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Encontramos em Ibiapina (2004) a indicação de que a interação entre pessoas é um aspecto fundamental na pesquisa em ciências sociais, o que não ocorre quando utilizamos tão somente o questionário como instrumento de coleta de dados. A interlocução, ao contrário, propicia uma maior proximidade entre os indivíduos, possibilitando a penetração na

subjetividade de outrem por meio da oralidade, aspecto importante nas pesquisas de cunho sociohistórico.

Nas investigações que se apóiam sobre este paradigma, a entrevista está revestida pelo aspecto social, caracterizando-se como uma situação privilegiada de interação, marcada pela produção da linguagem. Esse aspecto torna-se bastante importante porque, uma vez constituído historicamente, o sujeito, ao se expressar, inclui outras vozes, que, conjuntamente, refletem a realidade do seu grupo social.

A linguagem é, assim, o instrumento fundamental no processo de mediação das relações estabelecidas socialmente. Nessa perspectiva, é possível inferir que podemos apreender os aspectos subjetivos das nossas parceiras sociais ao utilizarmos a palavra para nos comunicarmos, pois ela é a expressão viva do pensamento, no qual se encerram os aspectos cognitivos, afetivos e volitivos, as necessidades e vontades, que se constituem a partir da realidade objetiva e da atividade do indivíduo.

É importante ressaltar que as falas das partícipes, articuladas com o processo histórico que as constitui, indicam como elas foram construindo seus significados. O que quer dizer que para compreender a atividade realizada é necessário levar em conta a realidade social que a permeia, pois essa realidade se insere em cada ser humano e está expressa em suas ações, pensamentos e sentimentos. Assim, ao estudar um fenômeno, devemos proceder a uma análise que considere não apenas o comportamento manifestado pelos sujeitos, mas, principalmente, levar em conta o processo sociohistórico que o constitui.

Para compreender, portanto, a construção da subjetividade, é preciso ter como ponto de partida a palavra, e, por conseguinte, a linguagem, compreendida como mediação da subjetividade e instrumento produzido social e historicamente. Por meio dela, o homem se individualiza, apreende e torna material o mundo das significações, tornando possível o intercâmbio social.

Embora tenhamos consciência de que para algumas partícipes tenha sido difícil expressar por meio da palavra o pensamento que guia a sua prática profissional, acreditamos que este procedimento estimulou a verbalização de suas ações e os motivos subjacentes às mesmas, os conhecimentos construídos sobre sua atividade profissional e o modo como compreendem a questão do ensino-aprendizagem na educação infantil.

→ → →

→Como a criança se apropria do mundo objetivo, processo esse que é fundamental para

o desenvolvimento da sua consciência;

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→Como você vê o ato de brincar e suas implicações no desenvolvimento da criança; →

→ →

→Por que o brincar é a atividade principal da criança em idade pré-escolar; →

→ →

→Fale sobre o papel do professor no processo ensino-aprendizagem na educação

infantil;

→ → →

→Diga como o brincar pode se constituir uma importante estratégia pedagógica na

educação infantil.

Por meio desse procedimento metodológico foi possível adentrar a realidade imediata das partícipes envolvidas, especialmente quanto aos conhecimentos já consolidados no tocante à questão do brincar na pré-escola. Esse diagnóstico ganhou relevância necessária no âmbito deste trabalho, uma vez que o brincar constitui a atividade principal da criança em idade pré-escolar, configurando-se como a principal ferramenta de apropriação da realidade circundante.

As entrevistas transcorreram normalmente, embora tenhamos constatado entre as partícipes a mesma preocupação demonstrada com relação ao preenchimento do questionário quanto ao critério certo ou errado das respostas emitidas. Antes de iniciar as entrevistas, esclarecemos a cada partícipe individualmente quanto à função deste instrumento no âmbito da pesquisa, garantindo o sigilo em relação à identificação pessoal.

Estabelecido o clima de confiança e cordialidade, concluímos esta etapa da investigação, solicitando que as professoras e partícipes envolvidas elaborassem o texto relativo ao questionamento sobre as principais necessidades de formação para o exercício da docência com crianças em idade pré-escolar.

Os temas abstraídos e por nós sintetizados a partir dos dados fornecidos pelo questionário, as entrevistas e o texto escrito, estão contemplados no Quadro 1, a seguir.

