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Conclusiones referentes al patrimonio de las Baleares. 4º de ESO

5. La educación patrimonial formal: análisis en los libros de texto de Educación

5.6 Libros de texto de 4º de ESO

5.6.3 Conclusiones referentes al patrimonio de las Baleares. 4º de ESO

A construção do corpus da pesquisa orientou-se pela necessidade que temos de responder a questões intencionais, distanciando-se da quantificação das informações, uma vez que a “amostra estatística aleatória” não se aplica à pesquisa textual e qualitativa. Seu equivalente na pesquisa qualitativa é a “construção de um corpus”, uma fonte alternativa de coleta de dados (alternativo não significa ausência de critérios), que “tipifica atributos desconhecidos, enquanto que a amostragem estatística aleatória descreve a distribuição de atributos já conhecidos no espaço social” (BAUER; AARTS, 2015, p. 40).

Bauer e Aarts (2015, p.44) definem corpus como “uma coleção finita de materiais, determinada de antemão pelo analista, com (inevitável) arbitrariedade, e com a qual ele irá trabalhar”. Mais recentemente a noção de corpus acentua a de seleção, ou seja, segue critérios eleitos pelo pesquisador, que poderá utilizar-se não apenas de textos a serem transcritos, não apenas de palavras, mas também de imagens, música ou qualquer material com funções simbólicas. A escrita, na pesquisa qualitativa, é de suma importância para o registro dos dados e para a conclusão destes. Por esta razão, a análise deve ser fidedigna e respeitar a forma de seus registros.

Cabe destacar que não há um padrão que defina o tamanho de um corpus, mas deve-se considerar “o esforço envolvido na coleta de dados e na análise, o número de representações que se quer caracterizar em alguns requisitos mínimos e máximos”. (BAUER; AARTS, 2002, p. 40). Neste sentido, a pesquisa terá como corpus os seguintes tipos de dados:

a) Dados estatísticos aproximativos:

A aproximação da realidade da educação do campo, através do Grupo de Estudos e Pesquisa do Campo na Amazônia (GEPERUAZ-UFPA) proporcionou a coleta de dados estatísticos sobre estas realidades, sua organização, bem como sua relação com o processo educativo. Tais momentos possibilitaram o aprofundamento do estudo sobre a educação do campo, suas escolas e classes multisseriadas, além da aproximação de discussões em torno do reconhecimento das diversas realidades socioculturalterritoriais que permeiam a sala de aula do campo. Além desta aproximação, faz-se necessário o levantamento de dados junto aos órgãos que prestam atendimento às vítimas de escalpelamento nas escolas nos municípios de suas respectivas localidades.

b) Dados Orais

Os dados orais foram obtidos com a utilização da técnica de entrevistas narrativas com professores, professoras de escola públicas da Amazônia paraense ribeirinha, que convivem com meninas vítimas de acidentes por escalpelamento.

A questão metodológica da obtenção d e narrativas é crucial à abordagem

heurística da realidade estudada, ou seja, uma abordagem ou método de investigação baseado na aproximação progressiva de um dado problema, aquele que se dedica a descoberta de fatos. Considerada uma forma de entrevista não estruturada, com características que se afastam da pergunta-resposta das entrevistas, “ela emprega um tipo específico de comunicação cotidiana,

o contar e escutar histórias, para conseguir este objetivo” (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2015, p.95).

Diante do exposto, com o intuito de manter os fluxos narrativos das histórias, sem interferência do entrevistador, devemos ter um cuidado metódico sugerido por Jovchelovitch, Bauer (2015), que consiste em uma série de regras sobre: como ativar o esquema da história; como provocar narrações dos informantes; e como conservar a narração através da

mobilização do “esquema autogerador5”. Para os autores, quem conta uma história

desenvolve sua narrativa seguindo as regras básicas do contar história, regras tácitas que libertam o contar história. Contudo, a discussão sobre narrativas vai muito além do emprego como método de investigação; ela traz no seu bojo a entrevista narrativa como técnica específica de coleta de dados, em particular no formato sistematizado por Fritz Schütz (1997: 1983; 1992) apud Jovchelovitch e Bauer, 2015. Nesta proposta, o entrevistador deve seguir regras que norteiam a entrevista narrativa, processada através de fases que guiam e orientam para a obtenção de narrativas ricas, fases estas que começam com a:

a) Iniciação com uma pergunta formulada de forma a abordar como se iniciou a relação do sujeito pesquisado com a vítima de escalpelamento, a depender do interesse e do objeto de estudo do pesquisador, não podendo haver interrupção; a inserção de questionamento somente será possível após a indicação de uma “coda” narrativa6;

b) Narração dedicada à exploração do potencial narrativo dos temas e fragmentos narrativos expostos de forma resumida na primeira parte da entrevista;

c) Questionamento, momento em que o pesquisador poderá intervir de forma a auxiliar na compreensão (“sim, e, então, não consegui acompanhar o restante. Será que poderia, a partir desse ponto, contar mais uma vez?”);

d) Encerramento com a fala conclusiva do entrevistador, descrição abstrata de situações, percursos e contextos que se repetem.

