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5.1.1.1- No mundo

Os principais indicadores da existência de tuberculose no bovino são a presença de animais tuberculina-positivos e de lesões comprovadamente tuberculosas74, 237. As rotas mais comuns da infecção no gado são a respiratória e a digestiva. As formas de transmissão cutânea, transplacentária e genital, são menos comuns 228.

De 420 milhões de cabeças de gado que existiam nas Américas (América do Norte, América Latina e Caribe), na década de 90, pouco mais da metade criavam-se em países ou zonas consideradas infectadas por tuberculose bovina (prevalência de 1% ou mais da população bovina total) ou onde não havia informação disponível sobre sua prevalência. Estimou-se que na América do Sul, possivelmente estivessem infectados 4 milhões de animais, o que representaria perdas econômicas consideráveis devidas à doença nas vacas leiteiras e no gado de corte, e conseqüente redução na produção de carne, leite e derivados lácteos, constituindo um sério fator limitante para o desenvolvimento da indústria de criação de gado, incluindo o mercado internacional de animais e de produtos de origem animal, e uma ameaça para a saúde humana 54, 56, 74, 201, 217, 237, 273. Estimou-se que os animais infectados perdiam de 10 a 25% de sua capacidade produtiva 201.

De aproximadamente 300 milhões de animais que constituíam a população bovina na América Latina e Caribe, nesta época apenas 80 milhões encontravam-se em países nos quais as taxas de infecção por M.bovis eram baixas ou nulas 156, 216. Os remanescentes 220 milhões encontravam-se em países com moderada ou alta prevalência, ou onde informações recentes não eram disponíveis. Dos países da América Latina, apenas Cuba e Venezuela tinham programas nacionais de controle.

As maiores taxas de infecção ocorriam nas regiões produtoras de leite, localizadas nos arredores das grandes cidades na América do Sul 156, 216.

Na década de 30, cerca de 40% dos bovinos abatidos na Inglaterra e País de Gales apresentavam lesões tuberculosas na inspeção post mortem e, em 1949, 35% das vacas leiteiras estavam infectadas, enquanto nos Estados Unidos a prevalência era de 3,3% 68, 110, 125, 148, 156, 228. Nessa época, havia muita resistência aos programas de controle na Grã-Bretanha, devido à alta prevalência da doença nos rebanhos bovinos. As autoridades consideraram impraticável o abate de todo o gado sensível à tuberculina, porque seria necessário sacrificar um terço ou a metade de todo o gado leiteiro do país, e também uma proporção considerável do rebanho mais jovem. As conseqüências seriam o pagamento de somas enormes para a indenização aos criadores e a redução imediata do suprimento de leite, aumentando o preço já elevado. Além do mais, entre os médicos, havia o conceito da menor virulência do bacilo para o homem, e a crença de que a ingestão de leite contendo bacilos da tuberculose teria efeito favorável na população humana, imunizando-a contra a doença 110.

Em 1932, foi publicado o relatório de uma comissão designada para estudar o problema da tuberculose bovina na Inglaterra, que forneceu os seguintes elementos: pelo menos 40% dos bovinos estavam infectados, mas apenas a minoria era infectante; aproximadamente 0,2% de todas as vacas sofriam de tuberculose no úbere e, portanto, eliminava bacilos viáveis no leite; cerca de 40% das vacas abatidas nos matadouros públicos, apresentavam lesões macroscópicas e cerca de 6,7% do leite cru no mercado, continha bacilos viáveis 110.

Em 1950, 18% dos rebanhos tinham pelo menos um animal infectado, mas em 1961 este quadro foi reduzido para 3,5%, em 1965 para 1,0% e para 0,15% em 1990 68, 125, 148, 156, 228. Em 1993, com exceção do sudoeste da Inglaterra, cerca de 0,06% dos rebanhos possuíam animais reatores à tuberculina no Reino Unido. A alta incidência no sudoeste da Inglaterra estava relacionada com a infecção em texugos (animais que constituem o principal reservatório da infecção por M.bovis, nessa região) 57, 209.

Na França, em 1948, 40% dos rebanhos de gado reagiam à tuberculina e 2 a 4% das vacas apresentavam mamite tuberculosa 110. No período de 1983 a 1992, de um total de 610 isolamentos de micobactérias em bovinos, 446 (73,1%) cepas eram de M.bovis 264.

No período de 1947 a 1948, na Alemanha, a prevalência da infecção por

M.bovis nos bovinos era de 30 a 35% para o gado de corte e de 50 a 60% para o gado

leiteiro. Nessa época, a situação do leite pasteurizado era pouco satisfatória, pois a proporção de leite contendo bacilos era de 4,8% em 1948, aumentando para 10% no ano seguinte, e mantendo-se entre 6,6 e 7,6% no princípio de 1950; revelando uma baixa eficiência no controle do método de pasteurização e um risco para a população humana 110.

