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Ellen Townsend refere que os suicídios ocorrem como resultado de interação social (por exemplo, desemprego), pessoal (por exemplo problemas de relacionamento) e fatores clínicos (por exemplo, depressão). O estudo de Ellen Townsend, teve como objetivo analisar a literatura disponível para tentar determinar se os terroristas suicidas são realmente suicidas e examinar se os terroristas suicidas devem ser integrados num subgrupo de uma população geral de suicidas para orientar investigações futuras acerca deste fenómeno.103

Ellen Townsend, refere que alguns autores defendem que os terroristas suicidas devem ser considerados no tipo de suicídio altruísta, definido por Durkheim. Contudo, segundo esta autora, os terroristas suicidas não terminam só com a sua própria vida mas com a de outros (ou pelo menos é essa a intenção da missão suicida). E adianta, citando Leenaars (1996) e O´Caroll (1993), o suicídio é caraterizado por um “mal-estar multidimensional”, envolvendo uma interação complexa e sequenciada de eventos, cada uma possuindo influências sociais, biológicas e psicológicas.104

Ellen Townsend compara os suicidas não terroristas e os terroristas suicidas, defendendo que estes têm intenções assassinas, contrariamente aos suicídios em geral. Por conseguinte, a categorizar o terrorista suicida num subgrupo da população suicida, o mais próximo seria o de homicidio-suicidio. No entanto, adianta que este subgrupo representa uma percentagem ínfima (nos EUA representam 1,5%) dos restantes subgrupos de suicídio. Além disso, a maioria dos homicídios-suicidios, envolvem uma vítima e um suspeito (normalmente entre membros da família, em particular a vítima é do sexo feminino e o suspeito do sexo masculino). Contrariamente, os ataques suicidas envolvem muitas vítimas e um terrorista (ou eventualmente vários terroristas), onde as vítimas são desconhecidas para o terrorista. Outra diferença entre o terrorista suicida e o homicida-suicida citada por Ellen Townsend, diz respeito ao espaço temporal entre os atos de homicídio e os de suicídio. No caso da maioria do terrorismo suicida, o terrorista executa o suicídio de uma forma instantânea, matando e ferindo muitas vítimas (pelo

103 Townsend, Ellen BA, Suicide terrorists: Are they suicidal?, Suicide and Life-Threatening Behavior,

The American Association for Suicidology, Vol. 37, Edição 1, 2007, pp. 35-49, in http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1521/suli.2007.37.1.35/full, consultado em 30 de Março de 2013

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menos este é o objetivo do terroristas suicida), e o homicida-suicida é aquele que depois de cometer o homicídio, suicida-se até uma semana após o homicídio (Marzuk, 1992). Além disso, Ellen Townsend refere que a prova é escassa para determinar a intenção suicida da maioria dos terroristas suicidas, considerando a crença do “martírio”.105

Ellen Townsend, conclui que existe alguma falta de trabalho empírico em psicologia e psiquiatria sobre o fenómeno do terrorismo suicida e que as caraterísticas associadas ao suicídio “comum” diferem do ato terrorista suicida.106

Robert Pape, no seu artigo “The strategic logic of suicide terrorism” avançou a hipótese que o terrorismo suicida é principalmente o produto de ocupação militar estrangeira ou pelo menos, a perceção dos terroristas que o território que eles dão grande valor está sobre ocupação, contrariando o conhecimento convencional que defende que o fenómeno é o produto de extremismo religioso independente de circunstâncias políticas. O estudo de Robert Pape que defende esta tese abarca uma análise 188 ataques suicidas que ocorreram no mundo representando 95% de todos os ataques (de 1980 a 2001).107

Em 2005, Robert Pape publicou “Dying to win”, no qual expandiu e atualizou a sua anterior análise (expandiu o período até 2003, de 1980 a 2003). Tanto neste livro como no primeiro, os métodos incluem a variação entre casos de terrorismo suicida e casos em que não ocorrem.

