Antes de destacar os elementos que pressionam o indivíduo no seu ambiente de trabalho, é necessária a compreensão da distinção entre pressão e estresse.
As pessoas estão constantemente sujeitas a uma infinidade de estímulos que, dependendo do seu grau de potência, são capazes de produzir estresse. Estes estímulos são chamados de pressões e normalmente se originam do próprio corpo (dor, sede, calor, frio, entre outros), de manifestações mentais (ansiedade, medo, sentimentos de culpa, entre outros) e da interação com o mundo externo (doenças orgânicas, conflitos interiores, relacionamentos interpessoais tensos, acidentes, entre outros). Estas três instâncias se influenciam o tempo todo e estão profundamente interligadas. Apesar de apresentarem terminologias diferentes (estressantes, estressores), têm o mesmo significado, isto é, são causadores potenciais de estresse e estão presentes na relação que uma pessoa estabelece com seu ambiente de trabalho (RIO, 1995).
De acordo com Arroba e Kim (1988), pressão é o conjunto de exigências colocadas sobre uma pessoa. Estas exigências podem ser físicas ou psicológicas e, agradáveis ou não, aumentam a pressão sobre uma pessoa podendo levá-la ao estresse. Nesse sentido, o estresse seria a resposta a uma inadequação do nível de pressão exercido sobre uma pessoa. Assim, tanto a pressão alta quanto baixa causa estresse, tornando necessário que o delta dessa relação se mantenha em um nível equilibrado.
A literatura mostra que a forma de reagir e contrabalançar os efeitos causados pelas situações de pressão e estresse varia de pessoa para pessoa. Aspectos como o nível de ajustamento pessoal, maturidade e capacidade para resolver problemas farão com que cada pessoa tenha sua própria combinação para lidar com situações estressantes, bem como determinarão o grau de estresse experimentado em um determinado momento. Portanto,
manter um ambiente de trabalho sob graus aceitáveis de pressão e estresse é altamente benéfico para que os empregados se tornem saudáveis, produtivos e satisfeitos com a organização em que trabalham. Porém, sem certo grau de pressão e estresse, os empregados fatalmente não estarão estimulados para o trabalho e nem mesmo dispostos para enfrentar desafios, superar obstáculos e produzir (ALBRECHT, 1990; COUTO, 1987).
Os agentes estressantes no ambiente de trabalho podem estar enquadrados em três categorias: (1) ao comportamento das pessoas; (2) ao trabalho propriamente dito; (3) à organização (COUTO, 1987).
Relacionados ao comportamento das pessoas estão os fatores: (a) relacionamento interpessoal destrutivo; (b) incoerências no trato de assuntos de pessoal como alterações salariais, restrições à participação em treinamento e protecionismo; (c) autoridade não compatível com a responsabilidade; (d) chefia que não representa os interesses de seus subordinados; (e) ambiente tenso, inseguro ou causador de medo; (f) divergência entre os estilos de trabalho.
Ao trabalho propriamente dito destacam-se: (a) falta de subsídios necessários para a tomada de decisões; (b) responsabilidade excessiva não compatível com a capacidade requerida para a execução de uma tarefa; (c) prazos pouco razoáveis para a realização de uma tarefa; (d) falta de informações; (e) volume excessivo de trabalho; (f) deficiências de outras áreas prejudicando o andamento do trabalho de uma pessoa.
Quanto à organização estão os fatores relacionados a: (a) incompatibilidade entre o sistema de compensação e a capacidade/responsabilidade desempenhada numa tarefa; (b) critérios de promoção nem sempre baseados na competência; (c) conflitos entre os valores de uma pessoa e a cultura empresarial; (d) organização deficiente do trabalho ocasionando alta incidência de perdas.
No exercício de várias profissões, encontram-se vários estressores. Parte desses estressores está diretamente ligada ao estresse sentido pelos profissionais ao exercerem a profissão em determinados contextos sociais e institucionais. Quando destacadas as conseqüências desses estressores em profissionais de várias áreas, pode-se perceber que esses, quando persistentes, podem levar a malefícios resultando constante pressão emocional. As conseqüências maléficas causadas pelo estresse em várias classes de profissionais podem interferir na obtenção dos objetivos laborais, sendo que em alguns casos, causam apatia no profissional, problemas de saúde e até a intenção de abandonar a profissão. Nota-se, contudo, que tais conseqüências se manifestam de formas diferenciadas em função de fatores como: idade, sexo (masculino e feminino) e cargo (CARLOTTO, 2002).
A literatura apresenta, pois, alguns benefícios em se investigar a associação entre estresse ocupacional em diversos contextos, sendo pertinente a verificação desta associação num contexto de empresas no estado de Pernambuco. Eis que surge a primeira questão norteadora: Qual o nível de estresse ocupacional percebido pelos profissionais de TI em empresas do estado de Pernambuco? Tal nível de estresse ocupacional percebido é afetado por fatores como idade, sexo e cargo?
Os agentes estressores são comuns a todo trabalho ou ocupação. Entretanto, os tipos de agentes e a potência de sua manifestação variam de acordo com as especificidades do contexto organizacional e a personalidade de cada indivíduo. Em outras palavras, nem todas as pessoas são atingidas da forma homogênea pelos agentes estressores de uma situação de trabalho (COOPER et al., 1988).
Estes autores, avançando nos estudos sobre o tema, construíram o Modelo Dinâmico de Estresse, o qual engloba agentes estressores, características pessoais, manifestações individuais e organizacionais e estratégias de combate ao estresse. Baseados este modelo, os autores montaram o questionário Occupational Stress Indicator (OSI), questionário utilizado mundialmente no diagnóstico de estresse ocupacional. O OSI é um instrumento abrangente, composto por seis escalas básicas, sub-escalas e itens de resposta. Posteriormente, Moraes e Kilimnik (1994) dividiram as seis grandes escalas em três grupos de variáveis: fatores de pressão no trabalho, diferenças individuais, e manifestações do estresse. O Quadro 1 (2) ilustra esse modelo adaptado, mostrando que diferentes fatores podem ser considerados como fonte de pressão; e que diferentes reações e sintomas podem ser apresentados por indivíduos inseridos no mesmo ambiente.
Quadro 1 (2) - Relação Conceitual entre Escalas e Sub-Escalas do OSI, adaptado de COOPER et al. (1988), por MORAES e KILIMNIK (1994)
FONTE: MORAES e KILIMNIK, 1994
2.4 Mentoria
O objetivo desta seção é oferecer uma visão, enquanto fenômeno, sobre a Mentoria. Primeiramente, os principais fundamentos sobre os quais se baseia a Mentoria e os diversos aspectos a ela relacionados serão abordados. Em seguida, serão apresentadas as funções psicossociais, funções de carreira, bem como os benefícios da Mentoria.