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Como foi destacado anteriormente, a Polícia Civil do Pará sempre possuiu a figura de um gestor a frente de seus trabalhos, centralizando as obrigações e decisões, tanto operacionais quanto administrativas da instituição, seja na figura do Capitão-Mor, Intendente Geral ou Delegado Geral.

Atualmente, a Instituição trabalha com a gerência voltada para a representação do Delegado Geral. No período de 2006 a 2011, marco temporal deste estudo, foram três os Delegados que assumiram a chefia do órgão, a saber: Delegado Justiniano Alves Júnior, Delegado Raimundo Benassuly Maués Junior e o Delegado Nilton Jorge Barreto Atayde, respectivamente.

É do Delegado Geral a responsabilidade da gestão geral da Polícia Civil, tanto na área administrativa quanto operacional. Esse tipo de gestão se traduz no conhecimento, tomada de decisões e autorização de todos os atos realizados no Órgão, pelas Diretorias e Assessorias: autorização de férias, licenças, operações policiais, entre outros. Possui também a obrigatoriedade de responder como ordenador de despesas, autorizando pessoalmente a todos os pagamentos feitos na Instituição: folha mensal de pagamentos dos servidores, pagamentos de contratos, obras, suprimentos de fundo, diárias. Na impossibilidade da presença do Delegado Geral na Instituição, o Delegado Geral Adjunto fica autorizado a assinar os

documentos necessários. Ressalta-se que a gestão, apesar de trabalhar com uma gerência representada na figura do Delegado Geral de Polícia Civil, é realizada num trabalho conjunto por todos os servidores que integram as Diretorias e Assessorias do Órgão, os quais se desdobram para conseguir atingir as metas traçadas para cada ano específico.

Salienta-se que a tomada de decisões na Instituição é de responsabilidade do Delegado Geral de Polícia Civil, gestor do órgão. Conforme observa Vidal (2012a, p. 137), as instituições públicas precisam, constantemente, resolver algo, dando preferência para determinada situação, sendo que essas decisões influenciarão diretamente num posterior desenvolvimento da organização de êxito ou ruína. Jones (2010b) comenta que a tomada de decisão é responsável por definir o modo pelo qual uma organização irá proceder suas atividades. O autor complementa seu raciocínio dizendo que as regras e rotinas de uma instituição conferem estabilidade, proporcionando ao gestor, quando possível, soluções programadas, aumentando a eficácia organizacional. Contudo, é confuso enquadrar os estudos mencionados no caso da instituição policial civil, já que a criminalidade não permite que o trabalho policial goze de rotina, sendo necessário que a Instituição, diariamente, se adeque às adversidades impostas pelo mundo do crime. Dessa forma, percebe-se que a Polícia Civil do Pará toma suas decisões de forma não programada, se adaptando, produzindo novas formas de comportamento e aprendendo a lidar com os fatos imprevisíveis. Para isso, conta com o apoio e pesquisa do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), o qual fornece informações sobre a criminalidade no estado, cooperando ativamente para a conclusão do trabalho policial.

É importante que as instituições públicas exerçam suas atividades de forma sistêmica, global. Isso se dá pelo fato de que com o trabalho sendo realizado de forma conjunta seria mais provável que essa instituição obtivesse sucesso em seus encargos. Em alguns momentos, o trabalho realizado pela Polícia Civil assemelha- se ao funcionalismo sistêmico, exercendo suas atividades de forma globalizante, integrando, na medida do possível, os setores que a compõem. Entretanto o modelo observado de gerenciamento, na maioria das ocasiões, está mais voltado para um modelo centralizado, onde o exercício dessa administração assemelha-se não somente com a centralização, mas também com o modelo burocrático de gestão constante nas pesquisas de Weber, em que o gestor é o responsável pela administração da Instituição policial, mantendo as posições hierárquicas bem como

as regras. Todavia, de acordo com Ferreira e Bresser-Pereira (1996, 1997), na conjuntura atual de mudanças e transformações, essa rigidez proposta pelo modelo burocrático de Weber pode provocar ineficiência, não atendendo às necessidades reais.