As observações de Robert Pape são inovadoras e retratam fundamentalmente que os alvos do terrorismo suicida atual têm sido os Estados democráticos no qual têm tropas de combate no território que é considerado pelos terroristas como sendo a sua pátria.108

As principais descobertas de Robert Pape, referem que o terrorismo suicida acontece mais provavelmente quando a comunidade (região de um Estado ou um Estado): é ocupada por um poder estrangeiro; o poder estrangeiro é de uma diferente religião; o poder estrangeiro é uma democracia; a violência convencional não tem resultado (o grupo terrorista não consegue ganhar qualquer premissa pela qual o faz lutar).109 Robert Pape

105 idem 106 idem

107 Pape, Robert A., Methods and findings in the study of suicide terrorism, American Political Science

Review, Vol. 102. no. 2, May 2008, pp. 275 - 277 , in http://www.jstor.org/stable/27644516?seq= 1& Search=yes&searchText=terrorism&searchText=suicide&list=hide&searchUri=%2Faction%2FdoBasicS earch%3FQuery%3Dsuicide%2Bterrorism%26Search%3DPesquisar%26wc%3Don%26fc%3Doff%26gl obalSearch%3D%26sbbBox%3D%26sbjBox%3D%26sbpBox%3D&prevSearch=&item=25&ttl=2279&r eturnArticleService=showFullText&resultsServiceName=null, consultado em 25 de Março de 2013

108 idem 109 idem

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não restringe a definição “ocupação”, considerando que esta é ampla. Além disso, abrange os casos em que a minoria de uma região de um Estado é alvo de ocupação desse Estado, ou pelo menos assim entendida pela organização terrorista. Desta forma, segundo Pape, ao não restringir a definição de ocupação aumenta a robustez das conclusões do estudo de Pape, reduzindo a probabilidade de casos que pudessem contradizer a sua teoria. Assim sendo, das quatro condições defendidas por Pape, apenas os Kurdos da Turquia não produziram terrorismo suicida num universo de 22 rebeliões nacionalistas, desde 1980.

As análises conduzidas por Robert Pape sugerem que mais de 95% dos ataques suicidas são conduzidos com o patrocínio de uma organização terrorista e como parte de uma organização, planeamento e campanha continuada.110

Para Robert Pape, o atentado suicida é principalmente a tática de uma organização em oposição à do individuo. Este autor adianta que também é claro que existem estruturas e processos organizacionais formais e informais que servem de apoio às missões suicidas, incluindo a preparação psicológica e as estratégias de “prevenção” de saída. A adoção da tática suicida pode ser analisada através de considerações estratégicas racionais, em particular a grande eficácia que pode ser atingida por um grupo terrorista com reduzido equipamento em comparação com outros meios remotos.111

Conforme Robert Pape refere, a proeminência e a proliferação da tática dos atentados suicidas não pode ser explicada apenas por considerações estruturais ou estratégicas, embora seja verdade que o poder demonstrativo do seu sucesso tem contribuído para a adoção desta tática por distintos grupos.112

A variedade dos grupos que adotam estas táticas, segundo Pape, são tão amplas que é difícil de desenvolver uma tipologia. Uma das primeiras organizações a adotar esta tática com muita frequência foi a LTTE (Tigres Tamil) no Sri Lanka durante os anos 80. Contudo, as mais recentes missões suicidas têm sido largamente proliferadas através de diversas organizações de inspiração islâmica, desde o Hezbollah ao Hamas (e

110 Pape, Robert A; The Strategic Logic of Suicide Terrorism; American Political Science Review, Vol.

97, N. 3, Agosto de 2003, in http://journals.cambridge .org/download.php? file=%2FPSR%2FPSR97_03 %2FS000305540300073Xa.pdf&code=4fc03b84c076e1a567d2aaa56a4c8e16, consultado em 26 de Março de 2013

111 idem 112 idem

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subsequentemente uma variedade de organizações palestinianas terroristas), até aos grupos afiliados da rede globalizada da Al-Qaeda.113

Em particular, as missões suicidas são empregues com frequência por grupos que vêem os seus conflitos com enquadramento religioso islâmico, e estão envolvidos num atual conflito do mundo que tem largamente sido concentrado nos países e organizações muçulmanos.114

Existe outro estudo, de Adam Lankford e Nayab Hakim, que compara os atiradores ativos nos EUA aos voluntários suicidas no Médio Oriente.115 Segundo este

estudo, os ataques suicidas têm sido elevados, em particular, numa parte da Ásia e Médio Oriente há décadas. Nestas zonas do mundo, os atentados terroristas suicidas têm particularidades diferentes daquelas que se encontram nos EUA.

Nos EUA, os ataques suicidas em 1999, no Colégio em Columbine e em 2007, o massacre no Centro Comercial Omaha e o massacre em Virginia Tech, além de, em 2009, o massacre num ginásio em Pensilvânia, entre outros nos anos subsequentes, fizeram com que este tipo de violência seja considerado um problema dos EUA.116 Nestes casos, os

atiradores que cometem o massacre, assassinando indiscriminadamente, acabam por se suicidar à chegada da polícia.

