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Controls for Selection Bias – Patents Year 1, Years Since Foundation and Years Since Foundation Squared

E. Productivity Growth

4.4 Control Variables

4.4.4 Controls for Selection Bias – Patents Year 1, Years Since Foundation and Years Since Foundation Squared

Esta canção é composta de cinco estrofes, cuja medida varia de nove a dezesseis versos, todos terminados com o refrão “e é uma forte, uma forte chuva que vai cair”. A oposição fundamental neste texto é entre inocência e maturidade.

Existem dois enunciadores diferentes neste texto. O primeiro, presente nos dois primeiros versos de cada estrofe, é o pai que faz perguntas ao filho/enunciatário, o segundo enunciador da canção é o filho, responsável pelo restante da estrofe, que se dirige ao pai/enunciatário. Este padrão é mantido ao longo de toda a canção.

A Hard Rain se configura um texto complexo por causa desse duplo movimento.

No que se refere ao nível discursivo, existe um efeito de aproximação mediante as desembreagens actanciais enunciativas, ou seja, com discurso na primeira pessoa, efetuadas tanto pelo pai/enunciador quanto pelo filho, quando também assume esse papel, procurando persuadir o pai. O efeito de sentido decorrente, portanto, é o de subjetividade, em que ambos os enunciadores transmitem suas impressões ao enunciatário, procurando convencê-lo de que o que ocorreu é verdadeiro. Além dos efeitos de realidade citados acima, os procedimentos de desembreagens enunciativas terminam por caracterizar um diálogo entre pai e filho, uma conversa entre os dois.

O contrato entre o pai/destinador e o filho/destinatário é estabelecido sempre no início de cada estrofe, quando o pai/destinador interroga o filho/destinatário. Ao longo do texto, percebe-se que o objeto-valor do filho/destinatário é atingir a maturidade, enquanto o objeto-valor do pai/destinatário é reconhecer esta maturidade. Vejamos de que forma esses dois eixos se cruzam.

Primeiro, analisemos o percurso do pai/destinador. Por meio de uma manipulação por sedução, o pai faz com que o filho relate o que lhe ocorreu, isto é, execute sua performance, sendo sancionada positivamente ao final da canção, quando o filho/destinatário alcançar a maturidade, seu objeto-valor. Neste caso, o pai/destinador, dotado da competência do saber-fazer, leva o filho/destinatário a querer-fazer.

Quanto ao percurso do filho/destinador, ele manipula o pai/destinatário também por um processo de sedução, instigando o pai a dar-lhe atenção e ouvir o que ele, filho, tem a lhe contar. O filho/destinador adquiriu a competência do saber, pois efetivamente mantém o pai interessado no que tem a dizer. O pai, por conseguinte, também adquire o

Com relação ao nível discursivo, na primeira estrofe, o pai pergunta ao filho onde ele esteve. O filho responde que passou por várias situações de perigo, figurativizadas nas “estradas tortuosas”, nas “montanhas nebulosas”, nas “sete florestas tristonhas”, nos “oceanos mortos”, na “boca de uma sepultura”. Ele se utiliza da hipérbole para intensificar os perigos enfrentados, como pode ser visto nas “dez mil milhas”, na “dúzia de oceanos”, para citar apenas algumas dessas figuras.

Na segunda estrofe, o pai pergunta ao filho o que ele viu. Na resposta do filho estão algumas figurativizações do tema perigo (na figura de “um bebê recém nascido com lobos selvagens lhe rondando”), da riqueza (na figura de “uma estrada de diamantes sem ninguém nela”), da impotência da palavra (na figura de “dez mil oradores cujas línguas estavam dilaceradas”), da violência disseminada (na figura de “armas e espadas afiadas nas mãos de crianças pequenas”).

Na terceira estrofe, o pai pergunta ao filho o que ele ouviu. A resposta do filho contém uma série de sons que se referem às intempéries da natureza, como trovões e ondas, que aludem a algum acontecimento extraordinário. Além disso, o filho também faz referência a um tema apocalíptico: bateristas com mãos em chamas e “dez mil sussurros que ninguém escutava”. Os temas da morte e da pobreza também comparecem, figurativizados na “pessoa que morreu de fome”, no “poeta que morreu na sarjeta”.

Na quarta estrofe, o pai pergunta ao filho o que foi que ele encontrou. Para tematizar o sofrimento, o filho responde figurativamente que encontrou homens feridos em amor e ódio, além de uma criança, um homem branco passeando com um cachorro preto e uma “jovem mulher cujo corpo estava queimando”. Ele também encontrou uma menina que lhe “deu um arco-íris”, figura utilizada para tematizar a esperança.

