Paneling Architectural Freeform Surfaces
4.3 Paneling Algorithm
4.3.1 Continuous Optimization Step
Nas eleições presidenciais de 1960, Janio Quadros é eleito Presidente da República do Brasil e João Goulart, Vice-Presidente. A gestão de Jânio Quadros na Presidência da República foi breve e durou sete meses. Encerrou-se com a renúncia.
O principal objetivo da política janista era o de sanear os passivos externos e internos então legados ao país pelo governo JK. Os atrasados comerciais, em coberturas de Promessas de Venda de Câmbio (PVC) e em serviços da dívida estrangeira, o país teria que desembolsar, em 1961, aproximadamente U$S 1,5 bilhão, com um déficit do caixa do Tesouro Nacional em aproximadamente Cr$ 200 bilhões. Essa quantia se encontrava muito além da capacidade de pagamento doméstica. Agregado a esses problemas, assistia-se a um aumento contínuo dos índices de preços (LOUREIRO, 2014).
Para resolver o problema do estrangulamento do setor externo para evitar, o chamado “colapso cambial”, o governo Jânio Quadros atuou em duas frentes: realizou uma reforma no sistema de câmbio e iniciou tentativas de renegociação da dívida externa brasileira. A publicação da Instrução n° 204 da SUMOC foi o início do processo de reforma no câmbio. Loureiro (2008) analisa que: “Essa instrução apontou para uma maior unificação do câmbio. Assim, uma determinada empresa, a fim de conseguir cambiais no valor de U$S 10.000, precisaria, para tanto, comprar letras do Banco do Brasil equivalentes a esse valor, além de pagar pelas suas próprias divisas. Ao final, portanto, a empresa teria que desembolsar U$S 20.000 para comprar cambiais equivalentes a U$S 10.000, sendo que essa quantia excedente seria devolvida a ela cinco meses depois por meio da recompra dessas letras pelo governo” (IDEM, 2008).
A Instrução nº 205 da SUMOC, transferiu a venda de divisas originárias das exportações do café para o mercado livre. Os cafeicultores, no entanto, deveriam pagar uma “cota de contribuição” de U$S 22,00 por saca do produto a fim de financiar o programa de defesa do café. Segundo Jânio, também, seria necessário impedir os trustes existentes no país de utilizarem os seus instrumentos, tais como a especulação com estoques ou o aumento indiscriminado dos preços. Entre os “abusos” listados como crimes pelo anteprojeto da lei antitruste de abril de
1961, destacam-se (i) o da formação de estoques com fins especulativos; (ii) o monopólio ou os oligopólios serem controlados com o propósito de evitar majorar preços; (iii) o do parcelamento de empresas visando enganar o fisco; (iv) o da burla de concorrências públicas mediante combinação de preços; (v) o do reajuste de “preços de vendas ou de mercadorias de consumo, sem que tenha ocorrido a efetiva majoração de qualquer de seus componentes”; e (vi) o da elevação abusiva dos “preços de mercadorias de consumo, para obter lucros maiores do que os normais” (LOUREIRO, 2008).
Na política externa o governo de Janio Quadros realizou a Política Externa Independente, através de reatamento diplomático e comercial com o bloco comunista: Cuba, União Soviética e China. Janio Quadros chegou a condecorar Ernesto “Che” Guevara, enquanto emissário do governo cubano, com a medalha do Cruzeiro do Sul.
As relações entre os países latino-americanos e os Estados Unidos da América foram debatidas em agosto de 1961, na reunião extraordinária do Conselho Interamericano Econômico e Social, conhecida como Conferência de Punta Del Este. Ao fim da reunião, Ernesto “Che” Guevara, ministro da Economia de Cuba, viajou para a Argentina e, depois, para o Brasil a fim de agradecer a posição tomada por esses dois países para impedir a discussão de qualquer tema político na conferência.
Para entender este cenário de resistência, na America Latina, aos norte- americanos, no final do sec. XVIII e inicio do XIX, aconteceram mudanças institucionais na Europa que favoreceu o surgimento de uma linha política latino- americana destinada a promover a independência política das colônias americanas em relação as suas metrópoles européias. A reestruturação da economia-mundo marcada pela emergência da hegemonia política e econômica britânica fez com que a indústria moderna requisitasse novas e antigas matérias-primas numa escala sem precedentes (YOUSSEF, 2009).
Este processo revolucionário europeu gerou duas conseqüências: ocorreu uma reestruturação da divisão internacional do trabalho, fazendo a relação colônia- metrópole dar lugar à hegemonia do capital financeiro e industrial britânico; e depois, o processo que levou à destruição da escravidão nas antigas regiões da plantations como as Antilhas inglesas e francesas, que encorajaram a expansão e a intensificação da abolição da escravatura em outras regiões da América,
notadamente no Brasil, em Cuba e nos EUA (IDEM, 2009). Estes países especializaram-se em produzir certa commodity para atender a nova lógica econômica estabelecida. Assim Brasil, Cuba e EUA especializaram-se, respectivamente, em café, açúcar e algodão.
Boa parte das mudanças estruturais na escravidão do Novo Mundo teve origem a partir da Revolução do Haiti, que em 1789 foi considerada um turning point na história, pois demonstrou aos negros do mundo atlântico que a liberdade poderia ser alcançada por conta própria e que o cativeiro não era uma condição eterna. A colônia francesa de São Domingos promovia o maior volume de tráfico negreiro do planeta e representava dois terços do comércio exterior da França, produzindo ali a metade do café consumido no mundo e quase o equivalente de açúcar exportado por Jamaica, Cuba e Brasil juntos. A revolta de escravos de São Domingos abriu um novo precedente de possibilidades para um novo tipo de resistência escrava (IBID, 2009).
Segundo alguns historiadores, o haitianismo teria sido responsável por “catalisar” forças sociais dispersas pelo vasto território da América, criando “uma solução de compromisso com a Metrópole”, que se encaminharia para os movimentos de independência das colônias. O haitianismo encontrou receptividade em Cuba. As insatisfações cubanas seriam encaminhadas para o favorecimento da anexação pelos Estados Unidos da América nos anos de 1840, quando o exemplo da anexação do Texas, mostrava a viabilidade de integrar a União norte-americana.
O Tratado de Paris de 1898 pôs fim à guerra entre os EUA e Espanha, prevendo que Cuba se tornasse independente, assegurando o seu protetorado pelos EUA, através da Emenda Platt, o que tornou os EUA uma potência emergente do, ainda, mundo colonial.
Em Cuba o sentimento antiamericano tornou-se forte em função das inúmeras intervenções dos EUA na ilha. A chamada Emenda Platt foi um dispositivo legal, inserido na Carta Constitucional de Cuba, que autorizava os EUA a intervir naquele país a qualquer momento em que os seus interesses fossem ameaçados. Desta forma, Cuba passou a ser um protetorado dos EUA.
As políticas adotadas pela Emenda Platt favoreceram os aspectos humanitários em Cuba como a erradicação da fome, a implantação do saneamento básico, da educação pública, de um sistema eleitoral de sufrágio universal e a base de Guantánamo.
Com a revolução comunista na antiga Rússia, em 1917, a propagação de seus ideais culminou com a formação do Partido Comunista em Cuba em 1925. Em 1956 rebeldes ao governo de Fulgêncio Batista, apoiados pelo Partido Comunista de Cuba atacaram o Quartel Moncada, deflagrando a Revolução Cubana, cujo líder Fidel Castro e seu companheiro de movimento, Ernesto Guevara consolidaram a revolução em janeiro de 1959, contra a política imperialista dos EUA, desde a Emenda Platt.