Adam Lankford e Nayab Hakim (2011)117, defendem que a diferença entre os dois

tipos de assassinos, o terrorista suicida de inspiração fundamentalista islâmica e o assassino em massa, é diminuta. Estes autores, citam James (2009) e Larkin (2009),118

que referem que nos últimos casos de assassínios em massa, estes têm-se referido a si próprios como “mártires”, termo que também é utilizado pelos terroristas suicidas.

113 idem 114 idem

115 Lankford, Adam e Hakim, Nayab, From Columbine to Palestine: A comparative analysis of rampage

shooter in the United States and volunteer suicide bombers in the Middle East, Agression and Violent Behavior, 16, (2011), pp. 98-107 http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000036, consultado em 06 de Março de 2013

116 idem 117 idem

118 Larkin, R. W. (2009). The Columbine legacy: Rampage shootings as political acts. American Behavioral

Scientist, 52, 1309−1326, e James, S. D. (2009, April 16). Psychology of Virginia Tech, Columbine killers still baffles experts. ABC News. Retrieved from http://abcnews.go.com/Health/story?

id=7345607&page=1, in http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000036, consultado em 06 de Março de 2013

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Lankford e Hakim, citando outro autor, Mandak (2009),119 referem que existem

alguns casos em que os assassinos em massa escondiam nos seus corpos, explosivos e armadilharam os seus alvos com bombas, apresentando a mesma forma de atuar como se verifica nos bombistas suicidas. Contudo, os autores mencionam uma diferença significativa entre os terroristas suicidas e os atiradores ativos, ou assassinos em massa. Os primeiros usualmente atuam em nome de outrem (da organização terrorista), enquanto os assassínios em massa quase sempre atuam para si próprios. Além desta diferença, Lankford e Hakim, tendo por base vários dados compilados como declarações de vítimas, entrevistas a familiares, jornais, diários e apontamentos de suicídio, além de outra informação biográfica, defendem que a principal diferença entre os bombistas suicidas voluntários no mundo islâmico e os assassinos em massa nos EUA, é a forma como cometem a violência, sendo esta explicada por razões de índole cultural da sociedade onde estão inseridos e não ao nível individual do suicida. Assim sendo, Lankford e Hakim, defendem esta tese considerando as seguintes diferenças entre estes dois tipos de assassinos: a aprovação da comunidade, a eterna felicidade como recompensa para a violência, a assistência financeira como recompensa para a violência, o género, e por ultimo o transtorno mental. No entanto, estes autores defendem que existem as seguintes semelhanças entre os dois casos: as infâncias problemáticas, os ambientes sociais opressivos, a baixa auto-estima, uma crise pessoal, vingança pessoal, e a Fama e glória que pretendem obter.120

O estudo de Wilson López–López e Claudia Pineda aborda a problemática do terrorismo por duas abordagens complementares: a psicologia individual e psicossocial.121

No que diz respeito à problemática do terrorismo a partir de uma perspetiva psicossocial, estes autores, destacam o estudo feito por De La Corte Ibañez, Kruglanski,

119 Mandak, J. (2009, August 10). Police questioned health club gunman, released him. ABC News.

Retrieved from http://kdka.com/local/george.sodini.grenade.2.1121967.html, in http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000036, consultado em 06 de Março de 2013

120 Lankford, Adam e Hakim, Nayab, From Columbine to Palestine: A comparative analysis of rampage

shooter in the United States and volunteer suicide bombers in the Middle East, Agression and Violent Behavior, 16, (2011), pp. 98-107 http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000036, consultado em 06 de Março de 2013,

121 López-López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011,

Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

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De Miguel, J. Sabucedo e D. Diaz (2007)122. Após uma análise de raiz do fenómeno do

terrorismo, indicam sete princípios para a explicação psicossocial: 1. "O terrorismo não deve ser concetualizado como uma síndrome (social ou psicológica), mas como um método de influência sócio-política", 2. "Os atributos terroristas são moldados por processos de interação social", 3. "As organizações terroristas podem ser analisadas com outros movimentos sociais", 4. "O terrorismo só é possível quando os terroristas e os seus aliados acedem a determinados recursos críticos", 5. "As decisões pela qual são promovidas e apoiadas as campanhas terroristas respondem a razões ideológicas coletivas", 6. "As ações e as campanhas terroristas respondem a razões estratégicas, mas a racionalidade com que os terroristas operam é parcial e limitada" e, finalmente, 7. "As atividades do terrorista refletem as caraterísticas internas das suas organizações".

