[…] yo recuerdo por ejemplo, cómo yo trabajé mucho en minga por ejemplo en el enteje [construção do teto de uma casa durante a realização de uma minga onde participam amigos, parentes e vizinhos do dono da casa], trabaje en las vías, trabaje incluso en las cosechas donde nosotros, en el guacho [hortas] que llamamos nosotros,[…] la minga, comenzó con la minga en la parte rural, se construyó colegios, se construyó puentes, se han construido iglesias, colegios, carreteras en base a la minga, mire ese trabajo tan solidario, pero es que la minga no sólo representa solidaridad, representa ese trabajo colectivo, sino que la minga trae valores, valores del respeto, valores de la solidaridad, valor del trabajo colectivo, entonces hay una serie de valores que trae la minga sí, como ancestral que es,
[…]
[…] se proyectó la minga hacia la participación ciudadana porque nosotros recolectamos esa memoria y nuestros ancestros, nuestros mayores también hacían sus diálogos en consejo, entonces nosotros también en el presupuesto participativo o cabildo o en las mingas de pensamiento, trajimos de la minga colectiva de trabajo, la transportamos a la minga de pensamiento, por eso nosotros llamamos, siempre decimos hagamos minga de pensamiento y cuando la gente hablamos de minga de pensamiento por lo menos en la parte rural es como ese valor innato que se tiene y acude la gente si, también se han hecho mindalas [trocas] de pensamiento, minga de la palabra también le llaman otros y en ese momento creo que se nos ha abierto la mente como para rescatar esos valores de identidad, que traen identidad cultural y transportarla a los procesos de participación (MALTE, 2017, entrevista).
A explicação de por que o exercício de orçamento participativo tem sobrevivido em Pasto 22 anos depois sua implementação pode ser explicada por um bom estoque de capital social existente neste município, o que permite a potenciação cidadã. Autores como Andrade (2012) acreditam que, sem dúvida, os exercícios de OP de Pasto tem uma relação estreita com sua identidade cultural, em especial a herdada pelas comunidades indígenas Pastos e Quillasingas. Dentre as tradições e costumes que têm sobrevivido desde a época pré-hispânica até o dia de hoje, recebe muita importância a das mingas.
“Minka” es la palabra quechua que significa trabajo agrícola colectivo en beneficio general de la tribu. Era la expresión más representativa de nuestras comunidades indígenas y que ha permanecido como legado cultural y de democracia participativa hasta nuestros días (ANDRADE, 2012, p. 5).
Esse capital social de Pasto tem uma longa história, que vem desde sua tradição indígena antes da chegada dos mesmos espanholes a seus territórios, da qual sobrevivem algumas tradições, como a da minga. Segundo Acosta e Villota (2009, p. 28), baseados no “Diccionario de la Real Academia
de la Lengua Española”, “el termino minga viene del quéchua “minka” que tiene dos acepciones: “Reunión de amigos y vecinos para hacer un trabajo gratuito en común, y de trabajo agrícola colectivo, solidario y gratuito con fines de utilidad social”.
Mora (apud ACOSTA; VILLOTA, 2009, entrevista) expressa que:
[...] minga es un concepto de cosmovisión, es una forma de vida, es un estilo de vida de las personas ancestrales nuestras, realmente de los Pastos y los Quillasingas y que la minga solamente va a conseguir ese concepto en Bolivia, Perú, Ecuador y en el sur de Colombia. La minga como tal significa solidaridad donde se trabaja por mí y luego se trabaja por los otros. En este concepto se han logrado cantidad de cosas para beneficio de las comunidades ancestrales y campesinas y últimamente para beneficio de las comunidades urbanas en el municipio de Pasto.
A origem da minga é pré-hispânica localizando-se a mesma no império Inca.
[...] Hablar de la Minga, es remontarse al pasado de estos pueblos, específicamente a la época de dominación incásica, según algunos estudiosos del problema y aun pre-incásico, según otros. Los primeros afirman que el sistema de trabajo cooperativo llamado Minga fue implantado por los Incas […]” [ainda] “[…] que la existencia de este sistema de trabajo no se ha comprobado únicamente entre los Incas, sino también en la civilización azteca, en los pueblos asiáticos, etc. […] (RAMIREZ, 1980, p. 93).
Autores como Diaz (1968) questionam a colocação da origem do cooperativismo na Europa, já que na América do Sul, desde séculos atrás este já existia.
[...] muchos años, siglos, mejor, que se inventará la acción comunal, ya la habían inventado y estaban haciendo mingas para mejorar caminos y construirlos donde no los había. Hoy han cambiado los nombres y se hace propaganda, pero fueron los indios primitivos los que inventaron de prestarse el brazo, para ayudarse en sus trabajos privados y para hacer obras de beneficio común (DÍAZ, 1968, p. 32).
Ibarra (1968) destaca, como atributos dos pastusos, o fato de serem amantes do lar nativo e sua fidelidade, sinceridade e lealdade postas à prova no decorrer dos tempos. E descreve ao pastuso como: valente, misericordioso, veraz, leal, sossegado, singelo e trabalhador; destacando suas virtudes cívicas, seu aporte a paz, sua obediência às leis, e sua lealdade. Diaz (1968) manifesta que estes atributos não são somente dos pastusos, senão dos nariñenses em geral, para o qual coloca outros importantes exemplos que demonstram a existência desse capital social na sociedade deste departamento da Colômbia.
