Iniciou-se essa pesquisa procurando identificar se o curso de Ciências Econômicas proporcionou embasamento teórico e prático para a inserção do profissional no mercado de trabalho. Os resultados evidenciaram que para 45,9% dos egressos o curso proporcionou embasamento teórico e prático de forma parcial, o que pode ser observado nos comentários de alguns entrevistados, que se seguem: a) “O curso somente ajudou para a realização de concursos públicos.”
(Entrevistado E30).
b) “O currículo do curso não está voltado para o mercado de trabalho.” (Entrevistado E4).
c) “A condição para uma boa atuação do profissional de economia é após o mestrado.” (Entrevistado D9).
d) “O curso é muito voltado para a academia, excluindo da grade obrigatória disciplinas importantíssimas para o mercado de trabalho como matemática financeira, mercado de capitais e análise de investimento.” (Entrevistado E24).
e) “O curso de economia é mais embasado na teoria que na prática.” (Entrevistado D11).
f) “O curso é muito difuso. Deveria ser melhor organizado e melhorar a metodologia dos professores para que os alunos realmente aprendam a base teórica da economia. Estou estudando agora por outras fontes e estou realmente aprendendo macro e microeconomia.” (Entrevistado E8).
g) “A grade curricular do curso de economia da UFC é muito teórico e pouco voltado para o mercado de trabalho. Por exemplo: duas disciplinas de Marxismo, que até hoje não me foram úteis, e as disciplina de Matemática Financeira e Mercado de Capitais são opcionais.” (Entrevistado E14).
Tais fatos, de certa forma, contradizem as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Ciências Econômicas (2007) quando afirma que o bacharel em Ciências Econômicas deve apresentar um perfil centrado em sólida formação geral e com domínio técnico dos estudos relacionados com a formação teórico-quantitativa e teórico-prática, peculiares ao curso, além da visão histórica do pensamento econômico aplicado a realidade brasileira e ao contexto mundial.
Por outro lado, para 37,7% dos entrevistados, o curso proporcionou embasamento teórico e prático para a inserção no mercado de trabalho, tendo os seguintes comentários:
a) “O curso foi importante tanto para o concurso como para minha alocação no banco onde trabalho, e muito do que foi visto de forma teórica em sala de aula é visto na prática.” (Entrevistado E5).
b) “O curso me proporcionou uma gama de conhecimentos teóricos, suficientes para gerar um ‘leque’ de opções de carreira.” (Entrevistado D4).
c) “A econometria tornou mais fácil realizar a parte operacional de trabalho de pesquisa.” (Entrevistado B6).
d) “O curso de Ciências Econômicas possibilita uma formação ampla que possibilita a inserção do aluno em diversos segmentos. O conhecimento adquirido no curso é ferramenta importante que possibilita uma visão de mundo mais aguçada e leitura de cenário diferenciada. O instrumental matemático e estatístico, mesmo que num nível básico, é importante para a aplicação e entendimento de situações complexas do dia a dia. A formação humana possibilita ao economista identificar tendências e comportamentos além de resultados numéricos.” (Entrevistado C6).
e) “Não entrei em economia, ou se escolhesse outro curso superior, com vistas no mercado de trabalho. Não creio que deva esse o fator mais importante de uma graduação.” (Entrevistado E13).
Percebe-se que esses fatos estão em consonância com o Projeto Político- Pedagógico do Curso de Ciências Econômicas da UFC quando informa que o egresso deverá ser um profissional com as seguintes qualidades: apto para o debate das questões nacionais e das transformações mundiais; sólida formação técnica, humanística, e ética; preparado para fazer raciocínios logicamente consistentes e desenvolver analise crítica; habilitado a utilizar instrumentos econômico-financeiro no mundo dos negócios; dotado de raciocínio logico nas formulações matemáticas e estatísticas; com discernimento para pensar e aprender continuamente com autonomia intelectual; entre outras qualidades. (FEAAC, 2006).
Já para 16,4% dos egressos o curso de Ciências Econômicas não proporcionou embasamento teórico e prático para a inserção no mercado, os mesmos justificaram que:
a) “No Ceará não há um bom mercado para absorver os profissões oriundos das Ciências Econômicas.” (Entrevistado E7).
b) “O mercado de trabalho no Ceará, em sua grande parte, procura mais por administradores e contadores.” (Entrevistado E12).
c) “O curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Ceará está voltado principalmente para a área acadêmica e de pesquisa. Há uma grande distância entre o que é ensinado na graduação e o que o mundo do trabalho exige.” (Entrevistado E27).
d) “O curso não atrela o conhecimento ao mercado e não estimula a pesquisa. Assim, é complicado tanto partir para o mercado quanto para a academia.” (Entrevistado D2).
e) “O curso deveria associar fatos relevantes para a economia nacional nas disciplinas e habilitações propostas no conteúdo programático, além de buscar maior integração ao setor produtivo e áreas de interesse, como Administração e Engenharia de Produção. A experiência de mercado é válida como forma de expandir o leque de conhecimento e potencializar as habilidades práticas do profissional de economia, mesmo àqueles interessados apenas em docência, que acredito não representarem sequer 1/3 do corpo discente.” (Entrevistado B5).
Assim cabe destacar a afirmação de Delaney (2004 apud TEIXEIRA et al., 2008), já citado anteriormente, que:
O egresso de um curso pode, efetivamente, avaliar os responsáveis pela gestão do curso e determinar quais são os valores tradicionais do curso que devem ser conservados, além de indicar quais as mudanças inovadoras devem ser implementadas para assegurar aos estudantes o posicionamento voltado para suas mudanças profissionais e para a realidade do mercado de trabalho.
