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CONCLUSION

In document Risk arbitrage in the Nordics (sider 44-47)

Pelo fato de a Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas ter como ponto central a noção - a qual é anterior às categorias gramaticais, preenchendo um grau zero de categorização - determina que as categorias nome e verbo, assim como quaisquer outras, sejam, conforme Rezende (2001, p. 107), “[...] resultado de construções nas quais noções lexicais e noções gramaticais se articulam diferentemente para um caso (nome) e para outro (verbo).”

Da mesma forma, as noções se articulam diferentemente no caso do processo de construção dos valores - nominal, verbal ou misto - para as subclasses de substantivos, tenham sido eles classificados pelas gramáticas como abstratos e concretos. Essas classificações estabelecidas de forma binária (seja na questão da nominalização, seja da classe dos substantivos) não suportam os diferentes fenômenos e operações dinâmicas de linguagem que atuam sobre a língua, proporcionando diferentes processos de construção classificatória, os quais resultam em classificações divergentes do esperado por essas gramáticas91.

Em relação à TOPE, que não se preocupa com categorização ou classificações gramaticais, como poder-se-ia definir as características ou operações e marcas, melhor dizendo, de um termo substantivo? Em Rezende (2001, p.108) tem-se que um termo é substantivo

[...] a partir da presença de algumas marcas também conhecidas como morfossintáticas, mas que para nós, outra vez resultam de operações enunciativas. Essas marcas estão anexadas à noção em forma de sufixos flexionais, tais como os determinantes (artigos, numerais, pronomes possessivos, demonstrativos, etc.). O papel dessas marcas é transferir à noção as propriedades de definitude, unicidade e estabilidade.

91 Desse modo, algumas gramáticas normativas e/ou descritivas, a fim de dar conta dessa

instabilidade de classificação proporcionada pelas operações de linguagem, propõem saídas como fenômenos de flutuação de termos, bem como deslizamento de classes, ou ainda, apresentam a possibilidade de um mesmo termo poder ser encaixado em duas classes diferentes devido ao contexto sintagmático e à função gramatical exercida. Todos esses fenômenos foram citados no capítulo sobre o percurso dos nomes nas gramáticas.

Deve-se ressaltar a passagem em que Rezende (2001) questiona os nomes abstrato e concreto na discussão acerca da nominalização e algumas construções nominais. Essa menção ocorre quando a autora problematiza (na discussão nominalização) algumas construções gramaticais conhecidas como adjuntos e complementos nominais. De fato, os nomes abstrato e concreto são utilizados como um critério para as (des)construções nominais N de N consideradas ambíguas e, a partir dessa consideração, a autora apresenta uma série de questionamentos e operações sobre a construção desses valores, os quais perpassam a relação de nominalização.

A autora afirma que os valores polarizados abstrato e concreto, valores que são inadequados para a TOPE, são resultados “[...] de um processo de categorização efetuado pela linguagem (forma) em uma cultura (empírico)” (REZENDE, 2001, p. 249), oferecendo valores fixos por não trabalhar com “[...] a existência de um processo dinâmico que sustenta tais valores estáveis e outros tanto valores menos perceptíveis” (REZENDE, 2001, p. 249).

Citando mais uma vez Rezende (2001), especificamente em relação à ambiguidade e confusão entre o formal e o empírico no caso de substantivos abstratos e concretos a autora afirma que “[...] a gramática confunde mecanismos de forma e o empírico (experiência de mundo) [...]”(REZENDE, 2001, p. 256) quando, por exemplo, opõe termos como livro (considerado concreto pela gramática tradicional) e invasão (abstrato), pois “[...]está mesmo pensando na existência visível e palpável de um e na invisibilidade do outro no mundo”(REZENDE, 2001, p. 256)

Como já mencionado anteriormente, foi na Antiguidade o primeiro momento em que se declarou que a função da classe dos nomes era designar/nomear as coisas do mundo, estabelecendo relação com a estrutura do pensamento. Deve-se lembrar que à época, se pretendia analisar a relação homem-mundo, tendo a visão da estrutura língua como correspondência da estrutura da organização do mundo, tal ponto de vista, perpassou gramáticas latinas da Idade média , depois no renascimento como Port-Royal, a qual fez com que a visão de designação de coisas palpáveis, que tivessem existência por si só, se perpetuassem nas gramáticas modernas.