Sabe-se que cada Diretoria e Assessoria da Polícia Civil do Pará possui um trabalho específico na medida de suas atribuições e competências. Porém, apesar desse trabalho ser realizado de forma individualizada em seus respectivos setores, há também a integração dessas atividades, as quais resultam em resoluções diárias no órgão. Um exemplo referente a gestão administrativa da Instituição é o trabalho realizado pela Assessoria de Planejamento e Orçamento (APO) conjugado com o trabalho da DRF, onde a primeira é responsável pela parte orçamentária, alocando os recursos enviados pela SEPOF e remanejando-os para seus fins específicos, e a segunda, pelo pagamento dos contratos e obras utilizando o orçamento que a APO alocou primeiramente. Outro exemplo dessa atividade interligada se refere à gestão operacional, onde a DPE se une à Diretoria do Interior (DPI) para elucidar crimes referentes a assalto a banco ocorridos no interior do estado, proporcionando um sistema de apoio conjunto com o objetivo de melhor exercer o trabalho policial.

Conforme o exposto, torna-se aparente que a Polícia Civil, possui uma tendência forte para o exercício de uma administração centralizadora. Porém, em certas situações, tenta fazer com que seu trabalho funcione de forma sistêmica. A Instituição possui suas propriedades gerais de organização, mas também permite que essas inter-relações de diversos assuntos aconteçam, integralizando o órgão em um funcionamento sistêmico, quando possível.

O trabalho gerencial da Instituição em questão depende também diretamente das demandas que a sociedade apresenta a cada ano. Em 2011, por exemplo, a Instituição se voltou para um trabalho específico no que diz respeito ao narcotráfico, crime que demandou investimentos nas áreas de tecnologia e inteligência policial, possibilitando o alcance de um patamar de conquistas significativas nesse setor. Exemplificando em números, neste mesmo ano, foram realizadas mais de 3.500 (três mil e quinhentos) prisões envolvendo tráfico de drogas no estado do Pará, retirando das ruas diversas quadrilhas que atuavam nesse tipo de criminalidade.

Assim, percebe-se que a atuação da Polícia Civil do Pará se encaixa nos preceitos da Teoria da Contingência, a qual prevê essa adequação das Instituições

conforme as demandas que a sociedade apresenta. No caso em tela, a sociedade paraense apresentava uma demanda de controle da criminalidade na área de narcotráfico, os inputs, e, a instituição policial, analisando essa necessidade, operacionalizou seus trabalhos para a área em questão, se planejando e conjugando esforços no sentido de abrandar a situação apresentada em forma de investigações e operações policiais, os outputs, gerando resultados positivos conforme os números apresentados acima.

O desenho esquemático abaixo faz uma descrição da atuação do órgão policial, sistematizadamente:

Figura 2- Diagrama do sistema de ação da Polícia Civil do Pará. O gerenciamento da instituição pública está voltado para o cotidiano da população do estado do Pará, promovendo a defesa da sociedade.

Fonte: Elaboração própria (2012).

As demandas sociais da população do Pará em relação a esse problema social acabam se tornando constantes e crescentes: o medo, a insegurança, a preocupação com a vida pessoal e de familiares, o temor no que tange a integridade física, entre outros. Assim, os inputs são analisados pela estrutura organizacional – unidades diretivas – da Polícia Civil, que dá como retorno à população a operacionalização institucional, preventivas ou repressivas, outputs, que visam o

controle a violência e da criminalidade presente no estado. Na Figura 2, o quadro destacado em negrito, intitulado como “características situacionais”, faz referência direta à gestão da instituição, representando o momento de difícil acesso à gerência policial em virtude dela se manter, “blindada”, protegida. Essa proteção ocorre devido a necessidade da não divulgação do modus operandi do trabalho policial, com o objetivo de alcançar o êxito nas investigações.