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Discurso Presidencial 21 de Maio de 2006 apud COVARRUBIAS,

2007).

2.4 A desaceleração do crescimento e a questão da sustentabilidade do modelo

No ano de 1998 há uma inversão do crescimento chileno, com a economia registrando uma variação negativa de 0,8% do PIB em 1999 em comparação ao ano imediatamente anterior, a produção industrial mostrou recuo de 1,3%, houve crescimento do desemprego e queda da taxa de investimento (BANCO CENTRAL; INE).

Gráfico 11 - Crescimento real anual do PIB chileno (1961-2006)

-15% -10% -5% 0% 5% 10% 15% 19 73 1976 1979 1982 1985 1988 1991 1994 1997 2000 2003 2006

Fonte: Banco Central do Chile (elaboração própria)

Os dados dos anos posteriores demonstram que os anos de 1998 e 1999 foram exceções, visto que os efeitos desta pequena “crise” não foram permanentes. A tabela 11 apresenta a evolução de algumas variáveis macroeconômicas no período entre 1996 e 2006. Como pode ser visto, estas variáveis apresentavam tendências decrescentes até o ano de 2003, exceto a taxa de desemprego, que apresentava movimento contrário. Porém, a partir do ano de 2004 a economia inicia uma recuperação visível, com melhora de todos os dados.

Tabela 11 – Variáveis Macroeconômicas Chilenas Escolhidas (1996-2006) Taxa de investimento em Capital Fixo, como % do PIB Taxa de desemprego Nacional IDE (US$ milhões) 1996 26,4 6,3 3.681,2 1997 27,4 6,1 3.808,7 1998 27,0 6,4 3.144,3 1999 22,2 10,1 6.203,1 2000 23,2 9,7 873,4 2001 23,4 9,9 2.590,0 2002 23,2 9,8 2.206,8 2003 20,1 9,5 2.701,1 2004 20,9 10 5.609,6 2005 24,1 9,2 4.750,6 2006 24,1 7,8 5.076,1

Fonte: Banco Central do Chile

A dependência de capitais externos e em relação ao setor de cobre são fatores que corroborariam para as previsões dos mais pessimistas. Entretanto, como já foi visto anteriormente, o crescimento da participação do cobre na pauta exportadora deve-se a um movimento de preços das commodities, refletindo uma conjuntura internacional muito

particular. Quanto à dívida externa, sua maior parte é de longo prazo, perfazendo cerca de 80,0% do total34. Adicionalmente, o setor público responde por apenas um quarto da dívida total (22,6% em 2006, segundo o Banco Central).

No campo da política comercial, o governo tem investido consideravelmente no aporte de suas exportações por meio de políticas que vão desde investimentos em pesquisa e tecnologia a projetos setoriais específicos. Além do Prochile e Fundação Chile, o governo criou outras instituições com o intuito de auxiliar os exportadores, principalmente no que cerne a inovação.

O Sistema Nacional de Inovação Chileno é constituído por agências estatais, universidades, centros de pesquisa e instituições privadas. A figura 3 mostra de forma esquematizada esse sistema, separando seus agentes por propriedade e função. Como pode ser observado, o Estado é responsável por grande parte das funções.

34 A porcentagem da dívida externa de longo prazo era de 71,3% em 1995, chegando a representar 87,6% em

Figura 3 – Sistema Nacional de Inovação chileno

Fonte: Tokman et all (2005, p.23)

O financiamento dos projetos desenhados pelos Ministérios acima citados é realizado por meio de uma série de fundos voltados para a inovação ou Fundos Tecnológicos. Os principais são os fundos gerenciados pela CONICYT (Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica) e CORFO (Corporación de Fomento de la Producción), com destaque para FONDECYT (Fondo Nacional de Desarrollo Científico y Tecnológico), FONDEF (Fondo de Fomento al Desarrollo Científico y Tecnológico), FONTEC (Fondo Nacional de Desarrollo Tecnológico y Productivo), FDI (Fondo de Desarrollo e Innovación) e o Projeto Milenium35, além dos fundos setoriais tais como Fundación para la Innovación Agraria (FIA), Fondo de Investigaciones Mineras (FIM), e o Fondo de Investigación Pesquera (FIP). Os gastos com Pesquisa e Desenvolvimento ainda são predominantemente realizados

35 Projeto conjunto entre o Mistério do Planejamento do Chile e o Banco Mundial entre 1999 e 2002, que

investiu cerca de US$ 15 milhões em treinamento de capital humano.

Fundos Setoriais (FIA, FIP) Setor Público Desenho de Políticas Órgãos responsáveis Outros Ministérios (Agricultu- ra, Saúde, Defesa) Financia- mento Execução Propriedade Mista Setor Privado Institutos Tecnológicos Institutos Tecnológicos (Fundação Chile) Ministério da Educação Ministério da Economia Mideplan CONICYT( Fondef, Fondecyt) CORFO (Fontec, FDI) Milenium

Universidades Incubadoras Universitárias

Consórcios

Empresas Universidades Institutos Tecnológi-

cos Função

Execução

nas Universidades e pelo governo, com 90% dos investimentos, enquanto as empresas privadas representam 10% do total. Porém, até meados da década de 1980, o primeiro bloco respondia por 100% dos gastos com P & D. Foi nesse período também que houve crescente aceleração deste tipo de gasto, como pode ser observado no gráfico 12 (AGAPITOVA E HOLM-NIELSEN, 2002).

