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The application of latest technology and products

Apontamos, nesta categoria, que os saberes decorrentes da instrumentalização técnica foram destacados no processo de formação dos professores que utilizaram os laptops em sala de aula. Foram esses saberes base para atuação pedagógica do docente.

Ao conjunto de discursos que proclamavam o aprendizado instrumental, tanto para uso pedagógico como para atuação do professor em seu meio sociodigital, denominamos “saberes técnicos”. Dentro dessa categoria de saberes, encontramos algumas recorrências: dificuldades no manuseio do laptop, aprendizagem e manipulação de softwares e uso da internet. Ilustramos as recorrências da categoria – aprendizagem instrumental – com discursos dos sujeitos:

A gente conheceu o laptop UCA e como ele funciona. O sistema operacional dele é um pouco diferente do Windows com o qual a gente está acostumada. Temos muito que aprender ainda, como usar o PowerPoint, a questão dos slides. Tem ainda muitas coisas para se descobrir no laptop UCA. (PROFESSORA MARGARIDA, Ensino Fundamental II, Ensino Médio e EJA)

Aprendi a preparar um PowerPoint, um slide, muito bacana! Eu pego um conteúdo e preparo todo aquele material em slides. Isso é um aprendizado que na nossa época não tinha. (PROFESSORA ROSA, Ensino Fundamental II e Ensino Médio)

O que eu aprendi bastante foi a utilizar o Audacity, gravador de voz e o scratch. Isso eu aprendi e acho que deveria ter sido passado para os alunos da escola.

Aprendi a usar o PowerPoint, baixar vídeos. Agora a gente sabe que o UCA não possibilita a projeção dos slides... Aprendi a habilidade de buscar essas múltiplas linguagens. Aprendi a entrar no Word e digitar textos. Fui buscando e fui adquirindo essas competências e habilidades para trabalhar junto com os alunos. Aprendi outras linguagens, outras formas de pensar, de agir, de planejar, de se organizar. (PROFESSORA FLOR, Ensino Fundamental II)

Entendemos a categoria (saberes da técnica) como imprescindível ao agir docente quando faz uso das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação em contexto educativo. É necessário que os professores sintam-se à vontade para fazer uso dos novos auxílios didáticos, e sentir-se à vontade para utilizar os laptops significa conhecer a ferramenta, dominar os principais procedimentos técnicos de cada recurso e integrar o meio tecnológico com o processo de ensino aprendizagem. (KENSKI, 2003).

Nesse sentido, o saber técnico é uma vertente que devemos considerar na discussão sobre a prática pedagógica e os saberes do professor. A técnica, ou melhor, a dimensão instrumental da ação docente, ganha relevância no contexto de uso das TICs no campo educacional. Saber manusear tecnicamente um determinado aparato tecnológico é imprescindível para se elaborar estratégias pedagógicas com uso das TICs.

O saber técnico, por si só, não é sinônimo de mudança no processo de ensino. Deve-se aliá-lo às demais competências em prol de uma aprendizagem significativa com uso das TICs. Nessa aprendizagem significativa, deve-se envolver os cenários mais amplos com que os computadores são utilizados, aliando conhecimentos específicos com habilidades críticas sobre o recurso utilizado.

Consideramos que uma prática pedagógica feita com planejamento, objetivos bem delimitados, juntamente com o saber técnico, apoiará o professor nas tomadas de decisões e nas diferentes situações que emergem em sala de aula e que colocam o professor em contexto de conflito.

Lima e Almeida (2013) acreditam que muitas vezes é dito que a “tecnologia faz a mudança”, porém se não houver restruturação nos procedimentos adotados e não existirem pessoas competentes e qualificadas para tal, a tecnologia não tem valia. Tratando-se das TICs na educação, existe a necessidade da criação de estratégias que possibilitem a compreensão de como deve ser feita essa integração, entre a técnica e a sua abordagem pedagógica.

Podemos recorrer ao nosso período de observação do contexto escolar para refletir sobre essa afirmação. Aulas com o uso do laptop UCA foram observadas. Contudo, em algumas delas, não revelaram de forma harmônica o conjugado planejamento, objetivos e saber técnico

sobre o recurso que estava utilizando. Exemplo disso foi a aula de Língua Portuguesa observada no 5º ano do Ensino Fundamental I, ministrada por uma professora polivalente em novembro do ano de 2012 (ver quadro 01: Sistemática de observação das aulas com uso dos laptops UCA). A docente nos comunicou que o conteúdo abordado nesta aula referia-se ao “sistema de pontuação”.

Nesta aula, foi cedido aos alunos um texto para que os mesmos o digitassem no laptop UCA. Contudo, o texto não foi explorado anteriormente, de forma que os alunos o interpretassem e expressam suas opiniões sobre a temática abordada. No momento da digitação do texto no laptop, alguns alunos, ainda com dificuldade de leitura e escrita, não conseguiam reproduzi-lo, pois não reconheciam determinadas letras. Alguns laptops descarregaram no decorrer da atividade e desta forma alguns alunos, por não serem orientados a salvarem seus textos, perderam seus trabalhos.