Entretanto, para TOPE é fundamental não se fazer essa confusão entre o formal e o empírico, como diz Rezende (2001, p.256)

[...] quando explicitamos mecanismos de forma e tentamos articular o formal e o empírico, e não confundi-los, um posicionamento se faz necessário: Para linguagem, enquanto atividade de construção de representações, nenhum objeto existe no mundo, todos os objetos são construções simbólicas e os processos de abstração imperam.

A fim de demonstrar como ocorre essa confusão entre o formal e o empírico, bem como ter a possibilidade de destituir as propriedades polarizadas das gramáticas tradicionais do que seria um substantivo concreto e/ou abstrato, serão relacionados abaixo exemplos sobre as construções ambíguas N de N de Rezende (2001, p.256, grifos da autora) utilizando justamente o critério concreto e abstrato92.Esses exemplos são ilustrações de como se pretende conduzir a análise de dados no capitulo 04.

(1) O livro de Pedro (concreto)

(2) A foto de Cathérine Deneuve. (concreto)

(3) A invasão da cidade. (abstrato)

(4) A foto de Sebastião Salgado. (abstrato)

Os exemplos acima estão classificados de acordo com as gramáticas tradicionais, sendo as construções N de N de (1) e (2) consideradas por essas CN (complemento nominal), que por consequência, o termo em itálico seria um substantivo concreto. Os N de N dos exemplos (3) e (4), por sua vez, são normalmente classificados como AA (adjunto adnominais) tendo o primeiro termo do fragmento, a classificação de substantivo abstrato.

Para demonstrar que existem diferentes marcas morfossintáticas que podem desestabilizar as classificações acima, consideradas prontas e estabilizadas, Rezende (2001) faz manipulações desses fragmentos, acrescentando marcas de aspecto e modo, as quais apontam outro processo de construção de representações. Marcas como asserção negativa; marca de imperfeito, ou seja, de processo ou estado incompletos com a ideia de vir a ser; marca de plural; ausência de determinante, em suma, modificando o contexto encaixante dos fragmentos N de

N. As manipulações ficaram da seguinte forma:

(A) O livro de Pedro não existe.

(B) Livros costumam ser bons presentes.

92 Deve-se aqui informar que o critério concreto e abstrato é o segundo critério adotado pela autora,

pois antes deste foi analisado o critério agente-paciente para desambiguizar a estrutura N de N de construções CN (complemento nominal) e AA (adjunto adnominal). Rezende afirma que nenhum desses critérios para desambiguização tem consistência.

(C) O livro que vou te dar de presente ainda não foi escrito.

(D) A foto de Cathérine Deneuve será tirada o mês que vem.

(REZENDE, 2001, p.256)

Ao se refletir sobre os exemplos acima, a partir das características da nominalização, nota-se que os exemplos (1) e (2), manipulados em (A), (B), (C) e (D) demonstram uma orientação preponderante predicativa, pois, como afirma Rezende (2001), apresentam dificuldades de se alcançar estados resultantes ou representações estabilizadas.

Vê-se em (A) que o contexto encaixante posterior ao fragmento N de N apresenta uma assertiva negativa não existe, a qual aponta para um estado ou ação incompleta. Ao comparar esse mesmo fragmento ao exemplo (1), nota-se que a forma de representação do termo é diferente, pois não há somente um fragmento isolado, mas sim, um contexto que o segue.

