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Out-of-Core Performance MNO

In document Interactions with Gigantic Point Clouds (sider 136-140)

3.10 Complexity Analysis for Out-of-Core Processing

3.11.3 Out-of-Core Performance MNO

Neste momento, vamos tratar do conceito de experiência a partir dos conceitos de aparecimento [Erscheinung] e de fenômeno [Phaenomenon]99, com o intuito de estabelecer

uma relação entre estes termos, na tentativa de compreender o que Kant entende por cada um deles e mostrar como esses conceitos são essenciais para o esclarecimento da Refutação do idealismo.

98 CRP, B 137.

99 Vale ressaltar que, quem nos despertou para o problema de “interpretação/tradução” dos termos fenômeno (Phaenomenon) e aparecimento (Erscheinung) foi o professor Olavo Pimenta (2006), além da breve nota 05 de página 31 da tradução de Fernando de Mattos da CRP (2015), tradução esta que afirma que Kant confere uma sinonímia entre esses dois termos em A 249. Outra tradução que nos deixou em alerta para o uso destes termos foi a tradução de Paul Guyer de 2009, onde o mesmo trata “Erscheinung” como ‘apappearances’ referindo-se a aparecimentos e “Phänomen” como ‘Phenomenon’, aquivalente a fenômeno.

É de fundamental importância a distinção entre estes conceitos, pois é, também, por meio deles que Kant busca provar a real existência dos objetos no sentido externo, sendo essas “coisas” que possibilitam as experiências, tanto interna quanto externa.

Kant se utiliza destes conceitos desde o início de sua empreitada, já na primeira edição da CRP, então se faz necessário esclarecer e estabelecer a diferença entre os mesmos porque, se compreendermos bem esta distinção não precisaremos de expressões e explicações adicionais para juntar o quebra-cabeça dos juízos.100

A necessidade de distinção entre esses dois conceitos nos foi sugerida por Pimenta quando coloca que,

A meu ver, a indistinção entre aparecimento e fenômeno ofusca esta importante diferença conceitual intimamente ligada à prova de possibilidade dos juízos sintéticos a priori, tornando fundamental ter sempre em mente as condições que permitem discerni-los (2006, p. 125).

Para nós essa distinção tem grande importância porque estes conceitos estão no cerne para a compreensão do conceito de experiência e acreditamos que é justamente por meio deste conceito que Kant busca solucionar o embate entre as correntes empirista e racionalista, pois ele concede ao conceito de experiência uma grande responsabilidade que leva ao caminho do conhecimento. Todavia, é a contragosto tanto de empiristas quanto de racionalistas que Kant afirma que, apesar do conhecimento ter por fundamento a experiência, este nunca se dá exclusivamente por meio desta, pois são necessárias formas a priori que vão determinar a sensibilidade101.

Essa distinção permite que nenhuma experiência seja igual a outra, pois ter experiência de algo depende de vários fatores, internos e externos, o que impossibilita sua objetividade, podemos perceber isso nas palavras de Allison quando diz:

Por "na experiência", Kant aqui, obviamente, significa na percepção ou apreensão. Assim, o seu ponto de vista é que a maneira pela qual o múltiplo da intuição empírica está "justaposta" na percepção é "contingente", no sentido de que ela se baseia em fatores relativos à situação de um perceptor que, portanto, não pode por si só licenciar uma reivindicação objetiva (2004, p. 235 - tradução nossa).

100 Compreender um simples aparecimento de algo com um objeto fenomênico significa anular o primeiro contato que o sujeito tem do objeto antes de determiná-lo, contato este que em nossa visão vem antes de qualquer tipo de determinação, pois apenas intui algo existente no espaço. Todavia, como o pensamento é um ato reflexivo espontâneo, as categorias buscarão de imediato identificar este aparecimento a algo que pelo entendimento é determinado, o que para nós é o que traz toda a confusão de interpretação, pois mesmo que este ato de determinar algo no pensamento seja mediato ele só ocorre após um aparecimento.

Assim, na filosofia de Kant, o objeto do conhecimento ganha novo status, se tornando incognoscível na sua constituição em si, restando apenas os seus aparecimentos para serem percebidos na intuição, mas, mesmo assim, estes ainda não podem requerer para si nenhuma objetividade sem uma determinação conceitual das categorias.

A nosso ver, não existem problemas maiores no termo “aparecimento” quando este está associado apenas ao significado de uma manifestação sensível real, que não é ilusória e nem fantasmagórica, pois podemos perceber em diversos comentadores a mesma postura quando empregam o termo “aparecimento” em situações diferentes de “fenômeno”, o que não ocorre com as traduções em português102.

Nossa sugestão, é mostrar que o sujeito que se depara com um aparecimento tem uma intuição sem determinação, a qual vai precisar das regras gerais das categorias para determinar esta “coisa” que lhe aparece como real. É desta maneira que acreditamos que devemos usar o termo aparecimento para traduzir Erscheinug e fenômeno para traduzir Phaenomenon, pois mesmo que ambos tratem de objetos reais na relação espaço/tempo, um vai indicar os objetos não determinados da intuição sensível, enquanto o outro indica uma representação já determinado pelas categorias. Isso nos possibilita resguardar a intuição independente da determinação teórica, ao mesmo tempo em que garante o fenômeno enquanto uma representação determinado sob um conceito103.

