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Usamos, como instrumento de analise, um questionário baseado no utilizado e criado por Scarpa e Rachid (2006). Este questionário foi elaborado sob a orientação de Lucia Helena Gayotto, com base na sua classificação de recursos vocais (1997 e 2000). Foi aplicado em fonoaudiólogos formados atuantes e com especialização em voz, e tinha como objetivo pesquisar quais recursos vocais - respiração, freqüência e extensão vocal, ressonância, articulação, volume e projeção, velocidade de fala e ritmo, entonação, fluência, pausa e ênfase - estes profissionais julgavam serem mais importantes para os profissionais da voz escolhidos pelas autoras (cantores, atores, locutores, professores e operadores de telemarketing). Foi utilizado o formato de escore, ou seja, seria dada uma nota de 1 a 3 para cada recurso, segundo seu grau de importância. Exemplo:

Legenda

1 Pouco Utilizado 2 Utilizado 3 Muito Utilizado

Freqüência e Extensão Vocal

Professor 1 2 3

Ator 1 2 3

Cantor 1 2 3

Op. TKM 1 2 3

Locutor 1 2 3

Alguns dos recursos escolhidos pelas autoras foram definidos em pares para facilitar a compreensão dos juizes. Exemplo: Freqüência e Extensão Vocal.

Este questionário foi escolhido como base, pois a nossa pesquisa tem o propósito, entre outros, de complementar o trabalho de Scarpa e Rachid (2006).

Utilizamos o mesmo método de análise em nossos questionários, que foram aplicados aos profissionais da voz e esses responderam quais são os recursos mais ou menos utilizados, dentro de suas necessidades de atuação.

Utilizamos os cinco recursos primários, substituindo freqüência e intensidade, que são marcadores vocais (freqüência - Hz e intensidade - dB), por entonação e volume, respectivamente. Desdobramos o recurso respiração em respiração e pausa.

Para os cantores, seria necessário colocar extensão vocal no lugar do recurso entonação. A entonação é entendida como a melodia da fala mais associada à voz falada; para a voz cantada o mais apropriado seria nomear o recurso de extensão vocal, ligado à flexibilidade tonal que irá determinar a tessitura de um cantor. Certamente não se pretende definir ambos os recursos, extensão vocal e entonação, como sinônimos. Por uma questão de padronização dos questionários, já que havia outros profissionais respondendo, optamos por manter o recurso entonação como referência. Porém sabemos que este fato pode influir na maneira como estes profissionais compreenderam o questionário.

Nos resultados, colocamos a porcentagem de todos os recursos tidos como “mais utilizados”, comentando, posteriormente, os três primeiros colocados.

Dessa maneira, os recursos escolhidos foram: pausa, respiração, entonação, volume, articulação e ressonância. Colocamos no questionário (ANEXO I) uma pequena explicação de cada um desses recursos.

O profissional deveria marcar com um “x” na tabela a intensidade de uso de cada um dos recursos em três aspectos:

1- Se o recurso vocal fosse considerado essencial no uso profissional, a marcação do “x” deveria ser feita na coluna de “muito usado”.

2- Se o recurso fosse necessário para a voz profissional, mas numa medida intermediária, a marcação do “x” deveria ser feita na coluna de “usado”.

3- Quando o recurso não fosse estrutural na elaboração profissional da voz, a marcação do “x” deveria ser feita na coluna de “menos usado”.

Para facilitar a coleta e o entendimento dos resultados, optamos por classificar em primeiro lugar o recurso vocal com mais votos para “muito usado”. Durante a discussão, destacaremos apenas os recursos vocais classificados em primeiro, segundo e terceiro lugar, usando como critério a classificação de “muito usado”. Nos gráficos estarão dispostos todos os recursos e todas as suas classificações.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Como dito no item 4.2, substituímos freqüência e intensidade, que são marcadores vocais por entonação e volume, respectivamente e desdobramos o recurso respiração em respiração e pausa.

