Na primeira etapa do estudo, foi aplicado aos estudantes do EM o questionário denominado BEDEF, estruturado pela pesquisadora para esta pesquisa, inicialmente para ser utilizada em uma amostra portuguesa e, posteriormente, adaptado à população brasileira (instrumento I – Apêndice 3). O BEDEF é composto por dados de caracterização da escola e do sujeito e diversas escalas já conhecidas, pontuadas pela técnica tipo Likert, que objetivaram medir variáveis diretas ou indiretas associadas ao bem-estar discente, conforme a Tabela 1 a seguir.
Tabela 1 - Escalas que compõe o instrumento BEDEF
O questionário BEDEF foi constituído por nove escalas, mas para o estudo no Brasil foram utilizadas apenas sete. Salienta-se que as escalas (h) e (i), apesar de fazerem parte do instrumento original utilizado na amostra portuguesa (estudo piloto), não foram utilizadas com os alunos brasileiros, pois não estavam validadas no momento da coleta de dados – melhor detalhamento a seguir. Todas as demais escalas são transculturais ou foram validadas para a população alvo. A escala (c) de Ambiente e Escalas BR Autor(es) PT BR PT Itens Pontuação Consistência Interna BR PT a Saúde Subjetiva Matos et al. (2006) 1 de 1 a 5 - b Tempo Livre 5 de 1 a 5 0,75 0,73 c Ambiente e aprendizagem da EF 6 de 1 a 5 0,83 0,88 d
Escala das NPB_EF
Lettnin, Davoglio, Stobäus e Cid (2013) Cid, Pires, Silva e Borrego (2011) 12 de 1 a 5 0,83 0,86
e Motivação Intrínseca Jesus (1996) 4 de 1 a 7 0,87 0,90 f Escala de Otimismo Barros de Oliveira (1998) 4 de 1 a 5 0,81 0,86 g Escala de Autoestima de Rosenberg Hutz (2000) Santos (2003) 10 de 1 a 4 0,77 0,87 h Escala de Satisfação
com a Vida Segabinazi et al. (prelo) Simões (1992) 10 5 de 1 a 5 - 0,86
i PANAS Segabinazi et
Aprendizagem retirada do instrumento Kidscreen – Projeto Aventura Social e Saúde (Matos et al., 2006) – e a escala (e) de Motivação Intrínseca (Jesus, 1996) foram adaptadas ao contexto da EF. A escala (d) das Necessidades Psicológicas Básicas em Educação Física – adaptada por Cid et al. (2011) da versão portuguesa da Basic
Psychological Needs in Exercise Scale - BPNESp – foi validada `a população brasileira
por Lettnin et al. (2013a) por meio de Análise Fatorial Exploratória, considerando o levantamento de dados desse estudo.
A Tabela 1, também traz informações sobre o número de itens que compõem cada escala Likert, bem como sua escala de valores (pontuação). Os resultados das escalas (b), (c), (e), (f) e (h) são obtidos pela soma dos itens que as compõem.
A Escala das Necessidades Psicológicas Básicas em Educação Física (NPBEF), validada por Lettnin et al. (2013a), que compreende três dimensões da Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (1985) – Autonomia (3; 6; 9; 12); Competência (1; 4; 7; 10) e Relação (2; 5; 8; 11), possui 12 itens que são avaliados em 5 pontos. Essa escala permite fazer uma avaliação global, somando o resultado das três dimensões, ou uma avaliação individualizada, somando os 4 itens especificados no parênteses ao lado de cada dimensão.
A escala de Autoestima (g), adaptada de Rosenberg (1965) por Hutz (2000), avalia os sentimentos globais de autoestima do self. É constituída por 10 itens que pontuam em 4 pontos. A pontuação mais elevada representa autoestima mais positiva. Salienta-se que para a soma dos itens 2, 5, 6, 8 e 9 a pontuação deverá ser invertida, já que as afirmativas são negativas.
