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Part 2: Scientific article

7. Conclusion

Este tópico se baseia na pesquisa da Paep de 2001, segundo FAPESP (2005). Dados sobre as relações entre a difusão das tecnologias de informação e comunicação e as condições de contratação no mercado de trabalho foram abordados. Os Gráficos de 1 a 3 possuem a finalidade de demonstrar que é o setor de serviços o que atualmente movimenta mais o mercado de trabalho. Os dados numéricos dos Gráficos encontram-se no Anexo do presente trabalho.

O Gráfico 1 representa o porcentual de empresas que exigem conhecimento em informática como característica fundamental para contratação do pessoal.

A existência de conhecimento em informática é elevada, sobretudo para os indivíduos com qualificação a partir do ensino médio e em níveis semelhantes tanto na indústria quanto no comércio.

Gráfico 1: Porcentual de empresas que exigem conhecimento em informática como requisito de

contratação, por setor e tipo de ocupação – Estado de São Paulo, 2001

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

As pessoas ligadas ou não à atividade principal possuem a partir do ensino médio, maior conhecimento acerca das tecnologias utilizadas em suas atividades profissionais.

Pessoal ligado à atividade principal

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

Semiqualificado Qualificado Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

Gráfico 1a: Porcentual de empresas que exigem conhecimento em informática como requisito de contratação, por setor e tipo de ocupação (Estado de São Paulo, 2001).

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

Fazendo análise do Gráfico 1a, pode-se perceber que a exigência no conhecimento em informática é maior para qualificação de nível médio e de nível superior, passando dos 80% . Já para o pessoal ligado à serviços auxiliares e básicos, o índice é pouco maior do que 65%. Ou seja, índices bem elevados que caracterizam o desenvolvimento do setor na economia do trabalho. Os gráficos demonstram, portanto, que o nível de qualificação do indivíduo é fundamental para realizar trabalhos que necessitam do conhecimento em informática, ligados ou não à ocupação principal para a qual foram contratados.

Já a falta de conhecimento em informática fica com média muito baixa em todos os setores e graus de qualificação e formação educacional.

Pessoal não-ligado à atividade principal

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Auxiliares e básicas Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

Gráfico 2: Porcentual de empresas que indicam falta de conhecimento em informática como fator prejudicial ao trabalho, por setor e tipo de ocupação (Estado de São Paulo, 2001).

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

O maior índice de falta de conhecimento em informática para o pessoal ligado à atividade principal fica com os indivíduos que possuem nível médio, correspondendo um pouco mais de 15% no setor de serviços. Considerando os indivíduos que não desempenham atividades relacionadas à função principal, o índice é maior para aqueles que desempenham atividades auxiliares básicas, com representatividade no setor de serviços de quase 20%, conforme demonstrado no Gráfico 2a .

Pessoal ligado à atividade principal

0 5 10 15 20 25

Semiqualificado Qualificado Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

Gráfico 2a: Porcentual de empresas que indicam falta de conhecimento em informática como fator prejudicial ao trabalho, por setor e tipo de ocupação (Estado de São Paulo, 2001).

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

Com relação ao treinamento em informática para os funcionários, há percepção da importância das tecnologias de informação e comunicação, confirmada pela proporção relativamente baixa das empresas. Porém, o setor de serviços parece ser o que oferece treinamento em informática de forma mais sistemática.

Pessoal não-ligado à atividade principal

0 5 10 15 20 25

Auxiliares e básicas Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

Gráfico 3: Porcentual de empresas que oferecem treinamento em informática aos funcionários,

por setor e tipo de ocupação (Estado de São Paulo, 2001).

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

Para todos os tipos de ocupação, ligados ou não à atividade principal, os maiores índices ficam com o pessoal de nível superior, mais de 45% ligados à atividade principal e mais de 45% para técnicos de nível médio que não desempenham atividades ligadas à principal função para a qual foram contratados.

Pessoal ligado à atividade principal

0 10 20 30 40 50 60

Semiqualificado Qualificado Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

Gráfico 3a: Porcentual de empresas que oferecem treinamento em informática aos funcionários,

por setor e tipo de ocupação (Estado de São Paulo, 2001).

* Dados sobre o setor de serviços e indústria referem-se às unidades locais com mais de 20 pessoas ocupadas.

** Os dados são referentes às empresas com mais de 5 pessoas ocupadas. Fonte: FAPESP (2005).

Esses dados evidenciam, que o uso de tecnologias de informação e comunicação, sendo de maior expressão o uso da Internet, como ferramenta modifica sensivelmente o perfil dos trabalhadores, exigindo maiores habilidades, capacitação, flexibilidade e conhecimentos não somente a respeito de sua função principal mas para o contexto estrutural que o trabalho envolve.

Segundo Marcondes (1997, p.60), “[...] ganha importância o trabalho informacional, criando novas perspectivas para os profissionais [...]”. Essa citação é particularmente referente ao perfil do bibliotecário, o qual vem sofrendo mudanças acerca da introdução de tecnologias de informação e comunicação no processo da prestação de serviços a usuários de bibliotecas e centros de documentação.

