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CHAPTER 5: FINDINGS AND DISCUSSIONS

6.8 Contribution of this study

Os fluxos migratórios também trouxeram os elementos culturais e socioeconômicos importantes que permitiram o desenvolvimento do associativismo na região, principalmente o cooperativismo, inexpressivo até os anos de 1970.

A baixa densidade demográfica da região dos cerrados não favorecia a implantação e desenvolvimento das formas institucionais de associativismo; a cooperação existia de forma informal, por meio de ações esporádicas, o caso de mutirões. Ricciardi (1990, p.17) que conceituou cooperação como sendo uma atividade que “acontece, então quase sempre a partir de necessidades não satisfeitas [...] um ato de solidariedade, não importando se sua origem ocorreu a partir de um desejo individual de satisfação de necessidades”.

As cooperativas da região eram contemporâneas às políticas de desenvolvimento e a maior parte delas estava relacionada com atividades agrícolas. Lembrou-se que as cooperativas instaladas no cerrado foram estimuladas pelos governos militares para consolidarem na região os complexos agroindustriais, atendendo, de um lado, os interesses de grandes latifundiários, e de outro, o capital industrial nacional e estrangeiro.

Quanto aos principais debates estabelecidos nas associações de classe e órgãos de representatividade dos trabalhadores, salientou-se que a maior preocupação concentrou-se no crédito e valor da produção, o que demonstrou que todos os segmentos enfrentaram problemas semelhantes quanto à viabilidade da atividade produtiva.

A discriminação dos assuntos demonstrou que a preocupação dos pequenos e médios produtores foi a mesma do produtor empresarial/grande produtor, ou seja, o foco das discussões nas entidades de classe foi a viabilidade da atividade agrícola.

Considerando que existiam 52 cooperativas agropecuárias em Goiás, segundo a OCB- GO e SESCCOP estas haviam atuado na área de agregação de valor dos produtos, através da agroindustrialização, entendeu-se que a soja tem se beneficiado do processo, já que todas as categorias apresentaram respostas positivas para os serviços e atuação das cooperativas nesse segmento. Ressaltou-se, contudo, que esses dados classificaram a opinião dos que utilizavam a cooperativa, seja através de serviços ou relações de venda do grão, mas o número de cooperados era relativamente baixo nas categorias analisadas.

O cooperativismo, implantado no Sul Goiano, foi do tipo denominado por Coradini (1982, p.13) como sendo “cooperativismo empresarialmente desenvolvido”, voltado para as atividades do agro. Ainda Coradini (1982, p.52),

cooperativismo agrícola pode ser apreendido, de um lado, pela racionalização econômico-produtiva que essa forma de organização exerce em contextos determinados; de outro lado, pelo caráter de mediação sociopolítica que assume no processo social, tendo em vista a viabilização e a reprodução da expansão do capitalismo, em condições determinadas.

Segundo Gonçales (2001), os agrupamentos hierárquicos de insumo-produto constituíam-se na forma de organização da estrutura agroindustrial moderna, que tinha se reproduzido de uma forma desigual, mas generalizada no Brasil. Os complexos agroindustriais podiam ser tratados como um caso particular dos complexos industriais, à medida que a relação indústria-agricultura constituía-se na base principal das trocas intersetoriais. Entretanto, o fato dos complexos agroindustriais estarem vinculados a uma mesma base tecnológica na agricultura, não impedia que eles tivessem dinâmica própria, baseada na forte interdependência das trocas de um grupo específico de atividades agrícolas e industriais engajados na produção de fibras ou alimentos ou energia. A evolução da demandava por produtos finais e as oportunidades para absorção de inovações técnicas nos agrupamentos agroindustriais (inclusive nas atividades agrícolas), estabeleciam as dinâmicas específicas para o desenvolvimento destas cadeias produtivas.

Para saber mais sobre o cooperativismo do Sul Goiano, Gonçales (2001) na sua dissertação de Mestrado, com o título “Reflexões sobre a importância da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Ltda (COMIGO) no desenvolvimento da região de

Rio Verde-GO, teve por objetivo geral analisar a fundação e a evolução da COMIGO, as transformações ocorridas no período posterior a sua implantação, assim como os elementos que influenciaram a sua implantação na região de Rio Verde e Sudoeste Goiano. Como objetivos específicos, buscou-se apontar e analisar os principais elementos que influenciaram a implantação da COMIGO em Rio Verde e região; caracterizar o Cooperativismo, seus valores, princípios e conceitos e a evolução da COMIGO; constatar e analisar a evolução recente da produção e da produtividade das culturas de arroz, milho, algodão e soja, comparando com a situação anterior à implantação da COMIGO e o processo gradual de substituição de tecnologia, motivada pela sua assistência técnica; e analisar o desenvolvimento da agroindústria, a partir da implantação da COMIGO, na região onde atua.

