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Existiram várias razões para a escolha deste domínio. A primeira tem a ver com a importância do chamado cluster do mar, e todas as atividades com ele relacionadas, para a economia portuguesa e europeia. Neste contexto, as pescas, e neste caso concreto, a aquacultura, surgem como uma dos principais atividade de desenvolvimento em Portugal no contexto da chamada economia do mar e um dos principais vetores geradores de crescimento económico. Como refere o documento sobre a «Estratégia

Nacional para o MAR 2013-2020»22, ENMAR, aprovado em Conselho de Ministros e publicado pela Direção Geral do Política do Mar (DGPM):

«O Crescimento Azul identifica cinco domínios estratégicos de intervenção preferencial, designadamente a energia azul, a aquicultura, o turismo marítimo, costeiro e de cruzeiros, os recursos minerais marinhos e a biotecnologia azul. Atualmente, na economia europeia, os setores de atividade referentes aos recursos vivos e não vivos, bem como a outros usos e atividades, embora em estádios díspares de desenvolvimento, têm um peso significativo, estimando-se uma contribuição anual para o valor acrescentado bruto de, pelo menos, 500 000 000 000 euros, e a manutenção de cerca de 5 600 000 de postos de trabalho».

A ENMAR assume assim como eixo de desenvolvimento, entre outras vertentes, a exploração dos recursos marinhos vivos ao «reforçar o potencial económico do mar,

aumentar o Produto Interno Bruto e reforçar a capacidade científica e tecnológica nacional». Mais especificamente, o Plano Estratégico para a Aquicultura Portuguesa (Direção Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, 2013) estabelece como primeira estratégia «o fomento desta atividade em linha com o crescimento do consumo», tendo em vista equilibrar a produção com as necessidades de consumo. Mais ainda, visa responder às preocupações da União Europeia relacionadas com diferença existente entre o elevado consumo de produtos do mar e o insuficiente volume da produção comunitária, o qual tem vindo a ser colmatado através de importações realizadas a países terceiros. De acordo com este documento:

«Portugal, tendo condições naturais que, apesar de algumas limitações, são adequadas ao desenvolvimento desta atividade e, dominando a tecnologia de produção em espécies suscetíveis de virem a ocupar importantes nichos de mercado, considera prioritário o desenvolvimento do setor aquícola nacional, como via para a satisfação da procura de pescado, assegurando a manutenção

22 Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020 in Direção Geral de Política do Mar. Disponível em linha em: https://www.dgpm.mm.gov.pt/enm, [acedido em 1/11/2017]

de uma fileira produtiva que proporciona o aumento da riqueza nacional, promove o emprego e contribui para reduzir a pressão sobre os recursos pesqueiros.» (p.33)

Desta forma, o Plano Estratégico para a Aquicultura Portuguesa define sumariamente os seus objetivos como:

«Aumentar e diversificar a oferta de produtos da aquicultura nacional, tendo por base princípios de sustentabilidade, qualidade e segurança alimentar, para satisfazer as necessidades de consumo e contribuir para o desenvolvimento local e para o fomento do emprego»

Trata-se assim de uma área estratégica a nível nacional, de crescente importância e onde têm vindo a surgir novas tecnologias, não só relacionadas com metodologias de produção, como em relação à procura de novas espécies e as questões ambientais. Porém, os atuais volumes de produção ainda estão longe de conseguirem contribuir de forma relevante para o abastecimento de pescado e de complementar assim o abastecimento proveniente da pesca.

Tendo em consideração a evolução recente e futuramente prevista da atividade, a aquacultura proporciona um terreno potencialmente fértil para a terminologia. Trata-se de um subdomínio multifacetado que inclui várias áreas técnicas, tecnológicas e científicas. Estas diferentes vertentes abordam problemáticas diversas visando superar os constrangimentos inerentes à própria atividade, procurando, na sua vertente I&D resolvê-los e melhorar o desempenho dos diversos sistemas. Desta forma, as várias áreas desta atividade podem englobar:

 Metodologias de produção: técnicas de cultivo tradicionais, recentes (como culturas em mar aberto, culturas de algas) e técnicas que face a desenvolvimento da atividade têm vindo a ser reutilizadas (sistemas multitróficos integrados);  Biologia e genética: estudo das espécies cultivadas, estudo de novas espécies,

melhoramentos genéticos;

 Nutrição: estudos sobre rações, cadeia alimentar;  Sanidade: patologia, higiene, segurança alimentar;

 Processamento e comercialização;

 Ambiente: questões ambientais, sustentabilidade;  Legislação e questões laborais;

Grande parte do desenvolvimento da aquacultura portuguesa tem surgido graças a centros de investigação e de desenvolvimento, cuja investigação tem vindo a ser paulatinamente transferida para o setor privado. Neste contexto, a Universidade do Algarve, através dos seus centros de investigação e/ou os seus parceiros a nível regional (entidades públicas e privadas), está especialmente bem posicionada, em particular graças ao Centro de Ciências do Mar (CCMAR), cuja excelência é reconhecida internacionalmente. O trabalho de investigação deste centro abrange várias áreas das ciências e tecnologias marinhas, com uma forte componente de pesquisa em campos experimentais, apostando fortemente na formação pós-graduada. As atividades I&D e de formação têm sido aplicadas no desenvolvimento da aquacultura e biotecnologias.

O CCMAR está organizado em duas divisões de investigação: Biotecnologia e Aquacultura e Recursos Vivos. A Divisão de Biotecnologia e Aquacultura centra a sua atividade em aspetos relacionados com a investigação básica e aplicada em espécies relevantes para a aquacultura, ou em modelos marinhos com relevância em biomedicina e biotecnologia. A Divisão de Recursos Vivos promove a gestão de recursos ao nível da biologia, ecologia e dinâmica de populações comercialmente importantes, desenvolvendo também estudos acerca do impacto da pesca nos recursos vivos não explorados. O centro conta com cerca de 200 pessoas na sua equipa, 80 das quais com um doutoramento, tendo produzido, mais de 550 artigos peer-reviewed em revistas científicas de referência só nos últimos cinco anos, sem contar com teses, relatórios e outra documentação.

Parte-se assim do princípio que a produção científica deste centro tem um volume e qualidade suficientes para fornecer os textos para a constituição de um corpus de extração, uma vez que se pretende que este apresente uma tipologia de natureza técnica e científica, isto é, que tenha por base a produção técnica e científica gerada por especialistas da área, sejam eles investigadores, técnicos ou profissionais.