Como estratégia3 de investigação para este estudo, optou-se por realizar um estudo de caso, que é uma análise particular, específica e única, assente numa abordagem qualitativa, recorrendo à pesquisa documental possível e a inquéritos por questionário aplicados aos vários elementos da comunidade educativa. Como com esta
3 O termo estratégia diz respeito à forma como a investigação é programada, ajustando a estrutura conceptual e as opções
- 50 -
investigação se pretende aprofundar o conhecimento de uma determinada realidade, justifica-se assim a decisão de se optar pela realização de um estudo de caso.
Tal como definido por Bassey (cit. Afonso, 2005, p.70)
“Um estudo de caso em educação é uma pesquisa empírica conduzida numa situação circunscrita de espaço e de tempo, ou seja é singular, centrada em facetas interessantes de uma actividade, um programa, instituição ou sistema em contextos naturais e respeitando as pessoas, com o objectivo de fundamentar juízos e decisões dos práticos, dos decisores políticos ou dos teóricos que trabalham com esse objectivo, possibilitando a exploração de aspectos relevantes, a formulação e verificação de explicações plausíveis sobre o que se encontrou, a construção de argumentos ou narrativas válidas, ou a sua relacionação com temas da literatura científica de referência”.
Dentro das tipologias apresentadas pelo mesmo autor, menciona-se que esta investigação assenta num estudo de caso de avaliação destinado a fundamentar juízos sobre a qualidade de um dispositivo organizacional, também considerado por Stake (cit. Afonso, 2005) como um estudo de caso intrínseco no qual a finalidade do estudo de caso
“não é representar o mundo mas sim representar o caso” (ibid, p.73).
Triviños (1987, p. 133) considera que o estudo de caso na investigação qualitativa
“é uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente”.
Revela-se importante lembrar que, num estudo de caso qualitativo, os resultados são válidos apenas para o caso em estudo.
Também para Lüdke & André (1986, p. 17)
“o estudo de caso é o estudo de um caso”.
Simples e específico ou complexo e abstrato, mas sempre bem delimitado. Pode ser idêntico a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, uma vez que o objeto em estudo é tratado como único. Os mesmos autores referem ainda que
- 51 -
“quando queremos estudar algo singular, que tenha valor em si mesmo, devemos escolher o estudo de caso” (Lüdke & André, 1986, p. 17).
Desta forma, indicam algumas características fundamentais, e específicas, dos estudos de caso qualitativos:
1) Visam à descoberta.
2) Enfatizam a “interpretação em contexto”.
3) Procuram retratar a realidade de forma completa e profunda. 4) Usam uma variedade de fontes de informação.
5) Revelam experiência transmitida e permitem generalizações naturalísticas. 6) Procuram representar os diferentes e às vezes conflituantes pontos de vista
presentes numa situação social.
7) Os relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa (Lüdke & André, 1986). Os mesmos autores consideram que o desenvolvimento do estudo de caso passa por três momentos. O primeiro momento, que se caracteriza como exploratório, começa com questões e pontos críticos que vão sendo delineados com mais clareza à medida que o estudo avança:
1º - Dentro da própria conceção de estudo de caso que pretende não partir de uma visão predeterminada da realidade, mas apreender os aspetos ricos e imprevistos que envolvem uma determinada situação, a fase exploratória coloca-se como fundamental para uma definição mais precisa do objeto de estudo.
2º - O segundo momento, caracterizado como o da delimitação do estudo, ou seja, é aquele em que, identificados os focos da investigação e os contornos do estudo, o pesquisador procede à recolha de dados.
3º - Por fim, um terceiro e último momento do estudo, onde surgem as necessidades de analisar e de interpretar a informação recolhida.
Freixo (2011) menciona que o método de estudo de caso apresenta um forte cunho descritivo, não tendo o intuito de manipular variáveis ou estabelecer relações entre elas. Este autor resume as principais características de um estudo de caso qualitativo da seguinte forma:
- 52 -
- Particular: na medida em que se centra numa determinada situação, acontecimento ou fenómeno.