Na Nova Zelândia, em 1994 existiam 47.000 rebanhos, com 8,36 milhões de cabeças de gado, dos quais, 45% era gado leiteiro e 55%, gado de corte 269. Em 1958, havia aproximadamente, 10,7% de animais reatores à tuberculina. Em 1962, 28,5% do gado do sul da ilha era tuberculina-positivo e acima de 20,0% dos animais abatidos tinham lesões tuberculosas. Em 1970, apesar das medidas de controle, o quadro ainda era de 27,7% e 17,8%, respectivamente 65, 68. Em 1986, apenas cerca de 2% do total nacional de rebanhos bovinos, estava infectado por M.bovis 65.

Em 1992, ocorreu um surto epidêmico de tuberculose bovina em 2 rebanhos de gado de 2 fazendas do sudoeste da Escócia. O primeiro animal doente foi um bezerro de 5 meses de idade, e por isso, todos os outros 185 animais do rebanho foram testados com tuberculina, obtendo-se 11 (5,9%) animais reatores. Foi aplicada restrição de movimentos aos não reatores e repetição do teste a cada 60 dias, até que 2 testes negativos consecutivos fossem obtidos. Os 11 animais reatores foram mortos e submetidos ao exame post mortem. Sete (63,6%) animais apresentaram lesões tuberculosas visíveis, e o M.bovis foi isolado em 6 animais 57.

Dos 261 animais pertencentes ao segundo rebanho, 84 (32,2%) foram reatores à tuberculina e 5 apresentaram reação inconclusiva. Todos os animais deste rebanho também foram abatidos e submetidos ao exame post mortem. Entre os 84 animais reatores, 34 (40,5%) apresentaram visíveis lesões tuberculosas e entre os 172 não

reatores, 13 (7,6%) tinham lesões. A identificação do bacilo não foi realizada 57.

No período de 1945 a 1948, na Irlanda do Norte, 33% das vacas leiteiras estavam tuberculosas, e de 1983 a 1994, na região sudoeste da Irlanda, a prevalência da infecção por M.bovis no gado diminuiu gradualmente, de 467 animais tuberculina- positivos por 100.000 cabeças de gado em 1983, para 158 por 100.000 em 199485, 231.

A suposta erradicação da tuberculose por M.bovis em bovinos, na Hungria, foi concluída em 1980; mas um estudo realizado no período de 1988 a 1993, demostrou que, de acordo com a região, ainda havia 5-15% de rebanhos de gado tuberculina-positivos. Além disso, de 1.848 amostras de órgãos de bovinos, provenientes de 25 regiões que ainda apresentavam surtos epidêmicos, foram isoladas 191 (10,3%) cepas de M.bovis 162.

Na Espanha, em 1994, 5,7% dos rebanhos de bovinos estavam infectados por

M.bovis. O programa de erradicação iniciado em 1965 diminuiu a prevalência da

doença, mas, em anos recentes, não houve uma redução significativa 17.

Em junho de 1989, foi detectado o primeiro surto de tuberculose bovina na Pennsylvania, Estados Unidos, desde 1978. Em um rebanho de 122 vacas leiteiras, 109 (89%) eram tuberculina-positivas, e dessas, 16 (15%) apresentaram lesões tuberculosas. Não foi identificada a fonte de infecção desse surto 42. No período de 1982 a 1991, foram detectados 83 rebanhos de gado infectados por M.bovis em 23 Estados americanos. A média anual foi de 8,5 rebanhos infectados 106.

Um estudo mais amplo demonstrou que nos Estados Unidos, no período de 1950 a 1990, houve uma queda na incidência de bovinos infectados pelo M.bovis de 4,9% para 0,08%, enquanto no México em 1989, a doença foi diagnosticada em 11,3% das vacas e em 0,5% do gado de corte, cuja carne era destinada ao consumo 92. A compra de gado infectado do México manteve a infecção por M.bovis nos Estados Unidos 92, 106. De 1982 a 1991, o número de bovinos importados do México aumentou de 329.000 para cerca de 1,2 milhões. Durante o mesmo período, os bovinos mexicanos foram responsabilizados por 55 a 77% de todos os casos de tuberculose bovina confirmados nos rebanhos americanos 92. Em 1994, estimou-se

que a prevalência da tuberculose em rebanhos bovinos nos Estados Unidos, era de 0,003% 106.

