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Context-sensitive communication systems

PART 1: SUMMARY OF THE PHD DISSERTATION

2.2 Context-sensitive communication systems

A vinda da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, transformou o cenário político, cultural e científico brasileiro. Em seqüência à abertura dos portos, várias outras medidas foram tomadas para tornar o Brasil compatível com o status de sede do Reino. Além da instalação da estrutura administrativa, neste mesmo ano foram criados a Impressão Régia, os Colégios Médicos Cirúrgicos da Bahia e do Rio de Janeiro que se tornariam, em 1832, Faculdades de Medicina, o Arquivo Militar com o objetivo imediato de abrigar documentos sobre o Brasil, trazidos por D. João VI, que compunham a “preciosa coleção geo-hidro-topográfica da Sociedade Real Marítima e Geográfica”, fundada por D. Rodrigo 1798 (Dias, 1969:127-128), o Real Horto do Rio de Janeiro, transformado em Jardim Botânico em 1810, e o Observatório Astronômico e Metereológico. A estas instituições se seguiram, em 1810, a Biblioteca Real, com volumes trazidos de Lisboa, e a Academia Militar do Rio de Janeiro. Já depois do Brasil ter sido elevado a Reino Unido de Portugal e Algarves, é criado em 1818 o Museu Real, posteriormente Museu Nacional.

Estas duas últimas instituições foram as que primeiro abrigaram as ciências geológicas no decorrer do século XIX. A Academia Militar foi uma iniciativa, entre muitas outras, de D. Rodrigo de Sousa Coutinho que, então Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra; empenhado na defesa e organização do país acreditava ser essencial a criação de uma escola para formação de oficiais que pudessem desempenhar as funções de militar, mas que fossem ao mesmo tempo capacitados tecnicamente em mineração e metalurgia. O currículo do curso ministrado incluía Mineralogia e o acervo do Gabinete Mineralógico e Geognóstico era

1818 Criação do Museu Real e publicação do “Jornal do Brasil” 1810 Criação da Academia Militar e Chegada de Eschwege 1821 Partida de Eschwege do Brasil 1808 Chegada da Família Real 1822 Publicação do “Jornal do Brasil” 1824 Publicação do “Brasil Novo Mundo” 1833 Publicação do “Pluto brasiliensis” 1832 Publicação do “Contribuições para a Geognóstica do Brasil”

Instalação de estrutura administrativa e criação de instituições de ensino e pesquisa

Continuidade do projeto político da Coroa de financiamento de práticas científicas em benefício próprio

constituído inicialmente pela chamada “Coleção Werner” . Quanto ao Museu Real, como os seus três primeiros diretores eram mineralogistas parece natural que esta área recebesse atenção especial (Figueirôa, 1999).

O que se observa a partir dessas ações governamentais é a continuidade dos projetos políticos edificados no ideário iluminista tipicamente luso. O Estado, em sua nova sede, se mantinha na posição de grande agente financiador das práticas científicas visando benefício próprio, sobretudo valorizando os estudos de História Natural e a formação de pessoal especializado para ocupar cargos públicos, prática revigorada inclusive pela necessidade de preencher o quadro administrativo local. Conseqüentemente, no que diz respeito à ciência, a institucionalização começou a se concretizar a partir destas instituições de formação, pesquisa e apoio instaladas. Dentro da perspectiva utilitarista vigente, D. Rodrigo, desde a sua chegada com a família real, retomou sua política de renovação da agricultura e da introdução de novas técnicas rurais “redobrando mesmo o dinamismo das providências, agora impulsionadas pela urgência da necessidade imediata” (Silva, 1969:126), entretanto não descuidou de outros empreendimentos próprios de sua nova função ou que tivessem como objetivo o desenvolvimento econômico e industrial do reino. Pelo contrário, além da criação da Academia Militar como já mencionado, foi responsável por uma série de medidas visando o soerguimento da mineração, entre elas a criação de fábricas de ferro para atender as demandas diretas e indiretas deste setor.

