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Conducting the evaluation

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3.3 Evaluation and testing methods

3.3.2 Conducting the evaluation

A mineralização Eocénica de fosfatos de Farim-Saliquinhé, na Guiné-Bissau (figura 2.1), é um depósito sub-superficial de origem sedimentar (BRGM, 1983) localizado perto da aldeia de Saliquinhé, a cerca de 3 km Farim, junto ao rio Cacheu.

Figura 2.1 – Localização da área de estudo na Guiné-Bissau. A forma da poligonal foi retirada de BRGM (1983) e Prian et al (1987).

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2.2

E

NQUADRAMENTO

G

EOLÓGICO

O depósito localiza-se no flanco norte da flexura de Farim, marcada pela linha de cumeada (doma) do Rio Jumbembem (com direcção N 50-60 º E), que é uma estrutura tectónica regional que delimita a margem sul do Golfo Meso-Cenozóico de Casamance-Gâmbia (Prian et al, 1987) e, mais genericamente, a grande bacia sedimentar da Mauritânia-Senegal-Guiné (figura 2.2). Na margem norte desta bacia são conhecidas outras ocorrências de fosfatos semelhantes à de Farim (Lucas et al, 1979).

APRESENTAÇÃO DO CASO DE ESTUDO

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A deposição de sedimentos de fosfato foi regulada por uma armadilha paleogeográfica composta por fundos elevados em ambiente marinho (shallow-and-bay: baías com baixios) que se desenvolveu durante o Paleocénico superior e o início do Eocénico médio.

O depósito mineral é composto por dois membros: 1) um membro inferior de fosfatos carbonatados, denominado FPB, de idade Luteciano médio a superior, de extensão regional que termina em bisel (cunha) nas elevações submarinas existentes, e 2) um membro superior de fosfatos não carbonatados, sem cimento calcítico, chamado FPA, espacialmente limitada à área de Saliquinhé (Prian et al, 1987). A série de fosfatos carbonatados do Eocénico médio FPB desenvolveu-se sobre um nível endurecido (hardground) basal resultante de hiato na sedimentação dos calcários e laminitos do Eocénico inferior a médio. A maior espessura atingida por esta formação de calcário fosfatado bioclástico (até 15 m) corresponde à parte subsidente da bacia e à parte interna da baía de Saliquinhé, enquanto que nas extremidades da bacia termina rapidamente em bisel (cunha). A mineralização de fosfato FPA, de idade Luteciano a Luteciano tardio, ocorre acima de um hardground infralitoral, recobrindo sobretudo o membro FPB, mas também o calcário infra-FPB subjacente para lá dos locais onde o FPB termina em bisel. A espessura do fosfato granular FPA varia de menos de 1m nas extremidades da armadilha a 6,2m no centro. Apesar do FPA poder ser parcialmente o resultado do winnowing (joeira) e retrabalhamento dos grãos de fosfato da parte superior do membro FPB, ele representa sobretudo sedimentação distinta rica em fosfatos ocorrida acima do hardground no topo da FPB. Os grãos finos de FPA (200 a 500 mícrones) consistem principalmente em foraminíferos bentónicos e planctónicos fosfatizados, fitoplancton, coprólitos, pellets e litoclastos fosfatizados. A fauna e flora marinha circalitoral indica um ambiente rico em nutrientes. No local de sedimentação primária infralitoral, deverá ter ocorrido mortalidade em massa seguida pela decomposição de microrganismos e processos diagenéticos de fosfatização (biomineralização, precipitação, epigénese). Estes grãos de fosfato sofreram um processo de joeiramento (remoção de partículas finas) no próprio local onde se formaram, mas pouco se alterando as formas originais dos grãos (coprólitos não-quebrados alongados). De seguida foram depositados numa bacia quase fechada onde também se depositaram grãos de quartzo detríticos continentais, e onde ocorreu fosfatização do cimento FPA e cristalização de algum cimento de pirite e siderite. Este ambiente secundário deposicional do FPA (com joeiramento) é, portanto, basicamente uma zona marinha litoral pouco profunda confinada e próxima do local de fosfatogénese primária, com forte influência continental. Pode ainda definir-se um terceiro ambiente deposicional ligada ao período de emersão ocorrido no limite Eoceno-Oligoceno, que produziu um forte desgaste sobre o topo da FPA, com provável descarbonização, e cristalização de fosfatos silico- aluminosos e fosfatos de alumínio-cálcio a partir do fosfato de cálcio. Durante o Eocénico superior uma transgressão (menos extensa do que a que originou FPB) produziu uma série de calcários dolomíticos, que é espessa e se sobrepõe a FPB no domínio subsidente da bacia, mas se condensa perto dos baixios da região Farim. A série dolomítica só se sobrepôs à formação FPA nas áreas mais

