5. La educación patrimonial formal: análisis en los libros de texto de Educación
5.3 Libros de texto de 1º de ESO
5.3.3 Conclusiones referentes al patrimonio de las Baleares. 1º de ESO
atividades essenciais de regulação do equilíbrio psicossomático [...] Falhas no desenvolvimento ou experiências de vida desorganizadoras, traumáticas, comprometem a estrutura e o funcionamento do aparelho psíquico, de forma duradoura ou temporária. As deficiências estruturais ou funcionais do aparelho psíquico induzem à utilização pelo organismo de recursos mais rudimentares, da ordem da motricidade ou mesmo de reações orgânicas como tentativa de reequilibrar a energia do indivíduo.
Por esta razão, têm-se que a falha na mentalização leva o indivíduo a recorrer a vias mais primitivas para atingir sua satisfação libidinal ou pulsional. Primitivas no sentido de menos evoluídas, pois uma vez que o indivíduo for incapaz de elaborar tais excitações pela via psíquica, ele “prefere” descarregar no próprio corpo estas excitações, assim como um bebê que, por não possuir aparato nem físico nem psíquico para administrar suas exigências orgânicas, não consegue tolerá-las e acaba indo por um caminho do reflexo ou de reações involuntárias para atingir sua satisfação.
Não foi à toa que Marty (1998) desenvolveu sua teoria a respeito da falha nas mentalizações a partir das relações mãe-bebê no desenvolvimento infantil, atribuindo a esta falha como sendo um resultado de uma falha anterior na função materna. Ao afirmar que “as insuficiências básicas das representações encontram sua origem no início do desenvolvimento do sujeito”, ele aponta para alguns tipos de falha na relação mãe-criança e propõe uma série de condições que podem ocasionar esta falha: 1) um fator congênito de insuficiência ou um fator acidental das funções sensório-motoras da criança, que constituem bases perceptivas das representações (como dificuldades visuais, auditivas ou motoras); 2) incapacidade da mãe em exercer sua função, “[...] consideramos que uma mãe mais ou menos cega, por exemplo, não possa assegurar uma comunicação clássica com seu bebe ou sua criança” e; 3) condição apontada por ele como a mais frequente: uma carência ou “[...] uma desarmonia das respostas afetivas da mãe em relação a seu filho” (MARTY, 1998, p. 22).
Ao considerar a falha na função materna como o maior desencadeador de uma falha nas mentalizações, Marty (1998) salienta que a incapacidade da mãe em oferecer ao seu bebê os cuidados fundamentais é o que determina um desenvolvimento posterior de uma “doença psicossomática”. Assim, as excitações que outrora foram sentidas na infância, por não terem sido direcionadas a um objeto ou satisfeitas através dos cuidados maternos, são na idade adulta escoadas para o plano somático, ao invés do psíquico. Percebe-se que ao evidenciar o desvio inadequado de excitação, Marty, de certa forma baseou-se na teoria freudiana das “neuroses atuais”, em especial da neurose de angústia. Ao se utilizar do ponto de vista econômico para explicar as afecções psicossomáticas, ele nos diz que tal desordem na relação tensão-satisfação de libido se deve ao
traumatismo: “os traumatismos se definem pela quantidade de desorganização que produzem e não pela qualidade do acontecimento ou da situação que os produzem” (MARTY, 1998, p. 53).
No momento em que vincula a questão do traumatismo a um fator meramente econômico, no sentido de um transbordamento de libido pela via somática, Marty (1993) delimita a diferença entre as lesões psicossomáticas e o sintoma histérico. Ele nos diz que no sintoma não há um transbordamento de libido pela via somática, na medida em que as excitações que demandam descarga ao indivíduo se ligam às representações psíquicas e, portanto, são elaboradas e trazem consigo um sentido que, através da associação livre subsidiada pela transferência, pode ser decifrado e, portanto, interpretado.
No caso das afecções psicossomáticas, em detrimento do afeto sexual não ter passado por um processo de ligação no psiquismo, coloca os pacientes acometidos por estas afecções numa posição de inacessibilidade ao tratamento analítico. Confrontados com este fato, Marty e colaboradores da IPSO vislumbraram uma intervenção particular para atender casos desse tipo. Para eles, o analista deve assumir uma função de aára-excitação materna diante do paciente, no intuito de provocar uma redistribuição libidinal e uma possível ligação com as representações psíquicas (VOLICH, 2007).
Através das sugestões terapêuticas da IPSO, nota-se que suas proposições acabaram por ser um tanto desviadas da intervenção psicanalítica sugerida por Freud. Na atualidade, alguns psicanalistas, como Joyce McDougall e Christhophe Dejours, sedestacaram justamente por criticar a escola Francesa de Marty, formulando teorizações próprias sobre os fenômenos psicossomáticos. McDougall (2000) sugeriu o conceito de desafetação para falar do adoecimento somático. Para ela, o paciente acometido de uma desordem somática apresentaria uma defesa capaz de ejetar do psiquismo percepções, pensamentos e fantasias capazes de (res)suscitar afetos insuportáveis, relacionados a experiências traumáticas primitivas. Afirmou que o adoecimento somático, assim como o recalcamento, a denegação e negação, seriam formas de defesa do sujeito diante do insuportável para a consciência e não um processo de desorganização (como sugeria a escola francesa) A desafetação, fenômeno para ela em voga no adoecimento somático, ocorreria justamente para evitar a desorganização, como uma forma de restituição do indivíduo, como pontua:
O que significa para mim o termo “desafetado” que utilizo para ilustrar esse fenômeno? Uma pessoa se “desafeiçoa” de alguém ou de alguma coisa quando ela se desapega ou lhe retira sua afeição. Eu também fazia alusão a dois outros
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sugerir metaforicamente que determinado indivíduo está psiquicamente “separado” de suas emoções e pode ter “perdido” a capacidade de ficar em contato com as suas realidades psíquicas (MCDOUGALL, 2000, p. 104).