Na última estrofe, o pai pergunta ao filho o que ele fará a partir de agora, tendo atravessado essa jornada complexa e perigosa. O filho responde, tematizando a busca da essência do conhecimento, que irá até o fundo de uma “floresta negra”, onde as condições são desfavoráveis. É um ambiente sujo (figurativizado nas “cápsulas de veneno inundam suas águas”), degradado e abandonado (figurativizado nos versos “as pessoas são muitas e suas mãos estão vazias”, “a fome é feia e as almas são esquecidas”), semelhante a uma “prisão úmida e suja” povoada por traição (figurativizada no verso “a face do carrasco está sempre bem oculta”).

Depois de relatar o que ele viu, o filho afirma que pretende lutar contra essa situação, tematizando o herói em luta por uma causa, “para que todas as almas possam”

ver o que se passa. Tal como um profeta, dotado de algum poder divino, o filho afirma: “ficarei sobre o oceano até começar a afundar”, verso que confirma a figurativização deste tema do profeta. Porém, antes de começar esse sermão do alto da montanha, o filho afirma que saberá “bem a canção antes de começar a cantar”, revelando seu domínio sobre o que precisa ser feito para reparar essa condição degradante presente na “floresta negra”. Ele deve colocar seus conhecimentos em prática, elevando sua voz para denunciar as misérias e as injustiças.

A ancoragem da canção em figuras da natureza, porém apresentadas de forma hiperbólica, induzem a um efeito de sentido em que o cenário onde se desenrola a ação da narrativa é um cenário quase apocalíptico, verdadeiramente mítico.

Pode-se estabelecer alguns pontos de semelhança com percurso mítico traçado por Joseph Campbell (2005, p.241-2), em que o mitólogo oferece a chave para a compreensão da jornada do herói. Em primeiro lugar, o herói é chamado para a aventura. A letra de A Hard Rain não faz referência ao chamado, mas à aventura propriamente dita.

Depois do chamado, presenças sombrias aparecem para o herói, que podem derrotá-lo ou fazer um acordo com ele. Na canção, o filho não é derrotado, ele suporta as provações, exemplificadas nos perigos enfrentados e apresentados de maneira hiperbólica. Após vencer as ameaças e os obstáculos, o filho retorna para restaurar o mundo (elixir).

Como assinala Campbell (2005), a conseqüência de ter triunfado é obter uma recompensa. No caso de A Hard Rain, o triunfo é representado “pelo reconhecimento por parte do pai-criador (sintonia com o pai)”, de modo que, “intrinsecamente, trata-se de uma expansão da consciência e, por conseguinte, do ser (iluminação, transfiguração, libertação)” (2005, p.242).

A afirmação do narrador no verso “Mas conhecerei bem minha canção antes de começar a cantar” pode ser entendida como uma tentativa de retornar aos eventos míticos. O verso remete, portanto, ao caráter escatológico, entendido no conceito trabalhado por Mircea Eliade, de que “o fato essencial não é o Fim, mas a certeza de um

novo começo” (2006, p.72).

Eliade insiste também na idéia de que “o conhecimento da origem de cada coisa (animal, planta, objeto cósmico, etc.) confere uma espécie de domínio mágico sobre ela: sabe-se onde encontrá-la e como fazê-la reaparecer no futuro”. Isto é exatamente o que ocorre com o filho: para poder restaurar o mundo, ele precisa primeiro conhecer sua

origem, ou seja, dominar a palavra para poder exercer seu poder mágico e também mítico.

Por fim, é preciso acentuar o caráter mítico dessa “forte chuva” a que se refere a canção. Mircea Eliade cunhou o termo hierofania para trabalhar o conceito de manifestação do sagrado. Neste caso, as águas remetem ao tempo mítico, simbolizando tanto a Morte como o Renascimento. Assim, essa “forte chuva” pode ser entendida nesse contexto, em que a água tem “como objetivo a atualização fulgurante do momento intemporal (in illo tempore) em que aconteceu a criação; elas são a repetição simbólica do nascimento dos mundos ou do ‘homem novo’” (2006, p.152).

Diante do que foi exposto, é impensável não abordar A Hard Rain como uma canção de protesto, uma vez que se pense no contexto do qual ela emergiu, um contexto perturbado politicamente, com a ameaça de uma potencial guerra nuclear, em um mundo corrompido e injusto.

Para concluir a análise, vale retomar a oposição fundamental, estabelecida entre inocência x maturidade. Como afirmado repetidas vezes, A Hard Rain pode ser lida como um conto sobre a aquisição da maturidade, que possui, dessa maneira, caráter eufórico, em detrimento da inocência, de caráter disfórico.

Original Tradução

Oh, where have you been, my blue-eyed son?

Oh, where have you been, my darling young one?

I've stumbled on the side of twelve misty mountains,

I've walked and I've crawled on six crooked highways,

I've stepped in the middle of seven sad forests,

I've been out in front of a dozen dead oceans,

I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard,

Oh, por onde você tem andado, meu filho predileto?