Os recursos vocais escolhidos (pausa, entonação, articulação, respiração, volume e ressonância) foram analisados e votados por 100 profissionais da voz, que os classificaram nas seguintes categorias: muito usado, usado e menos usado, de acordo com suas próprias necessidades.

Nosso objetivo foi investigar os recursos vocais mais utilizados por alguns profissionais da voz, sob seus pontos de vista, por meio de questionário e para ilustrar estes dados de forma esclarecedora, utilizamos o “gráfico em pizza”.

Com o intuito de alcançarmos nosso objetivo, falaremos apenas dos recursos vocais classificados em primeiro, segundo e terceiro lugar, segundo cada profissional da voz e falaremos de cada um dos recursos, segundo apenas o “escore” julgado como “muito usado”.

Nos gráficos estarão dispostos todos os recursos e todas as suas classificações. Para facilitar o entendimento, colocamos a porcentagem de todos os recursos tidos como “mais utilizados”, comentando na seqüência os três primeiros colocados. Na seqüência faremos um paralelo com os resultados obtidos no trabalho de Scarpa e Rachid (2006). Essa comparação será feita somente entre os profissionais em comum nas duas pesquisas. São eles: ator, cantor e locutor.

Scarpa e Rachid definiram em pares alguns dos recursos vocais para facilitar a compreensão dos juizes, com o mesmo propósito definimos que, no caso dos cantores, o recurso entonação deve ser entendido como extensão vocal. Gostaríamos de

salientar que não se pretende definir ambos os recursos, extensão vocal e entonação, como sinônimos.

Foram aplicados 100 questionários. Destes, 20 atores, 20 cantores, 20 dubladores, 20 locutores e 20 telejornalistas.

5.1 ATOR

Figura 1 - Recursos vocais para o ator

Pausa 25% 75% Respiração 90% 5% 5% Entonação 50% 50% Volume 50% 45% 5% Articulação 60% 40% Ressonância 85% 15%

Os resultados obtidos foram: respiração com 90% dos votos para “muito usado”, ressonância com 85%, articulação com 60%, entonação com 50%, volume com 45% e pausa com 25%.

Os profissionais desta pesquisa classificaram, portanto, em primeiro lugar a respiração, em segundo lugar a ressonância e em terceiro lugar a articulação como os recursos mais utilizados por eles e suas profissões.

Os resultados obtidos na pesquisa realizada por Scarpa e Rachid, feita com 10 fonoaudiólogos especialistas em voz, foram: empatados em primeiro lugar a ênfase e a articulação com 10 votos, em segundo lugar com 9 votos a ressonância, o /volume e projeção/ e a entonação, em terceiro a /freqüência e extensão vocal/, a /velocidade de fala e ritmo/ e a fluência.

Scarpa e Rachid 2006 Sentieiro e Damilano 2007 1ºlugar ênfase e articulação respiração

2ºlugar ressonância volume e projeção entonação

ressonância

3ºlugar freqüência e extenção vocal velocidade de fala e ritmo fluência

articulação

O resultado obtido nesta pesquisa diverge dos encontrados na pesquisa realizada por Scarpa e Rachid (2006), na qual o recurso respiração apareceu em último lugar na escala dos recursos mais trabalhados pelos fonoaudiólogos e a articulação foi o recurso que apareceu em primeiro. Podemos entender essa divergência se pensarmos que, no uso expressivo, a respiração é responsável por fornecer o fluxo e a pressão da fala, ou seja, o que produz voz e fala é a respiração. A respiração está diretamente ligada às caixas de ressonância, que modificam o ar que vem dos pulmões, uma dessas caixas é a cavidade oral, onde se localizam os articuladores, responsáveis por articular o som. O controle da respiração é indispensável para uma boa emissão. A respiração e a articulação são essências para que haja uma boa emissão vocal. Para os profissionais

da voz, portanto, o recurso respiração é base para o treinamento e para a consciência do trabalho vocal. Talvez, por esta consciência, a respiração seja o recurso mais estrutural para disparar o controle de outros recursos da voz do ator.

