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2. Cultural Intelligence

5.1. Employee Skills and Capabilities

Todo o indivíduo muda o ambiente em que vive por meio de sua atividade. Ele pode alterar as condições, adicionar ou subtrair recursos do ambiente, que poderiam ficar disponíveis a outros organismos. Além do mais, os indivíduos interferem um na vida do outro por meio de suas interações (BEGON et al., 2007).

Dajoz (2005) trata as interações que se manifestam entre os diversos organismos, que povoam um determinado meio, de fatores bióticos. Essas interações podem ser produzidas entre indivíduos da mesma espécie ou entre indivíduos de espécies diferentes.

Para Ricklefs (2003), as interações podem ser do tipo consumidor recurso, como as relações entre predador e presa, entre herbívoro e planta e entre parasita e hospedeiro. Os consumidores podem ser chamados de predador, parasita, parasitóide, herbívoro e detritívoro.

Os predadores capturam e consomem outros indivíduos, removendo-os assim da população de presas. Por outro lado, o parasita consome partes de uma presa viva, anexando seus corpos aos corpos de seus hospedeiros ou invadindo-os e alimentando-se de seus tecidos, sangue ou alimentos parcialmente digeridos em seus intestinos. Algumas espécies de vespas e moscas possuem larvas que consomem tecidos, normalmente os ovos, larvas e pupas, de outros insetos, levando a morte do hospedeiro (RICKLEFS, 2003).

Os herbívoros podem agir tanto como predadores ou parasitas, dependendo de que parte da planta eles comem. Eles agem como predadores quando consomem plantas inteiras e como parasitas quando consomem tecidos vivos sem matar suas vítimas. O consumo de uma parte dos tecidos de uma planta pode ser denominado de pastagem, quando se refere à vegetação herbácea e desfolhação quando se refere à vegetação lenhosa (RICKLEFS, 2003).

Os detritívoros são importantes na reciclagem de nutrientes em um ecossistema. Vivem dos rejeitos de outras espécies, consumindo material orgânico morto como fezes, carcaças e serapilheira foliar, não tendo desse modo, efeito direto nas populações que produzem esses recursos (RICKLEFS, 2003).

Os predadores têm adaptações para escapar de suas presas. A presa se torna mais difícil de capturar conforme seu tamanho aumenta em relação ao tamanho do predador, que se torna mais especializado em perseguir e subjugá-la. A forma e a função de um predador estão relacionadas à sua dieta, como pode ser observado nos herbívoros que tendem a ter dentes com grandes superfícies trituradoras com a função de macerar os tecidos duros das plantas e seus tratos digestivos são, com freqüência, grandemente alongados. Já os dentes dos carnívoros têm superfícies cortadoras e mordedoras para imobilizar a presa na sua boca e cortar itens alimentares em pedaços para serem engolidos e digeridos (RICKLEFS, 2003).

As presas também apresentam adaptações para escapar de seus predadores. Esconder-se, escapar e defender-se ativamente podem ser estratégias efetivas dependendo da circunstância. Um campo, por exemplo, oferece aos cervos e outros pastadores poucos lugares para se esconder, portanto o sucesso de sua fuga depende de uma detecção antecipada dos predadores. Quando não é possível para os animais se esconderem ou buscar refúgio em micro-hábitats mais seguros, eles ajustam seu comportamento à presença de predadores. Já as plantas produzem espinhos e substâncias químicas que dissuadam os herbívoros, já que elas não podem escapar como os animais (RICKLEFS, 2003).

Outro tipo de defesa contra predadores é a coloração críptica e de advertência. A coloração críptica é a estratégia de animais palatáveis, que combinam sua cor e padrão com a cor e padrão das cascas, galhos ou folhas. Na coloração de advertência ou aposematismo, as presas produzem químicos nocivos ou os acumulam com base nos alimentos e anunciam esse fato com um padrão de cor notável, que os predadores aprendem rapidamente a evitar. Esses animais impalatáveis que apresentam coloração de advertência são imitados por animais palatáveis, relação denominada de mimetismo batesiano. Outro tipo de mimetismo é o mulleriano, que ocorre quando um único padrão de coloração de advertência é adotado por diversas espécies impalatáveis, o que torna mais eficiente o aprendizado da evitação pelos predadores (RICKLEFS, 2003).

Para Begon et al. (2007) existem cinco categorias principais para as diversas interações entre indivíduos de espécies diferentes: competição, predação, parasitismo, mutualismo e detritivoria.