Em relação à perspetiva psicológica a nível individual, Wilson López–López e Claudia Pineda, referem que a literatura que defende a abordagem do terrorismo numa vertente clinica patológica do terrorista falhou completamente. Contudo, defendem estes autores, que a visão estrutural e social do terrorismo não explica totalmente o fenómeno do terrorismo. Em alguns estudos efetuados a partir de uma perspetiva psicobiológica, verificou-se que existem mecanismos neurais que regulam o comportamento violento. Segundo os estudos de Gil e Verona (2002)123, mencionados pelos autores referidos

anteriormente, concluem que “a violência impulsiva patológica está relacionada com fatores neuroquímicos, endócrinos, genéticos, etológicos e neurobiológicos”. Estes estudos concluíram que em “populações denominadas agressivas, há uma diminuição no sistema serotoninérgico124 e ao mesmo tempo, um aumento na atividade do sistema

dopaminérgico125, o que, aparentemente, tem origem genética”.

122 De La Corte Ibáñez, L., Kruglanski, A., De Miguel, J., Sabucedo, J & Diaz, D. (2007). Siete principios

psicosociales, Psicothema. 19, 366-374, in http://www.psicothema.com/pdf/3372.pdf, referido por López- López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011, Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

123 Gil-Verona, JA, Pastor, JF, De Paz, F., Barbosa, M., Macías, JA, Maniega, MA, Rami-González, L.,

Boget, T. & Picornell, I. (2002). Psicobiología de las conductas agresivas. Anales de Psicologia. 18, 293- 303, in http://www.um.es/analesps/v18/v18_2/07-18_2.pdf, referido por López-López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011, Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

124 Serotonina – “A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite,

ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade à dor, aos movimentos e às funções intelectuais. Quando ela se encontra numa baixa concentração, pode levar ao mau humor, dificuldade para dormir e vontade de comer o tempo todo, por exemplo. Uma das formas de aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea é consumindo alimentos ricos em triptofano, outra forma é praticando exercícios físicos com regularidade”, in http://www.tuasaude.com/serotonina/, consultado a 10 de Junho de 2013´

125 Dopamina – “A Dopamina é um neurotransmissor. É um mensageiro químico que ajuda na transmissão

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Importa referir outro estudo que defende a importância da serotonina e em particular, da dopamina, no comportamento violento de uma pessoa. Ingo Vernaleken, investigador da Universidade de Aachen, na Alemanha foi o autor principal de um estudo apresentado em 2012, na Reunião Anual da Sociedade de Medicina Nuclear, em Miami. Este estudo foi efetuado por um grupo de investigadores da Universidade de Aachen, na Alemanha, que “monitorizou o cérebro de pessoas que jogavam um jogo de computador contra um possível trapaceador126 para relacionar a concentração de dopamina com as

reações agressivas durante o jogo. As conclusões deste estudo indicam que as “pessoas com sistemas dopaminérgicos mais funcionais não são mais agressivas em situações competitivas e podem-se concentrar ainda mais no jogo. Pessoas com baixa concentração de dopamina têm maior probabilidade de se distrair do jogo e ter reações intempestivas”.127

Num outro estudo efetuado por Skeem, Johansson, Andershed, Kerr e Louden (2007), citado por Wilson López–López e Claudia Pineda, “com 367 prisioneiros suecos condenados por tentativa de homicídio, homicídio involuntário e homicídio culposo, os investigadores classificaram os seus participantes, incluindo os chamados psicopatas primários e os secundários.” Os psicopatas primários eram os que apresentavam uma “deficiência hereditária” e os secundários, “os indivíduos que têm adquirido uma perturbação afetiva do ambiente.” Para este grupo, “são atribuídas caraterísticas de hostilidade e crueldade, originadas pela pressão ambiental para adaptação emocional devido à rejeição parental e ao abuso de que foram alvo durante toda a vida”.128 Wilson

López–López e Claudia Pineda, referem que estas caraterísticas também se podem verificar em Anders Breivik, o terrorista de Oslo, considerando que este apresentava um relacionamento distante e de falta de afeto do seu pai, além de se isolar socialmente. López–López e Claudia Pineda, relatam que “as caraterísticas individuais de pessoas que

animais, incluindo animais vertebrados e invertebrados.”, in http://www.news-medical.net/health/What-is- Dopamine-(Portuguese).aspx, consultado a 10 de Junho de 2013