O estado recorreu ao cooperativismo empresarialmente desenvolvido para permitir o acesso dos médios e, sobretudo, grandes produtores ao crédito e aos insumos modernos, o que favoreceu a formação de uma nova pequena burguesia rural; a maior conseqüência desta inserção foi a dependência que os agricultores passaram a ter em relação às instituições. Elas eram divulgadoras da ideologia predominante e favoreciam a definição das relações de poder na região. O estado teve participação preponderante nesse processo, estimulando e subsidiando o cooperativismo agrícola, que é, neste contexto histórico, Coradini (1982, p. 52):

uma das formas através das quais o Estado e suas bases sociais atuam no sentido de, concomitantemente, desenvolver as forças produtivas e manter as tensões e conflitos sociais nos limites de politicamente viável para o padrão de acumulação e dominação pública.

Quanto aos seus aspectos socioeconômicos, as cooperativas empresarialmente desenvolvidas, também da região dos cerrados – por serem, às vezes, uma extensão de outras unidades –, buscavam atingir, de acordo com Duarte (1986, p.43),

uma racionalidade econômica semelhante às demais empresas, ou seja, aquelas que dinamizaram sua produção em relação ao mercado e que acumularam e centralizaram capital, desvirtuando implicitamente os objetivos da ordem doutrinária, os quais gravitam ao redor do associado e não da organização.

Isso significa dizer que as cooperativas buscavam maximizar suas atividades, aproveitar as oportunidades e expandir seus investimentos, como “complementação do capitalismo associado-dependente” (CORADINI, 1982, p.14), atuando também nos setores industrial e de serviços, quase como qualquer unidade do complexo agroindustrial.

Os esforços empreendidos para a implantação e fortalecimento do cooperativismo no Brasil permitiram que fossem vislumbradas possibilidades de “crescimento e fortalecimento empresarial, permitindo-lhe concorrer num mercado altamente competitivo e manter-se no sistema, mesmo que nos setores menos dinâmicos e de menor agregação de valor” (DUARTE, 1989, p.70), sem, no entanto, perder de vista os objetivos da intensificação de toda a cadeia e a integração com outros setores da economia – mesmo em se tratando de setores cujos investimentos remuneraram menos o capital neles empregado e cujo retorno não se deu em curto prazo.

Não obstante, o discurso do cooperativismo continuava atribuindo o sucesso dos empreendimentos cooperativistas ao fato dos produtores agrícolas trabalharem juntos, com um objetivo comum, de terem gestão democrática e participativa teve que se levar em conta que ficaram somente no discurso ideológico. Pois a expansão da COMIGO como exemplo da região estudada e de outras grandes cooperativas ocorreu porque aderiram à lógica e à dinâmica do mercado capitalista que tinha como meta a maximização dos lucros. E para alcançar isso, freqüentemente, ignoravam os princípios que diziam seguir.

Os produtores eram influenciados diretamente pela indicação das políticas agrícolas das esferas federal, estadual e municipal, por isso buscaram-se levantar suas opiniões sobre a política agrícola.

Os dados do produtor empresarial/grande produtor demonstraram que esta categoria de produtores estava pessimista quanto à política agrícola que tinha sido implementada pelo Governo Federal. Quando se media o impacto das expectativas dos empresários de qualquer setor, especificamente dos setores rurais, percebeu-se que a política agrícola inibia os investimentos devido à dificuldade de acesso e os baixos valores liberados.

Outro fato observado nessa questão foi que a maioria dos produtores, em todas as categorias, considerou que a falta de credibilidade do Governo Federal fosse o principal problema da política agrícola. Entendeu-se que este fato foi provocado pela crise política e desgaste da classe política. Longe de ter sido um fato isolado, os produtores tinham apenas refletido sobre os dados da sociedade brasileira como um todo, ou seja, o sentimento de pessimismo pelas ações dos atuais modelos de desenvolvimento implantados nas esferas públicas.

A seguir, no capítulo (4), analisou-se os impactos e mudanças socioespaciais que ocorreram com a implantação do complexo agroindustrial da soja na região do Sul Goiano.

4 REESTRUTURAÇÃO SOCIOESPACIAL DA REGIÃO DO SUL