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O presente estudo teve como objetivo geral verificar até que ponto existe uma adequação comunicativa nas mensagens veiculadas pela Faculdade dos Guararapes para os alunos do curso de Administração de Empresas, de acordo com o modelo de mensuração da qualidade da comunicação desenvolvido por Fiúza (2004).

Procedeu-se às análises quantitativa e qualitativa dos dados para verificar como os alunos respondentes percebiam a adequação comunicativa das mensagens veiculadas pela IES estudada.

Berlo (1999) apresenta fatores que atuam sobre o emissor da mensagem, influenciando seu comportamento no ato comunicativo, seu objetivo, seus mecanismos codificadores e o conteúdo das mensagens, da seguinte forma: a habilidade comunicativa determina a fidelidade da comunicação na medida em que influencia a capacidade individual de se analisar objetivos e intenções, bem como a capacidade de codificar a mensagem de maneira a expressar o que se pretende.

Corrado (1994) apud Fiúza (2004) analisa que todo esse processo comunicativo, que envolve inúmeras particularidades, não é mais responsabilidade de alguns, mas ampliou-se, tornando-se uma prioridade para todos os membros da organização.

Todos precisam trabalhar para cumprir a missão da organização. Todos precisam transmitir aos principais públicos da organização mensagens verossímeis e todos precisam compartilhar os sucessos e os fracassos da empresa. (Corrado, 1994, p.9).

Após se coletarem os dados utilizando o instrumento proposto, pretendeu-se relacioná- los com as conclusões do esquema teórico, permitindo dessa forma encontrar as respostas para a problemática desta pesquisa: até que ponto existe adequação comunicativa nas

mensagens veiculadas pela Faculdade dos Guararapes na percepção dos alunos do curso de Administração de Empresas, de acordo com o modelo de Fiúza (2004)?

O resultado obtido possibilita constatar que o aluno da Faculdade dos Guararapes percebe as estratégias comunicativas da Instituição como adequadas, visto que as maiores médias dos resultados quantitativos concentram-se nas categorias 5 e 6 (boa e muito boa) da escala proposta; além disso, a categorização semântica ratificou os dados quantitativos.

Apesar de, no cômputo geral, a avaliação do aluno ter sido apresentada como boa, há alguns elementos que precisam ser analisados pontualmente.

Para que haja comunicação, é necessária a presença, num sistema, de elementos, como o emissor, o receptor, o código lingüístico, o canal e a mensagem. São necessários também processos de leitura e de análise (SCHULER: 2004).

Este trabalho considerou, pois, como elementos necessários ao processamento da comunicação os cinco elementos-chave do processo de interação comunicativa: o emissor; o receptor; a mensagem; o código e o canal, que foram aqui categorizados a partir da percepção do aluno da Faculdade dos Guararapes. As informações da literatura apontam que é necessário ao emissor considerar a visão do receptor da mensagem; suas necessidades e opiniões (BERLO: 1999).

Se a comunicação é influenciada pelas habilidades comunicativas do emissor, na medida em que influenciam a capacidade individual de analisar os próprios objetivos e intenções e de codificar a mensagem de maneira a expressar o que se pretende ao receptor (Berlo, 1999), para este estudo, todas as análises tomaram o aluno como elemento norteador, entendido aqui como receptor. Sua visão do processo comunicativo da Instituição estudada está refletida nos resultados aqui apresentados.

O aluno da Faculdade dos Guararapes é essencialmente jovem, com idade média variando entre 21 e 25 anos (37%); o gênero predominante é o feminino (57%) e a maioria está inserida no mercado de trabalho (84%).

Os resultados apontam que o receptor do processo comunicativo considera a acessibilidade àqueles que detêm a informação na Instituição como premissa para que a interação comunicativa se estabeleça.

Esta avaliação foi embasada pelo procedimento “seleção da variável substituta”, através da análise fatorial. Os elementos apresentados sugerem que o receptor espera que haja clareza do emissor ao tratar das questões institucionais.

No que concerne ao emissor, o item considerado como representativo diz respeito à permissão da troca de informações. Este item foi considerado pelo aluno como uma característica daquele que detém a informação. Ressalta-se que, considerando as informações da literatura, como expõe Berlo (1999), “é necessário ao emissor considerar a visão do receptor da mensagem, suas necessidades e opiniões”.