No exemplo (B) foi apagada a marca do determinante que precedia o termo

livro em (1), mas por outro lado, foi acrescentada a marca de plural, indicando uma

generalização, ou seja, não se refere mais a um único livro, mas a “todo e qualquer livro” tem a potencialidade de ser um bom presente. Além dessa marca, existe a marca modal costumam ser, demonstrando certa dúvida no caráter assertivo do enunciado. Da mesma forma, causando instabilidade de representação como em (A), pois não há um ponto fixo em tempo ou espaço.

O exemplo (C) demonstra a modalidade ainda não, apontando para um processo ou estado incompleto, tendo como contexto encaixante que precede o fragmento N de N a asserção negativa existente em (A), “o livro não existe”. Desse modo, ao elencar todas essas características, pode-se dizer que há uma orientação predicativa do fragmento N de N desse enunciado, na medida em que não se pode fixar a representação em nenhum ponto fixo de espaço e do tempo.

Para o exemplo (D), pode-se afirmar que a marca de futuro da expressão verbal será tirada, apresenta um processo ou estado incompleto com a ideia do que há por vir. Da mesma forma constatada nos exemplos anteriores, essas marcas orientam uma função predicativa do fragmento N de N.

Assim sendo, pode-se afirmar que esses exemplos desconstroem a unicidade e a estabilidade de representação dos fragmentos, passando a ter um caráter de nominalização predicativa nos termos livro e foto de (A), (B), (C) e (D). Retomando o que Rezende (2001, p.261) afirma sobre o caráter instável de representação desses

exemplos, pode-se dizer que “[...] se não há finalização, estados resultantes e representações estáveis, as marcas aspecto modais vão indicar trajetórias instáveis e dificuldades na construção da representação”.

Em relação aos exemplos (3) e (4) 93 considerados fragmentos que contêm, pela gramática tradicional, termos abstratos, Rezende (2001, p.256) apresenta as duas manipulações abaixo com o propósito de desconstruir essa classificação.

(E) A invasão da cidade pelos mosquitos atrapalhou os moradores.

(F) A foto de Sebastião Salgado foi vendida por 100 reais.

No exemplo (E) existe uma orientação de construção de N de N com características predicativas para uma nominalização nominal, pois, como afirma a autora, na medida em que apresentam estados resultantes, exibem representações estáveis, no caso desse exemplo, caracterizadas pela marca do perfectivo na expressão verbal atrapalhou os moradores, instaurando um processo ou estado acabado.

Para o exemplo (F), Rezende (2001) demonstra que se houvesse somente o fragmento a foto de Sebastião Salgado sem o contexto encaixante posterior foi

vendida por 100 reais ele teria um caráter predicativo. Porém, o contexto encaixante

faz com que o termo foto passe “[...] a ter unicidade, contorno, estabilidade no tempo e no espaço, em síntese: a foto se nominaliza, deixa de ser predicado e passa a ser nome ” (REZENDE, 2001, p. 257).

Como se pode observar, em todos os exemplos mencionados o contexto encaixante posterior altera os valores seja concreto, seja abstrato, atribuídos aos fragmentos isolados analisados pelo viés da gramática tradicional.

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Considerações finais

Diferentemente do que já se havia definido em qualquer outra teoria aqui citada, nota-se que a TOPE busca marcas em operações enunciativas e não está preocupada em encaixar termos em classes pré-definidas e congeladas. Assim sendo, ao comparar os processos e as marcas deixadas em substantivos abstratos e concretos, procura-se analisar como se dá o processo de estabilização desses termos; se as operações são preponderantes de forma qualitativa ou quantitativa; como o contexto encaixante e a forma de referenciação influenciam o processo de representação de um (abstrato) ou de outro (concreto).

Pretende-se nos próximos capítulos, tendo em vista a perspectiva aqui apresentada, observar a influência do aspecto e modo das situações enunciativas em que os termos estão classificados como tal, bem como a operação de localização; a forma como os valores discreto-denso-compacto fazem a diferenciação e a identificação entre as ocorrências que apontam ou para o abstrato ou para o concreto, dentre outras operações que possam surgir de acordo com as análises dos exemplos presentes neste trabalho.

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