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orientais desta, enquanto que o resto de FPA emergiu e, ficando à mercê de processos locais de intemperismo pedogénico, como transformação de montemorilonite em caulinite e neogénese local de cimento de pirite e siderite e de fosfatos alumino-cálcicos na parte superior do perfil. Um intervalo argilo-fosfatado fino discordante (denominado FPO) que recobre os membros do Eocénico marca o início de sedimentação continental Oligocénica. Esta fácies fosfatada consiste em pellets milimétricas arredondadas de cor branca, sem estrutura interna, e inclui mineralização de fosfato retrabalhado e, no topo, grés fosfatado alumino-cálcico indicativo de forte intemperismo pedogenético (Prian et al, 1987).

De acordo com os mesmos autores, e tal como foi recentemente confirmado por Charifo (2008) e Charifo e Almeida (2010), as reservas do membro FPA ascendem a mais de 100 milhões de toneladas (Mt) de fosfato (sem carbono) com teor médio de 30% em P2O5 e numa extensão superior a 25 km2.

Outras avaliações referem 166,2 Mt, com o teor médio de 29,1% P2O5 nas categorias indicadas e

medidas, e 164,3 Mt, com o teor médio de 29,4% em P2O5 (Zbeetnoff, 2000, para a Champion

Resources Inc).

Em síntese, a geologia do volume em estudo pode ser subdividida nas seguintes unidades lito- estratigráficas, da base para o topo.

1) Calcários micríticos na base da série fosfatada; 2) Formação carbonato-fosfática (FPB);

3) Formação fosfática não carbonatada (FPA); 4) Calcários dolomíticos do topo;

5) Outras rochas fosfáticas (FPO);

6) Cobertura composta maioritariamente de níveis arenosos e argilosos (BRGM, 1983; Prian et al, 1987), com uma unidade de argilas negras na base (Lignite Group of petroleum geologists). A figura 2.3 mostra uma versão muito simplificada do modelo geológico conceptual num perfil NW- SE. A formação FPA foi identificada em toda a área estudada pelo BRGM, enquanto que a formação FPB ocupa apenas um pouco mais de metade da área total, e está ausente a oeste e a sul. A unidade 4), que do ponto de vista estratigráfico se sobrepõe às séries fosfatadas FPB+FPA, na realidade só atinge marginalmente a parte mais a Este de FPA. Quando aqueles calcários dolomíticos superiores se sobrepõem a FPA, esta formação apresenta uma fácies não completamente descarbonatada.

APRESENTAÇÃO DO CASO DE ESTUDO

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Figura 2.3 – Modelo conceptual geológico simplificado (sem escala)

Nos textos seguintes, a primeira unidade será denominada de Base ou sub-FPB, no topo da qual está localizada a superfície da base de FPB (ou FPA caso não exista FPB); enquanto Cobertura designa as unidades Oligo-Mio-Pliocenicas e Quaternária (4, 5 e 6) sobre o depósito mineral (formações FPA e FPB). A Cobertura ocupa o volume acima do topo de FPA até à superfície.

2.3 E

NQUADRAMENTO

H

IDROGEOLÓGICO

A série areno-argilosa Cobertura, sobre a formação FPA, apresenta-se não consolidada, e é constituída por alternância de níveis arenosos e níveis argilosos. Os níveis arenosos são aquíferos. O nível hidrostático é aproximadamente constante e está à cota do Rio Cacheu, 3 m acima do nível do mar.

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