Então, somente quando estes aparecimentos são determinados pelo entendimento no conceito é que temos os fenômenos, é essa relação que nos garante uma experiência do objeto agora determinado. Portanto, ter a simples afecção sensível de “objetos” não nos permite experiência alguma, só podemos ter experiência quando estes “objetos” por meio das categorias são determinados.

Com isso, Kant nos afirma que, apesar da experiência depender da intuição de objetos externos, ela é uma atividade que se efetiva no intelecto, e, neste sentido, Alisson nos ensina que:

...refere-se mais à ordenação conceitual do entendimento através do qual ela determina o pensamento de um objeto (neste caso, sucessão objetiva). Antes da

102 Podemos notar isso em Evans, (1984); Guyer (na tradução da CRP de 2000); Allison (2004); Caranti (2011); Mattos (2012), entre outros.

103 Deixamos esta postura como sugestão interpretativa com base no seguinte pensamento: o aparecimento diz respeito a algo indeterminado que é dado no espaço fora da consciência (ver CRP A 20 / B 34), podendo vir a ser chamado de fenômeno a partir da sua determinação, portanto tomamos estes conceitos como referência a objetos reais, que dizem respeito a algo que pode ser intuído pelos sentidos. Assim, por esta pequena distinção temos que ambos tratam de objetos reais e isso nos possibilita diferenciá-los dos objetos ideais, que não podem “aparecer”, e, por isso, não podem ser chamados de fenômenos, o que mantém a distinção dos objetos que podem ser intuídos (e portanto conhecidos) daqueles que só podem ser pensados.

determinação conceitual não há pensamento de um objeto em geral, a fortiori, nenhuma experiência (2004, p. 251 - tradução nossa).

Assim, Kant ao fazer a distinção entre fenômeno (objeto do conhecimento) e nôumeno (coisa em si), demostra que ao homem só é possível o conhecimento dos objetos na medida em estes são intuídos pela sensibilidade e processados pela faculdade do entendimento, o que mostra a impossibilidade de conhecer as coisas em si mesmas, já que estas últimas são incapazes de serem intuídas. Deste modo, temos que os fenômenos são representações de algo que está presente no espaço e no tempo de forma determinada.

Kant nos ensina que:

Neste ponto, porém, reside também o experimento de uma contraprova da verdade que resulta dessa primeira apreciação de nosso conhecimento racional a priori, a saber, que ele só se aplica a fenômenos [Erscheinungen] e deixa de fora a coisa em si, como uma coisa efetivamente real [wirklich] por si mesma, mas por nós desconhecida. (CRP, B XIX/XX)104

Isto quer dizer que para Kant o espírito não é somente algo pacífico no conhecimento, o espaço e o tempo (intuições puras a priori) não são mais condições do próprio objeto, estes passam a ser as condições da própria experiência (relação homem/objeto), e, aquilo que estiver fora dessa regra não é passível de experiência ou mesmo do conhecimento. Então, temos que a unidade do objeto do conhecimento está no próprio sujeito, pois é nele que esta unidade é dada pela experiência.

Não há dúvida, que na filosofia de Kant vemos o mesmo defender a existência de objetos externos, todavia para que estes objetos façam sentido para o sujeito, eles dependerão das intuições puras e das funções do entendimento para poderem se constituir em um objeto possível de representação, e, portanto de experiência. Podemos perceber isso no § 13 dos Prolegômenos105 e também na CRP, da seguinte forma:

Os objetos da experiência, portanto, não são dados jamais em si mesmos, mas apenas na experiência e não existem fora dela. Que possa haver habitantes na lua, mesmo que nunca os tenhamos percebido, tem certamente de ser admitido, mas significa apenas que poderíamos encontrá-los no progresso possível da experiência;

104 Na tradução de Fernando Mattos em B XIX o mesmo afirma que Kant acusa a sinonímia do termo

Erscheinungen e Phaenomenon, e diz que Kant confirma isso em A 249 o que, em nossa visão, não é isso que

Kant faz na tradução, nem no original, vejamos a tradução: “Na medida em que podem ser pensados como objetos segundo a unidade das categorias, os fenômenos se denominam Phaenomena.” (Grifo nosso para destacar que aquilo que aparece só pode ser denominado como fenômenos na medida em que pode ser pensado segundo as regras do entendimento). Em alemão temos: „Erscheinungen, so fern sie als Gegenstände nach der

Einheit der Kategorien gedacht werden, heiβen Phaenomena.“. Neste sentido, tomamos a coisa em si somente

como um conceito que pode ser pensado, mas de forma alguma intuído, assemelhando-se aos objetos ideais. 105 Prol. IV:285s.

pois é verdadeiro tudo que, segundo leis do progresso empírico, faz parte de um contexto com uma percepção. Os objetos são verdadeiros, portanto, quando estão em uma interconexão empírica com a minha consciência real, mesmo que não sejam reais em si mesmos, i. e., fora desse progresso da experiência (CRP, B 521).

Contudo, resta claro que para Kant a possibilidade de especulação sobre a existência dos objetos é infinita, porém a sua constatação real só é admissível se houver a ligação entre o dado e o intelecto, gerando assim uma experiência, o que descarta qualquer contado imediato com a coisa em si mesma.

In document Interactions with Gigantic Point Clouds (sider 136-140)