Durante o período de 1982 a 1991, no Canadá, apenas 36 rebanhos de gado foram infectados por M.bovis, com uma média inferior a 4 rebanhos por ano 106.

No período de 1994 a 1996, dos 56 países africanos, 44 reconheceram oficialmente a presença da tuberculose bovina em sua população animal e apenas 30 aplicavam alguma medida de controle. Da população total de gado leiteiro e de corte na África, mais de 50% encontrava-se em países nos quais não existiam quaisquer medidas de controle para tuberculose bovina, e cerca de 90% da população humana na África vivia nestes países, sendo expostas diretamente ao gado ou a seus produtos130, 274.

Entretanto, em 1992, realizou-se um estudo, pelo período de 6 meses, no distrito de Malopo, na África do Sul, que demonstrou uma prevalência de M.bovis de 0,06% no gado, sendo considerada muito baixa. Muitos fatores poderiam ter contribuído para este fato, incluindo boas condições de pastagens em extensos campos, reduzindo a contaminação do pasto; pouco ou nenhum contato entre animais selvagens e a população de gado local, e a mínima importação de gado 20.

No Paraguai, a prevalência da infecção por M.bovis, por rebanho de gado, nas bacias leiteiras de Asunción, Alto Paraná e Encarnación, era em 1975-76, de 57%, 29% e 44%, respectivamente 55. No período de 1981 a 1990, no país como um todo, a porcentagem de rebanhos infectados diminuiu de 9,8% para 1,3% 156.

Na Argentina, em 1942, a freqüência da tuberculose nas vacas leiteiras, variava de 25 a 70%. Em 1981, cerca de 4,5% do gado ainda estava infectado com

M.bovis 85, 92. Em 1989, a prevalência média de infecção tuberculosa no gado foi

estimada em 4%, mas variações importantes foram observadas de acordo com a região, a idade e o tipo de gado, sendo que um ou mais reatores foram detectados em 37% dos rebanhos 156.

Em 1994, a Argentina e Brasil, com uma população bovina de 51 milhões e 137 milhões, respectivamente, deveriam abrigar juntos, 3,5 milhões de gado

infectado por M.bovis 156, 216. Na Argentina, a perda na produção de leite de vacas tuberculosas girou em torno de 18%, como resultado de um atraso na primeira lactação e da diminuição no número e duração das lactações, quando comparadas aos animais sadios; demonstrando assim, que os efeitos da doença na economia e saúde animal progridem lenta e uniformemente 156.

Como se pode observar a taxa de infecção no gado, provavelmente o melhor indicador para a presença da doença humana, varia de país para país. Apesar dos dados não serem recentes, em 1970, países como a Venezuela, Brasil, Colômbia, Equador e Bolívia tinham baixas taxas de reatores à tuberculina. Em contraste, no Peru, Argentina e Chile, as taxas eram altas. No Peru, a causa era a grande importação de gado leiteiro da Europa 92.

O vírus da imunodeficiência bovina (BIV) está intimamente relacionado ao vírus da imunodeficiência humana (HIV), e acredita-se que o BIV tenha uma distribuição mundial. O papel, se algum, da infecção pelo BIV na epidemiologia da infecção do M.bovis no bovino, é desconhecido 216.

Em 1995, amostras de soro de 928 vacas adultas de 256 rebanhos em Ontario, Canadá, foram testadas para anticorpos BIV. Concluiu-se, que apesar da baixa prevalência da infecção por BIV entre o gado leiteiro em Ontario, ela não é incomum, e que um resultado positivo ao teste BIV estava associado com uma diminuição na média da produção de leite 216.

5.1.1.2- No Brasil

Considerando a importância que a pecuária assume na economia nacional, os dados referentes à freqüência da tuberculose bovina nos rebanhos brasileiros sempre foram insuficientes, não permitindo uma visão exata sobre a verdadeira extensão do problema 4, 110, 201.

Feldman (1955)110 já apontava as razões para esta falta de informação, dizendo que a maioria dos dados procedia de matadouros e frigoríficos, onde a

anotação de alterações encontradas nos animais abatidos era atribuição rotineira do serviço de inspeção de carnes. Entretanto, estes dados não serviam para uma avaliação do verdadeiro grau de difusão da tuberculose no bovino, especialmente do ponto de vista da saúde pública. Em primeiro lugar, porque o gado de corte, além de ser criado em pastagens, geralmente, extensas, nas quais a possibilidade da propagação da doença é reduzida, era abatido antes de atingir a idade em que a porcentagem da infecção tuberculosa se elevava de modo considerável. Em segundo lugar, a transmissão da tuberculose bovina ao homem pela ingestão de carne era de importância quase nula, porque além de ser objeto de inspeção obrigatória nos matadouros e frigoríficos, era submetida à cocção antes de ser consumida 110.