Gráfico 12 – Gastos com Pesquisa e Desenvolvimento no Chile 1975 – 2000 (US$ milhões constantes de 1992) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 19 75 1977 1979 1981 1983 1985 8719 1989 1991 1993 1995 1997 1999

Fonte: Agapitova e Holm-Nielsen (2002, p. 28)

A maior parte dos recursos ainda destina-se a pesquisa básica, que consiste em investigação experimental como forma de adquirir novo conhecimento sem nenhum uso ou aplicação particular. Logo em seguida, os gastos com pesquisa aplicada, com grande potencial de comercialização. Por último, mas em crescimento nos últimos anos, estão os gastos com desenvolvimento tecnológico, formando uma base para novos projetos futuros.

Apesar de existir uma série de programas e fundos de financiamento para desenvolvimento de nova tecnologia no Chile, há grande dispersão dos projetos e muitas vezes, sobreposição de políticas. A fim de resolver este problema e impulsionar a pesquisa com tecnologia no país, o governo criou o Conselho de Inovação para a Competitividade por meio do Decreto nº 1.408 de dezembro de 2005. O intuito deste conselho é de “construir ventajas competitivas dinâmicas, pues nuestras ventajas estáticas em recursos naturales son potencialmente vulnerables” (Decreto nº 1.408, p. 1 artigo 1°) que seria alcançado com a

Educação e da Economia, Fomento e Reconstrução (TOKMAN et. al, 2005; AGAPITOVA E

HOLM-NIELSEN, 2002).

As linhas prioritárias do programa e suas respectivas participações no total dos recursos destinados são: Inovação de Interesse Público (16%), Formação de Capital Humano (17%), Fomento da Ciência e Tecnologia (36%), Inovação Empresarial (19%) e Internacionalização do Esforço Inovador (5%).

Dentre os setores considerados pelo Conselho com maior potencial estão os relacionados aos recursos naturais, como a silvicultura, cobre, papel e celulose, o segmento de alimentos, com destaque para vitivinicultura e fruticultura, de serviços e industriais como químico, farmacêutico e metalurgia.

Esta iniciativa do governo de Michelle Bachelet demonstra o comprometimento em dinamizar as exportações do país por meio da introdução e criação de novas tecnologias, rumo a produtos industriais exportáveis de maior valor agregado.

3 – UM ESTUDO ECONOMÉTRICO A RESPEITO DA CAUSALIDADE ENTRE EXPORTAÇÕES E CRESCIMENTO: O CASO CHILENO

O sucesso macroeconômico chileno a partir de meados da década de 1980 foi acompanhado pelo crescimento das exportações e por importante diversificação da pauta exportadora. As polêmicas em torno do caso chileno, para os propósitos do presente trabalho, podem ser assim resumidas: a) causalidade entre exportações e crescimento econômico; b) o papel da diversificação da pauta exportadora neste movimento e c) perfil diferenciado do desempenho das exportações de minérios, especialmente o cobre, e os novos produtos da pauta.

Este capítulo tem o intuito de fazer uma análise empírica destas questões, ou seja, a investigação da existência de uma relação de causalidade entre exportações e crescimento no Chile, o papel da diversificação e o possível comportamento diferenciado das exportações de minérios e industriais. Apesar de existir uma vasta literatura sobre a questão, há necessidade de novos trabalhos que realizem procedimentos desenvolvidos através de modelos econométricos ou matemáticos.

O capítulo está organizado em três partes. A primeira faz uma breve revisão da literatura existente, destacando modelos que abordam a causalidade entre exportações e crescimento e algumas dificuldades metodológicas que estes podem encontrar. Em seguida, são apresentados modelos específicos para o caso chileno, com destaque para os que diferenciam as exportações em setores, explorando a diversificação da pauta.

A segunda parte do capítulo apresenta o modelo aqui proposto, com a exposição dos dados utilizados, a metodologia a ser aplicada e os resultados obtidos. Tendo como base o modelo de Herzer e Siliverstovs (2007), procurou-se fazer um diagnóstico tanto de causalidade das exportações para o crescimento, como dos efeitos da diversificação da pauta exportadora. O modelo considera o período entre 1960 e 2006 (último resultado anual disponível), utilizando técnicas de séries temporais, como vetores auto-regressivos (VAR) e de correção de erros (VEC), assim como a análise de cointegração. Assim, foi possível verificar a aceitação ou não da hipótese de relação de longo prazo entre as variáveis escolhidas, assim como o impacto da diversificação no crescimento econômico por meio da separação entre exportações industriais e de minérios. A terceira parte retoma os resultados dos testes realizados, delineando algumas conclusões.