Embora não tenham sido utilizadas na amostra brasileira, explica-se que a composição da escala de Satisfação com a Vida (h) de Segabinazi et al. (no prelo) e a escala (i) Positive Affects Negative Affects Scale – PANAS – de Segabinazi et al. (2012), resultam no Bem-Estar Subjetivo (BES). Enquanto o resultado da escala (h) é obtido pela soma dos itens, o resultado da escala (i) é obtido pela soma dos Afetos Positivos (1; 2; 4; 6; 8; 9; 10; 12; 15; 16; 17; 21; 26; 28) subtraído da soma dos Afetos Negativos (3; 5; 7; 11; 13; 14; 18; 19; 20; 22; 23; 24; 25; 27).
Na segunda etapa dessa investigação foi aplicado um roteiro de perguntas semiestruturadas (instrumento II – Apêndice 4) para entrevistar os professores de EF do EM – conforme critério referido no item anterior –, em ambiente reservado, com prévio agendamento, registradas em gravação de áudio. O objetivo era identificar na etapa inicial, os alunos efetivamente assíduos e pouco assíduos/envolvidos com as aulas de
EF do EM, a visão dos educadores sobre o afastamento dos alunos do EM, as estratégias adotadas pelos docentes para promover a participação e a opinião deles em relação a (des)seriação da EF para este nível de ensino.
Na terceira etapa foi composto e organizado o grupo focal com os alunos, de acordo com as especificações descritas no item participantes. As sessões realizadas abordaram a importância da EF Escolar e seus conteúdos para a vida, o(s) motivo(s) pelo(s) qual(is) se afastam/participam das aulas de EF e de que forma, na visão deles, a EF poderia estar organizada para atrair e obter ainda mais a participação dos alunos, avaliando especificamente a proposta de (des)seriação. Outros temas relevantes para este estudo foram discutidos, como por exemplo, atividade física versus sedentarismo e relações interpessoais no contexto escolar. As observações desse momento foram registradas em um Diário de Campo pela pesquisadora, e os diálogos gravados em áudio e vídeo, os quais foram posteriormente transcritos.
Ainda nessa etapa, para auxiliar as discussões no grupo focal e buscar elementos concretos sobre a (des)seriação, os alunos tiveram a iniciativa de elaborar um questionário misto (instrumento III – Apêndice 5), – com questões abertas e fechadas – para que seus colegas de EM respondessem.
Na quarta etapa utilizou-se os mesmos recursos instrumentais do grupo focal – diário de campo e gravações em áudio e vídeo – para a melhor coleta dos elementos das observações feitas nas aulas de EF, realizadas no sentido de verificar a participação nas atividades propostas, bem como identificar mudanças de comportamento dos alunos pouco assíduos/envolvidos neste ambiente escolar, principalmente ao que se refere às relações interpessoais.
O estudo da integração das respostas obtidas por meio dos instrumentos de pesquisa da primeira, segunda, terceira e quarta etapas – questionários, diário de campo e gravações –, completaram a tarefa de compreender a concepção dos alunos e professores acerca da (des)seriação da EF no EM face à saúde dos escolares, correspondendo ao objetivo principal dessa investigação.
Ressalta-se, ainda, que os instrumentos I e II foram construídos pela pesquisadora com base na revisão de literatura e na questão norteadora que o estudo pretendia responder. As questões do roteiro de entrevista foram divididas, de acordo com Barros e Lehfeld (1999), em perguntas de fato – questionam os fatos objetivos como idade e sexo –, de ação – questionam os comportamentos e ações do presente e do passado –, de opinião e de intenção, combinadas de maneira fechada e aberta, buscando-
se resultados mais precisos e completos acerca do universo investigado. Além disso, todos os instrumentos, com exceção daquele construído juntamente com os alunos do grupo focal, submeteram-se a estudo piloto e a validação por especialistas.