E sugeriu que, informes idôneos a respeito da prevalência da infecção tuberculosa nos bovinos, e dos riscos de contágio para a população, seriam obtidos pelo inquérito tuberculínico no gado leiteiro, porque este alcançava a idade em que a doença adquire maior grau de disseminação; era freqüentemente mantido em regime de estabulação ou semi-estabulação, que favorecia o contágio de um animal para outro e deste para o homem (inalação, contato); e produzia o leite, que era um dos meios de transmissão da doença para o homem 110.

Nos poucos dados disponíveis, constatou-se que, em 1929 no Brasil, cerca de 50% dos bovinos de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, estavam infectados pelo

M.bovis. Neste mesmo ano, no Estado do Rio Grande do Sul, 20% dos bovinos

estavam infectados. Estudos posteriores indicaram que, no período de 1937 a 1942, foram tuberculinizados 27.887 bovinos no Rio Grande do Sul, dos quais 9,4% era tuberculina-positivos, sendo que, em 1944 o número de animais reatores baixou para 7,7%, e em 1951, para 6,3% 110.

Em 1936, realizou-se em São Paulo a prova tuberculínica no gado de leite mantido nos arredores da cidade, encontrando-se 39,6% de reagentes entre os animais adultos, e 10,8% entre os bezerros testados. Devido ao elevado coeficiente de infecção tuberculosa no gado leiteiro, foram analisadas 100 amostras de leite, e 30% delas continham o bacilo de Koch. Neste mesmo ano, no Espírito Santo, encontrou-se prevalências de infecção por M.bovis nos bovinos, que oscilaram entre

5 e 16%, nas diferentes regiões do Estado 110.

Em 1951, cerca de 26% do gado leiteiro de 6 municípios do Estado do Paraná, apresentaram reação positiva à tuberculina 110.

No Estado de Minas Gerais, a tuberculose no gado de corte era rara, sendo que, em 1944 havia 5,9% de animais reatores à tuberculina, e nos anos 1948-51, apenas 972 (0,15%) dos 664.369 animais examinados, estavam doentes. No mesmo período, o teste tuberculínico realizado em 1.852 vacas leiteiras, revelou apenas 12 (0,64%) animais reagentes 110.

Correa e Correa (1972)79 isolaram 24 cepas de micobactérias, provenientes de lesões de bovinos colhidas em um matadouro da Grande São Paulo e de bovinos da Clínica de Enfermidades Infecciosas da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu. Entre as 24 cepas, 18 (75,0%) eram M.bovis, 1 (4,2%) M.tuberculosis e a outras 5 (20,8%) pertencencentes à outras espécies de micobactérias. Os autores realizaram teste de sensibilidade aos tuberculostáticos e observaram que algumas cepas eram resistentes a antibióticos de 1ª linha. Alertaram para o perigo existente no tratamento de animais, pois cepas artificialmente induzidas à resistência poderiam infectar todo o rebanho, constituindo uma ameaça à saúde pública 79.

No período de 1973-1975, ocorreu um surto de tuberculose bovina em um rebanho de gado de corte, constituído por 1.832 animais em criação extensiva e provenientes de uma propriedade rural do Município de São Vicente do Sul, Rio Grande do Sul, no qual 36,6% dos bovinos estavam doentes. Em 1975, 110 bovinos tuberculina-positivos pertencentes a este rebanho, foram abatidos na Cooperativa de Carnes de São Gabriel, sob inspeção federal. Foram colhidos 110 gânglios linfáticos com lesões tuberculóides e 15 amostras de músculos. O exame bacteriológico dos 110 gânglios permitiu o isolamento de 95 cepas (86,0%) de micobactérias, posteriormente identificadas como M.bovis. Entretanto, a cultura dos músculos foi negativa, embora fosse material de animais com tuberculose generalizada, constatada no exame post mortem 202, 247.

tuberculosas em bovinos de 7 municípios do Rio Grande do Sul, através do exame

post mortem. Foram abatidos 28.197 animais, sendo que 1.488 (5,3%) apresentaram

lesões. A prevalência da tuberculose bovina nos 7 municípios, variou de 1,9% a 10,9% 46.

Em 1978, a prevalência de tuberculose em 46 rebanhos leiteiros de 3 municípios de Mato Grosso do Norte, foi de 1,3% 18. Neste ano, o Ministério da Agricultura constatou que a prevalência de tuberculose em rebanhos produtores de leite tipo B, da bacia leiteira em Belo Horizonte, Minas Gerais, era de 21,2% 172.

