros funcionários da unidade, que para ele são exemplos de como as pessoas devem ser.

Há cerimônias de comemoração de dez, vinte e cinco anos e quarenta anos de trabalho, na qual os funcionários recebem placa comemorativa, anel e relógio respectivamente, pelos anos de dedicação à empresa, além dessa cerimônia, há também anualmente uma premiação das ideias que geraram maior lucro a empresa, na qual os ganhadores recebem um prêmio em dinheiro.

A comunicação é percebida como formal e ocorre através de reuniões diárias por vídeo conferência com a unidade dos EUA, a quem respondem atualmente, além disso, ocorrem reuniões diárias entre setores, há um jornal do RH e também por e-mail.

O respondente B1 ressaltou que na empresa há um restaurante separado para gerentes e diretores, e que quando há necessidade de uma definição rápida, essas pessoas não marcam reunião e sim almoços para conversar. Para ele, a comunicação nesses dois níveis ocorre sem problemas devido a essa facilidade, porém não ocorre de maneira tão fácil para os níveis de gestão de setores, devido aos diversos níveis hierárquicos que a empresa possui.

Além disso, para os entrevistados existe bastante diferença entre os grupos, reflexo da falta de integração entre áreas, e das características do gestor, de acordo com B1.

Então existem diferenças entre as áreas, o básico é seguido, mas existem perfis individuais de cada área e esses perfis são perfis dos gestores da área. Isso é uma coisa, que assim, eu aprendi isso no exército, mas isso vale para qualquer lugar, a tropa é escolha do comandante. Então é perfil da área depende do perfil do gestor da área (B1).

De acordo com B2 a empresa valoriza pessoas que ficam muito tempo na mesma área, não havendo intercâmbio de profissionais entre as áreas.

Para os entrevistados a empresa possui um alto grau de formalização, com normas de ética, segurança e operacionais bem definidas, e que todos a seguem. O poder de decisão é centralizado, para B2 a vantagem disso estaria na tomada de decisão rápida e a desvantagem na falta de análise de outros aspectos que poderiam ser melhores.

Os respondentes afirmaram que os gerentes de área tem autonomia para tomada de decisão dentro de sua área, até um limite financeiro, porém os funcionários operacionais não tem autonomia para tomada de decisão.

De acordo com os entrevistados a empresa possui um programa formal de treinamento vinculado ao SENAI para capacitação dos funcionários, segundo o entrevistado B2, é feito um levantamento anual das necessidades de treinamento para poder assim programar a capacitaçãodos funcionários. Para ele, os treinamentos são um bom momento para troca de experiências entre as pessoas, porém o respondente acredita que nem tudo é absorvido pelos funcionários devido às falhas na educação básica.

No que diz respeito às pessoas, os dois entrevistados concordaram que o nível de absenteísmo da empresa é baixo e a escolaridade mínima para a produção é segundo grau completo. De acordo com B1, a empresa busca pessoas éticas, especializadas e multidisciplinares, o entrevistado comentou sobre a dificuldade que a empresa vem tendo em encontrar pessoas novas com esse perfil.

A empresa possui uma integração formal para novos funcionários, que possuem um padrinho que os acompanha no trabalho até o final do período de experiência.