Ele diz, falando da generosidade, que para o nariñense o mandato do amor ao próximo não é letra morta, mas atitude viva. Este autor coloca como exemplo o fato de que muitos cidadãos doaram seus bens para construir bens de interesse social. Exemplar são os hospitais como o San Pedro, o asilo de loucos em Pasto, o asilo de idosos, institutos, orfanatos, creches, refúgios, entre outros, que se construíram graças à generosidade da população.
Na educação segundo Diaz (1968), foram os cidadãos quem fundaram, estabeleceram e puseram a funcionar as primeiras escolas, e que não somente o governo as tinha, já que em muitos lugares específicos já tinham fundado colégios, seminários e escolas. Nem se precisa falar do que cita o autor no que se refere a outras obras públicas. A saber, ele afirma que em Nariño uma imensa maioria de ferrovias se fez com os investimentos do tesouro departamental e o fruto do trabalho físico da população, através das mingas.
Erazo (2002) manifesta que a tradição cívica da sociedade pastusa é, sem dúvida, um dos fatores que têm contribuído de maneira significativa a incubar esta experiência exitosa de OP até o momento. Ele afirma que a manifestação mais evidente desta tradição se expressa na minga, antes de tudo vigente no setor rural e nos setores populares de Pasto. A mesma recebe especial destaque – dentro do povo pastuso – a população indígena e camponesa, onde são mais arraigados à reciprocidade e ao costume das mingas.
Gutiérrez (2012) – numa pesquisa que logrou na Colômbia o Premio Alejandro Ángel Escobar 2007 em Ciências Humanas – conhecendo que as resistências dos pastusos à República constituíram principalmente uma manifestação de identidade e autonomia regional, procurou responder: o que fez com que em seu desenvolvimento os índios se juntassem e enfrentassem, primeiro os exércitos republicanos e mais tarde as próprias elites locais, quando estas optaram por unir-se com os patriotas12?
Gutiérrez (2012) defendeu a hipótese de que o que os índios de Pasto essencialmente trataram de defender foi um modelo de vida. Eles se adaptaram com dificuldades ao longo do período colonial, mas que em longo prazo demonstrou que podia garantir sua subsistência, reprodução material e simbólica, e ao qual a ordem republicana ameaçava destruir: as comunidades corporativas que o regime colonial havia instituído sob a denominação de povos indígenas.
12 É importante esclarecer que depois da guerra de independência, com a vitória dos exércitos patriotas, os índios de Pasto e alguns camponeses se sublevaram de uma maneira inesperada e violenta nos anos 1824 e 1825 contra o regime republicano recentemente estabelecido.
Este autor dá conta do processo complexo e doloroso de desarticulação das comunidades andinas originárias. Desde cedo, elas foram forçadas a adaptar-se a um modo de vida novo, imposto e estranho de organização social e política: as repúblicas de índios. Simultaneamente, as estruturas e manifestações culturais tradicionais eram arrasadas e substituídas pelas que portavam os novos conquistadores.
Conclui ele, que ainda que essa tragédia terrível e prolongada que viveram os povos andinos não fosse suficiente para destruir totalmente o substrato étnico e cultural que foi mantido graças à mestiçagem e ao sincretismo. Isso se encarnou com as variações e matizes próprios de cada momento e lugar, nas comunidades indígenas coloniais novas. Manifesta, também, que graças a um longo processo de adaptação e resistência, estas comunidades não só sobreviveram ao regime colonial hispânico, mas também que lhes sobraram forças para resistir à acometida militar e política do liberalismo republicano.
Como ganhos de suas rebeliões contra a república, apesar da derrota, ressaltam-se:
[...] la permanencia de los resguardos, los conventos, las cofradías, las cajas de comunidad, los pequeños cabildos y, además, la supresión del tributo.
Aunque no era el mejor de los mundos, los campesinos indios, en medio de sus miserias, lograron preservar los fundamentos de su supervivencia y de su identidad comunitaria, en muchos casos, hasta el día de hoy. […] (GUTIÉRREZ, 2012, p. 250).
Precisamente, dentro desse substrato étnico e cultural mantido encontra-se a minga.
Se identifica a la Minga como una de las representaciones más significativas que han perdurado no solo por su valor trascendental ancestral, sino también por su funcionalidad y efectividad en la organización y gestión comunitaria. El sector rural ubicado en las zonas periféricas de la ciudad de Pasto conservan aun esta tradición […] (ACOSTA; VILLOTA, 2009, p. 51).
Para entender um pouco sobre isto, é necessário explicar que, antes da chegada dos espanhóis, funcionavam os ayllus andinos.
Los ayllus constituyeron el fundamento de la estructura social andina prehispánica y se basaban en las relaciones de parentesco, reciprocidad y redistribución. […] Eran también unidades de producción que trabajaban en común unas tierras poseídas también en común, mediante mecanismos de cooperación y reciprocidad que mejoraban directa o indirectamente (mediante obras de infraestructura) la productividad del trabajo en cada parcela. Igualmente desarrollaban labores en conjunto para beneficio de la comunidad, del Estado o del clero. […] (GUTIÉRREZ, 2012, p. 41, grifo do autor).
Ainda segundo Gutiérrez (2012), as comunidades de camponeses-índios dos Andes foram um típico produto colonial marcado por um notório hibridismo econômico, social, político e cultural que as levaram a um sincretismo. Ele afirma que na cultura destas comunidades indígenas conviviam, num permanente jogo dialético de adaptação e resistência, rasgos culturais ancestrais misturados com os impostos.