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2.1 Literature review

2.1.3 Contract management

Em novembro de 2010, antes mesmo do início formal do mestrado, foi dado início à busca dos sujeitos da futura pesquisa: professores egressos do PEC, notadamente aqueles que eram considerados detentores de uma prática alfabetizadora de sucesso. A priori, colocaram- se as seguintes questões: onde estariam trabalhando aqueles que cursaram o Programa nos anos de 2003 e 2004? Como contatá-los? Em um primeiro momento, acreditou-se que a secretaria do PEC, ainda existente na Faculdade de Educação da USP (FEUSP), poderia nos auxiliar nesta tarefa. No entanto, havia somente registros de listas de chamadas com os nomes dos professores. Onde, pois, descobrir as informações pessoais de tais alunos? Tais informações acabaram por ser encontradas na Seção de Alunos da FEUSP.

Diante do enorme número de cursistas do PEC-Municípios (cerca de 5.000) e do fato de estarem distribuídos em diferentes regiões da cidade de São Paulo, optou-se por selecionar os que frequentaram o polo Butantã. Coletamos informações (nome completo, telefone, idade e escola de trabalho à época da realização do curso) de 139 professores egressos do PEC, que foram preservadas até março de 2011. Por ocasião do exercício de campo da disciplina A Etnografia Aplicada à Pesquisa Educacional, proposto pela professora Belmira O. Bueno, buscou-se realizar contato telefônico com os professores.

Dos 139 professores do polo Butantã, foi possível contatar 48 (34,5% do total). As reações dos professores ao meu contato telefônico foram diversas. Alguns repeliram de imediato, enquanto outros se mostraram extremamente disponíveis e atenciosos, chegando a dar telefones de outros colegas ou, ainda, se responsabilizando por tentar contatar antigos colegas e depois retornarem. Entretanto, por uma série de fatores que serão explicitados mais adiante, mostrou-se difícil a tarefa de coadunar os interesses da pesquisa com os professores disponíveis. Afinal, o perfil de sujeito buscado inicialmente consistia em um(a) professor(a) que trabalhasse no 1o ano do Ensino Fundamental ou, no máximo, no 2o ano, no período vespertino e que se mostrasse disponível pare receber uma observadora. Algo que parecia simples quando da elaboração do projeto de pesquisa e que se mostrou extremamente complexo no desenrolar, implicando, como se verá a seguir, ajustes nessa configuração inicial acerca dos perfis dos professores a serem pesquisados.

Diante da dificuldade de encontrar professores egressos do PEC que atuassem nas duas séries iniciais do Ensino Fundamental, consideramos que, sendo o foco da pesquisa as relações de leitura e escrita travadas entre docentes e discentes, privilegiar o momento do

início da alfabetização pareceu não ser o mais relevante, uma vez que tais relações poderiam ser observadas nas demais séries do Ensino Fundamental.

A ampliação do foco observacional acabou também por resolver outra questão que já havia sido posta quando da entrada no mestrado. Ali, falávamos ainda em analisar professores alfabetizadores de sucesso. Como definir o qualitativo “de sucesso” sem realizar observações prévias de cada professor? Aliás, seria possível realizar observações prévias de cada egresso do PEC e daí definir os professores de sucesso a serem pesquisados12? Isso nos pareceu, por fim, metodologicamente inviável e, diante da ampliação do grupo a ser observado, a questão foi definitivamente posta de lado e decidiu-se que o grupo de professores seria observado independentemente da qualidade de suas práticas e da série para qual ministrava aulas.

Assim, dos 48 bem-sucedidos contatos telefônicos (Tabela 1) e já considerando uma ampliação do grupo, de professor de 1o e 2o anos para professor de Ensino Fundamental, cheguei a um seleto grupo de cinco professores passíveis de participarem do exercício de campo. Nesse primeiro conjunto de egressos contatados, observou-se, a partir dos dados das fichas cadastrais dos professores à época do PEC, um fenômeno de rotatividade de professores de Escolas de Ensino Fundamental (EMEF) para Escolas de Educação Infantil (EMEF). Além disso, também se evidenciou o grande número de professores que cursaram o PEC e que, atualmente, encontram-se aposentados.

Tabela 1 – 1o levantamento dos professores egressos do polo Butantã do PEC (48 pessoas)

Professores do polo Butantã Durante o PEC (2003-2005) Pós-PEC (2010) Professores de EMEI 22 (45,83%) 25 (52,03%) Professores de EMEF 26 (54,16%) 9 (18,75%) Aposentados 0 7 (14,58%) Cargos de gestão 0 4 (8,33%) Readaptados 0 3 (6,35%)

Fonte: Elaboração própria.

Para o exercício de campo, em que se fazia urgente encontrar um participante para a pesquisa, o primeiro conjunto de professores egressos contatados contemplou as necessidades

12 Sobre o qualitativo de sucesso, Lahire (2008) fala a partir de sua pesquisa acerca do fracasso e sucesso escolar

nos meios populares que não é papel do sociólogo dizer o que é “sucesso” escolar. Esta palavra é tão somente uma categoria cujo sentido varia historicamente, institucionalmente e socialmente, constituindo, portanto, configurações sempre muito frágeis e questionáveis. Se se demonstra impossível a definição de “sucesso” para os discentes, o mesmo, parece-nos, válido para os docentes.

da época. Nesse contexto, ao longo dos meses de abril a junho de 2011, realizou-se um exercício de campo centrado em observações das práticas de um professor, Fábio, que, à época, ministrava aulas para uma turma de 4a série do Ensino Fundamental de 8 anos. Ainda em 2011, entre os meses de setembro a novembro, outro ensaio de inspiração etnográfica para coleta de dados foi realizado tendo com a finalidade de apurar o olhar da pesquisadora sobre o objeto pesquisado. Nessa ocasião, quem cedeu suas práticas às minhas observações foi a professora Neusa, que ministrava aulas para uma turma de 1o ano.