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Conclusion and future work

Abordar a oferta de Turismo Rural em Minas Gerais utilizando como critério a divisão do estado em Áreas de Estudo tem como objetivo contemplar as especificidades que caracteri- zam as amostras de iniciativas turísticas sediadas em cada um desses recortes espaciais. Ilu- minar as peculiaridades turísticas de cada área possibilita a visualização das múltiplas faces que tal oferta assume em resposta às distintas realidades sócio-culturais, econômicas e ambi- entais que se configuram no estado.

Entretanto, propor a precisa divisão do estado de Minas Gerais em áreas sócio-econômicas, culturais, constitui um complexo exercício de pesquisa, sendo que, derivado dessa questão, diversos temas são objeto de estudo de dissertações e teses relacionados à ciência geográfica e de outra natureza. Dado que esse não é o mote principal da pesquisa aqui tratada, para fins desse estudo procurou-se estabelecer um esboço das Áreas de Estudo que pudesse favorecer a abordagem, de caráter regional, dessa oferta turística.

A pesquisa de gabinete sobre os processos histórico-culturais e econômicos de formação e desenvolvimento do estado de Minas Gerais acena para aspectos fundamentais a serem consi- derados para a proposta de delineamento dessas áreas. Neste sentido, as obras de Moura (2000), Iglesias (1958), Carrato (1968), Guimarães (2004), Neves (1998), entre outros auto- res, auxiliaram o entendimento, de natureza preliminar, sobre as dinâmicas sócio-culturais que demarcaram a conformação do atual estado de Minas. Em linhas gerais, a partir desses estu- dos, é possível vislumbrar, num primeiro momento, quatro diferentes áreas mineiras de cons- tituição histórico-cultural.

Destarte, grosso modo, a porção nortista do estado é reconhecida como uma área atrelada à cultura dos currais de gado, das criações pecuárias que tiveram início ao longo do rio São Francisco e que abasteceram a região mineradora, principalmente durante o século XVIII. O Norte do estado de Minas Gerais fez parte do “Caminho da Bahia” ou “Caminho dos Currais do Sertão”, um importante corredor histórico de povoamento e de escoação de mercadorias, que interligava Salvador à capitania de Vila Rica (atual Ouro Preto). O apurado relato de André João Antonil (1982) expõe que, à época,

quando o metal circulava em pó, de vez que ainda não existiam as Casas de Fundição em Vila Rica e no Rio das Velhas, muitos mineradores traziam o ouro para a Bahia, por esse caminho, onde adquiriam cabeças de gado para revenda nas Minas, movimentando um expressivo comércio nessa região.

Em complementaridade a esse fator histórico, Iglésias (1958) relata que

se a lavoura não contribuiu de modo tão significativo no devassamento de áreas, a pecuária disputa com a mineração a prioridade na faina desbravadora de terras serta- nejas. Vegetação e salinas permitiram a atividade pastoril na região Norte. Fato comprovado pelas estatísticas de exportação das primeiras décadas do século XIX, quando foi a pecuária que se sobressaiu.

Tendo em vista tais relatos históricos, pode-se afirmar que, majoritariamente, a atividade pe- cuária foi a economia que tomou face dessa porção territorial, marcando, assim, os ofícios e a cultura desse povo.

Já a porção central do estado apresenta, em âmbito geral, suas características voltadas para o labor da mineração. As províncias de exploração aurífera mais importantes — atualmente os municípios de Ouro Preto, Mariana, Sabará, entre outros — estavam sediadas nessa área, o que atribuiu a ela distintos traços de urbanização frente aos demais territórios mineiros.

Minas Gerais na metade do século XVIII atingiu a tal grau de progresso urbano que poderia ser considerado como uma das sociedades mais evoluídas do mundo, pois o ouro havia sido descoberto em camadas superficiais de depósitos aluviais e aflora- mento, e, desse modo, o ouro era acessível a todos que por ele se interessassem, so- bremodo favorecidos pelo interesse real. Dessa maneira o ouro atraiu um número de imigrantes sem igual na história do reino e este movimento migratório estabele- ceu uma ocupação estável em pleno sertão, de proporções continentais e, em con- seqüência dessa migração, há de se ressaltar a consolidação da economia do Estado Colonial e a influência no desenvolvimento da ocupação territorial brasileira (CARRATO, 1968).

