Acredita-se que o construcionismo, por suas características, proporcione aos alunos uma aprendizagem cooperativa, que lhes dá a oportunidade de realizar suas atividades trocando idéias e experiências entre si e com o professor, de maneira que todos os envolvidos no ensino colaborem para o sucesso da atividade a ser realizada. Nesse processo de colaboração, tanto os alunos como o professor devem estar em constante processo de aprendizagem. Para Behrens (2000, apud GOUVEA, 2006), quando professores e alunos atuam como parceiros, desencadeiam um processo de aprendizagem cooperativa na busca da produção do conhecimento.
Para Fukuda (2004), um dos pontos-chave da WebQuest é a
aprendizagem cooperativa, e isso ocorre porque as situações-problema desse
tipo de atividade estão fundadas na convicção de que se aprende mais e de maneira melhor com os outros e não de forma individualizada. O segundo é o da
transformação das informações: acredita-se que a pessoa aprende não quando
reproduz as informações, mas quando realmente as transforma. Já o terceiro é de que as aprendizagens devem favorecer o acesso a informações autênticas e
atualizadas, as quais são possíveis também por meio da internet.
Segundo Fukuda (2004), é possível, ao estudar o assunto WebQuest, deparar-se com duas expressões relacionadas ao trabalho em grupo: aprendizagem cooperativa e aprendizagem colaborativa. Entretanto, nota-se que:
O conceito de cooperação é mais complexo que os de interação e de colaboração, pois além de pressupor ambos, requer relações de respeito mútuo e não hierárquicas entre os envolvidos, uma postura de tolerância e convivência com as diferenças e um processo de negociação constante. Percebemos que a diferença fundamental entre os conceitos de colaboração e cooperação reside no fato de que, para haver colaboração, o indivíduo deve interagir com o outro para ocorrer ajuda mútua ou unilateral. Para existir cooperação deve haver não só interação, colaboração, mas também objetivos comuns, atividades e ações conjuntas e coordenadas (MAÇADA e TIJIBOY, 1997 apud FUKUDA, 2004, p. 33).
Fukuda (2004) afirma que, no trabalho em grupo, a aprendizagem mais relacionada com a WebQuest é a cooperativa, já que nesse tipo de atividade os alunos têm objetivos em comum – a realização da (s) tarefa (s), as ações conjuntas no grupo e coordenadas e mediadas pelo professor.
Segundo Fukuda (2004), quando o professor reconhece a idéia de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky – explicitada anteriormente neste texto – e estimula o trabalho cooperativo, apoiado pelas novas tecnologias, ele pode potencializar o desenvolvimento cognitivo de seus alunos.
Para Fukuda (2004), a cooperação é importante porque as pessoas não vivem sozinhas, necessitam da interação com os outros, indispensável para a aprendizagem. Logo, os resultados alcançados por um membro do grupo influenciam toda a equipe; portanto, compete a cada membro participar ativamente para que o seu grupo tenha sucesso na realização da tarefa, dando a sua contribuição individual e indispensável para que possam atingir um objetivo em comum. Para o grupo funcionar de maneira coerente, deve-se distribuir as tarefas entre os membros do grupo e delegar responsabilidades para cada um. Abar e Barbosa (2008) comparam esse trabalho cooperativo com uma orquestra: “Os alunos devem ser bem orientados para o trabalho cooperativo. Tal como um maestro que rege uma orquestra, o professor deve conduzir os alunos a produzirem um resultado que é de todos. Um único instrumento fora do compasso liquida um concerto.” (ABAR e BARBOSA, 2008, p. 43).
Sendo assim, o professor deve “reger essa orquestra” da melhor maneira possível, sempre contando com a participação e a importância de cada um, pois se um deles falhar, já não haverá a mesma harmonia desejada e esperada. Certamente o mesmo ocorre com o trabalho cooperativo, que tem professor e aluno como cúmplices em busca dos mesmos objetivos – uma educação atual, contextualizada e de qualidade. Segundo Abar e Barbosa (2008), um ambiente de aprendizagem cooperativa pode ser implementado por meio de situações de aprendizagem inspiradas em projetos, de forma contextualizada e interdisciplinar.
Percebe-se que são vários os benefícios da aprendizagem cooperativa, pois, além de produzir bons resultados em termos da forma e qualidade daquilo que se aprende, ela também oferece ao aluno a oportunidade de tornar-se cada
vez mais crítico e reflexivo sobre sua postura e a de cada componente da equipe, o que se reverte em habilidades para trabalhar em equipe, condição essencial para o convívio em sociedade e para o mundo do trabalho.
Para Campos et al., (2003):
A aprendizagem cooperativa ainda amplia as capacidades sociais de interação e comunicação, promove o desenvolvimento do pensamento crítico, amplia a auto-estima e a interação no grupo, além de fortalecer o sentimento de solidariedade e respeito mútuo (CAMPOS et al., 2003 apud FUKUDA, 2004).
Esse espírito de cooperação deve estar presente também na postura do professor, que certamente difere daquela vivenciada em um ambiente tradicional, já que ele deve estar familiarizado com as estratégias de aprendizagem cooperativa e encaminhar as atividades de forma a serem realizadas com sucesso pelos alunos.
Para Fukuda (2004):
Aprendizagem cooperativa implica em professores cooperativos; professores que têm tradicionalmente trabalhado sozinhos terão que encontrar novas formas de cooperar, comunicar-se com outros e compartilhar suas experiências e responsabilidades. Essa forma de cooperação pode ser desafiadora, pois, além de envolver o compartilhamento de responsabilidades e a comunicação com outros, ela também pode ser muito gratificante (FUKUDA, 2004, p. 50).
Segundo a autora, o professor cooperativo pode observar, incentivar, intervir e fazer perguntas para estimular pensamentos mais profundos e não deve fornecer respostas aos alunos. Cabe ao professor estar sempre disponível para auxiliar os alunos no processo de aprendizagem, facilitando discussões em grupo e gerenciando possíveis conflitos que possam surgir entre os alunos, ou seja, é importante que ele se torne parceiro cooperativo de seu aluno na construção de conhecimento. Nesse processo de aprendizagem cooperativa, tanto aluno como professor são considerados como aprendizes, já que ambos estão em constante aprendizagem.
Segundo Fukuda (2004), o professor é um mediador que também deve promover algum tipo de afinidade entre os alunos, incentivar aqueles que
estiverem desmotivados a contribuir com sua participação individual e essencial ao grupo e proporcionar que os alunos tenham a coragem de falar e expressar-se perante o grupo. Sendo assim, a aprendizagem é “menos centrada no professor”, já que o aluno passa a ser também responsável pelo seu próprio aprendizado.