O processamento da comunicação no âmbito da IES está atrelado, para o aluno, ao papel-chave do emissor que é o de esclarecer-lhe as dúvidas. Quanto à mensagem, o aluno considera que a informação que lhe é transmitida deve ter linguagem apropriada, ou seja, para ele, a adequação às necessidades e à sua capacidade de entendimento são pré-requisitos para que se estabeleça a troca comunicativa.

O código lingüístico, para o aluno, deve ser aquele que facilite o acesso às informações, ou seja, os alunos remetem ao emissor como responsável pelo direcionamento adequado das informações. Quanto ao canal de comunicação considerado pelo aluno, o jornal apresentou-se como o meio mais adequado, ou seja, o aluno entende a comunicação como algo pontual, interacional, objetivo, acessível e claro.

Berger; Luckman (1985) apud Fiúza (2004) defendem que para que se efetive a comunicação é necessária a existência de um processo de interação no qual os significados sejam compartilhados de forma acessível, através de código e canal adequados aos seres da relação.

Na Faculdade dos Guararapes, pois, as análises demonstraram que o processo de interação comunicativa se estabelece e caminha para um efetivo crescimento, visto que, na percepção do aluno, a Instituição mostra interesse em fornecer-lhe informações e divulgar os canais para que os alunos cheguem à informação.

Entretanto, o aluno ainda não percebe abertura da Instituição para que o mesmo expresse suas opiniões, tampouco vê abertura para a realização de reuniões que tenham o objetivo de ouvi-lo.

Este sentimento foi formalizado não só através das medidas quantitativas. A análise qualitativa não só ratificou os números apontados, mas também mostrou caminhos que, para o aluno, seriam responsáveis pelo estabelecimento da interação comunicativa.

O aluno da Faculdade dos Guararapes sugere que a Instituição aproxime-se mais dele: apresentando-lhe, com maior freqüência, feedback às suas solicitações. Para o receptor,verdade, clareza e transparência perfazem os elementos norteadores do respeito e da eqüidade.

Para Baldissera (2000), comunicar é criar vínculos e estabelecer equilíbrio entre os sentimentos da Instituição e dos públicos envolvidos. Este sentimento de respeito surge com muita força nas afirmações dos alunos, quando sugerem haver com mais freqüência reuniões e palestras. Para eles, o jornal é considerado o meio mais adequado para que as informações pontuais sejam transmitidas.

Segundo Kunsh (1992), a elaboração de uma política de comunicação poderá ater-se a uma série de etapas que compreendem pesquisa, análise e construção de diagnóstico,

determinação de objetivos e metas, esboço de estratégias gerais, implementação de programas específicos, controle de ações e avaliação de resultados.

Daí a necessidade de atentar ao valor percebido pelo aluno em relação aos serviços prestados e à satisfação de suas necessidades. Andrade e Amboni (2002) ressaltam a importância da imagem da instituição frente ao mercado. Pensando nessa perspectiva, Fiúza (2004) defende que as IES privadas precisam lançar mão daquilo que, por longo tempo, têm se esquivado de fazer: a utilização de ferramentas administrativas e de marketing, necessárias para criar competitividade e manutenção no mercado.

Falta à Instituição equilíbrio entre seus interesses e os de seu público-alvo, uma vez que o aluno percebe que os objetivos institucionais são transmitidos, mas seus anseios não são compreendidos, visto que 73,4% dos respondentes concordam com o fato de a Instituição estruturar suas mensagens com base em sua proposta pedagógica, mas esses mesmos alunos ( 80%) afirmam que a IES precisa estar aberta ao diálogo e à audição dos problemas do aluno.

Nesta pesquisa, chegou-se à conclusão de que o aluno da Faculdade dos Guararapes entende que a IES se preocupa com a efetividade do entendimento das mensagens por ela veiculadas, assim como solicita que a Instituição efetive uma relação comunicativa mais acessível, privilegiando a interação.

É necessário, pois, que a IES busque uma comunicação integradora, para dialogar com seu público e para satisfazê-lo. Nos dizeres de Fiúza (2004) : não há sucesso isolado em qualquer organização, muito menos em Instituições de Ensino Superior. A equipe deve comunicar, sempre, entre si, de forma articulada.

Os resultados sugerem que existe adequação comunicativa nas mensagens veiculadas pela Faculdade dos Guararapes, na percepção dos alunos do curso de Administração de empresas, visto que os alunos avaliaram satisfatoriamente a transmissão dos objetivos institucionais para seu público-alvo.