Desta maneira, a respiração apareceu em primeiro lugar com 90% dos votos. Segundo as considerações de Beuttenmüller (1974) e Quinteiro (1997) é através de um trabalho eficiente deste recurso que esses profissionais conseguem atingir uma boa qualidade vocal, controle de emissão, eficiência da voz e fonação de longo alcance. Vale ressaltar a importância do apoio respiratório como base para sustentação e energia, que nos remete a projeção e ao volume, como apontam Oliveira e Guberfain (2005) e Oliveira (2004). A projeção e o volume são de grande importância pela necessidade de falar para o público em relação aos locais de atuação teatral.

A ressonância apareceu em segundo lugar com 85 % dos votos. De acordo com Oliveira (2004); Guberfain, Bittencourt e Fiche (2004) e Brito (2004) este recurso está intimamente ligado à projeção, pois auxilia e controla a colocação vocal, além de possibilitar ajustes vocais variados.

Segundo Gayotto (Comunicação Verbal, 2007), a modulação vocal feita por meio dos diferentes focos de ressonância propicia a criação de novas vozes. A construção de personagens é feita através de características físicas e psicológicas, entre elas a variação de voz. Para criação de personagens podemos citar como exemplo a ressonância com foco nasal, utilizada, na maioria das vezes, para caracterizar uma voz afetada, efeminada, infantil.

No trabalho realizado por Scarpa e Rachid (2006), a ressonância também ocupou o segundo lugar como recurso mais trabalhado pelos fonoaudiólogos com esses profissionais. Essa convergência nos mostra que tanto os profissionais da voz quanto os fonoaudiólogos são conscientes da importância deste recurso, que é fundamental para a estruturação de personagens e para as necessidades da voz cênica, possibilitando assim que a terapia fonoaudiológica seja potencializada.

A articulação apareceu com 60% dos votos ficando como o terceiro recurso mais utilizado. Esse resultado confirmou os achados da literatura, na qual Dario Fo (1999) e Märtz (2002) apontam este recurso como muito importante para que ocorra uma emissão adequada e para que esses profissionais consigam expressar a mensagem, seus pensamentos e emoções. Além do que a articulação é base para a excelência de projeção da voz cênica.

Certos personagens podem exigir, para sua constituição, pequenas distorções em seus ajustes articulatórios que não influenciarão a inteligibilidade do discurso. O tônus exigido para caracterização de um personagem é igualmente ou mais exigido que na fala. Um ator interpretando um bêbado deverá ter um controle de língua muito maior do que o do cotidiano, pois fará pequenas distorções que exigirão dele um tônus igualmente trabalhado ao que é exigido para uma articulação clara e precisa. Ele utilizará outra abordagem muscular que exigirá mais atenção e tônus, ainda assim haverá precisão, mas dentro de outro esquema muscular.

O ator, segundo os resultados obtidos, apresentou uma maior demanda para o controle da respiração, que é utilizada no âmbito fisiológico e interpretativo. Ela é a fonte que alimenta a produção de outros dois recursos: ressonância e articulação. A ressonância nos mostrou uma preocupação deste profissional em fazer uso deste recurso para conseguir projetar melhor a voz no espaço teatral.

Do mesmo modo, para desenvolver a projeção, a articulação nos remete a pensar, também, na importância da preparação articulatória do ator para que o texto possa ser passado para o ouvinte de forma clara.

A articulação e a projeção não devem ser dissociadas, uma vez que para que o público compreenda o texto, o ator deve falar de forma clara e atingindo todo o espaço teatral. Por isso esse dois recursos estão diretamente ligados.

Os resultados obtidos nesta pesquisa convergem com as pontuações feitas por Gayotto (2005) que diz ser a respiração, a ressonância, a articulação e a projeção são os recursos vocais que ganham destaque na preparação vocal de atores.

