4. RESULT AND DISCUSSION
4.3 Rp/Ec Trend
4.3.1 Corrosion Current
Como já mencionado anteriormente, os açudes, construções nas quais uma barragem contém um curso fluvial formando um lago artificial que serve de reservatório hídrico, eram do conhecimento dos engenheiros, já existindo em propriedades rurais no nordeste quando Gabaglia escreveu seu projeto de canalização, em 1860. Esses açudes eram em geral construídos pelos próprios proprietários, beneficiando apenas as suas terras particulares e requerendo recursos consideráveis, razão pela qual Gabaglia via a medida como “mais profícua para os abastados e prediletos da fortuna, que para a massa do povo” (CAPANEMA e GABAGLIA, 2006, p. 132). Quanto à construção pública de açudes, considerava-a demasiado dispendiosa, avaliava que haveria carência de mão-de-obra e previa conflitos de difícil resolução na definição de sua distribuição dentro da província. Sua opinião, porém, não parecia ser compartilhada pelo Ministério da Agricultura, que enviou ao Ceará uma “Comissão de
Açudes”, chefiada pelo engenh ainda em 1879, sob os efeitos comissão assumisse também a projeto resultante desses estud aliás, um tanto diferente d considerara. Marcou, acima construção de grandes açudes área extensa e uma grande pop
Com projeto delineado secas e outras atribulações ent esse tipo de obra no país. Co hidrográfica que cobre 224 km de água, foi sem dúvida uma o do Governo da República – seri
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O engenheiro surge às vezes com o Não obstante, a maior parte das fon como J. J. Revy – eram escritos n traduzidos, notada a diferença na ca um certo Julian John Revy, que partic 1867, e de estudos sobre as bacias do
Figura 11: “Vista da barragem do aç
FONTE: ILLUSTRAÇÃO BRASILEIRA, 1
enheiro inglês Julian John Revy41, cujos estudos inic itos da seca iniciada dois anos antes (o que fez co m a função de distribuidora de socorros na prov studos – o açude do Cedro, no município de Quix e dos açudes particulares já existentes que
a de tudo, um novo tipo de intervenção no des, construídos pelo Estado e destinados a aten população.
ado pelo próprio Revy em 1882 e construído em entre 1890 e 1906, o Cedro foi a primeira experiê . Composto por quatro barramentos fechando u km² e com capacidade para 125 milhões de metro a obra grandiosa, que demonstrava claramente a seria visitado ainda em 1906 pelo presidente Afon
om o nome “Jules Jean Revy”, atribuindo-se-lhe nacionalidad fontes o aponta como sendo inglês. Os ofícios que assinav
s no idioma inglês ou em português (esses últimos pos a caligrafia). Adicionalmente, uma busca por referências o articipou do projeto de um túnel ferroviário sob o Canal da M as dos rios Paraná, Uruguai e de La Plata, em 1874.
o açude do Cedro” A, 1922. s iniciaram-se z com que a província). O uixadá – foi, ue Gabaglia no Brasil: a atender uma o em meio a eriência com o uma bacia etros cúbicos te a presença fonso Pena – lidade francesa. inava – sempre possivelmente online revela da Mancha, em
em pleno sertão cearense. Foi também uma “grande decepção” para os seus idealizadores e defensores que em 1907, o viam “baixar seu nível de suas águas a zero e abaixo de zero de sua comporta”, fato pelo qual se considerava responsável “a excessiva evaporação” provocada pelo sol, como demonstrado por dados climatológicos recolhidos no observatório de Quixeramobim, a poucos quilômetros do Cedro. Era mais um dado que deveria ser tomado em conta “pelo engenheiro ao projectar obras de açudagem na região assolada pelas seccas” (REVISTA DO CLUBE DE ENGENHARIA, 1907, p. 89).