Segundo a autora, a desafetação se manifestaria para indicar um conflito psíquico não representado. O paciente, assim doente, demandaria um sentido através do corpo para aquilo que não pôde ser elaborado. A análise entraria nesse contexto justamente para que o paciente pudesse significar, através da linguagem, aquilo que ele não teve condições de representar.
Dejours, da mesma maneira que McDougall, questionou-se a respeito da relação entre o afeto e o adoecimento somático. O autor propôs que o mecanismo específico da somatização seria a repressão, que corresponderia a um processo consciente de afastamento de um afeto desagradável. A repressão, por sua vez, impossibilitaria o trabalho das pulsões as quais, por não encontrarem uma representação, atuariam diretamente no corpo do sujeito (CASETTO 2006).
De fato, diante de tantas elaborações sobre o dito “campo do saber da psicossomática”, é lícito alertar que “Freud nunca falou em psicossomática” (VALAS, 2004, p. 113). Isso quer dizer que tais formulações nesse campo de saber, apesar de se basearem em conceitos freudianos, acabaram ao mesmo tempo subvertendo o real objetivo da psicanálise; a exemplo dos estudiosos da medicina psicossomática que, ao partilharem de uma concepção biológica dos fenômenos psicossomáticos, esqueceram a particularidade de cada sujeito, criando perfis psicossomáticos para cada doença, o que não é nem nunca foi a proposta da psicanálise. O mesmo aconteceu com Groddeck que, ao querer psicologizar o adoecimento somático, acabou por reduzir o saber psicanalítico à simples relações de causa e efeito.
Já em relação à Escola Francesa de Psicossomática liderada por Marty, apesar de suas teorias terem sido baseadas numa considerável experiência clínica percebe-se, a partir da conceituação de pensamento operatório, uma nítida intenção de estipular uma nova estrutura clínica, o que, para Valas (2003, p. 116) “não deixa de ser uma categoria clínica estranha, forjada pelas necessidades da causa psicossomática, se considerarmos que no campo psicanalítico definem-se apenas três tipos de estruturas subjetivas diferentes: a neurose, a psicose e a perversão”.
Diante desse contexto, sem desconsiderar o que já foi produzido até aqui por estes autores, recorreremos, no capítulo 3, às raízes freudianas acerca das teorizações que envolvem o corpo, considerando a concepção de corpo para a psicanálise. Discutiremos o conceito de “neurose atual” em Freud e de falha epistemo-somática em Lacan, para assim iniciar a articulação dos fragmentos de
casos atendidos no contexto ambulatorial do hospital, ambiente em que se deu a pesquisa. Para tanto, no capítulo a seguir, abordaremos primeiramente a inserção da psicanálise do hospital, apresentando os casos de Elisa e Antônia.
3 O RESGATE DO SUJEITO NO HOSPITAL: IMPLICAÇÕES ACERCA DA INSERÇÃO DA PSICANÁLISE NA INSTITUIÇÃO DE SAÚDE
Quando a psicanálise penetra o âmbito hospitalar, ela esbarra justamente em um campo de saber dominante neste contexto: o saber médico. Este, baseado num discurso preciso e objetivante, acaba por colocar o sujeito em um lugar de submissão. No hospital, o sujeito deixa de ser ele mesmo e passa a ser um paciente, portador de uma doença e que precisa ser curado. Dessa maneira, coloca- se à disposição do médico na esperança de conseguir cura e bem-estar: é o que a medicina promete, salvar vidas, eliminar os sintomas. Por esta razão, a atitude de “não saber” não é sequer pensada pelos médicos, os quais se posicionam num lugar rígido, mirando resultados e se precavendo para qualquer tipo de dúvida ou incerteza: “Um processo, um trajeto sem surpresa, com prognóstico também sem surpresa, eis uma espécie de programa, em que curas surpreendentes, e fracassos impensáveis, também serão computados numa avaliação” (WARTEL, 1987/1990, p. 14).
A psicanálise, ao contrário, no momento em que parte de um não saber, chama o sujeito a ser porta-voz de seu sintoma, seja ele qual for. Segundo Martinho (2005, p. 185), “a idéia de que pode existir um saber do qual o ‘eu’ nada sabe, um saber não sujeito a controle” faz com que a psicanálise nem sempre seja bem-vinda à instituição. Ora, diante disso, como sustentar a posição da psicanálise na instituição hospitalar, num ambiente onde o discurso do mestre e da ciência se faz tão presente? Por outro lado, quem disse que no hospital não pode haver espaço para a subjetividade?
Para discutir esta questão, vale remontar Freud (1919 [1918]/1996), onde no artigo Sobre o ensino da psicanálise nas universidades já criticava a visão puramente organicista e positivista da medicina. Ao assinalar a relevância da inserção da psicanálise no currículo universitário dos médicos, vislumbrava uma certa “cegueira” por parte da medicina diante de aspectos, os quais, por fugirem do paradigma de ciência da época, acabavam sendo por eles negligenciado.s
Um desses aspectos girava em torno da supervalorização dada às disciplinas da física e da química no significado dos fatores mentais, assim como nas doenças e no seu tratamento. Este fato