Foi observado, portanto, que quase a metade dos egressos entrevistados (45,9%) afirmaram que o curso proporcionou de forma parcial embasamento teórico e prático para a inserção do profissional no mercado de trabalho. Tal resultado demonstra a parcial insatisfação dos profissionais com o curso de graduação em economia, classificando-o com um curso teórico, não possuindo aulas práticas, o que dificulta a entrada no mercado de trabalho.
A grade curricular, segundo alguns entrevistados, deixa a desejar quando não abrange disciplinas importantes para o emprego, pois deveria ter disciplinas que
focassem a área financeira. Portanto, vale ressaltar a importância de adequar o currículo do curso ao mercado de trabalho, fazendo atenção ao Projeto Político- Pedagógico do Curso de Ciências Econômicas da UFC quando afirma que “deve-se possibilitar ao graduando em Economia o exercício da liberdade de escolha de matérias e disciplinas que se identifiquem com seus anseios de atuação profissional.” (FEAAC, 2006).
Dos demais entrevistados pode-se perceber que 37,7% afirmam que o curso proporcionou embasamento teórico e pratico para a inserção no mercado de trabalho, afirmando que o curso influenciou de alguma forma na busca e inserção na carreira. Já para os que afirmaram que o curso não proporcionou embasamento teórico e pratico para a inserção no mercado de trabalho (16,4%), pode-se perceber que a insatisfação é devida a não valorização do profissional de economia no Ceará, que muitas vezes compete e é substituído por administradores, contadores e até profissionais de outras áreas.
Foi questionado se em sua situação atual o egresso escolheria outro curso superior ao invés de Ciências Econômicas para cursar e se sim, o porquê dessa escolha. Os resultados apontaram que 31,7% dos egressos cursariam outra graduação, sendo citados os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Engenharia de Energias, Finanças, Informática, Matemática, Medicina e Psicologia. Os diversos motivos citados foram a maior oportunidade em concursos públicos; mais opções no mercado de trabalho; a busca pela satisfação pessoal; a oferta de melhores cargos, carreiras e oportunidades em outras áreas; melhores perspectivas de trabalho e ascensão; e a busca por um curso que não prepare o graduando somente para a área acadêmica.
Outros motivos estão relacionados aos egressos acreditarem que o mercado de trabalho no Ceará não valoriza a graduação em Ciências Econômicas e que outros mercados oferecerão um maior reconhecimento, seja ele pessoal ou profissional, como foi observado nos comentários a seguir:
a) “As empresas desconhecem o campo de atuação do economista, as MPE’s preferem administradores com um conhecimento superficial de economia a um economista para atuar no setor financeiro. Acredito que falta confiança na capacidade do profissional da economia e uma supervalorização dos administradores.” (Entrevistado C3).
b) “O economista é um profissional pouco valorizado no mercado de trabalho cearense. Infelizmente a maioria dos postos de trabalho paga pouco e os que pagam melhor são extremamente concorridos, tendo que concorrer ainda com áreas afins tais como administração e contabilidade.” (Entrevistado C9). c) “Tenho vontade de concluir outro curso superior, contudo me sinto satisfeito
com o que o curso de economia pôde contribuir para minha evolução pessoal e profissional, apesar de eu achar que o currículo precisa ser melhor estruturado e direcionado para as necessidades do mercado local, de modo que se possa compatibilizar de maneira mais fácil o profissional que o mercado deseja e o economista que a UFC forma a cada semestre.” (Entrevistado E28).
Contudo, a maioria dos pesquisados, 62,3%, opinaram que não escolheria outro curso superior ao invés de Ciências Econômicas, o que demonstra que esses egressos preferem seguir seus estudos fazendo uma pós-graduação ou seguir uma trajetória no mercado de trabalho, atuando na sua área de formação ou não, em busca da ascensão profissional.
Tratando-se da escolha por outro curso superior, foi perguntado se o profissional egresso cursou ou está cursando outra graduação superior. Portanto, foi observado que 85,2% do pesquisados responderam que não estão cursando outro curso em nível de graduação. Somente 6,6% dos entrevistados estão cursando outra graduação na mesma área de formação, não sendo citado nenhum curso; e 8,2% estão cursando outra graduação em área diferente da área de economia, citando os cursos de Direito, Engenharia de Teleinformática e Ciências Contábeis, considerados, pelos entrevistados, mais abrangentes e com mais oportunidade no mercado de trabalho.
No que se refere a continuação dos estudos o resultado apontou que 50,8% dos entrevistados não estão cursando uma pós-graduação e 49,2% estão cursando uma pós-graduação, sendo citados os seguintes cursos: Mestrado em Economia; Pós-graduação em Direito Tributário; Pós-graduação em Gerenciamento de Projetos; Pós-graduação em Gestão Governamental; MBA em Engenharia de Produção e Gestão de Qualidade; MBA em Negócios Financeiros; MBA em Gestão de Pessoas e Liderança; Mestrado em Finanças; Pós-graduação em Gestão Pública; Mestrado em Logística e Pesquisa Operacional; Pós-graduação em Gestão
Financeira, Controladoria e Auditoria; Pós-graduação em Auditoria; e Doutorado em Teoria Econômica.
Contudo pode-se notar que os caminhos que dos egressos nem sempre se conduzem ao mercado de trabalho. Aqueles que se direcionam para a academia têm na inserção profissional um momento de negação do vínculo com as empresas e buscam na universidade preparar-se para a continuação dos estudos no mestrado tão logo concluam a graduação. (ROCHA-DE-OLIVEIRA et al., 2012).
5.2 A inserção no mercado de trabalho dos egressos do curso de Ciências