O Capítulo 3 tem por objetivo introduzir na presente pesquisa o universo das bibliotecas. Ele tratará com especificidade das bibliotecas dentro do serviço público e como o uso das

Pessoal não-ligado à atividade principal

0 10 20 30 40 50 60

Auxiliares e básicas Técnico de nível médio

Ocupações de nível superior

Tipo de ocupação %

tecnologias de informação e comunicação vem transformando o ambiente, o trabalho e o trabalhador.

3 ORGANIZAÇÕES DO SERVIÇO PÚBLICO

Comparadas as outras empresas, as organizações públicas apresentam maior dificuldade em adotar novas práticas de trabalho. Principalmente, aquelas decorrentes do emprego das novas tecnologias de informação.

As organizações públicas federais mantêm as mesmas características básicas das demais organizações, acrescidas de especificidades que são atribuídas ao ambiente histórico e social em que é praticada.

Segundo Silva Neto (2001), alguns pontos no processo evolutivo da administração pública no Brasil devem ser considerados, pois durante a história da administração pública diversos movimentos de mudanças ocorreram.

A seguir a cronologia:

1937 - Período Republicano: criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), órgão com atribuição, entre outras, de realizar estudos visando a determinar as mudanças necessárias à gestão pública, segundo critérios de economia e eficiência. Segundo o autor, o DASP modernizou a administração pública nas áreas de recursos humanos (carreira, seleção e acesso por mérito), administração de materiais, organização e métodos e execução orçamentária, a sua doutrina foi influenciada por diversos pensamentos, como os de Weber e Taylor.

1939 – Estatuto dos Funcionários Públicos: no campo da administração de pessoal, o esforço do DASP concentrou-se principalmente na universalização do sistema de mérito. O Estatuto estabelecia, entre outros, o ingresso em cargos públicos por concurso, o aperfeiçoamento do sistema de assistência social e previdência do servidor e mantinha o sistema de apuração objetiva do merecimento para fins de promoção e acesso. Como principal característica desse período da administração pública aponta-se o caráter centralizador e autocrático do DASP. Foi o órgão pioneiro de modernização do serviço público.

1952 – o governo veio a preocupar-se com o tema reforma administrativa. Nesse mesmo ano vieram as primeiras medidas de descentralização e desburocratização.

1967 – com o Decreto-Lei nº 200, tais medidas foram efetivamente estabelecidas, prevendo a ampla descentralização da administração pública a ser levada a efeito em três níveis:

1. entre os órgãos da própria administração federal; 2. da administração federal para a iniciativa privada; 3. da administração federal para os governos estaduais e municipais.

Pelo Decreto-Lei nº 200 foi constituído um conjunto de princípios e práticas dirigidas à modernização, tais como a sistematização, a coordenação, o controle, a racionalidade administrativa e a descentralização. Entretanto, não se conseguiu alterar de forma consistente a estrutura e o modo de funcionamento da administração federal. Funcionamento que se mantém, em grande parte, segundo os moldes da organização mecanicista e burocrática.

De modo geral as organizações apresentam grande quantidade de elementos a ser considerados para análise ou a escolha do desenho organizacional. As organizações públicas possuem, ainda, outras características peculiares, que individualizam o estudo e os procedimentos tomados em relação a elas.

Segundo a realidade brasileira, o desenho organizacional público é clássico, com formas bastante complexas e vários níveis hierárquicos. As estruturas são altamente estáveis, resistindo de forma generalizada à mudança de práticas. A cultura dessas organizações e seu desenho organizacional pode ser decomposto nas estruturas formal e informal.

A estrutura formal é representada pelo organograma clássico, segundo um modelo que coloca as relações estáveis, entre as tarefas e as unidades de trabalho, como o fator mais importante da organização. A estrutura ou o desenho organizacional define a forma da organização como o esqueleto, define a forma humana. Por meio dela é determinada a divisão de suas atividades e mostrada como as diferentes funções estão relacionadas.

Pelo menos quatro elementos definem o tipo de estrutura dessas organizações: 1. Complexidade: relacionada à quantidade de níveis horizontais, verticais e espaciais que existem na organização.

2. Formalização: referente ao grau em que a organização confia em regras e procedimentos para dirigir o comportamento de seus funcionários.

3. Centralização: corresponde à localização da tomada de decisão e como está disposta a hierarquia dentro dela.

4. Tamanho: envolve os aspectos de recursos humanos e físicos.

Por outro lado, os elementos da estrutura formal só podem ser analisados levando- se em consideração a existência, também, da estrutura informal da organização. A estrutura formal é caracterizada pela complexidade, pela formalização, pela centralização e pelo tamanho.

Já a estrutura informal, é decorrente das necessidades pessoais e grupais dos seus integrantes. As duas estruturas, a formal e a informal, interagem influenciando o desenho organizacional e o desenho de tecnologia, de modo a integrá-los e moldando os padrões do comportamento organizacional.

Observa-se, também, que nas organizações hierarquicamente organizadas, aspectos como comportamento da liderança, objetivos a serem alcançados e o comprometimento dos seus integrantes estão fortemente relacionados à estrutura informal. Daí, esses aspectos, além dos fatores ambientais, exercerem grande influência sobre o comportamento da organização, juntamente com aqueles relacionados à estrutura formal e à distribuição de poder.