Por atuação de D. Rodrigo, em 1808, foi criada a Real Fábrica de Ferro de Gaspar Soares2, na Comarca do Serro Frio, sendo entregue a tarefa de erguê-la e nela produzir ferro a Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt3. A opção pela localização em Morro de Gaspar Soares foi feita pelo próprio Câmara Bittencourt, recém nomeado Intendente dos Diamantes. O local ficava no caminho entre Vila Rica e o Arraial do Tijuco, no vale do rio Santo Antônio, afluente do rio

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Esta coleção passou à história como “Coleção Werner” por ter sido catalogada por este ilustre netunista e mineralogista alemão, professor da Academia de Minas de Freiberg (Ausführliches und sistematisches Verzeichnis

des Mineralienkabinets des weiland kurfürstlich saechsischen Berghauptmanns Herrn Karl Eugen Pabst von Ohain

1791-1792, 2 vol.). Na realidade, a coleção de minerais da Saxônia, de alto valor científico, pertencia Pabst von Ohain, mineralogista e intendente de Minas em Freiberg. Foi adquirida por volta de 1800, na Alemanha, pelo Conde da Barca, ministro e diplomata português. Com a vinda da família real, foi transferida para o Brasil. Eschwege, enquanto diretor do Real Gabinete Mineralógico, foi designado para organizar e completar a coleção com amostras brasileiras. Sem que isso tivesse acontecido, a coleção foi transferida, em 1811, para a Academia Militar para subsidiar as aulas de mineralogia com o uso ainda do catálogo de Werner traduzido para o português pelo próprio Eschwege e pelo italiano Napion (Eschwege, 1818, ed. 2002:213-215). Com a extinção da Comissão Geológica e Mineralógica do Império, em 1877, a coleção foi transferida para o Museu Nacional. Só mais tarde esta coleção foi re-organizada por Orville Derby e Viktor Leinz.

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O Morro Gaspar Soares ficou assim conhecido por causa do sertanista que ali descobriu ouro. Depois passou a ser chamado de Morro do Pilar, por causa da capela erguida no local dedicada a Nossa Senhora do Pilar. Em dezembro de 1953 foi criado o Município de Morro do Pilar desmembrando-o de Conceição do Mato Dentro (Costa, 1997).

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A Carta Régia de 10 de outubro de 1808 autorizava o Intendente Câmara a deduzir do orçamento anual da Real Extração de Diamantes recursos para implementação da fábrica de ferro (Antunes, 1957).

Doce, onde ele julgava estarem reunidos os requisitos necessários ao empreendimento: “minério de ferro de qualidade, florestas para a produção de carvão vegetal e as águas do ribeirão do Picão” (Antunes, 1999:71). A primeira fundição ocorreu em 1815, depois da chegada de um mestre fundidor alemão, Johann Schoenewolf, colaborador de Eschwege na Fábrica Patriótica. Com muitos problemas para produzir ferro, a fábrica teve seu recorde de produção em 1820 com 2.536 arrobas. Em 1821 o mestre fundidor voltou para a Alemanha e, depois disso, não demorou a suspensão das atividades da fábrica (Eschwege 1833, ed. 1979:212).

Em 1810 foram trazidos ao Brasil os técnicos alemães em que já trabalhavam para a Coroa em Portugal: Wilhelm Christian Gotthelf von Feldner, Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen e Wilhelm Ludwig von Eschwege. Feldner, pela experiência nas minas de carvão da Silésia, sua terra natal, foi encarregado de examinar a região carbonífera do Rio Grande do Sul (1811) e depois no Recôncavo Baiano (1814). Empreendeu ainda pesquisas sobre a ocorrência de ferro na Bahia (1816). Varnhagen, por sua vez, recebeu a incumbência de avaliar a viabilidade da instalação de uma fábrica de ferro em Sorocaba. Com base no plano de exploração encaminhado por Varnhagen a D. Rodrigo, no qual destacava a qualidade do depósito, em 1810 foi criada a Real Fábrica de Ferro de Ipanema. A fábrica, entregue a administração de suecos não deu o retorno esperado, sendo Varnhagen incumbido de sua recuperação em 1814 (Figueirôa, 1994:51).