A porção sulina do estado está vinculada historicamente à presença da mão-de-obra imigrante, à cultura cafeeira e à pecuária de leite. A proximidade e relação dessa área com os centros econômicos do estado de São Paulo contribuíram para que tal porção territorial vivenciasse processos de modernização agrícola precoces, o que faz refletir, atualmente, na independência sulina em relação à capital mineira quanto aos setores de serviço, de educação, de saúde, entre outros. Entre as cidades que se destacam, nesse sentido, é possível elencar Varginha, Pouso Alegre e Poços de Caldas. As informações veiculadas pelo Instituto de Desenvolvimento In- tegrado de Minas Gerais complementam tal contexto:

as regiões Sul e Sudoeste de Minas são compostas de aproximadamente 156 municí- pios, a grande maioria pequenas cidades, emolduradas em montanhas e tendo uma área considerável inundada pelo Lago de Furnas. A agricultura ainda é a atividade econômica mais forte, capitaneada pela cultura do café (30% da produção nacional, de qualidade reconhecida internacionalmente) e por uma das principais bacias leitei- ras do País. A industrialização vem avançando seguindo as melhorias da rodovia Fernão Dias, que corta a região e liga São Paulo à Belo Horizonte. A posição geo- gráfica, central em relação ao eixo SP-BH-RJ também constitui outro fator impor- tante para o desenvolvimento (INDI, 2004).

Em vista dessas informações, é factível apontar que tal porção reserva significativa diferença entre as áreas Norte e Central do estado, dadas as características econômicas e sócio-culturais que contribuíram para sua conformação.

Por fim, quanto à extensão territorial do Triângulo Mineiro e Noroeste do estado, é observado que a mesma ocupa uma posição de vanguarda em relação aos índices de crescimento econô- mico estadual e de porte nacional. Parte das justificativas que contextualizam tal cenário são assinaladas por Guimarães (2004) ao expor que

a construção da capital do país e a expansão agrícola para a região Centro-Oeste po- dem ser apontadas como as condições primordiais de favorecimento econômico da região aqui tratada. Se, por um lado, a nova capital representava a possibilidade de colonização das regiões Centro-Oeste e Norte do país, por outro, a região constituía um grande vazio (populacional e econômico) que necessitava ser abastecido de todo o tipo de produtos - agrícolas, industriais e de infra-estrutura. É nesse aspecto que o papel do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas se torna importante, ou se-

ja, enquanto centro articulador entre a nova capital – Brasília e o centro industrial do país – São Paulo. Assim, essas regiões mineiras têm um determinismo geográfico natural, devendo ao fator localização grande parte do seu desenvolvimento.

Ainda sobre esse contexto, Diniz (2000) afirma que

no caso específico do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste, essa mudança produtiva da região Centro-Oeste que surgiu como uma área de agropecuária dinâmica, forne- ceu os elementos básicos para a mudança estrutural no papel dessa região, passando a mesma de entreposto comercial para um entreposto agro-industrial e de serviços especializados para toda a região Centro-Oeste

Ou seja, em vista das colocações tecidas por esses autores, a porção territorial que diz respeito às mesorregiões do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Noroeste de Minas pode ser entendi- da como um território “à parte” na configuração do estado, dada sua particular autonomia e vinculação com outros centros econômicos do país, fator que possibilita sua auto-suficiência no setor industrial, de serviços, de transporte, de saúde, de educação, entre outros.

Dessa forma, o estudo dos processos de conformação histórico-cultural do estado, ainda que de dimensão superficial, contribuiu para o primeiro esboço das Áreas de Estudo utilizadas para fins desta pesquisa. Além desse recurso, o estudo de gabinete sobre a amostra de iniciati- vas turísticas também auxiliou a validação desses recortes espaciais como o primeiro deline- amento de uma proposta preliminar para o estudo regional da oferta reconhecida como de Turismo Rural em Minas. A análise dos descritivos comerciais desses estabelecimentos ex- põe, em geral, a forma como estes divulgam a sua própria localização em escala regional e local e quais são os atrativos turísticos — Cidades de Estilo Colonial, Estâncias Hidromine- rais, Serras, Lagos, Unidades de Conservação, entre outros — que os identificam com a por- ção territorial onde estão sediados. Todos esses dados foram levados em conta, contribuindo, assim, diretamente, para o esboço do tracejo das Áreas de Estudo em questão.

Portanto, é válido frisar que a delimitação dessas Áreas de Estudo não envolveu a seleção de rigorosos critérios para seu estabelecimento, e que essas são utilizadas enquanto amplos mar- cos de referência do que pode vir a ser uma proposta de divisão macroregional sócio-cultural de Minas. Assim, o mapa das Áreas de Estudo da Oferta de Turismo Rural no estado de Mi- nas Gerais, na página 95, apresenta informações sobre as quatro áreas estabelecidas - Norte, Oeste, Central e Sul, as mesorregiões do estado e as respectivas municipalidades que disponi- bilizam atividades nesse segmento turístico, entre outras informações. Adiante, cada uma des- sas Áreas de Estudo é especificamente abordada, a fim de tratar as peculiaridades que marcam

sua oferta turística. Para a caracterização da oferta de Turismo Rural nessas Áreas, são leva- dos em conta os seis critérios de classificação dessa oferta turística, já mencionados no capítu- lo anterior. As impressões extraídas durante as incursões de campo46 também são registradas nesse capítulo e contrastadas com as informações geradas em gabinete, procurando, dessa maneira, validar ou contrapor as primeiras impressões. A partir do trato e correlação entre tais elementos, considerações preliminares são tecidas a respeito das amostras de estabelecimentos