Essa decepção continuava ainda em 1922, quando a comissão liderada pelo general Candido Rondon, enviada para avaliar as obras no nordeste, constatava, surpresa, que sua bacia hidráulica ainda não havia sido completamente cheia42, não obstante a média pluviométrica anual de 920 milímetros registrada nos dez anos precedentes. O relator da comissão, Paulo de Moraes Barros, lamentava ainda que não se tivesse aproveitado a experiência do Cedro para melhor estudar as condições climáticas relativas ao açude, que poderiam auxiliar a avaliação e projeto de outras obras do tipo:
Esse açude poderia já fornecer uma base de precisão pare certa ordem de calculos, se além dos dados existentes, houvesse o registro de direcção e intensidade dos ventos e do estado hygroscopico do ar a diversas alturas. As oscillações diarias do nivel dagua sobre a regua graduada, reduzidas a volumes e referiudos estes aos alludidos factores, permittiriam com auxilio do plano cotado da bacia hydraulica, a avaliação da influencia de cada um desses elementos do phenomeno da evaporação, facilitando a fixação dos respectivos coefficientes.
Taes coefficientes praticos, serviriam para o planeamento das futuras obras, caso houvesse nas diversas bacias, em projecto ou em execução, postos meteorologicos semelhantes.
Desde o inicio, e, já vai em cerca de 13 annos, devia ter sido organizado nesse açude, o serviço systematico de aerologia bem como os referentes a pesquizas sobre os terrenos adjacentes; uma estação meteorologica completa e um campo experimental de
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Os dados do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas registram as primeiras “sangrias” (cheias completas, com transbordação) do açude em 1924 e 1925, e uma seca completa da bacia no período de 1930-32. O Cedro só voltaria a sangrar em 1974-75 (www.dnocs.gov.br).
culturas com laboratorio annexo, para analyses de aguas, terras, forragens, etc., permittiriam a apreciação exacta do valor economico das plantações realisadas.
Esses quadros, esses exemplos, teriam instruido a administração sobre a viabilidade de obras semelhantes no territorio flagellado. (REVISTA BRASILEIRA DE ENGENHARIA, 1923, p. 60)
As dúvidas sobre o funcionamento do Cedro, no entanto, não impediram que a política de construção de açudes fosse levada adiante. Dentro do regulamento para execução de obras da IOCS, de 1909 (REIS, 1920), eram os primeiros a ser listados, classificando-se em grandes açudes (capacidade superior a dez milhões de metros cúbicos e profundidade média maior que seis metros), médios (capacidade entre dois e dez milhões de metros cúbicos, profundidade de no mínimo cinco metros) e pequenos (capacidade mínima de meio milhão de metros cúbicos e profundidade não inferior a quatro metros. Os açudes médios e pequenos eram em geral equivalentes aos açudes particulares que Gabaglia citara; o regulamento trazia, inclusive, mecânicas que resolveriam as principais preocupações que o engenheiro levantara sobre seu funcionamento.
De acordo com esse sistema, os proprietários particulares poderiam solicitar ao governo auxílio para a construção de açudes em suas terras, explicando as condições locais e justificando a utilidade da obra naquele caso em particular. Em caso de aprovação, o projeto e orçamento seriam feitos gratuitamente por técnicos da Inspetoria, e após completa a construção e comprovado o uso do açude, o proprietário receberia uma compensação financeira equivalente a metade do valor para a qual a obra fora orçada. O plantio e conservação de árvores junto ao açude receberia compensação semelhante. Ao participar do sistema, no entanto, o proprietário comprometia-se a “fornecer água para as necessidades domésticas das populações circunvizinhas” (REIS, 1920): os açudes, mesmo os menores, passavam então a ser elementos favorecedores de concentração populacional para a área onde eram erigidos. O regulamento foi, de fato, posto em prática, sendo responsável por um grande número de obras na região – ainda que a decisão sobre que propriedades seriam contempladas fosse por vezes influenciada por pressões políticas e influência oligárquica (AVELAR JR, 1994) –, como no caso do açude de pequeno porte “Cipó”,
situado em Quixeramobim, cujo pedido de aprovação, de 1929, é aqui tomado como exemplo:
O açude cuja construcção pretende fazer, offerece as seguintes vantagens: a) ser situado em terra irrigaveis e excellentes para plantações de canna de assucar, algodão, etc., etc., b) ser distante, algumas leguas, de outros açudes, c) ser centro de muita criação e elevada população. (DNOCS, Arquivo da sede regional 2, pasta Quixeramobim n.28)