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5. Evaluation of the Models

5.1 Cost Comparison

GRANÍTICO DO CRÁTON AMAZÔNICO

A escassez de mapeamentos geológicos na região do Maciço granítico Matupá dificulta sua comparação com resultados de trabalhos anteriores. Entretanto, os corpos graníticos que se destacam das rochas do embasamento granito-gnáissico no norte do Mato Grosso são freqüentemente referidos como sendo do tipo Teles Pires.

No mapeamento da folha SC.21 Juruena, em escala 1:50.000, Silva et al. (1980) não individualizaram o Maciço Matupá dentro do denominado Complexo Xingu.

Paes de Barros (1994) definiu o Granito Matupá e o inseriu, juntamente com o Granito Juruena, em uma unidade denominada pré-Uatumã. O autor considerou o Granito Matupá intrusivo no Complexo Xingu e correlacionável ao Ciclo Transamazônico.

A idade obtida para a cristalização do Granito Matupá, 1,87 Ga, aliada às suas características petrográficas e litogeoquímicas descartam a possibilidade de correlação com o magmatismo granítico do tipo Teles Pires - designação proposta para os corpos graníticos alcalinos, com estrutura anelar, tendência alaskítica, tipicamente cratogênicos, enriquecidos em Sn e relacionados ao magmatismo anorogênico da Província Amazônia Central, cuja idade deve variar de 1,4 a 1,6 Ga (Silva et al., 1974a; Santos, 1982; Santos & Loguércio, 1984).

O caráter cálcio-alcalino do Granito Matupá e sua idade paleoproterozóica permitem correlacioná-lo aos granitos do magmatismo Uatumã, considerando-se a concepção de Santos (1982; 1984) e Santos & Loguércio (1984), segundo a qual a denominação Supergrupo Uatumã é utilizada para os produtos de um magmatismo vulcano-plutônico cálcio-alcalino com idades variando de 1750 a 1900 Ma.

Dall'Agnol et al. (1987) estabeleceram que o magmatismo granítico anorogênico da Província Amazônia Central ocorre entre 1900 e 1400 Ma e que as rochas vulcânicas do Supergrupo Uatumã têm idades entre 1900 e 1800 Ma. A seqüência de rochas vulcânicas denominada Teles Pires foi considerada de idade mais jovem, entre 1650 e 1600 Ma. Os autores consideraram questionável que as rochas vulcânicas Uatumã, cálcio-alcalinas e com uma proporção significativa de andesitos e dacitos, possam estar geneticamente relacionadas com os típicos granitos anorogênicos.

Capítulo II- Geologia, Petrologia e Geocronologia 83

8 - CONCLUSÕES

O Maciço granítico Matupá apresenta-se no Depósito de ouro Serrinha (Matupá, MT) como um único corpo granítico, denominado Granito Matupá, isotrópico, rosa, com textura média a grossa, equigranular a porfirítica. Classifica-se como biotita monzogranito, sendo constituído de quartzo, plagioclásio zonado An20 a An40, ortoclásio, biotita intermediária entre annita e flogopita, magnetita, ilmenita, titanita, zircão, fluorapatita, allanita, monazita e hornblenda intermediária entre ferro-edenita e edenita.

A datação de uma amostra do Granito Matupá por evaporação de chumbo sobre monozircão forneceu uma idade média de 1872 ± 12 Ma, interpretada como a idade de cristalização do granito.

Diques félsicos N70W a EW, métricos, e diques máficos N45E, com largura variando de 1 cm até dezenas de metros, cortam o Granito Matupá. Os diques félsicos são cogenéticos ao magmatismo granítico e têm composição riolítica. Os diques máficos possuem composição de basalto toleítico, são diferenciados e com características químicas de basaltos continentais, gerados em ambiente intra-placa, após a consolidação do Cráton Amazônico.