Berlo (1999), ressaltando o processo de interação, aponta que, da mesma forma que as habilidades comunicadoras da fonte são importantes para capacitá-la a interpretar os eventos, criar e codificar a mensagem, as habilidades relacionadas com o receptor também são essenciais à efetividade da comunicação, pois delas depende a decodificação da mensagem recebida. Por isso, não se pode predizer o êxito do ato comunicativo apenas em função das habilidades da fonte ou do receptor, isoladamente, mas sempre em conjunto.

Apesar de evidente importância da comunicação para o desenvolvimento humano e organizacional, como exposto por Torquato (1991), França (1993), Kunsch (1997,1999), Del Pozo (1997), Berlo (1999) e outros autores, paradoxalmente, não lhe tem sido dada a devida importância como ferramenta gerencial, ficando, em muitos casos, relegada a segundo plano nos processos de planejamento, o que é temerário, pelo fato de que a comunicação é peça fundamental para a operacionalização dos mesmos ( FIÚZA, 2004).

É necessário, pois, à IES buscar, em sentido integrado, uma comunicação de qualidade, para encontrar seu público e satisfazê-lo. O contato com o público-alvo deve ser o mais próximo possível. Administrar esse relacionamento, principalmente sob a forma de programas de qualidade de comunicação, poderá proporcionar vantagens para a imagem da instituição.

As análises quantitativa e qualitativa apresentaram resultados consonantes. Os elementos essenciais para que haja adequação comunicativa, na visão do aluno, são aqueles que dizem respeito à troca de opiniões e à acessibilidade aos que fazem a Instituição.

A análise qualitativa ratificou os resultados gerados pela análise quantitativa: a comunicação na Faculdade dos Guararapes é satisfatória, mas precisa ser entendida como um processo bilateral. A esse respeito, sugere-se que um planejamento das ações comunicativas da Instituição seja planejado para que todos os funcionários tenham condições de estabelecer diálogo com o aluno. Deve-se cuidar para tornar comum a rede de associações na qual a

mensagem é percebida para que diferentes pessoas possam compartilhar um significado (Schuler: 2004).

Cabe à IES partir dos dados apresentados para ampliar o canal de comunicação no sentido de construir um meio que permita a melhor fidelidade da transmissão das mensagens e, assim, buscar implementar um processo de comunicação de fato interativo.

Para concluir, os processos de comunicação da IES estudada atendem aos anseios institucionais, mas ainda não conseguiram atender aos anseios de seu público-alvo. A partir dessas constatações, espera-se que a IES estudada obtenha uma visão mais aprofundada do entendimento que os alunos dão às estratégias comunicativas implementadas pela Faculdade. A contribuição deste trabalho está no produto final da análise que trouxe respostas efetivas para a empresa alvo da investigação. Embora sejam respostas interpretativas e, como tal, sujeitas a pontos de vistas diferentes, são baseadas em análises de manifestações concretas dos alunos, com procedimentos passíveis de serem replicados.

Por fim, sobre a importância de se efetivar a troca comunicativa em quaisquer esferas institucionais, são apresentadas as palavras de Morin:

A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mútuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades; esta deve ser a tarefa da educação do futuro (MORIN:2000).

5.1 Sugestões para pesquisas futuras

Como sugestões para futuras pesquisas, podem ser apontadas aquelas que visem a aprofundar e aperfeiçoar as conclusões obtidas neste trabalho, por meio de análises mais detalhadas ou mesmo por meio da proposição de planejamento comunicativo para

fortalecimento da imagem empresarial e , de modo mais específico, da imagem da instituição de ensino superior.

Por isso, outros estudos são recomendados, enfocando outras dimensões além da contemplada nesta pesquisa:

a) busca de ferramentas capazes de gerenciar toda a informação que circula dentro da Instituição;

b) desenvolvimento de projetos visando ao registro de ações facilitadoras às interações comunicativas;

c) avaliação da comunicação em outros ambientes organizacionais;

d) avaliação da comunicação em ambientes organizacionais, para verificar se ela é integrada e se existe adequação comunicativa;

e) redução do número de itens do instrumento através de análise fatorial, para que seja aplicado e avaliado de modo mais rápido e não menos preciso.

Por fim, ratificando as idéias de que a comunicação não se estabelece de forma unilateral, mas de forma interativa e entendendo o ser humano como elemento capaz de gerar sentido intencionalmente, apresenta-se, pois, este trabalho como aberto à ampliação de análises e ao aprofundamento dos elementos comunicativos que busquem aproximar mais e melhor as pessoas.