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Condition monitoring while maintenance

2.2 Equipment Operations and maintenance

2.2.1 Condition monitoring while maintenance

Da mesma forma que construímos a categoria de saberes técnicos, por meio da análise e seleção de discursos que se assemelhavam entre si, delineamos uma nova categoria de saberes decorrentes do processo de apropriação tecnológica do professor. Essa categoria se configura na construção de saberes didático-metodológicos. Esses saberes representam o conjunto de sentenças proferidas pelos sujeitos que ajuizavam mudanças em seus percursos didáticos e metodológicos. Ou seja, novas metodologias estão sendo delineadas aliando conteúdos curriculares e objetivos de aprendizagem no ambiente dos dispositivos digitais - saberes construídos no dia-a-dia do professor, onde o mesmo a cada dia descobre e aperfeiçoa a utilização dos recursos do laptop no processo de ensinar e aprender.

Sobre essa categoria de saberes, encontramos ocorrências referentes a: trabalhar com diferentes linguagens, mudança na forma de planejar aulas, reconstrução da prática pedagógica e aulas com pesquisas na internet. Para ilustrar, apresentamos falas dos professores que inferem novas práticas metodológicas:

Eu tenho buscado melhoras no sentido de planejar melhor, de trazer aulas diferentes, no sentido de promover essa tecnologia (laptops UCA), utilizando os símbolos, as imagens e vídeos próprios desse recurso. Vou buscando aliar a tecnologia, as ferramentas do laptop e os conteúdos da grade curricular. (PROFESSORA FLOR, Ensino Fundamental II, EJA)

Minha forma de planejar aulas mudou um pouco. Hoje, pesquiso na internet algumas aulas que tem no “Portal do Professor”. Busquei algumas aulas que outras cidades, que outros lugares no Brasil tinham sobre projetos com o Projeto UCA. Fui lendo e fui buscando e assim aprendi outras linguagens, outras formas de pensar, de agir, de planejar, de se organizar. (PROFESSORA ROSA, Ensino Fundamental II, Ensino Médio)

Os discursos revelam uma mudança na prática pedagógica de alguns professores, decorrente de disposições acumuladas pelos docentes ao longo de um processo de interação com os saberes técnicos, com uso dos laptops em demais ambientes e com a socialização das experiências com o uso dos laptops.

Ao usar os laptops em contexto de sala de aula, os professores têm a possibilidade de integrar o novo recurso tecnológico aos seus saberes, originados na experiência de sala de aula – saberes da experiência, produzidos e internalizados ao longo de sua história de vida, em sua prática pedagógica diária, nas relações entre professores, entre estes e os alunos, entre os docentes, a escola e sua organização e entre os professores e os seus próprios saberes, ou seja, aqueles saberes que são sucedidos da intervenção pedagógica do professor na escola, em suas

turmas, na organização do trabalho pedagógico, em sua própria história ao longo de sua vida. (PIMENTA, 2009).

Portanto, ao integrar essa experiência ao saberes advindos da técnica com uso do laptop, os professores acabam adquirindo uma nova matriz de percepção e ação. Essa matriz, ou mesmo um conjugado de disposições, de formas de pensar e agir fornece esquemas necessários para a atuação na vida profissional/social do docente.

Na visão de Bourdieu (2011), os professores estariam, portanto, por meio das interações, socializações e das experiências passadas, internalizando um novo habitus, gerado a partir da mediação entre as experiências sociais exteriores e a subjetividade dos mesmos. Convém ressaltar que, segundo Setton (2002), habitus é um operador, uma matriz de percepção e não uma identidade ou uma subjetividade fixa, ou seja, o surgimento do habitus procede de um sistema de disposições aberto, continuamente incitado por experiências novas e ininterruptamente afetado por elas.

Bourdieu (2011) nos coloca que o habitus, “como indica a palavra, é um conhecimento adquirido e também um haver, um capital”. O autor acrescenta: o “habitus indica uma disposição incorporada, quase postural”. (BOURDIEU, 2011, p. 61).