Oh, por onde você tem andado, meu jovem querido?

Tropecei na borda de doze nebulosas montanhas,

Caminhei e me arrastei em seis tortuosas estradas,

Andei no meio de sete tristes florestas, Estive diante de doze oceanos mortos, Andei dez mil milhas na boca de um cemitério,

E é uma forte, uma forte, uma forte, uma forte

And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, and it's a hard,

And it's a hard rain's gonna fall.

Oh, what did you see, my blue-eyed son? Oh, what did you see, my darling young one?

I saw a newborn baby with wild wolves all around it

I saw a highway of diamonds with nobody on it,

I saw a black branch with blood that kept drippin',

I saw a room full of men with their hammers a-bleedin',

I saw a white ladder all covered with water,

I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken,

I saw guns and sharp swords in the hands of young children,

And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,

And it's a hard rain's gonna fall.

And what did you hear, my blue-eyed son?

And what did you hear, my darling young one?

I heard the sound of a thunder, it roared out a warnin',

Heard the roar of a wave that could drown the whole world,

E é uma forte chuva que vai cair

Oh, o que você viu, meu filho predileto? Oh, o que você viu, meu jovem querido? Vi um recém-nascido rodeado de lobos selvagens,

Vi uma estrada de diamantes sem ninguém nela,

Vi um galho negro respingar sangue Vi uma sala repleta de homens cujos martelos sangravam

Vi uma escada branca toda coberta de água

Vi dez mil oradores cujas línguas estavam rasgadas

Vi pistolas e espadas afiadas nas mãos de crianças

E é uma forte, uma forte, uma forte, uma forte

E é uma forte chuva que vai cair

E o que você ouviu, meu filho predileto? E o que você ouviu, meu jovem querido? Ouvi o som de um trovão rugir um alerta Ouvi o barulho de uma onda que podia afogar o mundo inteiro

Ouvi cem bateristas cujas mãos estavam em chamas

Ouvi dez mil sussurros que ninguém escutava

Ouvi uma pessoa morrer de fome, ouvi muita gente rir

Heard one hundred drummers whose hands were a-blazin',

Heard ten thousand whisperin' and nobody listenin',

Heard one person starve, I heard many people laughin',

Heard the song of a poet who died in the gutter,

Heard the sound of a clown who cried in the alley,

And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,

And it's a hard rain's gonna fall.

Oh, who did you meet, my blue-eyed son? Who did you meet, my darling young one?

I met a young child beside a dead pony, I met a white man who walked a black dog,

I met a young woman whose body was burning,

I met a young girl, she gave me a rainbow, I met one man who was wounded in love, I met another man who was wounded with hatred,

And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,

It's a hard rain's gonna fall.

Oh, what'll you do now, my blue-eyed son?

Oh, what'll you do now, my darling young

sarjeta

Ouvi o som de um palhaço que chorava na rua

E é uma forte, uma forte, uma forte, uma forte

E é uma forte chuva que vai cair

Oh, quem você encontrou, meu filho predileto?

Oh, quem você encontrou, meu jovem querido?

Encontrei uma criança ao lado de um pônei morto

Encontrei um homem branco que passeava com um cão negro

Encontrei uma jovem cujo corpo estava em chamas

Encontrei uma menina que me deu um arco-íris

Encontrei um homem ferido de amor Encontrei um homem ferido de ódio E é uma forte, uma forte, uma forte, uma forte

E é uma forte chuva que vai cair

Oh, o que você vai fazer agora, meu filho predileto?

Oh, o que você vai fazer agora, meu jovem querido?

Eu vou voltar antes que a chuva comece a cair

Vou até as profundezas da mais densa floresta negra

one?

I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a- fallin',

I'll walk to the depths of the deepest black forest,

Where the people are many and their hands are all empty,

Where the pellets of poison are flooding their waters,

Where the home in the valley meets the damp dirty prison,

Where the executioner's face is always well hidden,

Where hunger is ugly, where souls are forgotten,

Where black is the color, where none is the number,

And I'll tell it and think it and speak it and breathe it,

And reflect it from the mountain so all souls can see it,

Then I'll stand on the ocean until I start sinkin',

But I'll know my song well before I start singin',

And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,

It's a hard rain's gonna fall.

Onde as pessoas são muitas e suas mãos estão vazias

Onde as cápsulas de veneno inundam suas águas

Onde a casa no vale se compara à prisão úmida e suja

Onde a face do carrasco está sempre bem oculta

Onde a fome é feia e as almas são esquecidas

Onde preto é a cor, onde nada é o número E contarei e pensarei e falarei e respirarei E projetarei isso da montanha para que todas as almas possam vê-lo

Então, ficarei sobre o oceano até começar a afundar,

Mas conhecerei bem minha canção antes de começar a cantar

E é uma forte, uma forte, uma forte, uma forte

E é uma forte chuva que vai cair