QUESTIONÁRIO DIAGNÓSTICO

INICIAL ENTREVISTAS INDIVIDUAIS E TEXTO ESCRITO 1 O conceito de Educação infantil;

2 O desenvolvimento psico-social da criança de 0 a 6 anos.

1 O brincar como atividade principal no período pré- escolar;

2 O brincar como estratégia pedagógica na educação infantil.

Quadro 1 - Necessidades formativas constatadas por meio do questionário, da entrevista e do texto escrito.

Fonte: Resultados obtidos com a aplicação do questionário, entrevistas e texto escrito com as professoras e partícipes envolvidas. Ipiranga-PI/2004.

Após a formação do grupo e realizado os diagnósticos pertinentes, organizamos as ações subseqüentes em parceria com as professoras e partícipes. Para tanto, nos reunimos no mês de abril de 2004, com o objetivo de discutir conjuntamente acerca do cronograma de execução do projeto, papéis assumidos no transcurso da investigação e atribuições das envolvidas. Conforme entendimento mútuo, decidimos pela realização de Ciclos de Estudos Reflexivos e Sessões Reflexivas, que foram realizadas mensalmente, com duração de duas horas e trinta minutos

Observando os princípios norteadores do estudo, foram definidas as atribuições de cada uma das participantes, conforme o Quadro 2, a seguir. Em síntese, a mediadora se responsabilizou por incentivar o apoio mútuo, estimulando a participação ativa e as trocas colaborativas entre as envolvidas.

As demais professoras e partícipes se responsabilizaram por compartilhar os significados construídos ao longo do percurso de desenvolvimento profissional e do processo investigativo, justificando as escolhas feitas, confrontando idéias e contribuindo para o crescimento do grupo como um todo.

ATRIBUIÇÕES DO MEDIADOR ATRIBUIÇÕES DAS PARTÍCIPES

1 Proceder ao levantamento das necessidades de formação do grupo;

2 Fazer o diagnóstico dos conhecimentos prévios sobre os conceitos definidos;

3 Aplicar os instrumentos de coleta de informações e transcrevê-los;

4 Contratar filmador;

5 Indicar fontes de informação, selecionar, organizar e produzir o material de estudo;

6 Mediar com o grupo os ciclos de estudo e as sessões reflexivas;

7 Promover o aprofundamento teórico;

8 Propiciar situações de estudo e reflexão sobre a aplicação da teoria às situações concretas de ensino; 9 Redigir os relatórios provisórios e submetê-los a aprovação das partícipes;

10 Divulgar os resultados individualmente ou em grupo; 11 Redigir um relatório para cumprir as exigências do Curso de Doutorado.

1 Responder ao diagnóstico- questionário, entrevista e produção de texto;

2 Aprovar os conceitos selecionados e/ou sugerir conceitos a serem trabalhados;

3 Participar ativamente das situações formativas; 4 Apresentar-se voluntariamente para as filmagens; 5 Permitir e recolher autorização para as filmagens; 6 Ler os relatórios parciais fazendo possíveis alterações 7 Colaborar com os pares nas sessões reflexivas.

Quadro 2 – Atribuições do mediador e das partícipes.

Fonte: Resultado do entendimento mútuo entre as professoras e partícipes investigativas. Ipiranga-PI/2004.

Compreendendo que a colaboração significa mais do que apenas cooperar e participar, viabilizamos a criação de situações que possibilitassem ao grupo vivenciar relações democráticas e igualitárias, negociando os objetivos norteadores dos Ciclos de Estudo e Sessões de Reflexão inter/intrapessoal, procedimentos de trabalho, a necessidade do envolvimento coletivo e o acesso ao material coletado, transcrito e publicado.

Esta forma de trabalhar, como já ressaltamos, está alicerçada nos princípios da pesquisa colaborativa, o que supõe ampla e explícita interação entre os pares. Todas as envolvidas são co-responsáveis e co-autoras, dividindo responsabilidades e assumindo papéis ativos e participativos rumo ao desenvolvimento profissional coletivo.

Os procedimentos adotados propiciaram traçar o perfil e a apreensão das necessidades formativas do grupo de trabalho, permitindo sintetizar os temas e encaminhá-los, posteriormente, aos Ciclos de Estudo Reflexivos, em conformidade com os pressupostos da opção metodológica adotada.