A observação nos revela que a forma com que foi conduzida esta aula pouco condiz com o conteúdo e objetivos que foram sinalizados pela professora. O foco estava na aprendizagem da digitação no laptop UCA e não no texto e na pontuação existente no mesmo. Nesse sentido, podemos perceber que a sintonia entre o planejamento, os objetivos da aula bem delineados e o saber técnico estava fragilizada. Mais que isso, as mediações entre a abordagem do professor, a compreensão do aluno e o conteúdo veiculado fragilizaram-se nesta oportunidade. Corroboramos com Kenski (2007) ao acreditar que para que as TICs possam trazer alterações no processo educativo:

(...) precisam ser compreendidas e incorporadas pedagogicamente. Isso significa que é preciso respeitar as especificidades do ensino e da própria tecnologia para poder garantir que seu uso, realmente, faça a diferença. Não basta usar a televisão ou o computador, é preciso saber usar de forma pedagogicamente correta a tecnologia escolhida. (KENSKI, 2007, p. 46).

O saber técnico fará o professor entender o funcionamento e as especificidades do laptop. Contudo, é necessária a restruturação dos procedimentos metodológicos adotados, de forma a garantir a qualidade da aula e uma aprendizagem eficaz. É importante frisarmos que o conhecimento é a base do processo de aprendizagem e as tecnologias é que vão garantir o acesso e as articulações com esse conhecimento. É essa interação que irá garantir a qualidade da educação dada.

Por fim, ao proferirem seus discursos, percebemos que a formação UCA acrescentou aos docentes informações sobre o funcionamento dos recursos presentes no laptop. Mesmo com algumas dificuldades para planejar aulas, os professores conseguiram realizar suas primeiras

experiências com o laptop no modelo de uso um para um junto aos alunos. Como ilustramos nos discursos:

Procuramos criar situações para levar o aluno a conhecer o laptop do UCA, mas não tivemos muito tempo para planejar. (PROFESSOR CRAVO, Ensino Fundamental II, EJA)

Eu fiz as pesquisas no laptop UCA. Eu lembro muito bem de uma aula que fiz sobre os “anuros”. Fiz pesquisa, coloquei diversas fotos, alguns resumos, coloquei isso no pendrive e depois passei isso para os alunos. (PROFESSOR CRISÂNTEMO, Ensino Fundamental II)

Na verdade nós tivemos alguns avanços, mas precisamos ainda melhorar muito, no sentido de ter um projeto que a gente possa ampliar o uso desse laptop. Nós usamos, mas acredito que precisaríamos planejar melhor, ter objetivos mais definidos. Na verdade é como se nós estivéssemos conhecendo o UCA, estivesse experimentando com os alunos, como é que ele funciona, então, nós precisamos melhorar em nível de planejamento sim. (PROFESSOR ANTÚRIO, Ensino Fundamental II, EJA)

Observamos, nesses discursos, que apesar das dificuldades com o próprio aprendizado da técnica, dos escassos momentos de planejamento e do pouco preparo pedagógico para usar os laptops, os docentes se aventuram na experiência do Projeto UCA. Os discursos ainda revelam o sentimento dos professores em querer fazer melhor e ter mais tempo para isso, também no sentido de entender melhor o funcionamento da máquina.

Apesar do ensino e da análise das possibilidades e conveniências de uso do laptop no processo pedagógico atravessarem obstáculos físicos e de infraestrutura, constatamos, ainda, que a construção de “saberes técnicos” está sendo ampliada a cada dia de uso dos laptops, na experiência diária, como afirma uma das professoras entrevistadas:

Eu acredito que a gente precisa saber o que esta fazendo, como se faz e o porquê de estar fazendo. Precisamos nos preparar no sentido de saber que ferramentas eu usei, como estava usando, porque se os alunos tiverem dúvidas eu tenho que saber responder. Planejei antes como é que usava, como é que trabalhava com aquele laptop. O ano passado foi muito importante. A gente conheceu o UCA e como ele funciona, que é o sistema operacional. Ele é um pouco diferente do Windows que a gente está acostumada. Temos muito que aprender ainda, como por exemplo, usar o PowerPoint, fazer slides. Tem muitas coisas para se descobrir no UCA e isso vamos descobrir praticando, com o tempo. (PROFESSORA ROSA, Ensino Fundamenta lI, Ensino Médio)

Considerando o exposto, inferimos que são nas experiências diárias que se consolidarão as práticas pedagógicas com uso dos laptops. Este é um processo de construção que dependerá do tempo de uso. Portanto, acreditamos que o professor aprende progressivamente a dominar seu ambiente de trabalho e os recursos didáticos que o compõe, no momento em que se insere nele e o internaliza por meio de regras e ações que se tornam parte integrante de sua prática (TARDIF, 2011).