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O Sindicato das Indústrias de Calçados e Confecções de Juazeiro do Norte e Região (SINDINDÚSTRIA) surge em 1996 e reúne empresas formais de pequeno e médio porte, tidas como mais estruturadas. A iniciativa partiu de jovens e antigos produtores, ex-comerciantes e técnicos que se tornaram produtores. A idéia era agregar e organizar os produtores que, a cada dia, aumentavam na região. Consideravam que só uma ação mais organizada e coletiva promoveria maior interação dos empreendedores que despontavam no ramo e o fortalecimento do interesse comum. O objetivo central era a criação de suporte que desencadeasse oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias e criasse uma nova mentalidade empresarial. As ações foram centradas em cursos, palestras, assistência técnica e parcerias. Entre os produtores, fala-se de uma “nova era” relacionada às relações que se estabeleceram com a intermediação do SINDINDÚSTRIA.

O arranjo passou a ter uma maior visibilidade no Estado e no País, compondo um circuito de troca de informações e de negociações mais amplas, atraindo compradores, investidores e novas tecnologias. A

ampliação das relações ocasionou ampliação do mercado e

consolidação do arranjo 52.

Os produtores começaram a participar, de modo mais sistemático, das feiras de calçados e outros eventos nacionais e, também, de missões em outros países, para conhecerem algumas experiências produtivas. Os laços com instituições nacionais e ou ligadas a outros arranjos produtivos de calçados foram estreitados, o que permite parcerias constantes. O SINDINDÚSTRIA foi um dos articuladores para discussão e realização da FETECC (Feira de Tecnologia e Calçados do Cariri), que se tornou um evento anual e entrou para o calendário de feiras do País.

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Solados produzidos no Arranjo expostos na FETECC. Foto da autora

52 De acordo com o presidente do SINDINDÙSTRIA, o crescimento do arranjo é sustentável. Nos

últimos dois anos, este conseguiu ampliar os espaços no mercado internacional. Em 2005, a FETECC garantiu participação de importadores e lojistas do Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Venezuela, República Dominicana, Espanha, e México. “São os continentes da América, Europa e África, presentes no Cariri em busca de produtos locais“, ressalta o presidente do Sindicato.

Segundo os depoimentos, a feira tornou-se um portal de experiências e negociações entre comerciantes e produtores, e se realiza anualmente, desde 1998, em parceria com o SEBRAE e Governo do Estado do Ceará. Mobiliza empresários e fornecedores do País inteiro, o que proporciona maior visibilidade ao arranjo, tornando-se um espaço de intercâmbios e de trocas sobre novas tecnologias e de contato direto com produtos, máquinas e equipamentos mais avançados.

Ela sempre muda alguma coisa. Já é uma forma de fazer com que aquelas pessoas que não podem ir ao Sul, elas possam fazer contato aqui (Médio produtor).

Então a gente vai adquirindo experiência, vai vendo o que está sendo lançado e tal (Pequeno produtor).

Para o presidente do SINDINDÙSTRIA (2005), a Feira cumpre o seu papel de fortalecer o setor no Cariri. Em relação ao ano de 2004, o evento cresceu 30%, com volume de negócios da ordem de 80 milhões. Para ele, “a própria evolução da Feira mostra os resultados positivos em prol do pólo calçadista”. Além dos expositores da região, empresas e fornecedores da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e de países da América do Sul, África e Europa participam do Evento.

A FETECC de 2004 contou com a exposição de uma fábrica - modelo, que chegou a fabricar 600 pares de calçados femininos durante o

evento53.

53 A produção foi arrematada pelos lojistas e a renda doada a uma instituição voluntária que presta

A ação foi realizada em parceria com o Centro Tecnológico de Couro, Calçados e Afins do Rio Grande do Sul (CTCCA). O contato entre o SINDINDÚSTRIA e o CTCCA aconteceu numa feira de calçados, em São Paulo, a FRANCAL. O objetivo do CTCCA é difundir a inovação tecnológica em serviços, processos, máquinas, componentes e modelagem. Componentes de maquinaria inovadores foram trazidos, compondo a fábrica - modelo, e, como resultado, um produto de boa qualidade foi produzido no evento às vistas de visitantes e produtores.

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Fábrica modelo durante a FETECC. Foto da autora.

A FETECC é vista pelos produtores como um elo na troca de experiências e como símbolo da capacidade empreendedora dos produtores do arranjo. Embora todos os cursos, feiras e outros eventos sejam realizados em colaboração e parceria com outras instituições, como destacado há pouco, o discurso do empreendedorismo dos

produtores e as relações de cooperação ressaltam-se como os propulsores do desenvolvimento do arranjo.

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Calçados produzidos na fabrica - modelo instalada na FETECC. Foto da autora.

A FETECC está cada vez mais solidificada, ancorada pela força empreendedora dos nossos produtores, incansáveis na luta pelo engrandecimento da nação calçadista (Presidente do SINDINDÙSTRIA).

Nosso trabalho sempre foi voltado em favor dos nossos afiliados, buscando soluções, abrindo caminhos e sintetizando o pensamento de todos. Fazemos valer que

aqui produzimos com qualidade, que somos

empreendedores e que juntos poderemos avançar nas nossas conquistas, fortalecendo cada vez mais o pólo

O Sindicato também medeia a relação entre os produtores e algumas instituições, como SENAI e SEBRAE, mobilizando alguns cursos,

seminários e treinamentos, workshops e consultorias, como é o caso do

Seminário de Design realizado em 2002 e em 2004, em parceria com o

Centro Tecnológico de Calçados de Novo Hamburgo (CTC), no Rio Grande do Sul. Cursos desse tipo são vistos como importantes para aprimorar a qualidade e a originalidade dos produtos.

Em virtude da inexistência de centros tecnológicos, alguns cursos foram realizados em parceria com centros de outros estados, com é o caso do Curso de Formação de Supervisores Industriais em parceria

com o Sindicato das Indústrias Calçadistas do Crato, o

SINDINDÚSTRIA e o CTC. Trinta e oito representantes de empresas caririenses participaram da promoção.

O Sindicato de Calçados do Crato é mais recente, pois surge em 2001 e é dirigido pelos representantes da grande indústria. Tem dez associados e atua em parceria com o SINDINDÚSTRIA em alguns cursos.