As produções científicas relacionadas a Sequência Fedathi demonstram que embora essa proposta tenha sido concebida para o ensino da matemática, a sua utilização já atingiu outras áreas de conhecimento como mostram os seguintes trabalhos:
Biologia: Aplicabilidade da Sequência Fedathi no ensino da Biologia com o auxílio do computador. Autores: André Bocchetti, Hermínio Borges Neto, José Rogério Santana, Francisco Herbert Lima Vasconcelos e Dina Mara Pinheiro Dantas (2003).
Física: A utilização de software educativo aplicado ao ensino de física com o uso de modelagem. Autores: Francisco Herbert Lima Vasconcelos; Renné de Oliveira Carvalho; Mairton Cavalcante Romeu; José Rogério Santana e Hermínio Borges Neto (2005).
Materiais educacionais digitais: Um processo de desenvolvimento e aplicação de desenhos animados educativos apoiado na Sequência Fedathi. Autores: Elder M. Rodrigues; Henrique T. Reis; Matheus Ruzza; Rozana M. Menezes; Alex F. V. Machado; Daniel R. Pires e Esteban W. Clua (2008).
Televisão Digital: Interatividade e educação: os usos da metodologia pedagógica – Sequência Fedathi na televisão digital interativa. Autora: Rafaela Ponte Lisboa (2011).
Deste modo, convém ressaltar que devido à natureza deste trabalho e as experiências da autora, a descrição das etapas da Sequência Fedathi contemplarão o contexto da sala de aula com a abordagem do conteúdo matemático.
Inicialmente, convém destacar que a segunda e a terceira etapas revelam o diferencial frente à prática usual da maioria dos professores de matemática, na medida em que a participação mais ativa do aluno não corresponde a um simples “fazer”, como, por exemplo, resolver questões ou ler textos que possivelmente não serão discutidos posteriormente, focar a realização de uma atividade com um recurso didático digital na manipulação das ferramentas do programa em detrimento do conteúdo abordado, e sim a uma estimulação cognitiva focada na compreensão do objeto de estudo.
Na primeira etapa, chamada Tomada de Posição, o professor deverá apresentar aos alunos o problema que vai ser estudado. Embora, esse momento não seja novidade
no cotidiano da sala de aula, pois é comum que o professor apresente aos seus alunos a atividade que deverão desenvolver, é importante destacar que recomenda-se que: o problema esteja de acordo com as possibilidades de compreensão dos alunos naquele determinado momento, a apresentação tenha clareza e o contrato didático seja acordado. Quanto à natureza do problema proposto e a sua relação com os conhecimentos do aluno que irá desenvolvê-lo, para Souza (2010, p. 78) antes de apresentar o problema o professor deverá realizar um “diagnóstico” acerca dos pré-requisitos que os alunos necessitam ter referente ao saber que pretende ensinar. Esse diagnóstico deve munir o professor de elementos para a tomada de decisões durante a aula, na medida em que saber quais os conteúdos matemáticos que os alunos não compreendem auxilia a estruturação de intervenções nos momentos que eles apresentarem dificuldades.
A apresentação do problema não deve se restringir à simples leitura do enunciado ou das etapas do desenvolvimento de uma atividade, quando esta ação for insuficiente, pois se recomenda promover a compreensão do aluno quanto ao que está sendo pedido para que o mesmo não se desmotive e assim comprometa o desenvolvimento das demais etapas, e para tanto a utilização de material concreto, desenhos, textos, recursos digitais são alternativas razoáveis.
Em relação ao estabelecimento do contrato didático é importante que o professor esteja seguro quanto às regras que deverão ser acordadas com os alunos e as que necessitam ser impostas a eles devido à natureza da atividade a ser desenvolvida, pois caso contrário o objetivo da aula, ou seja, a aprendizagem pode ser comprometida.
Na maturação, a segunda etapa desta sequência, o aluno dispõe de um tempo em sala de aula para se debruçar sobre o problema proposto, individualmente ou em pequenos grupos, assim como foi estabelecido no contrato didático. (ANDRADE;BORGES NETO;BARROSO, 2009).