Em um estudo realizado em 1981, em gado leiteiro de 17 regiões do Rio Grande do Sul, efetuou-se o teste tuberculínico em 25.823 vacas, das quais 839 (3,2%) eram tuberculina-positivas. A proporção de animais positivos ao teste variou de 0 a 6,3%, entre as distintas regiões. Foram examinados um total de 2.206 rebanhos e 449 (20,3%) apresentaram-se reatores positivos à tuberculina, indicando que a infecção tuberculosa no gado leiteiro alcançou taxas elevadas nas regiões estudadas214.

O exame post mortem realizado em matadouros do Estado de São Paulo, em 1982, em 1.495.976 carcaças de bovinos procedentes de 611 municípios brasileiros, revelou que a tuberculose foi constatada em 5.334 (0,36%) animais de 367 municípios (60,1%). A prevalência de tuberculose variou de 0,23% para o Estado de Mato Grosso a 0,49% para o Estado do Paraná 232.

No período de janeiro de 1979 a 1983, estudou-se a prevalência da tuberculose bovina em animais abatidos no Frigorífico Triângulo em Uberlândia, Minas Gerais. Foram inspecionados 161.437 bovinos provenientes de vários municípios do sul do Estado de Goiás e Triângulo Mineiro, sendo que 267 animais suspeitos de estarem tuberculosos foram abatidos e submetidos ao exame post

mortem. A prevalência da doença foi de 0,16% e os pontos de eleição, por ordem de

aparecimento das lesões, foram os linfonodos do pulmão, carcaça, intestino, fígado, cabeça, língua e rins, havendo sido comprovados histopatologicamente os achados macroscópicos 213.

No período de 1980 a 1987, 159 lesões observadas em frigoríficos como macroscopicamente similares à tuberculose, provenientes de bovinos de 14 municípios da região sul do Rio Grande do Sul, foram estudadas histologicamente. A tuberculose foi diagnosticada em 147 lesões, e em 59 desses materiais foram realizadas culturas para micobactérias, obtendo-se 40 isolamentos tipificados como

M.bovis. Neste período, estimou-se a prevalência da doença em gado de corte no

Estado em aproximadamente 0,6%, mas detectaram-se marcadas diferenças nas prevalências entre regiões, com variações de 0,1 a 3,4%, provavelmente devidas a fatores sócio-econômicos e aspectos geográficos e climáticos 5.

Na população bovina do Brasil, os resultados dos testes tuberculínicos realizados em 1986, em 4 regiões do país, mostraram variações no nível de infecção em torno de 0,9 a 2,9%, enquanto 6,2 a 26,3% dos rebanhos testados possuíam animais reatores 156.

Em 1990, Langenegger e col. (1991)169 realizaram um experimento em uma fazenda em Minas Gerais, cujo rebanho de gado leiteiro com 254 animais, acusou a presença de 55 (21,7%) reagentes positivos à tuberculina e 13 (5,1%) suspeitos para tuberculose 169.

No período de 1986 a 1996 (sendo que os dados referentes ao período de 1994 a 1996 eram provisórios e não publicados, fornecidos pelo Ministério da Agricultura) a prevalência de infecção por M.bovis na população bovina do Brasil, variou de 0,9% a 1,7%, em 14 Estados brasileiros 188, 189, 190.

Talvez, os números apresentados pelo Ministério da Agricultura estejam muito aquém da realidade, pois muitos veterinários autônomos deixam de notificar seus achados e ainda não foi feito um programa de controle da doença em nível nacional 200.

Para os pecuaristas, a tuberculose bovina gera conseqüências econômicas desastrosas, devidas em grande parte à aquisição de animais doentes, como a diminuição do desfrute do rebanho; redução da produção de leite e carne; desvalorização comercial do animal infectado pela rejeição de sua carcaça; maior

intervalo entre partos; maior necessidade de substituição dos animais no rebanho; produção de crias debilitadas e diminuição do valor comercial da fazenda 116.

Por isso, ainda hoje, apesar da pasteurização do leite e abate do gado tuberculina-positivo, se pratica o abate clandestino e o comércio clandestino de leite em várias regiões do Brasil, que são problemas difíceis de estimar. No caso da tuberculose, este fato é muito importante, pois alguns produtores de gado de leite e de corte, com altos índices de condenação por tuberculose, enviam seus animais para serem abatidos em locais sem controle sanitário. Além disso, é bastante freqüente a distribuição clandestina do leite proveniente de pequenas propriedades rurais 5, 9, 11.

5.1.2- OCORRÊNCIA NO HOMEM