5.2 CANTOR

Figura 2 - Recursos vocais para o cantor

Pausa 25% 40% 35% Respiração 95% 5% Entonação 95% 5% Volume 80% 20% Articulação 55% 45% Ressonância 80% 20%

Os resultados obtidos foram: entonação e respiração com 95% dos votos para “muito usado”, ressonância e volume com 80%, articulação com 55% e pausa com 25%.

Os profissionais desta pesquisa classificaram, portanto, em primeiro lugar a entonação e a respiração, em segundo lugar a ressonância e o volume e em

terceiro lugar a articulação como os recursos mais utilizados por eles em suas profissões.

Os fonoaudiólogos que responderam ao questionário, na pesquisa realizada por Scarpa e Rachid (2006), classificaram em primeiro lugar com 10 votos a /freqüência e extensão vocal/, em segundo lugar com 9 votos a respiração e a ressonância , em terceiro lugar com 8 votos a articulação.

Scarpa e Rachid 2006 Sentieiro e Damilano 2007 1ºlugar freqüência e extensão vocal entonação

2ºlugar respiração ressonância

volume ressonância

3ºlugar articulação articulação

A convergência de resultados obtidos em ambas as pesquisas nos faz crer numa visão similar tanto dos fonoaudiólogos quanto dos profissionais da voz. Só o recurso volume difere de uma pesquisa para a outra.

O volume não apareceu entre os três primeiros classificados, mas é um recurso que acaba sendo trabalhado juntamente com a respiração, recurso essencial no trabalho fonoaudiológico com cantores, que possibilita um apoio respiratório bem colocado, aumento do tempo de fonação e maior volume para colocação da voz cantada.

A respiração e a entonação apareceram juntas, com 95% dos votos, em primeiro lugar. Esses dois recursos possuem uma forte ligação, pois uma respiração bem colocada pode facilitar entonações variadas sem que haja esforço vocal, o que, no

caso dos cantores está associada a variações melodias no trabalho com a extensão vocal para o canto.

Na literatura, as considerações feitas pelos autores Andrada e Silva (1998) e Dinville (1993) estão de acordo com esse resultado. Dizem que em relação à respiração o cantor precisa saber usar o apoio respiratório, uma vez que é através dele que se pode emitir frases muito longas ou que tenham muita intensidade. O aspecto melódico é de suma importância para esse profissional, pois é através das modulações que o canto se caracteriza de forma expressiva.

Em segundo lugar, com 79% dos votos, juntos o volume e a ressonância. Este resultado confirma os achados na literatura, na qual o volume e a ressonância aparecem fortemente ligados, como aponta Pinho (1998).

O volume e a ressonância são características que influenciam os estilos musicais. A bossa-nova, que é um estilo musical criado no Brasil, pelo músico João Bosco, é caracterizado por um canto suave, destacando a inter-relação entre a batida da música e a voz, desenhando melodias. Já para uma das ramificações do rock, o chamado estilo heavy metal, é imprescindível um volume vocal mais forte. No estilo sertanejo, a primeira voz normalmente é caracterizada por uma ressonância com foco nasal.

O volume foi um recurso que só apareceu entre os três primeiros para os cantores. Também não é um recurso que recebe destaque na literatura, quando aparece está sempre relacionado como conseqüência do trabalho do recurso ao qual está ligado. No caso dos cantores o volume está fortemente ligado ao estilo musical e por isso recebeu destaque. Este recurso poderia ter aparecido entre os atores, mas o que discutimos é que a respiração ocupou seu lugar como propulsora e controladora da projeção.

A articulação aparece em terceiro lugar, com 58% dos votos. De acordo com as considerações de Andrada e Silva (2005) e Dinville (1993), uma articulação bem definida e clara, é necessária para a expressão da canção, ocorrendo assim o bom

entendimento do texto que está sendo cantado, a melhora da qualidade do som, além de acrescentar muito à expressão e ao alcance da voz almejada.