126 Trapaceador ou Cheater é um termo em inglês que se tornou gíria entre jogadores de jogos eletrônicos

é usado para designar jogadores que se utilizam de cheats, códigos usados para se burlar o sistema de jogo e assim adquirir algum privilégio, in http://www.tecmundo.com.br/video-game/761-o-que-e-cheater -.htm, consultado em 17 de Setembro de 2013

127 Revista digital Ver, Artigo Dopamina está relacionada a comportamento agressivo, in

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/dopamina-esta-relacionada-a-comportamento-agressivo, consultado em 04 de Dezembro de 2013

128 López-López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011,

Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

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apresentam comportamentos terroristas, mostram que a agressão impulsiva não faz parte das atividades terroristas”.129

Para McCarthy (2002), mencionado por López–López e Claudia Pineda, um dos fatores de risco que potenciam o comportamento terrorista diz respeito a um momento de transição nas vidas das pessoas, em particular dos jovens, relacionado com uma intensa procura de identidade e por fatores biológicos (como alterações hormonais, emoções e sentimentos intensos, etc.). Adianta também que a aprendizagem adquirida pelos jovens neste processo de transição (e durante a sua vida) poderá levá-los a tomar atitudes em relação a alguns grupos (religiosos, étnicos, económicos, culturais, etc), construindo os seus próprios estereótipos destes mesmos grupos.130

López–López e Pineda mencionam também T. Gallimore (2002), autor que afirma que os traumas psicológicos não resolvidos são um combustível para os ciclos de violência e de terrorismo, devido aos sentimentos de medo e de perda de controlo e desamparo das vítimas de trauma. Segundo este autor, os traumas podem ser causados por diferentes eventos perturbadores (ataque terrorista, experiência violenta, …). No entanto, em alguns casos, após o trauma, a reação pode ser de vingança sobre os “outros”, os inimigos, desumanizando-os e legitimando desta forma os seus atos.131

Wessells (2002) e McCauley (2002), citados por López–López e Pineda, defendem que as caraterísticas individuais de um terrorista são: a falta de carinho pelos outros, ou por si, a dificuldade em criar empatia, a sua rigidez cognitiva, a intolerância para o que lhe é desconhecido, a falta de compreensão do multiculturalismo e finalmente as perceções desumanizadas pelos “outros”. Segundo indicam estes autores, Anders Breivik mostrou claramente o seu descontentamento pelos muçulmanos em geral, e pelos imigrantes que vivem na Europa atualmente.132

129 idem 130 idem

131 Gallimore, T. (2002). Trauma não resolvido: Combustível para o ciclo de violência e terrorismo. Em

Stout, E. (Ed.), A psicologia do terrorismo (pp. 143,164). London: Praeguer, in López-López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011, Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

132 Wessells, M. (2002). O terrorismo, a injustiça social e a construção da paz. Em Stout, E. (Ed.), A

psicologia do terrorismo (pp. 57-73). London: Praeguer e McCauley, C. (2002). Questões psicológicas do terrorismo, conhecer uma resposta ao terrorismo. Em Stout, E. (Ed.), A psicologia do terrorismo (pp. 3- 30). London: Praeguer, in López-López, e Pineda, Claudia, Terrorism: Two complementary approaches, Terapia Psicológica 2011, Vol. 29, n.º 2, 225-231, in http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=78520905009, consultado em 03 de Junho de 2013

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É conveniente referir também um artigo elaborado por Robert J. Brym e Bader Araj133, que desafia as conclusões do livro de Ariel Merari134, onde é indicado que os

bombistas suicidas apresentam “sinais clínicos acentuados” de depressão e suicidários, evidentes em 53 % de terroristas suicidas falhados, comparados com apenas 21 % desses sinais nos seus organizadores, e em 8% dos insurgentes que estiveram envolvidos em ataques não suicidas.135 Importa referir que Ariel Merari é Professor aposentado de

Psicologia na Universidade de Tel Aviv de Israel e Bader Araj é Professor de Sociologia e Antropologia da Universidade Birzeit, na Palestina (Robert Brym é Professor de Sociologia da Universidade de de Toronto, Canadá).

Em primeiro lugar, Brym e Araj, encontram problemas na seleção da amostra de