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4.3 Functional relationships with coldwater corals

4.3.1 Conclusions

Ao longo dos tempos, o termo “rede” vem sendo adotado em distintos contextos com propósitos variados. Segundo D’Ipolitto (2007), as redes articulam pessoas, instituições e recursos em torno de atividades de inúmeras naturezas como: pessoal, recreativa, coletiva, produtiva, criativa, política e empresarial.

A noção de rede vai em direção a dois sentidos: como princípio organizativo dominante, que auxilia na compreensão do funcionamento do mundo, e como arquitetura imprescindível aos arranjos sociais, tecnológicos e institucionais, produzidos pela ação humana. Logo, a rede se constitui em um modelo capaz de representar sistemas complexos, oferecendo importantes contribuições sobre o mundo interligado que nos rodeia.

Conceber a rede como um modelo é útil ao entendimento quanto à existência de inúmeros trabalhos que, a partir da visão holística da natureza, da tecnologia e da sociedade proporcionaram uma estrutura para a compreensão de questões fundamentais que inclui desde a vulnerabilidade de um sistema econômico à disseminação de doenças e de fenômenos da natureza aos de cultura de massa.

As contribuições supracitadas se constituíram em um marco conceitual denominado Teoria de Redes, aplicável a inúmeros campos do conhecimento como: ciências sociais, biologia, informática, engenharia, ciências políticas e administração.

Mizruch (2009) esclarece que, nos últimos trinta anos, os cientistas sociais se voltaram ao estudo dos fluxos de informação como processos de formação de redes (networking process). Assim, a formação de redes interempresariais é viabilizada pelas TIC’s, que evoluem e são disseminadas no ambiente geral.

D’Ipolitto (2007, p. 5) apresenta a seguinte definição de rede:

Uma rede é um conjunto de nós (nodos) ligados por elos (ligações, conexões) que, em função do tipo de rede, podem conduzir recursos (materiais, informações), comandos (transações, eventos) ou valores (financeiros ou intangíveis). O que dá vida à rede são as conexões entre os nós, pois revelam a dinâmica e o significado específicos de cada rede.

Uma rede é representada por um conjunto de ligações que compreende um conjunto definido de pessoas, objetos ou eventos que, usualmente se associam por meio de um relacionamento de longo prazo, no qual as características das ligações existentes representam o comportamento social dos atores envolvidos (D’ IPOLITTO; 2007).

Toda a produção humana pode ser difundida através de cadeias complexas de redes. Nesse aspecto, os mercados são redes formadas por linha de produção, cadeias de abastecimento, entre outros.

Uma rede pode ser constituída por uma reunião de atores traduzidos por organizações, indivíduos e membros organizacionais, que mantêm entre si relações interpessoais, estando, consequentemente, interligados por essas relações. Constituem-se em ambientes informais ou formais de interação e aprendizagem, no qual os participantes possuidores de interesses diversos e, por vezes, contraditórios, encontram-se para explorar o que é comum ou complementar o que os assemelha ou distingue.

A formação de alianças estratégicas entre empresas tendem a auxiliar na consolidação de estruturas de redes, uma vez que tais alianças ao viabilizarem um intercâmbio de informações e uma junção de competências, resultam em exploração de oportunidades mercadológicas e tecnológicas que contribuem na estruturação dos arranjos competitivos.

Nos arranjos pré-competitivo a integração de competências facilita a adoção de inovações mercadológicas que possuem a capacidade de alavancar o aumento da eficiência operacional (BRITTO, 2002).

Há, portanto, um balanceamento entre os princípios de cooperação e competição, já discutidos no capítulo 2, que se associam ao aumento de ganhos propiciados pela cooperação. As redes compreendem uma forma organizacional em que existe uma maior proximidade proveniente da intensificação das parcerias, da maior duração nos relacionamentos e do aumento das trocas técnicas entre os elos.

De acordo com Britto (2002), as redes de empresas compreendem arranjos interorganizacionais que se baseiam em vínculos sistemáticos entre empresas que são formalmente independentes. Esses vínculos dão origem a uma forma particular de coordenação das atividades econômicas.

