1. Introducció
1.9. Elements traça estudiats
1.9.5. Coure
Dessa forma, a história de uso e ocupação de seu território está diretamente relacionada com a de Monte Carmelo. Seus primeiros moradores vieram em meados do século XIX, ainda atraídos pela atividade mineradora. Com o declínio dessa atividade, grande parte da população local começou a se dedicar à criação de gado e à agricultura de subsistência.
Segundo os estudos de Pessôa (1988), o povoamento da região se deu principalmente pelo exercício da atividade agropecuária. O surgimento e o desenvolvimento de grandes fazendas contribuíram para o surgimento dos primeiros povoados.
As fazendas localizavam-se nas áreas de campos, e muitas delas deram origem a povoados que, mais tarde, se desenvolveram e se transformaram em cidades. Paralela à mineração e à criação de gado, nesta área de Coromandel, Iraí de Minas e Paracatu, desenvolveram-se também pequenas roças de feijão, milho, arroz e outros gêneros facilmente cultiváveis. (PÊSSOA, 1988, p. 56).
A partir da vinda dos primeiros moradores, atraídos pela atividade mineradora, Iraí de Minas foi se constituindo pela ocupação de grandes propriedades agrárias, destinadas à criação de gado e à pequena agricultura.
Podemos afirmar, portanto, que a mineração foi a atividade responsável pela ocupação das áreas onde surgiram os municípios em estudo. Esta ocupação inicial esteve relacionada a uma estrutura caracterizada pela grande propriedade, pela exploração direta dos estabelecimentos rurais pelos proprietários e pelos baixos níveis de produtividade e rendimentos na atividade pecuária, tal como ocorreu nas áreas de cerrado.
A atividade agrícola estava restrita às áreas de vegetação original de mata, sendo praticada com técnicas tradicionais. Ao lado desta agricultura de subsistência, desenvolveu-se também a criação de gado, conforme já foi evidenciado, como uma necessidade para a produção da carne, gerando também lucro, porque apenas a atividade de subsistência não era suficiente para a sobrevivência da população. (PÊSSOA, 1988, p. 57-58).
Esta realidade fica também evidenciada no depoimento de um dos moradores do Barreirinho ao relatar as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores do campo daquela região para cultivar suas terras e as estratégias de produção que estabeleciam por meio de parcerias.
De primeiro cada um mexia com lavorinha pra uso, pra gasto, tocava de ameia, tinha de primeiro ir com o boi com arado, arava o chão, era aquela mão de obra, cada um tinha um sítio e as fazenda maior dava ameia, não tinha maquinário não, era tudo de boi, era difícil, o mato era no enxadão, depois que surgiu umas lavoura de café e o povo foi panhá café. (morador da área rural do Barreirinho, depoimento em 10/10/2015).
Localizado dentro do bioma Cerrado, o quadro natural do município de Iraí de Minas caracteriza-se por apresentar grandes extensões de topo de chapada, com predomínio de áreas planas e presença de vales em processo de entalhamento. Sua morfologia apresenta topos amplos e aplainados, com vertentes longas e suaves interrompidas por longas rupturas de declive. O clima predominante, tendo como base a classificação de Koppen, é o tropical úmido (AW), apresentando duas estações: inverno seco e verão chuvoso, as quais atualmente não se apresentam muito definidas devido ao avanço da fronteira agrícola que provocou a intensificação do desmatamento, interferindo nas condições climáticas naturais. Os solos, característicos do bioma cerrado, são profundos e apresentam alto índice de laterização, com
baixa fertilidade, necessitando, portanto, de correção para a implantação de agricultura comercial.
Desde o início do povoamento da área atualmente ocupada pelo município de Iraí de Minas, houve o predomínio de atividades agrárias voltadas à pecuária, principalmente nas pastagens naturais presentes nos campos de alto de chapada5. A pequena agricultura era desenvolvida em áreas de vertentes relativamente planas e/ou em regiões próximas às margens dos rios, podendo inclusive configurar-se por uma agricultura de vazante.
Os agricultores mineiros, residentes em Iraí de Minas, ocupavam, em grande maioria, as áreas de encostas onde era possível produzir pequenas lavouras para subsistência e criar gado leiteiro (Foto 4). Esta ocupação se dava devido aos aspectos físicos (climáticos e pedológicos) propícios para estas atividades, que distinguiam estas áreas das de topo de chapada. As áreas planas, consideradas improdutivas por estes agricultores, quando utilizadas eram destinadas apenas para pastagem.
Foto 4 – Propriedade rural do Setor do Barreiro, próxima às margens da Represa de Nova Ponte.
Autor: GENARO, F., out./2015.
5 De acordo com Guerra (2010), o termo chapada refere-se a grandes superfícies, por vezes horizontais, e a mais de 600 m de altitude, que aparecem na região Centro-Oeste do Brasil. (GUERRA, 2010, p. 134).
Até a implantação de projetos de expansão da fronteira agrícola no Cerrado, como o PRODECER, nunca houve interesse dos grandes e pequenos proprietários rurais que já habitavam Iraí de Minas em aproveitar economicamente as áreas planas de chapadas (Foto 6). Era comum, inclusive, a venda, a troca por bens de pouco valor, e até a doação destas terras. As atividades agrárias eram desenvolvidas apenas em terrenos de vertentes ou em áreas planas próximas às margens dos rios.
Aquele chapadão do Iraí onde é as lavoura dos gaúcho, onde chão é 200, 300 mil o alqueire, aqui tinha um fazendeiro, mora aqui pertinho, tinha um mundo véio de campo pra lá, chapadão, dava a escritura pro povo aqui certinho só pro povo pagar o imposto, o povo enjeitou , faze o que com campo, não dá mantimento, não dá pasto, não dá nada, existia adubo não.(morador da área rural do Barreirinho, depoimento em 10/10/2015).