Os organismos são afetados pelas condições em que vivem e pelos recursos que obtêm, mas nenhum organismo vive isolado, pois em pelo menos uma parte de suas vidas, são membros de uma população composta de indivíduos da própria espécie (BEGON et al., 2007).

A competição é uma interação onde o organismo consome um recurso que estaria disponível para consumo de outro organismo. O organismo privado do alimento cresce mais lentamente, tem menos descendentes e corre maior risco de morte. Na competição intra-específica a privação de alimento ocorre entre membros da mesma espécie e na competição interespecífica ocorre entre indivíduos de espécies diferentes (BEGON et al., 2007).

A competição intra-específica ocorre quando os indivíduos da mesma espécie, que têm necessidades semelhantes para sobreviver, crescer e se reproduzir, competem por um recurso, cuja demanda excede a oferta imediata. A competição por esse recurso leva à redução da sobrevivência, crescimento e /ou reprodução de pelo menos alguns dos indivíduos competidores envolvidos (BEGON et al., 2007).

O efeito final dessa competição sobre um indivíduo é, em comparação ao que aconteceria se não houvesse competidores, uma redução da sua contribuição à geração seguinte. Esse fato é ocasionado pela diminuição das taxas de incorporação de recursos por indivíduo e consequente diminuição das taxas de crescimento ou desenvolvimento individual, ou decréscimo das quantidades de reservas armazenadas

ou a um aumento dos riscos de predação. Isso pode acarretar um decréscimo da sobrevivência e/ou fecundidade que determinam para um indivíduo o seu rendimento reprodutivo (BEGON et al., 2007).

A competição entre indivíduos de espécies diferentes pode levar à diminuição mútua nas duas populações, o que pode acarretar a eliminação de uma espécie pela outra (RICKLEFS, 2003), ou podem coexistir, utilizando o hábitat de maneiras assimétricas (BEGON et al., 2007).

A predação é o consumo de um organismo, denominado presa, por outro organismo, denominado predador, em que a presa está viva quando o predador a ataca pela primeira vez. Para Begon et al. (2007) os predadores podem ser classificados de duas maneiras. A primeira é a classificação “taxonômica”: os carnívoros consomem animais, os herbívoros consomem vegetais e os onívoros consomem presas de mais de um nível trófico – vegetais e herbívoros ou herbívoros e carnívoros. A segunda é uma classificação “funcional” onde existem quatro tipos principais de predadores: predadores verdadeiros, pastadores, parasitóides e parasitos (BEGON et al., 2007).

Os predadores verdadeiros matam suas presas quase imediatamente após atacá-las e durante sua vida matam diferentes presas, consumindo-as com freqüência em sua totalidade. Carnívoros como tigres, águias e roedores granívoros, formigas granívoras e baleias consumidoras de plâncton são considerados predadores verdadeiros (BEGON et al., 2007).

Os pastadores também atacam um grande número de presas durante a sua vida, mas diferente dos predadores verdadeiros, retiram para consumo apenas uma parte de cada indivíduo-presa, causando um efeito raramente nocivo e raramente letal em curto prazo. Grandes vertebrados herbívoros como ovinos e bovinos assim como moscas que picam vertebrados e sanguessugas que chupam seu sangue entram nessa categoria (BEGON et al., 2007).

Os parasitos, assim como os pastadores, consomem partes de suas presas, chamadas de hospedeiros, e são tipicamente nocivos. Diferente dos pastadores, os parasitos atacam um ou poucos indivíduos durante sua vida. As tênias, as fasciolas hepáticas, o vírus do sarampo, a bactéria da tuberculose, as moscas e vespas que formam galhas nas plantas são considerados parasitos. Existem também plantas, fungos e microorganismos que parasitam plantas além de muitos herbívoros como os afídeos que extraem seiva de algumas plantas (BEGON et al., 2007).

No grupo dos parasitóides estão presentes principalmente insetos da ordem dos himenópteros além de muitos dípteros. Os adultos são de vida livre, mas ovipositam em, sobre ou perto de outros insetos e o parasitóide larval se desenvolve no interior ou na superfície do seu hospedeiro. No início, a larva causa um dano pouco aparente ao hospedeiro, mas no final o consome quase que totalmente ocasionando sua morte. Um ou mais parasitóides podem se desenvolver no mesmo hospedeiro (BEGON et al., 2007).

Para uma planta, os efeitos da herbivoria dependem dos herbívoros envolvidos, das partes da planta afetadas e do momento do ataque com relação ao desenvolvimento da planta, sendo que alguns

herbívoros exercem maior impacto do que outros. As plantas podem ser tolerantes ao dano causado pela herbivoria ou apresentar resistência ao ataque (BEGON et al., 2007).