Os recursos entonação, respiração, articulação e ressonância aparecem intimamente ligados nesse grupo profissional, tanto na literatura quanto nos resultados obtidos em ambas as pesquisas. Como pontua Dinville (1993) o controle da musculatura respiratória fornece base para o apoio e para o controle da ressonância, bem como alimenta a formação das vogais.

5.3 DUBLADOR

Figura 3 - Recursos vocais para o dublador

Pausa 65% 30% 5% Respiração 55% 20% 25% Entonação 80% 20% Volume 40% 45% 15% Articulação 85% 15% Ressonância 40% 45% 15%

Os resultados obtidos foram: articulação com 85% dos votos para “muito usado”, entonação com 80%, pausa com 65%, respiração com 55%, ressonância com 40% e volume com 15%.

Os profissionais desta pesquisa classificaram, portanto, em primeiro lugar a articulação, em segundo lugar a entonação e em terceiro lugar a pausa como os recursos mais utilizados por eles e suas profissões.

Vale ressaltar que esse profissional não foi estudado na pesquisa realizada por Scarpa e Rachid (2006).

A articulação e pausa são recursos de extrema importância para que a dublagem seja fiel ao original, os profissionais devem ficar atentos a articulação e às pausas dos personagens que estão dublando. Chamam a atenção para esse fato Kyrillos et al (1995) e Morato e Ferreira (1995).

A entonação deve corresponder àquela já existente no filme original. Esse recurso possibilita a dublagem de variados personagens, pois as diferentes curvas melódicas auxiliam na criação de diferentes personagens e suas situações comunicativas nos filmes. Como afirma Behlau et al (2005) essa variação de diferentes personagens é facilitada se o dublador possuir certas habilidades interpretativas.

Os três recursos mais votados pelos dubladores devem ser utilizados de acordo com o filme original, os dubladores devem ficar atentos à movimentação de boca e às pausas feitas pelos atores para que esteja de acordo com o original, como aponta Morato e Ferreira (1995), além de utilizarem as curvas melódicas para interpretar cada personagem com suas especificidades.

Em relação a esses profissionais existe uma escassez de publicações no âmbito vocal, o que dificultou a produção de uma discussão mais completa e esclarecedora.

5.4 LOCUTOR

Figura 4 - Recursos Vocais para o locutor

Pausa 20% 60% 20% Respiração 70% 30% Entonação 80% 20% Volume 20% 40% 40% Articulação 75% 25% Ressonância 20% 45% 35%

Os resultados obtidos foram: com 80% dos votos para “muito usado” a entonação, com 75% a articulação, com 70% a respiração e com 20% a pausa, a ressonância e o volume.

Os profissionais desta pesquisa classificaram, portanto, em primeiro lugar a entonação, em segundo lugar a articulação e em terceiro lugar a respiração como os recursos mais utilizados por eles e suas profissões.

Os profissionais que responderam ao questionário da pesquisa realizada por Scarpa e Rachid (2006) classificaram em primeiro lugar com 9 votos a ênfase, a articulação e a entonação, em segundo lugar com 8 votos a /velocidade de fala e ritmo/ e a fluência , em terceiro lugar com 7 votos a respiração.

Scarpa e Rachid 2006 Sentieiro e Damilano 2007 1ºlugar ênfase

articulação entonação

entonação

2ºlugar velocidade de fala e ritmo fluência

articulação

3ºlugar respiração respiração

De uma forma geral, os resultados obtidos em ambas as pesquisas são convergentes. Em primeiro e terceiro lugar aparecem, respectivamente, entonação e respiração, em ambas as pesquisas. Em segundo lugar aparece a articulação (nesta pesquisa) e fluência (Scarpa e Rachid, 2006), estes recursos estão diretamente ligados uma vez que os dois influenciam na clareza da emissão.