O estudo químico de biotita e hornblenda e de amostras representativas do Granito Matupá revelou ser o Granito Matupá homogêneo, cálcio-alcalino, metaluminoso a peraluminoso, semelhante aos granitos do tipo I mais félsicos, com valores de SiO2 entre 68 e 75%, elevada razão MgO/TiO2 (2,56), K2O/Na2O > 1,13-14% de A12O3, 1-2% de CaO, sendo enriquecido em Ba (740 ppm) e Sr (198 ppm). As amostras analisadas possuem valores moderados de elementos terras raras ( ETR = 250 ppm), Zr (135-249 ppm) e Rb (180-250 ppm) e baixos conteúdos de Nb (16 ppm), Y (24 ppm), Ta (1,3 ppm), Ga (<10 ppm), Zn (37 ppm), F (580 ppm), Sn (<5 ppm), W (<15 ppm), Cu (1-11 ppm), Mo (<5 ppm), Cl (54 ppm) e Li (10 - 40 ppm). Os padrões de ETR são fortemente fracionados (Lan/Ybn 30), com importante anomalia negativa de Eu (Eu/Eu* 0,35).

O empobrecimento em TiO2, A12O3, FeO(t), CaO, MgO, P2O5, Ba, V, Sr e Zr com o aumento do conteúdo de SiO2 sugere ter o Granito Matupá evoluído por cristalização fracionada. Não foi registrado material residual da sua fonte e o granito assemelha-se a granitos fracionados do tipo I, empobrecidos em Sr e não empobrecidos em Y.

A existência de anomalia negativa de Eu, a ausência de anomalia negativa de Y em diagramas multielementares, os baixos conteúdos de Sr (< 500ppm) e a existência de correlação negativa entre Sr e os indicadores de fracionamento sugerem geração e evolução do

Capitulo II - Geologia, Petrologia e Geocronologia 84

magma granítico sob forte influência de crosta continental, a pressões menores que 10 Kbar, onde o plagioclásio residual é abundante. A pressão de cristalização do Granito Matupá, calculada com base no geobarômetro da hornblenda, situou-se entre 3,3 e 4,5 Kb. As condições de /O2, obtidas empiricamente pela composição da hornblenda e pela paragênese quartzo + titanita + magnetita, indicam elevadas fugacidades de oxigênio para o magma granítico original, provavelmente entre os tampões FMQ e HM.

Em diagramas discriminantes de ambiente tectônico, o Granito Matupá possui características de granitos orogênicos, especialmente de granitos gerados em arco vulcânico ou em ambiente de pós-colisão.

O Granito Matupá possui idades-modelo (TD M) entre 2,34 e 2,47 Ga e (t) entre -2,7 e -4,3. Considerando-se uma única fonte para o magma granítico original, as idades-modelo representam a idade de formação de crosta continental. Considerando-se a hipótese de que o magma granítico resultou da mistura de fontes mantélica e crustal, elas não têm significado de idade de formação de crosta continental.

O modelo proposto para a geração do magmatismo que originou o Granito Matupá é o da evolução de um cinturão colisional, de acordo com Harris et al. (1986). Segundo o modelo, que considera a colisão de placas um evento dinâmico, suítes cálcio-alcalinas em ambiente colisional podem originar-se durante a fase de subducção de placa oceânica anterior à colisão, quando são gerados magmas mantélicos modificados pela litosfera oceânica subductada, ou durante a fase pós-colisional, sob influência da cunha de manto existente sobre a litosfera oceânica subductada.

Os dados petrológicos apresentados dão suporte ao modelo de Tassinari (1996) para a evolução crustal da Amazônia, segundo o qual o Maciço granítico Matupá está inserido no Domínio Ventuari-Tapajós, que evoluiu como arco magmático entre 1,95 e 1,8 Ga. Entretanto, tendo em vista as características litogeoquímicas e isotópicas do Granito Matupá, demonstrando-se que o magma granítico sofreu forte influência crustal após sua geração ou foi totalmente gerado na crosta, a hipótese de formação de crosta continental em torno de 2,4 Ga e geração do Granito Matupá em ambiente pós-colisional, com pouca influência mantélica, deve também ser considerada.

A idade obtida para a cristalização do Granito Matupá, 1,87 Ga, aliada às suas características petrográficas e litogeoquímicas descartam a possibilidade de correlação com o magmatismo granítico do tipo Teles Pires, cuja idade deve variar entre 1,4 e 1,6 Ga.

CAPÍTULO III

CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E