As redes empresariais são definidas por Martins e Alt (2009, p. 436) da seguinte forma:

Redes de empresas: associações horizontais (ramos empresariais diferentes) e verticais, cadeias de empresas dentro de um mesmo ramo, que estão substituindo as megaempresas verticais. São exemplos de redes de empresas os keiretsus do Japão, os aglomerados

de pequenas e médias empresas na Alta Itália (clusters regionais) e as redes de suprimentos das grandes montadoras da indústria automobilística, com fornecedores sistemistas e de várias outras camadas (tiers). Neste conceito, entram as chamadas empresas estendidas e as empresas virtuais.

O conceito de redes abrange várias formas de relações interorganizacionais, como acordos comerciais, joint-ventures, redes sociais, consórcios, subcontratação, franchising, entre outros. Grandori e Soda (1995)4 apud Sacomano Neto et al. (2004) apontam para a necessidade de distinções entre essas formas por meio da criação de uma tipologia das redes interfirmas com a utilização de critérios de centralização, de mecanismos de coordenação e de grau de formalização, a qual propõe três tipos de redes distintas: sociais, proprietárias e burocráticas.

As redes sociais se caracterizam por não adotarem um acordo formal. Logo, as trocas econômicas são suportadas e reguladas pelas relações sociais. Tais redes podem ser classificadas em:

- redes assimétricas ou centralizadas: caracterizadas pela presença de um agente central. Por esse motivo, tendem a ser verticalmente coordenadas, ou apresentarem uma interdependência nas transações interorganizacionais.

As operações comerciais realizadas nessas redes são formalizadas por contratos apenas extensíveis às trocas de bens e serviços. Portanto, as relações de rede funcionam como um mecanismo de coordenação, mas não são formalizadas por intermédio de contratos;

- putting out: forma antiga que foi resgatada no relacionamento entre firmas e tem aplicação em vários setores como na indústria automotiva. Caracteriza-se pela centralização dos direitos de propriedade da matéria-prima (relações de autoridade e de propriedade) que é processada por outra firma. Nesse sistema, as firmas são coordenadas e controladas por relações de autoridade. Logo, uma organização central negocia um produto com outro ator, que por sua vez transfere parte do trabalho a subcontratados especializados;

- redes burocráticas: são aquelas que formalizam as trocas entre os agentes ou pelas associações de acordos contratuais. Possuem contratos formais que especificam, por

4GRANDORI, A.; SODA, G. Inter-firm networks: antecedents, mechanisms and forms. Organization Studies,

meio de um sistema legal, as relações de fornecimento, as condições de interação entre seus membros e a organização da própria rede.

- redes proprietárias: têm sua existência condicionada a um contrato formal que assume a forma de acordos de propriedade, cujos direitos são constituídos por sistemas de incentivo, que objetivam fomentar a cooperação entre as partes. (SACOMANO NETO, et al., 2004).

D’Ipolitto (2007, p. 5) menciona a existência de três tipos de redes:

 Centralizada (estrela): é um tipo extremo de rede hierárquica, na qual toda a comunicação, coordenação e controle entre os nós depende de um único nó central que, se falhar, paralisa a rede.

 Descentralizada (árvore): equivale a um conjunto de

hierarquias interligadas, onde um nó raiz (Il capo) agrega vários nós subalternos (filhos), cada um dos quais, por sua vez, pode ser a raiz de um novo grupo de nós descendentes e assim por diante. Neste modelo, cada nó depende de um nó superior para a comunicação, coordenação e controle, o que reforça um aspecto político centralizador e aumenta os riscos de falha ou fragmentação de uma sub-rede em caso da falha dos nós hierarquicamente superiores.

 Distribuída (grande): os nós podem compartilhar comunicação, coordenação e controle com quaisquer outros nós da rede, o que diminui os riscos de falha da rede pela falha de alguns “pontos de passagem” e possibilita uma gestão mais cooperativa (horizontal) da rede, além de possibilitar a coexistência de sub-redes operando autonomamente.

Adotando a tipologia de D’Ipolitto(2007) para classificar as relações entre as empresas selecionadas neste estudo com a empresa central, pode-se presumir que essa rede de interações assume, inicialmente, a forma descentralizada, mas à medida que as trocas se tornam contínuas e regulares, a rede se torna distribuída. A busca em ampliar o valor gerado conjuntamente, dá origem ao desenvolvimento de processos colaborativos, nos quais as organizações envolvidas se esforçam para elevar entre si o grau de comunicação, controle e coordenação, de modo a propiciar sinergias.

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