A entonação aparece como o recurso mais usado para este grupo profissional. Como apontam Penteado (1998), Kyrillos (2004) e Borrego (2004) a entonação dos locutores deve ser bastante variada e estar de acordo com o tipo de locução na qual atua e correspondendo ao perfil da rádio em que trabalha.

Para autores como Leite e Viola (1995), Farghaly (2002), Behlau et al (2005) e Borrego (2005), a articulação é um recurso que aparece como um dos focos do

trabalho fonoaudiológico com locutores. É um recurso responsável pela inteligibilidade do discurso.

A respiração é um recurso fundamental na locução, pois a mensagem deve ser transmitida de forma clara e continua pelo locutor. Chama a atenção para esse fato Farghaly (2002).

Os recursos entonação, articulação e respiração são estruturais em um trabalho de locução, no qual o profissional conta apenas com recursos não visuais e, ainda assim, deve dar conta de transmitir a mensagem. Além disso, estes três recursos são base para a emissão clara do discurso. A respiração é responsável por manter o fluxo da fala, este fluxo é modificado pelas pregas vocais que modulam o som e entra em contato com os articuladores, que garantem a inteligibilidade da fala; a partir disso, essa fala deverá ser entoada de acordo com o discurso, com a intenção de quem fala e para quem fala.

5.5 TELEJORNALISTA

Figura 5 - Recursos vocais para os telejornalistas

Pausa 70% 20% 10% Respiração 50% 30% 20% Entonação 55% 40% 5% Volume 20% 50% 30% Articulação 80% 15%5% Ressonância 40% 50% 10%

Os resultados obtidos foram: articulação com 80% dos votos para “muito usado”, pausa com 70%, entonação com 55%, respiração com 50%, ressonância com 40% e volume com 20%.

Os profissionais desta pesquisa classificaram, portanto, em primeiro lugar a articulação, em segundo lugar a pausa e em terceiro lugar a entonação como os recursos mais utilizados por eles em suas profissões.

Vale ressaltar que esse profissional não foi estudado na pesquisa realizada por Scarpa e Rachid (2006).

A articulação foi o recurso vocal mais utilizado segundo esses profissionais, com 80% dos votos para “muito usado”. Esse resultado confirmou os achados na literatura, nos quais este recurso foi citado como muito importante e como enfoque de trabalho com os telejornalistas, para Andrada e Silva (1999), Behlau et al (2005) e Kyrillos (2004).

A articulação desses profissionais deve ser clara, precisa e aberta, pois é através de seu uso correto que a mensagem é transmitida com credibilidade aos telespectadores segundo Kyrillos, Andrade e Cotes (2002).

Em segundo lugar apareceu o recurso pausa, com 70% dos votos. Este recurso também foi bastante citado na literatura. Kyrillos, Andrade e Cotes (2002) chamam a atenção para este recurso, que deve ser utilizado apenas intencionalmente - como parte do texto que será lido -, em seu âmbito expressivo, auxiliando na inteligibilidade do discurso.

Como podemos observar, os recursos articulação e pausa são extremamente importantes, segundo Kyrillos, Andrade e Cotes (2002), para que a mensagem seja transmitida com inteligibilidade, passando assim credibilidade àqueles que o estão assistindo.

A entonação apareceu em terceiro lugar, com 55% dos votos para “muito usado”. Kyrillos (2004) cita ser de extrema importância o uso desse recurso para que o discurso não seja monótono e para que cada mensagem seja transmitida com uma voz, uma melodia que esteja de acordo com seu conteúdo.

A modulação pode ser relacionada à freqüência, que aqui nesta pesquisa foi substituída pela entonação e, portanto, estão relacionadas entre si.

A ressonância não ficou entre os três mais utilizados, aparecendo em quinto lugar. Esse é um fato que nos chamou atenção por esse recurso aparecer com

freqüência na literatura, citado por Behlau (2005), Kyrillos (2004), entre outros, atribuído à grande importância para esse grupo profissional.

A ressonância está diretamente ligada à modulação do som e a coordenação dos