Há várias maneiras pelas quais as plantas individuais compensam os efeitos da herbivoria, mas em geral elas são prejudicadas pelos herbívoros, mesmo quando as reações compensatórias tendem a se opor aos efeitos danosos. Uma das maneiras seria a remoção de folhas sombreadas, o que pode melhorar o balanço entre fotossíntese e respiração da planta como um todo. Muitas plantas, imediatamente após o ataque de um herbívoro, fazem uma compensação utilizando as reservas armazenadas em diferentes tecidos e órgãos ou alterando a distribuição de produtos em seu interior. Pode também ocorrer um novo crescimento compensatório de plantas desfolhadas quando as gemas dormentes são estimuladas a se desenvolverem (BEGON et al., 2007).

A maioria dos insetos fitófagos (que se alimentam de plantas) são oligófagos, ou seja, se alimentam de poucas espécies de plantas da mesma família ou são monógafos, que se alimentam apenas de uma única espécie. Poucos insetos são polífagos, ou seja, conseguem alimentar-se de muitas espécies vegetais. A localização de uma determinada espécie da qual conseguem alimentar-se, entre as muitas espécies disponíveis no cerrado, por exemplo, torna-se uma barreira aos fitófagos (PIVELLO; VARANDA, 2005).

A presença de substâncias secundárias pode diminuir a eficiência dos insetos em aproveitar os nutrientes presentes nas plantas ou afetar diretamente o animal via toxidade ou repelência. Essas substâncias também chamadas de aleloquímicos são produzidas por vias metabólicas que tem seus precursores no metabolismo primário. Essas vias originam substâncias com funções relacionadas com a adaptação das plantas ao ambiente físico e à defesa contra parasitas, patógenos, fitófagos e à inibição do desenvolvimento de outras plantas nas relações alelopáticas (PIVELLO; VARANDA, 2005).

Já foram identificadas mais de 100 mil substâncias secundárias biologicamente ativas produzidas por plantas superiores. Essas substâncias estão distribuídas em quatro classes principais: terpenóides, metabólitos sulfatados, fenóis e os metabólitos nitrogenados. Muitos insetos, no entanto, possuem adaptações fisiológicas e comportamentais, que os permitem superar, pelo menos em parte, a ação dos metabólitos de defesa (PIVELLO; VARANDA, 2005).

Um parasito pode ser definido como um organismo que obtêm seus nutrientes de um ou poucos indivíduos hospedeiros, sem causar morte imediata, mas provocando normalmente um dano. Podem ser divididos em microparasitos como as bactérias e vírus e em macroparasitos como vermes helmínticos (BEGON et al., 2007). Os microparasitos, de um modo geral, são organismos que se multiplicam no interior de seus hospedeiros definitivos e caracterizam-se por pequeno tamanho, pequenos tempos de geração, e uma tendência para induzir imunidade nos hospedeiros que sobrevivem à infecção. Já os macroparasitas, via de regra, não se multiplicam dentro do seu hospedeiro definitivo, mas por meio de estágios de transmissão (ovos e larvas) que ocorrem no ambiente externo (CÂMARA, F.P., 2004)

Em uma relação mutualística, os organismos de espécies diferentes interagem para seu benefício mútuo e em geral envolve troca direta de serviços como alimento, defesa ou transporte. Muitas plantas conseguem dispersar suas sementes ao oferecer uma recompensa, na forma de frutos carnosos comestíveis a aves ou mamíferos e outras oferecem néctar de suas flores aos insetos visitantes, assegurando assim uma polinização efetiva (BEGON et al., 2007).

Diferentemente de herbívoros, carnívoros e a maioria dos parasitos, a grande parte dos saprótrofos, que utilizam matéria orgânica morta para obter energia, não controla a taxa com que seus recursos se tornam disponíveis ou se regeneram; eles dependem da taxa com que alguma outra força, como senescência, doença, luta ou queda das folhas das árvores, libere o recurso do qual vivem. Os saprótrofos são divididos em dois grupos: decompositores (bactérias e fungos) e detritívoros (animais consumidores de matéria morta) (BEGON et al., 2007).

As interações – tanto dos seres vivos entre si como dos seres vivos com os fatores abióticos - são incontáveis. Entretanto alguns conceitos podem ser considerados estruturantes pois pensar sobre eles abre espaço para a construção de diversos outros conceitos. É o caso dos conceitos de nicho ecológico e sucessão ecológica.