Com a utilização desses procedimentos, evita-se o perigo do esquema pergunta- resposta de entrevista e a não interrupção do fluxo das fases da entrevista narrativa. As regras de procedimentos necessários para a entrevista narrativa podem ser melhor observadas na tabela abaixo:

5Textura detalhadas (...) o narrador tende a fornecer detalhes dos acontecimentos. Ele dará conta do tempo, lugar, motivos pontos de orientação, planos, estratégias e habilidades; Fixação da relevância: expõe centros temáticos importantes conforme a perspectiva de mundo do narrador, sua explicação é seletiva. Estes temas representam sua estrutura de relevância;

Fechamento da Gestalt: a história possui uma estrutura tríplice de uma conclusão que faz a história fluir, uma vez

começada: o começo tende para o meio, e o meio tende para o fim que pode ser o presente (p.94-95).

6Schütze apud Jovchelovitche Bauer (2015, p.99 ) exemplifica a coda narrativa a partir da utilização pelo informante das seguintes expressões: “então, era isso; não muito; mas mesmo assim”. Tais expressões indicam o fechamento de uma ideia.

Quadro 02 – Fases Principais da Entrevista Narrativa: Fases -Regras

Fases Regras

Preparação para a entrevista Exploração do campo: revisão de literatura sobre o tema de estudo, documentos, investigações preliminares, relatos informais;Formulação de questões exmanentes (referentes ao interesse do pesquisador).

Iniciação: Começar gravando; Formulação do tópico inicial para narração; Explicação para o sujeito/informante sobre como se darão os passos da pesquisa narrativa, sobre o contexto da investigação, o problema motivador, os objetivos, relevância do trabalho e os procedimentos éticos; emprego de auxílios visuais (opcional).

Narração central: Não interromper; Não fazer perguntas;Somente encorajamento não verbal ou paralingüístico para continuar a narração (hunn, sim, sei); Esperar por sinais de finalização (“coda”). Fase de perguntas Após indicação do narrador de que a história acabou (“coda”), fazer, quando necessário,

algumas perguntas para esclarecimentos (por exemplo, "não entendi quando você disse...". “Que aconteceu então?”); não dar opiniões ou fazer perguntas sobre atitudes; não discutir sobre contradições; não fazer perguntas do tipo “por quê?”Ir de perguntas exmanentes (referentes ao interesse do pesquisador), para imanentes (referentes ao conteúdo da história contada). Fala conclusiva: Parar de gravar e continuar a conversação informal; Por ocasião da fase da fala conclusiva,

pode-se fazer perguntas do tipo “por quê?”, para esclarecer as questões imanentes, ou seja, aquelas que emergem da narrativa e que permitem esclarecer dúvidas quanto às teorias e explicações que os contadores de histórias têm sobre si mesmos; são permitidas perguntas do tipo “por quê?” Fazer anotações imediatamente depois da entrevista.

Construir um protocolo de memórias da fala conclusiva.

Fonte: JOVCHELOVITCH, BAUER, 2015

Cabe destacar que as regras apresentadas devem ser tomadas como procedimentos para guiar e orientar o entrevistador com o intuito de garantir a espontaneidade do informante/sujeito ao narrar suas experiências, suas emoções, envolvidas na relação com as meninas/vítimas.

A narrativa oral produz dados textuais que reproduzem de forma completa o entrelaçamento dos acontecimentos e a sedimentação da experiência do portador da biografia (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2015). Ou seja, a elaboração interpretativa no ato de narrar expressa não apenas o curso “externo” dos acontecimentos, mas também as “reações internas” do portador da biografia. Nesse processo narrativo cumulativo, podemos destacar contextos maiores do curso da vida, posições de relevância e entroncamentos das experiências que não são conscientes para o próprio entrevistado. A construção de um texto narrativo, portanto, apresenta e explicita fatos ofuscados, ou até mesmo reprimidos; apresenta de forma continuada o processo social de desenvolvimento e mudança de uma identidade biográfica.

Para Jovchelovitch e Bauer (2015), a liberdade dada ao sujeito/informante de monitorar a própria fala se difere dos procedimentos utilizados em entrevistas semiestruturadas tradicionais, que já possuem uma pré-estrutura ordenada pelo entrevistador,

sendo, portanto uma versão menos imposta, pois o informante, ao utilizar sua própria linguagem espontânea, sob a sua perspectiva de mundo, revive parcialmente aquela experiência.

Cabe ainda esclarecer sobre o importante papel que o enredo assume na composição da estrutura narrativa. Segundo Shütze (2014), é ele quem define o espaço de tempo que marca o começo e o fim de uma história, que seleciona os acontecimentos que devem ser incluídos na narrativa e como estes são ordenados pelo autor da biografia. Assim, “decidir o que deve e o que não deve ser dito, e o que deve ser dito antes, são operações relacionadas ao sentido que o enredo dá à narrativa” (p.92). As narrativas não são desta forma, a simples soma de sentenças ou acontecimentos em uma sequência que vão se desdobrando até a conclusão da história, posto que compreender as narrativas significa, também, “reconhecer a sua dimensão não cronológica, expressa pelas funções e sentidos do enredo”(JOVCHELOVITCH; BAUER, 2015, p.93). E nessa perspectiva, o sentido nem sempre estará no fim do relato, mas permeará toda a história.

1.3 Análise dos dados