Logo que chegou ao Rio, Eschwege foi nomeado sargento-mór do corpo de engenheiros e designado diretor do Real Gabinete de Mineralogia instalado na Academia Militar, onde sua primeira incumbência foi organizar a coleção Werner. O convite para integrar o corpo docente não foi aceito em função de sua preferência pelos trabalhos de campo. Ficou acertado entre D. Rodrigo e Eschwege que ele então se ocuparia de um amplo programa de trabalho na Capitania de Minas Gerais. De acordo com as instruções recebidas, Eschwege realizaria “pesquisas sobre as jazidas de ouro aí existentes; interar-se-ia dos métodos usados nas lavras e proporia os melhoramentos viáveis; visitaria ainda o distrito diamantífero de Serro Frio e se incumbiria da instalação de uma usina de ferro”4 (Sommer, 1952:36). Deveria ainda fazer estudos sobre a viabilidade de navegação no rio Doce e sobre a defesa da região de ataques dos botocudos.

A “Fábrica Patriótica”, instalada por Eschwege em Congonhas do Campo, produziu ferro pela primeira vez em 12 de dezembro de 1812 e funcionou até por volta de 1822. Foi o primeiro estabelecimento a produzir ferro em escala industrial, o que o distinguiu dos outros

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Eschwege publicou, na academia Real de Ciências de Lisboa, Memória sobre estas tarefas que desempenhou: Extracto de huma memória sobre a decadência das minas de ouro da capitania de Minas Gerais e sobre vários outros objetos montanísticos. In: História e memórias da Acad. Real de Ciências de Lisboa, t. IV, parte 2, Lisboa, 1815.

empreendimentos deste gênero existentes à época, pequenas forjas que produziam por métodos primitivos e, quase que exclusivamente, por força braçal (Sommer, 1952:40).

Em suas numerosas jornadas pelo interior de Minas, Eschwege honrou os compromissos assumidos inicialmente diante do ministro e também outros que vieram a posteriori, como a direção da Real Fábrica de Chumbo de Abaeté, levantamentos topográficos inclusive a demarcação das novas divisas entre as Capitanias de Goiás, São Paulo e Minas quando da incorporação do Triângulo Mineiro a esta última. Foi dele também a iniciativa de criar a primeira Sociedade de Mineração para explorar minas de ouro, estabelecida na Mina de Passagem (Mariana-MG) em 1819, depois de várias tentativas frustradas em Vila Rica. Em 1821, logo após a partida de D. João VI, Eschwege também deixou o Brasil em direção à Portugal.

É mais do que notória a contribuição de Eschwege para o desenvolvimento da indústria siderúrgica nacional ou na implementação dos métodos de mineração e dos processos de beneficiamento dos minérios. Entretanto, são suas observações e conclusões sobre a natureza geológica dos terrenos de Minas, que suas muitas viagens através desta capitania e seu trabalho em minas e jazidas lhe permitiram, que nos interessam particularmente. Antes de passarmos a este estudo, vale destacar a importância da descrição geral do sistema orográfico do Brasil feita por Eschwege5. Sobretudo se lembrarmos que as montanhas eram objeto privilegiado de estudo para compreensão do processo de formação da Terra e pouco se sabia desta matéria quando Eschwege traçou este esboço. É exatamente dele a denominação de Espinhaço, que acabou consagrada, para designar a cadeia de montanhas que atravessa nosso território preferencialmente na direção norte-sul, como um divisor de águas entre as bacias do São Francisco e Rio Doce (Eschwege 1822, ed.2005:92-93)6.

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A publicação de Eschwege que trata, especificamente, do sistema orográfico brasileiro é o artigo “Idées génerales sur la constitution géologique du Brésil. Annales des Mines (Paris), 2me. ser., t.II, p.238-240,1817. Há ainda exposições sobre este tema no Quadro geognóstico do Brasil (1822, ed. 2005).

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Aliás, a respeito do nome Serra do Espinhaço, é possível que Eschwege tenha se inspirado em José Vieira Couto que, na Memória de 1809, já havia associado a Serra a um “espinhaço”: “O grande território desta Capitania de Minas Gerais é dividido de norte a sul por uma longa e sinuosa serra que, como seu espinhaço, o divide quase em duas partes iguais, e cuja serra em outras minhas memórias apelidava “grande serra de Minas”, Esta mesma Serra também divide o clima do país em dois climas diferentes, como também a configuração e natureza do território...”(Couto, 1809)