Portanto, ao vivenciarem a experiência do Projeto UCA, ao começarem a adquirir novos conhecimentos sobre o recurso tecnológico que lhes foi apresentado, o laptop; ao interagirem com os alunos, com os demais profissionais da escola, os professores passam a incorporar e agir de forma diferente e isso é refletido nas novas metodologias, didáticas adotadas. Uma nova postura em sala de aula, paulatinamente, começa a ser construída em detrimento das novas mediações que estão ocorrendo.

Os professores, por meio do curso de formação de professores do Projeto Um

Computador por Aluno, percebem, apropriam-se de uma determinada cultura e assim agem,

pondo em prática as percepções e os conhecimentos adquiridos, tendo em vista as proposições de um campo que os estimula, no caso o contexto do Projeto UCA.

Corroboramos com Setton (2002), ao afirmar que o habitus é estruturado como um conjunto de esquemas individuais que são socialmente construídos, adquiridos na e pelas experiências práticas, com as quais os docentes se defrontam numa dada cultura digital incitada pelo Projeto UCA. São essas experiências práticas que irão orientar as ações do agir cotidiano do professor.

A aula observada no mês de Novembro do ano de 2012, em uma turma do 6º ano do Ensino Fundamental II, é parte integrante de um projeto desenvolvido por duas professoras de Língua Portuguesa, denominado “Histórias em Quadrinhos” (ver quadro 01: Sistemática de

Observação das Aulas com uso dos laptops UCA). Esse projeto já existia e, depois da experiência no Projeto UCA, as professoras sentiram a necessidade de incorporar ao projeto novas metodologias, usando os laptops e demais recursos tecnológicos existentes na escola.

Com a adaptação feita, as professoras puderam dar uma “nova cara” ao Projeto. Foram incorporadas ao mesmo novas práticas metodológicas, resultado de uma mudança de compreensão das docentes em relação aos benefícios que as TICs poderiam trazer para processo de ensino aprendizagem do alunado. Ao observar a aula, que tinha como objetivo conhecer a vida e a obra de autores como Ziraldo e Maurício de Souza, pode-se constatar os benefícios que o laptop proporcionou ao ensino, através das pesquisas na internet realizadas em dupla, da organização das informações no software KWord, da socialização dos achados e das discussões suscitadas em momento especial destinado a isso.

Além disso, foi possível constatar, como explicitado na sequência didática e nas observações relatadas do Quadro 01, que em toda a aula as professoras se preocuparam com as questões técnicas dos laptops. Foram distribuídos aos alunos laptops totalmente carregados. As professoras diminuíram a quantidade de laptops (os alunos trabalharam em duplas ou trios), de modo a não sobrecarregar a rede e garantir, assim, que a conectividade ocorresse de forma simultânea e satisfatória para os alunos.

As atitudes descritas revelam uma preocupação das docentes em incorporar um novo agir pedagógico com uso das TICs. Mostram, desta forma, a restruturação de um habitus, modificado frente aos novos conhecimentos adquiridos, e as relações estabelecidas com um determinado campo – neste caso, a escola em geral e o contexto do projeto UCA –, que as estimulam continuamente a mudar atitudes e concepções. Constrói-se, assim, uma nova subjetividade, marcada pela adoção de novos esquemas de apropriação e percepção das tecnologias.

Por fim, entendemos que o empenho dos professores em experimentar e construir novas formas de executar seu trabalho, e assim mobilizar novos saberes, é o caminho para refletir, argumentar e experimentar novas realidades sociocognitivas. É precisamente neste intercâmbio entre educação e Tecnologias da Informação e Comunicação, que o professor, por meio de interações simbólicas entre sujeitos, máquinas, conteúdos e aprendizagens, cria e recria valores e crenças e constrói sua identidade docente.