A estrutura da CS compreende a configuração das empresas de uma cadeia abrangendo os seguintes aspectos estruturais:
1. os membros da cadeia de suprimentos, que se subdividem em primários e de suporte;
2. as dimensões da rede, que abrangem as relações verticais e horizontais que a empresa mantém com outras organizações, bem como sua posição na rede. Na análise das dimensões de uma CS deve-se levar em conta a extensão da cadeia de suprimentos e o número de fornecedores e de clientes existentes em cada um de seus níveis;
3. os diferentes tipos de interligação de processos ao longo da cadeia, a estrutura organizacional, forma na qual uma organização se articula para realizar seus processamentos, é um componente gerencial da cadeia de suprimentos que evidencia a
integração de seus processos, fator que inclui a participação das equipes multiorganizacionais de trabalho (LAMBERT; COOPER, 2000).
Segundo Maia, Cerra e Alves Filho (2005, p. 285):
..., a estrutura da cadeia contempla os papéis, portes, capacidades de produção, produtos e serviços fornecidos, direcionamento setorial e empresarial desses produtos e serviços, competência tecnológica, etc., abarcando alguns fatores que condicionam (e também são condicionados por) o alinhamento das estratégias, a coordenação das ações e as relações entre as organizações.
Nota-se que ao descrever, analisar e administrar uma cadeia faz-se necessário a inclusão das seguintes dimensões:
- estrutura horizontal: compreende o número de níveis ou camadas existentes ao
longo da cadeia, mensurado no sentindo horizontal, que pode incorporar um maior ou menor número de níveis de acordo com a complexidade dos processamentos a serem realizados por uma organização.
Uma cadeia de suprimentos com uma estrutura horizontal extensa contém vários níveis de fornecedores e/ou compradores, já uma CS com uma estrutura horizontal de dimensão reduzida possui poucos níveis de fornecedores e/ou compradores.
Estabelecendo uma comparação referente à estrutura horizontal do setor de linha branca com o setor automobilístico, percebe-se que, neste último, devido à elevada complexidade dos automóveis, há uma estrutura horizontal bastante extensa, que é reforçada pelo fato das empresas fabricantes de automóveis se responsabilizarem cada vez mais pela montagem dos veículos, transferindo aos demais integrantes o desenvolvimento dos outros processos, com exceção do sistema de motorização e transmissão;
- estrutura vertical: corresponde ao número de empresas fornecedoras ou organizações clientes em cada nível da cadeia de suprimentos. Logo, uma pequena ou extensa dimensão, se associa à magnitude do número de organizações constituintes em cada nível.
A existência de muitos clientes ou fornecedores amplia (alarga) a estrutura vertical de uma CS;
- posição da empresa foco: é definida pela posição horizontal da empresa foco ao longo da cadeia de suprimentos, ou seja, o quanto a empresa foco está próxima ou distante do ponto de origem ou de consumo da cadeia de suprimentos, representando, portanto, a localização da empresa foco em relação aos pontos compreendidos entre a origem da cadeia, até o consumo final da cadeia (LAMBERT; COOPER, 2000).
Depreende-se, portanto, que a estrutura da cadeia de suprimentos contempla os membros da cadeia e suas interações.
A cadeia de suprimentos pode, ainda, ser seccionada em interna, imediata e total. Pires (2004, p. 51) apresenta a seguinte definição:
...a cadeia interna é a composta pelos fluxos de informações e de materiais entre departamentos, células ou setores de operações internos à própria empresa. A cadeia imediata é a formada pelos fornecedores e pelos clientes imediatos de uma empresa. Já a cadeia total é composta por todas as cadeias imediatas que compõem determinado setor industrial ou de serviços.
A estrutura de uma cadeia de suprimentos pode ser analisada a partir de uma empresa central ou focal, e da compreensão de seus relacionamentos upstream e downstream. Assim, cada empresa de uma cadeia de suprimentos, insere-se em outras cadeias, ao mesmo tempo em que possui sua própria CS. Observa-se que cada cadeia apresenta uma dimensão estrutural específica.
Martins e Alt (2009, p. 384) afirmam que:
Uma cadeia simples representa bem a atividade logística para uma unidade de transformação. A cadeia completa é uma combinação de cadeias simples, desde os subfornecedores, passando por transbordos entre unidades transformadoras diferentes, dentro da empresa ou entre empresas, até chegar ao consumidor final. Os subfornecedores são os fornecedores dos fornecedores, ou melhor, são as empresas que fazem parte do processo de fabricação do fornecedor, que são contratadas por ele. No caso da montadora, ele contrata um fornecedor para montar o painel, e este contrata um subfornecedor para fornecer os componentes do painel.
Conclui-se que à montante da cadeia de suprimentos, isto é, em direção ao abastecimento, os fornecedores de 1º nível caracterizam-se por manterem relações diretas de fornecimento com a empresa central; os fornecedores 2º nível mantêm relações diretas de abastecimento com os fornecedores de 1º nível, e assim sucessivamente, até atingir a extremidade da cadeia onde estão situados os fornecedores de matérias-primas.
À jusante da cadeia de suprimentos, ou seja, em direção à demanda, encontram-se as organizações denominadas intermediários de marketing e constituídas por distribuidores regionais, atacadistas e varejistas, com as quais a empresa central se relaciona com a finalidade de disponibilizar seu produto ao consumidor final, que se encontra na extremidade da cadeia.
Na medida em que uma cadeia de suprimentos é estendida, isto é, passa a agregar um maior número de integrantes, aumenta-se a necessidade da existência de um canal de informação que promova a adequada conexão entre todos os participantes. Isso requer que as empresas possuam os requisitos tecnológicos necessários a essa extensão, e que saibam utilizá-los de forma correta. Portanto, o ideal seria que, à medida que houvesse uma aquisição nessa cadeia, esse fato fosse compartilhado com todos os seus participantes. A visibilidade dos eventos do ponto de venda, em tempo real, auxilia na precisão do gerenciamento da demanda de mercado, permitindo a redução substancial de estoque na cadeia de suprimento (FLEURY, 1999).
Convém salientar que, independentemente do posicionamento de uma organização em uma cadeia de suprimentos, cabe a cada empresa focar o atendimento no cliente final.