Nesse momento o aluno deve pensar sobre as estratégias que serão adotadas por ele para resolver o problema proposto, geralmente as primeiras dificuldades ocorrem quanto à identificação e organização dos dados presentes no enunciado do problema ou na estruturação dos passos para realizar uma determinada atividade.
Sugere-se que o professor intervenha na medida em que é solicitado ou quando sentir que esta solicitação não ocorreu por timidez ou desinteresse do aluno, motivando- o no processo de resolução. Este tempo deve ser permitir ao aluno testar suas hipóteses, discutir com seus companheiros, caso a atividade seja realizada em grupo, as opiniões de todos quanto à resolução do problema, e o professor deve aproveitar este momento
para observar as estratégias utilizadas pelos alunos com o objetivo de discuti-las posteriormente.
Compreende-se que a disponibilização de tempo para o aluno utilizar as suas estratégias de resolução e elaborar uma solução não é uma atitude corriqueira no cotidiano da sala de aula, incidindo na “confortável” apresentação e resolução do problema pelo professor e na cópia desta pelo aluno, assim quanto aos questionamentos deles, que possivelmente seguirão um viés imediatista, ou seja, uma ávida busca pela chamada “resposta pronta”, como por exemplo: “Qual é a fórmula?”, “Eu posso resolver sem fazer cálculo?”, “A resposta é parecida com essa?”, sugere-se que o professor tenha cuidado para não adiantar a solução do problema e comprometer a experimentação e reflexão que devem ser realizadas pelo aluno.
Recomenda-se ainda que o professor proponha, quando oportuno, novos questionamentos ao invés de respostas, como por exemplo: “O que está sendo solicitado no problema?”, “Em que ajuda esse cálculo?”, “Por que você fez dessa forma?”, “Será que já discutimos uma situação semelhante em sala?”.
A terceira etapa, denominada solução, revela significativa diferença quanto à habitual postura docente, possivelmente provoque mais estranhamento para professor e alunos do que a etapa anterior. Neste momento, eles são convidados a realizarem duas ações: expor suas resoluções e discuti-las com os outros alunos e o professor.
Esse estranhamento inicial é considerado natural, pois o aluno está expondo o seu raciocínio perante os colegas e o professor, todo o conhecimento ou a falta dele é assim revelado, e o medo de que seja constrangido dependendo da sua atuação é plausível. Afinal, o erro é sempre um indício de fracasso, pois é visto como resultado e não integrante do processo de aprendizagem. Deste modo, o respeito à opinião alheia deve ser cultivado entre todos sob pena de comprometer o exercício e o aperfeiçoamento da habilidade de expressão do aluno.
As maneiras de apresentação devem ser acordadas entre professor e alunos, devido à diversidade de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula, convém ressaltar que o professor deve incentivar o aluno a se expressar, contudo há um limite próprio de cada um e que deve ser respeitado. Caso a exposição ocorra no quadro branco, o momento se torna ainda mais singular, na medida em que o pincel e o quadro são instrumentos utilizados tradicionalmente apenas pelo professor.
A discussão é um momento de interação entre professor e alunos, e embora seja o docente responsável pela mediação, sugere-se que os alunos sejam estimulados a
assumirem um papel ativo, revendo seus resultados na medida em que opina sobre os resultados expostos pelos colegas.
A última fase denomina-se “prova”, nesta etapa a solução do problema é sistematizada pelo professor, mas não é vetado a este solicitar a participação dos alunos no momento em que julgar oportuno. Sugere-se que a sistematização seja construída com base nas soluções já formalizadas na fase anterior. Na área da matemática, esta etapa geralmente corresponde às demonstrações devidamente formalizadas de um problema.
O tempo disponibilizado para a realização dessas etapas, possivelmente é bem maior que o estimado pelo professor, quando este se restringe a apresentar um problema e resolvê-lo em seguida, assim o importante é que o aluno realize atividades sob uma mediação pedagógica que lhe oportunize condições de desenvolver autonomia na construção do seu conhecimento.
Neste trabalho, a mediação pedagógica, baseada na Sequência Fedathi, ocorrerá em um ambiente virtual, assim o próximo capítulo discutirá alguns aspectos envolvidos na utilização de tecnologias da informação e comunicação na sociedade e no ensino.
3. QUESTIONANDO E REFLETINDO SOBRE AS TECNOLOGIAS DA