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A informação que o tradutor tem de pesquisar pode ter natureza distinta, uma vez que nem toda a informação necessária é exclusivamente de natureza terminológica. Segundo Cabré (1999), o tradutor normalmente tem de superar três obstáculos: conhecer a matéria que traduz (conceptualização da realidade, estrutura interna, dimensões concetuais e relações entre os conceitos), conhecer as unidades terminológicas e fraseológicas e conhecer o índice de variação conceptual das unidades terminológicas de forma a adaptar a tradução à situação. Ainda segundo Cabré, o tradutor, como terminólogo pontual, tem quatro possibilidades de fontes de informação no momento em que efetua uma pesquisa:

a) Fontes gramaticais e discursivas – por exemplo, as gramáticas, os prontuários ortográficos e os livros de estilo das línguas de trabalho;

b) Fontes lexicográficas – neste caso encontram-se os dicionários gerais monolingues e bilingues;

c) Fontes terminológicas –recursos que apresentam informação sobre unidades terminológicas e fraseológicas da área de trabalho; como exemplos, os glossários, dicionários especializados, glossários, corpora de especialidade, bases de dados terminológicas, bases de conhecimento terminológicas; d) Fontes especializadas – constituídas por textos produzidos pelos especialistas

da área de trabalho que permitem ao tradutor obter informação de contexto sobre o texto de partida; é o caso das monografias, manuais, materiais do cliente, artigos técnicos ou teses.

Esta informação pode então ser de natureza puramente linguística, por exemplo, uma questão de sintaxe ou uma dúvida de vocabulário. Neste caso, irão utilizar-se recursos gramaticais e lexicais onde a informação de especialidade ou não consta ou está reduzida a um mínimo. Recorre-se então a fontes de informação como as gramáticas e/ou os dicionários. As dúvidas no plano linguístico podem também estar associadas a convenções próprias da língua de chegada. Um caso muito comum é a utilização de sinais de pontuação, como os dois pontos e o ponto e vírgula em línguas de chegada e culturas distintas. Nesta situação, os livros de estilo e os prontuários ortográficos são os recursos utilizados.

Ainda no plano linguístico, frequentemente há necessidade de confirmar o significado de uma palavra nova, a sua categoria gramatical ou o seu equivalente na língua de chegada. Surgem então novamente os dicionários e os tesauros. Os dicionários são obras de consulta cuja informação está centrada na palavra e está ordenada alfabeticamente. Cada entrada corresponde a um só lema e permite, a partir da palavra, conhecer o seu significado, ou o seu equivalente na língua de chegada. Possui, portanto, uma organização semasiológica. Os tesauros, por seu turno, têm uma arquitetura conceptual, partindo do significado para chegar à palavra, apresentando assim uma organização onomasiológica (Kozlova, 2005). O relatório elaborado pelo projeto POINTER23 explicita também esta diferença:

«A quick analogy may serve to make the difference between the different types of resources clear: thesauri can be likened to the tools used to find knowledge, while dictionaries and glossaries are the keys to understanding it. Dictionaries and terminology resources contain similar items of data, but these are presented and organised in different ways as a result of the different methods employed in lexicography and terminography respectively»

Entre estas tipologias de recursos linguísticos, surgem as enciclopédias, como o caso da Enciclopédia Britânica24. Estes recursos, apesar de possuírem um acesso por ordem alfabética, têm objetivos temáticos, com a informação organizada por áreas, que as aproxima da abordagem onomasiológica (Kozlova, 2005). Muitos destes recursos estão disponíveis em linha, por vezes de forma gratuita (como o dicionário da Priberam), ou paga (de forma parcial ou total), como seja o caso do dicionário da Porto Editora.

No entanto, é necessário informação mais especializada, de natureza técnica e conceptual, ou seja, de informação terminológica, que esclareça dúvidas não só sobre a componente linguística de um termo (por exemplo, sobre o equivalente na língua de

23 Terminological resources in Pointer Final Report. Disponível em linha em:

http://www.computing.surrey.ac.uk/ai/pointer/report/section4.html [acedido em 12/03/2016] 24 Encyclopaedia Britannica. Disponível em linha em: https://www.britannica.com/ [acedido em

partida e de chegada), mas também sobre o conceito designado pelo termo, a forma como se relaciona com outros termos dentro do texto e a forma como se comporta dentro do próprio texto de especialidade. Então, podem enumerar-se várias tipologias de recursos onde é possível encontrar esta informação de especialidade, organizada de forma semasiológica (partindo da denominação) ou onomasiológica (partindo do conceito). Contam-se entre estes recursos os glossários, os dicionários especializados e as bases terminológicas e redes concetuais. Estas tipologias serão abordadas de forma mais detalhada no ponto 3.2.

Voltando à tradução, os tradutores também podem recorrer a fontes especializadas, constituídas por textos elaborados pelos especialistas da área. Este caso refere-se a publicações e revistas técnicas e científicas, relatórios e outra documentação técnica, teses, manuais e compêndios, entre outros. No entanto, estes textos, não foram pensados para o tradutor nem para o linguista e não apresentam a informação organizada de forma a permitirem uma pesquisa rápida e eficaz. Não obstante, os tradutores utilizam recorrentemente estes textos de especialidade para confirmarem o uso de um termo, ou do seu equivalente, dentro de um determinado contexto, ou para obterem mais informação conceptual. São assim muito úteis para se entender o comportamento da unidade terminológica dentro do discurso de especialidade quando os recursos terminológicos são escassos ou insuficientes. Para os terminólogos, esta tipologia de textos serve igualmente como base para a elaboração de corpora de especialidade de onde é possível, para além de outros recursos (por exemplo, memórias de tradução), extrair a terminologia necessária para elaborar produtos terminográficos (glossários, léxicos e BDT/BCT) utilizados a jusante pelo tradutor.