- Descritivo: porque o produto final é uma descrição «rica» do fenómeno que está a ser estudado.
- Heurístico: porque conduz à compreensão do fenómeno que está a ser estudado. - Indutivo: porque a maioria destes estudos tem como base o raciocínio indutivo,
ou seja, partem do particular para o geral.
- Holístico: porque tem em conta a realidade, na globalidade. É dada uma maior importância aos processos do que aos produtos, à compreensão e à interpretação.
- Planificação: varia segundo se trate de um estudo de caráter essencialmente qualitativo ou quantitativo (Freixo, 2011).
Bell (2010, p. 23) considera que,
“o método de estudo de caso é especialmente indicado para investigadores isolados, dado
que proporciona uma oportunidade para estudar, de forma mais ou menos aprofundada, um determinado aspecto de um problema em pouco tempo”.
Quanto ao papel do investigador menciona-se que a primeira etapa do caminho utilizado na conceção e construção desta investigação se baseia inicialmente na própria vivência e experiência pessoal indo ao encontro do que refere Afonso (2005, p.48-50)
“as experiências de vida e do conhecimento dos mundos profissionais específicos devem ser mobilizados para o trabalho de identificação de problemas, prospecção de pistas de questionamento, para a pesquisa de contextos organizacionais onde possa vir a ser desenvolvido o trabalho empírico, para a localização de fontes e informantes, etc.”
Numa segunda etapa convém salientar que é importante algum distanciamento do investigador em relação ao foco do que está a ser estudado, no sentido de poder produzir uma investigação asséptica, neutra e objetiva, como referido pelo mesmo autor
“o investigador não surge «de mãos vazias» perante a necessidade de conceber e desenvolver o seu projecto. Pelo contrário, deve inventariar e avaliar os seus adquiridos experimentais, mobilizando-os criticamente como mais-valias, em vez de os (re)negar como se fossem obstáculos ou limitações”.
- 53 -
Bogdan & Biklen apresentam-nos como deve ser o plano geral de um estudo de caso,
“O plano geral do estudo de caso pode ser representado como um funil. Num estudo qualitativo, o tipo adequado de perguntas nunca é muito específico. O início do estudo é representado pela extremidade mais larga do funil: os investigadores procuram locais ou pessoas que possam ser objecto do estudo ou fontes de dados e, ao encontrarem aquilo que pensam interessar-lhes, organizam então uma malha larga, tentando avaliar o interesse do terreno ou das fontes de dados para os seus objectivos. Procuram indícios de como deverão proceder e qual a possibilidade de o estudo se realizar. Começam pela recolha de dados, revendo-os e explorando-os, e vão tomando decisões acerca do objectivo do trabalho. Organizam e distribuem o seu tempo, escolhem as pessoas que irão entrevistar e quais os aspectos a aprofundar. Podem pôr de parte algumas ideias e planos iniciais e desenvolver outros novos. À medida que vão conhecendo melhor o tema em estudo, os planos são modificados e as estratégias seleccionadas. Com o tempo acabarão por tomar decisões no que diz respeito aos aspectos específicos do contexto, indivíduos ou fonte de dados que irão estudar. A área de trabalho é delimitada. A recolha de dados e as actividades de pesquisa são canalizadas para terrenos, sujeitos, materiais, assuntos e temas. De uma fase de exploração alargada passam para uma área mais restrita de análise dos dados corrigidos.” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 89 e 90).
Finalmente, importa ter em consideração que a observação, a entrevista, a pesquisa documental e o questionário são as técnicas de recolha de dados mais frequentemente usados nos estudos de caso (Freixo, 2011).
As técnicas, instrumentos e métodos de análise de dados utilizados neste estudo serão mais especificamente abordados após a caracterização do contexto do estudo.